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Suínos Microbioma em pauta

O que o intestino diz, o suíno devolve em desempenho

Especialistas internacionais destacam como a modulação do microbioma intestinal e respiratório pode transformar a saúde dos suínos e impulsionar produtividade com menos uso de antibióticos.

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Durante o bloco Proteger – modulação da microbiota x saúde do 2º SSIN, dois especialistas internacionais destacaram como o microbioma intestinal e respiratório influencia profundamente a saúde e o desempenho dos suínos desde os primeiros dias de vida e como as pesquisas estão moldando o futuro da produção suinícola mundial. A programação contou com as participações do PhD em Ciência Animal e mestre em Biotecnologia, Andrés Gomez, e da PhD em Medicina Veterinária, Maria Pieters, referência mundial em saúde animal.

PhD em Ciência Animal e mestre em Biotecnologia, Andrés Gomez: “Estamos vivendo uma nova era na produção animal, em que entender e modular o microbioma pode fazer toda a diferença para suínos mais saudáveis, produtivos e resilientes” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

“O microbioma é o nosso segundo genoma. E é a única parte que podemos mudar”, afirmou Andrés Gomez, ao introduzir sua palestra sobre a importância da modulação da microbiota nas fases iniciais da produção. Ele enfatizou que o microbioma intestinal está diretamente relacionado a funções fisiológicas críticas dos animais, como comportamento, metabolismo de nutrientes, energia e regulação imunológica.

Segundo o pesquisador, diversos fenótipos de produção estão associados ao microbioma intestinal, como características de carcaça, ganho de peso, eficiência alimentar, resistência a doenças e até prolapsos. “A manipulação do microbioma tem como objetivo promover animais mais saudáveis e produtivos”, explicou.

A modulação do microbioma pode ser feita por meio da dieta e do ambiente. Gomez apresentou o papel das bactérias intestinais na fermentação de carboidratos complexos, como celulose, hemicelulose, lignina e pectina, no lúmen intestinal. “Esse processo resulta em ácidos graxos voláteis (AGVs), como acetato, propionato e butirato, que representam de 30% a 70% da energia metabolizável dos suínos. Além de energia, essa fermentação gera moléculas sinalizadoras que influenciam saciedade, sensibilidade à insulina e imunidade”, relatou.

A janela de maior plasticidade do microbioma e, portanto, de maior oportunidade de intervenção ocorre no início da vida: gestação, lactação e berçário de desmame. “As exposições microbianas precoces são fundamentais. Microbiomas mais robustos se desenvolvem quando há mais estímulo nos estágios iniciais, embora isso precise ser balanceado com medidas de biossegurança em granjas comerciais”, observou Gomez.

Classe dos bióticos como aliados

Gomez destacou que os antibióticos profiláticos não são garantia de melhor saúde intestinal e defendeu o uso de estratégias alternativas. “Antibióticos não apoiam a saúde intestinal, mas a estimulação do microbioma sim. Probióticos, pós-bióticos e prebióticos são ferramentas valiosas para eliminar microrganismos indesejáveis e promover funções benéficas”, frisou.

Além disso, o especialista chamou atenção para o papel do microbioma na proteção antiviral e na desintoxicação de micotoxinas, como o deoxinivalenol (vomitotoxina), que pode causar perda de apetite, vômito e danos hepáticos e intestinais. “O intestino é a porta de entrada de muitos vírus importantes, como HIV, HPV, Influenza, SARS-CoV-2, PRRS e PCV2. Um microbioma saudável promove atividade antiviral natural”, afirmou.

Conhecimento compartilhado

Para Gomez, o avanço na utilização de soluções baseadas no microbioma exige colaboração entre os diferentes elos da cadeia. “Precisamos entender melhor o microbioma e a saúde intestinal dos animais para selecionar as melhores estratégias. A união entre academia, indústria e produtores é essencial, assim como manter registros dos resultados obtidos”, enfatizou.

Eixo intestino-pulmão: a conexão invisível que afeta a saúde respiratória

PhD em Medicina Veterinária, Maria Pieters, referência mundial em saúde animal: “Os métodos de geração de rede têm grande impacto na topologia dos resultados. Por isso, é essencial explorar diferentes abordagens e considerar a heterogeneidade entre os locais amostrados” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Na mesma sessão, a PhD Maria Pieters, professora-assistente do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, abordou a correlação entre a microbiota intestinal e a saúde respiratória em suínos.

