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O que o El Niño pode tirar do produtor de leite antes mesmo de afetar a produção

Maior gasto com ração, energia e resfriamento dos animais pode pesar mais nas margens do que uma eventual queda imediata na produção.

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Foto: Divulgação

A possível formação de um El Niño nos próximos meses pode representar um desafio adicional para a pecuária leiteira brasileira. Mais do que uma queda imediata na produção, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliam que o principal impacto do fenômeno poderá ocorrer sobre as margens dos produtores, pressionadas pelo aumento dos custos com alimentação, energia e manejo dos animais.

Foto: Jaelson Lucas

Segundo os pesquisadores, o fenômeno tende a afetar simultaneamente a produção de volumosos, o custo dos concentrados e o conforto térmico dos rebanhos.

Isso significa que tanto os sistemas baseados em pastagens quanto os mais tecnificados podem sentir os efeitos do clima, ainda que por caminhos diferentes.

Nos sistemas extensivos, o principal risco está no atraso da rebrota das pastagens e na perda de qualidade das forrageiras. Já nas propriedades intensivas, a preocupação recai sobre os custos de milho, farelo de soja, silagem e energia elétrica.

Para a pesquisadora de Pecuária do Cepea, Natália Grigol, a combinação desses fatores exige atenção redobrada. “O impacto do El Niño na pecuária leiteira tende a ser combinado. Não se trata apenas de produzir menos pasto ou ter um custo maior de ração. O produtor pode enfrentar simultaneamente maior necessidade de suplementação, pior conforto térmico e custos mais elevados para manter a produtividade do rebanho”, aponta.

Calor afeta consumo e produção

Em períodos de temperaturas elevadas e maior irregularidade hídrica, as vacas tendem a reduzir o consumo de

Foto: Divulgação

matéria seca, comprometendo o desempenho produtivo.

Além da queda na produção de leite, o estresse térmico pode afetar a fertilidade e reduzir a eficiência reprodutiva dos animais.

Segundo o pesquisador de Pecuária do Cepea Giovanni Penazzi, o desafio se torna ainda maior porque as medidas necessárias para amenizar esses efeitos também elevam os custos. “Em situações de calor intenso, cresce a necessidade de sombra, ventilação, aspersão e maior oferta de água. Essas estratégias são fundamentais para preservar a produção, mas exigem investimento e aumentam as despesas operacionais”, explica.

Foto: Jaelson Lucas 

Ele destaca que os sistemas com menor infraestrutura de ambiência tendem a ser mais vulneráveis. “Nem todos os produtores possuem estruturas adequadas para enfrentar períodos prolongados de calor. Isso pode ampliar as diferenças de desempenho e de rentabilidade entre as propriedades”, diz.

Riscos variam entre as regiões

Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme no país. No Sul, a maior umidade pode favorecer as pastagens de inverno e estimular a produção de forragem em determinados períodos. Por outro lado, o excesso de chuva aumenta o risco de lama, mastite, problemas de casco e perdas na qualidade da silagem.

Além disso, a logística pode ser prejudicada, dificultando tanto a colheita quanto o transporte de insumos. “No Sul, existe um equilíbrio delicado. Mais chuva pode ser positiva para a produção de pastagens, mas o excesso traz uma série de problemas sanitários e operacionais que não podem ser ignorados”, afirma o pesquisador de Pecuária do Cepea Thiago Carvalho.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a preocupação está concentrada na combinação entre calor, baixa umidade e atraso

Foto: Marcos Tang

das chuvas.

Nessas regiões, a menor disponibilidade de forragem tende a aumentar a dependência de concentrados, justamente em um cenário de custos elevados.

Já no Nordeste, os impactos podem ser sentidos na oferta de palma forrageira, silagem, feno, capim de corte e água para dessedentação dos animais. “Em algumas regiões, a principal preocupação será produzir alimento. Em outras, será manter os custos sob controle. O desafio do produtor é entender quais são as vulnerabilidades do seu sistema e se preparar para elas”, menciona Thiago.

Custos já pressionam a atividade

O alerta dos pesquisadores ocorre em um momento em que a pecuária leiteira já enfrenta custos elevados.

Foto: Shutterstock

Segundo o Cepea, o preço pago ao produtor apresentou recuperação no primeiro trimestre de 2026, mas ainda permaneceu abaixo do observado no mesmo período de 2025 em termos reais.

Ao mesmo tempo, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu em abril pelo quarto mês consecutivo, influenciado principalmente pelas despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.

Para Giovanni Penazzi, esse contexto torna a atividade mais sensível a qualquer aumento adicional de custos. “Se o El Niño exigir maior uso de concentrado, antecipação do consumo de volumosos ou investimentos extras em resfriamento, o impacto pode ser mais forte sobre a margem do produtor do que sobre o volume imediato de produção”, afirma.

Na avaliação dos pesquisadores, a capacidade de formar reservas alimentares, investir em conforto térmico e planejar os custos será decisiva para atravessar um eventual período de maior instabilidade climática. “O clima não é o único fator que determina a rentabilidade da atividade, mas pode ser o elemento que desequilibra um sistema já pressionado por custos elevados”, salienta Natália.

Fonte: O Presente Rural

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Paraná lidera queda no preço do leite e projeção aponta recuo de 6,7% ao produtor

Conseleites de quatro estados projetam desvalorização para o leite entregue em maio e pago em junho.

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A recuperação do preço do leite ao produtor perdeu força em maio e deu lugar a um movimento de retração nos principais estados produtores do país. As projeções divulgadas pelos Conseleites apontam queda nos valores de referência em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o maior recuo previsto justamente no Estado paranaense.

Foto: Shutterstock

Segundo o Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o Paraná deve registrar desvalorização de 6,7% no preço de referência do leite entregue em maio e pago aos produtores em junho. O percentual supera as quedas projetadas para Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e Minas Gerais (-2,9%).

A mudança de direção ocorre após meses de recuperação dos preços pagos ao produtor e sugere um período de maior pressão sobre a renda no campo. “O movimento indica pausa na recuperação de preços ao produtor, com projeções de quedas, ao contrário do mês anterior, em que houve valorização”, destaca o boletim.

Paraná registra a maior retração

Entre os estados analisados, o Paraná aparece como o mais afetado pelo novo cenário. Dados do Conseleite Paraná

Foto: Carolina Jardine

mostram que o valor de referência do leite padrão projetado para maio caiu de R$ 2,6863 para R$ 2,5076 por litro, redução de 6,65%, percentual arredondado para 6,7% no boletim nacional.

A retração acompanha a piora no desempenho dos principais derivados comercializados pelas indústrias participantes do Conseleite. O leite UHT apresentou queda de 8,73% e a muçarela recuou 5,74% nas projeções para maio, influenciando diretamente a remuneração do produtor.

Recuperação perde fôlego

O comportamento dos Conseleites reforça o cenário já observado em outros indicadores do mercado lácteo.

Em maio, o leite spot, referência das negociações entre indústrias, registrou forte retração, enquanto os preços do leite UHT no atacado também recuaram, interrompendo o movimento de recuperação observado no início do ano.

Foto: Jaelson Lucas

No Rio Grande do Sul, a projeção do Conseleite indica valor de referência de R$ 2,4478 por litro em maio, 3,38% abaixo do mês anterior. Trata-se da primeira redução após uma sequência de altas, segundo o colegiado gaúcho. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, afirmou o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes.

Importações e oferta pressionam mercado

A desaceleração dos preços ocorre em um ambiente de maior competição no mercado interno.

Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das importações de lácteos, especialmente de Argentina e Uruguai, além do crescimento da oferta doméstica em algumas regiões produtoras.

A própria Embrapa já havia alertado, no início do ano, para um cenário de preços mais pressionados em função da elevada disponibilidade de produtos lácteos e da concorrência dos importados.

O comportamento dos Conseleites sugere que a recuperação observada no primeiro quadrimestre perdeu intensidade e que os próximos meses serão decisivos para definir se a retração será pontual ou marcará um novo período de preços mais baixos ao produtor.

Fonte: O Presente Rural
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Entressafra e importações freiam recuperação dos preços do leite

Leite spot recua 14,2% em maio e UHT cai 11,2%, enquanto derivados apresentam comportamento mais estável após altas no início do ano.

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Foto: Isabele Kleim

O mercado brasileiro de leite e derivados perdeu força em maio e interrompeu a trajetória de recuperação dos preços observada nos primeiros meses de 2026. A desaceleração foi puxada principalmente pelas quedas no leite UHT e no leite spot, enquanto muçarela e leite em pó registraram altas mais moderadas, sinalizando uma acomodação dos preços no setor.

Foto: Arnaldo Alves

Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, divulgado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite).

Segundo o levantamento, o preço do leite UHT comercializado no atacado paulista recuou 11,2% em relação a abril. Apesar da queda mensal expressiva, o produto ainda acumula valorização de 2,9% na comparação com maio de 2025.

O movimento foi acompanhado pelo leite spot em Minas Gerais, referência para negociações entre indústrias. O preço caiu 14,2% em relação a abril e ficou 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

No boletim, os pesquisadores apontam que a retração interrompe o ciclo de recuperação iniciado no começo do ano. “Os mercados de leite UHT e leite spot apresentaram queda considerável, interrompendo o movimento de recuperação observado nos primeiros meses do ano, induzindo uma desaceleração às vendas no atacado e no varejo”, destaca a publicação.

Entressafra e importações influenciam preços

A desaceleração ocorre em um momento de entressafra da produção leiteira, período em que normalmente há menor oferta de leite cru. Ainda assim, a pressão exercida pelos produtos importados tem limitado reajustes mais expressivos.