Ela trouxe evidências da comunicação bidirecional entre intestino e pulmão, conhecida como eixo intestino-pulmão, com impactos diretos nas respostas imunes e na saúde geral dos animais. “Alterações na microbiota intestinal podem afetar a função pulmonar e vice-versa”, expôs, ao tratar da relevância dessa conexão em doenças respiratórias como a infecção por Mycoplasma hyopneumoniae, uma das principais causas do uso de antibióticos na suinocultura.

Estratégias diagnósticas e uso racional de antibióticos

Com base em estudos realizados em sua universidade, Maria destacou o crescente interesse em alternativas ao uso de antibióticos, especialmente diante da necessidade de tratamento estratégico. Para isso, é essencial compreender como estudar o microbioma respiratório.

Ela apresentou o fluxo de análise para construção de redes de interação microbiana, partindo de matrizes de contagem e abundância relativa. As redes são geradas por métodos como SparCC e SpiecEasi, com posterior limpeza de dados e formação de agrupamentos utilizando algoritmos como Walktrap e modularidade multinível. “Os métodos de geração de rede têm grande impacto na topologia dos resultados. Por isso, é essencial explorar diferentes abordagens e considerar a heterogeneidade entre os locais amostrados”, alertou.

Região V4: a chave para detecção de Mycoplasma hyopneumoniae

Ao abordar os aspectos práticos da vigilância respiratória, a especialista ressaltou que a região V4 do gene 16S rRNA foi a que apresentou melhor desempenho para detecção do patógeno Mycoplasma hyopneumoniae em secreções traqueais. “A V4 superou de forma significava as regiões V1-V3 e V5-V6, com maior sensibilidade diagnóstica e boa resolução taxonômica”, explicou. Essa informação é estratégica para estudos de microbioma, visto que o 16S rRNA é um dos alvos mais comuns em sequenciamento genético.

Mesa-redonda

Após suas apresentações, Andrés Gomez e Maria Pieters participaram de uma mesa-redonda moderada pelo doutor em Medicina Veterinária Luís Guilherme de Oliveira, ocasião em que reforçaram que o futuro da saúde intestinal e respiratória na suinocultura depende de abordagens integradas, com base científica, foco em biossegurança e uso inteligente de ferramentas como prebióticos, probióticos e pós-bióticos. “Estamos vivendo uma nova era na produção animal, em que entender e modular o microbioma pode fazer toda a diferença para suínos mais saudáveis, produtivos e resilientes”, salientou Gomez.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuita. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Preço do suíno cai em abril mesmo com demanda externa em alta

Com embarques 26% maiores em março, mercado interno não reage e cotações retornam a níveis próximos de 2022 a 2024.

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Os preços do suíno vivo no mercado brasileiro recuaram no início de abril, mesmo com o avanço das exportações e o aumento da produção.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, em março, as cotações em São Paulo ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,3%, mantendo o animal em torno de R$ 6,95 por quilo. Já na primeira parte de abril, houve queda de 7,7%, com o preço médio no primeiro decêndio em R$ 6,40 por quilo, mesmo em um período que costuma ter maior demanda. Com isso, os valores voltaram a patamares próximos aos registrados entre 2022 e 2024, ficando cerca de 25% abaixo dos níveis do ano passado.

O spread da suinocultura também apresentou redução. Em março, o indicador ficou em torno de 10%, próximo ao observado em fevereiro, mas abaixo dos 23% registrados no mesmo período do ano anterior. Para abril, a projeção é de nova queda, podendo atingir cerca de 2% caso o comportamento da primeira quinzena se mantenha, o menor nível desde junho de 2023.

Mesmo com a pressão nos preços internos, as exportações tiveram desempenho positivo. Em março, os embarques de carne suína in natura somaram 132 mil toneladas, um recorde para o mês e volume 26% superior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento é de 15%.

Entre os principais destinos, Filipinas e Japão se destacaram, com altas de 74% e 60% nas compras, respectivamente, respondendo juntos por 43% das exportações brasileiras. Em 2025, o mercado externo absorveu cerca de 26% da produção nacional de carne suína.

Dados preliminares indicam aumento de 4% nos abates no primeiro trimestre. Ainda assim, diante do crescimento das exportações, a disponibilidade interna de carne suína teve apenas leve variação no período.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Suínos

Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos

Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

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Imagem: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.

Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.

A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.

Resistência

A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.

Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.

Compostagem

A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.

A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura

Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.

A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.

“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.

Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica

A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.

A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.

A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.

Fonte: Assessoria ABCS
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