De acordo com o boletim, a combinação desses fatores ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do mercado. “Esse comportamento sugere uma acomodação dos preços após o período de recuperação, refletindo a entressafra da produção leiteira e a competitividade acirrada do volume de lácteos importados no mercado interno”, informa o documento.

Foto: Geraldo Bubniak

Muçarela lidera valorização

Entre os derivados acompanhados pelo levantamento, a muçarela apresentou o melhor desempenho.

O preço do queijo no atacado paulista subiu 2,1% em relação a abril e acumula valorização de 11,7% na comparação anual, a maior alta entre os produtos monitorados.

Já o leite em pó apresentou estabilidade no curto prazo. O produto registrou leve alta de 0,1% frente ao mês anterior, mas segue 3,1% abaixo do valor observado em maio de 2025.

A leitura do mercado é que, após a recuperação registrada no início do ano, os preços entram em uma fase de maior equilíbrio, influenciada tanto pela oferta doméstica quanto pela concorrência dos produtos importados.

Nos próximos meses, a evolução da produção nacional, o ritmo das importações e o comportamento do consumo devem continuar determinando a direção dos preços no mercado lácteo brasileiro.

Fonte: O Presente Rural
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Bezerro sobe 21,4% em um ano enquanto boi gordo acumula queda de 13,5%

Boletim da Embrapa Gado de Leite mostra descompasso entre as principais referências da pecuária de corte. Milho fica mais barato, farelo de soja estabiliza e projeção do PIB para 2026 sobe para 1,89%.

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A pecuária brasileira atravessa um momento de contrastes. Enquanto os preços do bezerro seguem em trajetória de alta, impulsionados pela menor oferta de animais para reposição, a arroba do boi gordo continua pressionada por um mercado doméstico mais fraco e pelas incertezas nas exportações.

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Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados de maio de 2026, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha também indicadores relevantes para outras cadeias do agronegócio.

O levantamento mostra que o preço do bezerro em São Paulo acumulou alta de 21,4% nos últimos 12 meses e subiu 7,3% em relação a abril. O movimento reforça a valorização da reposição em um cenário de oferta mais ajustada.

Na direção oposta, a arroba do boi gordo registrou queda de 13,5% na comparação com maio de 2025 e recuo de 3,6% frente ao mês anterior.

Segundo o boletim, a diferença de comportamento entre as duas categorias reflete as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas na comercialização dos animais terminados. “Os indicadores de mercado observados em maio de 2026 revelam um cenário misto para a cadeia agropecuária. Enquanto o preço do bezerro apresentou crescimento considerável, a arroba do boi gordo foi marcada por queda, com incertezas sobre embarques para a China e vendas domésticas mais fracas”, destaca o estudo.

Reposição mais cara pressiona pecuaristas

A valorização do bezerro amplia o custo de reposição dos rebanhos e reduz as margens dos sistemas de recria e

Foto: Shutterstock

engorda, especialmente em um momento em que o preço pago pelo boi terminado está em queda.

A diferença entre os dois indicadores costuma ser acompanhada de perto pelo mercado porque influencia diretamente as decisões de compra e venda de animais, além da rentabilidade das propriedades.

Nos últimos meses, a redução da oferta de bezerros disponíveis no mercado e a retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos contribuíram para sustentar os preços da reposição.

Custos de alimentação aliviam pressão

Se a reposição ficou mais cara, os custos com alimentação deram algum alívio aos produtores.

O milho, principal componente das rações, registrou queda de 4,5% em relação a abril e acumula desvalorização de 11,5% em 12 meses. A saca de 60 quilos, referência em Campinas (SP), voltou a operar em patamares inferiores aos observados no ano passado.

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Já o farelo de soja apresentou estabilidade no curto prazo. O produto permaneceu praticamente inalterado em relação a abril, mas ainda acumula valorização de 3,3% na comparação anual.

Economia melhora, mas dólar sobe no mês

No cenário macroeconômico, o boletim mostra uma leve desvalorização do real em maio. A taxa de câmbio encerrou o período 0,5% acima do registrado em abril. Ainda assim, o dólar segue 10,8% abaixo do nível observado em maio de 2025.

As expectativas para a economia brasileira, por outro lado, apresentaram pequena melhora. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 passou de 1,85% para 1,89%.

Embora a mudança seja modesta, ela reforça a percepção de maior estabilidade econômica, fator acompanhado com atenção pelo agronegócio por seus impactos sobre consumo, crédito e investimentos.

O conjunto dos indicadores mostra que, apesar da redução em parte dos custos de produção e da melhora das expectativas econômicas, a pecuária segue convivendo com sinais divergentes. Enquanto o bezerro se valoriza e encarece a reposição, o boi gordo ainda busca recuperar espaço em um mercado marcado por demanda mais cautelosa e incertezas no comércio internacional.

Fonte: O Presente Rural
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