Notícias
O que está por trás do salto esperado na produção brasileira de soja
Tecnologia, clima favorável e demanda por biocombustíveis explicam por que o Brasil deve colher uma safra recorde e consolidar sua liderança global.

O Brasil deve seguir liderando o ranking dos maiores produtores mundiais de soja na safra 2025/26, com uma estimativa de produção recorde de 174 milhões de toneladas, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA. O número é 4% superior ao da temporada anterior e praticamente em linha com a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que aponta para 175 milhões de toneladas.
O desempenho brasileiro se destaca num cenário global de crescimento moderado, com a produção mundial estimada em 427 milhões de toneladas, aumento modesto de 1% em relação a 2024/25. “O Brasil deve ser o único entre os grandes produtores a apresentar crescimento relevante na produção de soja na próxima temporada. “Isso se deve à combinação de uma leve expansão de área, ganho de produtividade e boas condições climáticas nas principais regiões produtoras”, avalia o consultor agro do Itaú BBA, Francisco Carlos Queiroz.

consultor agro do Itaú BBA, Francisco Carlos Queiroz: Se o clima colaborar, teremos mais uma safra muito robusta no Brasil” – Foto: Divulgação/Itaú BBA
A consultoria estima que a área plantada com a oleaginosa chegue a 48,3 milhões de hectares, um aumento de 1,5% frente ao ciclo anterior. Embora tímido, o crescimento mantém uma tendência de 18 safras consecutivas de expansão. “Nos últimos quatro anos, a área cresceu 19%, mas agora o avanço será mais contido”, observa Queiroz, ressaltando que os custos de produção elevados, especialmente fertilizantes e juros, são limitadores importantes.
A produtividade média esperada é de 3,6 toneladas por hectare, favorecida por tecnologias modernas e pelo cenário climático promissor. Os modelos climáticos indicam neutralidade nos próximos meses, o que tende a garantir chuvas regulares em regiões-chave como o Centro-Oeste. “Se o clima colaborar, teremos mais uma safra muito robusta no Brasil”, aponta Queiroz.
Demanda em transformação
Do lado da demanda, o cenário também se mostra positivo. O farelo de soja continua sendo peça fundamental na nutrição animal, alimentando o crescimento das cadeias de carnes e leite. Mas a maior novidade está no uso do óleo de soja como base para biocombustíveis, especialmente o biodiesel e o diesel renovável.
“A produção de biocombustíveis está se tornando o principal vetor de crescimento da demanda por soja. Há uma necessidade global de descarbonização das economias, o que tem impulsionado investimentos nesse setor”, menciona Queiroz, destacando que a tendência é de aumento no processamento do grão para extração de óleo, o que gera efeitos positivos sobre toda a cadeia da soja.
EUA e Argentina: cenário mais contido
Nos Estados Unidos, a produção deverá recuar para 118 milhões de toneladas, 1% abaixo da safra passada. Apesar da produtividade projetada de 3,5 t/ha (alta de 3,5%), a área plantada sofreu uma redução de 4%, pressionada pela concorrência com o milho, que promete maior rentabilidade neste ciclo. “O plantio nos EUA ocorreu de forma acelerada e em boas condições, com chuvas acima da média em algumas regiões”, relata o consultor, enfatizando: “A produtividade pode ser boa, mas ainda estamos no meio do ciclo. Julho e agosto serão decisivos.”
O alerta vem do balanço mais apertado entre oferta e demanda no mercado americano. “Se houver alguma quebra, o impacto nos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) pode ser relevante”, avalia Queiroz.
Na Argentina, a estimativa é de 48,5 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à safra anterior, com recuo de quase 5% na área plantada. “O produtor argentino tende a migrar para culturas de maior retorno esperado, como o milho”, comenta o especialista.
Competitividade global e preços

Em um cenário de crescimento global modesto e pressões nos custos de produção, o Brasil tende a ganhar mais espaço no mercado internacional. “Com uma safra recorde e demanda aquecida, o Brasil continua sendo peça-chave no abastecimento global de soja”, expõe Queiroz.
Apesar disso, ele alerta que o mercado internacional seguirá sensível a eventuais quebras na produção americana. “O Brasil pode produzir muito bem, mas o comportamento dos preços continuará atrelado à percepção sobre a oferta nos EUA”, enaltece.
Com o plantio no Brasil previsto para começar em setembro, o produtor entra na reta final de decisões sobre cultivares, insumos e investimentos. Se as previsões se confirmarem, o País poderá reforçar ainda mais sua posição como líder global na produção de soja, consolidando o protagonismo conquistado nos últimos anos.
Demanda global em alta
A expansão da demanda mundial por soja também contribui para o otimismo com o mercado da oleaginosa. De acordo com o consultor do Itaú BBA, o crescimento médio do consumo global nos últimos 10 anos foi de 3% ao ano. No entanto, a safra 2024/25 deve encerrar com um salto de 7% no consumo, e para 2025/26, a projeção é de um crescimento de 4%, ambos bem acima da média da década. “O que está puxando essa aceleração são os biocombustíveis. O óleo de soja vem ganhando importância crescente na produção de biodiesel e diesel renovável. Esse movimento cria um novo patamar de demanda, com impactos estruturais sobre o mercado da soja”, explica Queiroz.
A projeção do USDA para o esmagamento mundial, etapa de processamento dos grãos para extração de óleo e farelo, indica uma elevação de 13,4 milhões de toneladas, saltando de 353,2 para 366,6 milhões de toneladas na temporada 2025/26. O farelo de soja, por sua vez, deverá registrar demanda recorde, sustentada pela expansão da produção global de carnes e pelos preços competitivos diante do aumento da oferta. “O farelo continua sendo o principal insumo proteico para a ração animal, e o crescimento da produção de frangos, suínos e bovinos sustenta a demanda por essa matéria-prima”, comenta o especialista.
China segue como principal consumidora
Responsável por cerca de 30% do consumo global de soja, a China continuará a ser a maior importadora mundial do grão. Após um leve recuo nas compras em 2024/25, motivado por estoques elevados, o país asiático deverá retomar um ritmo mais forte na temporada seguinte.
A previsão do USDA aponta para importações acima de 110 milhões de toneladas em 2025/26, com o consumo total projetado em 133 milhões de toneladas, aumento de 4,8% sobre o ciclo anterior. “Mesmo com a desaceleração econômica e as tentativas do governo chinês de reduzir o uso de farelo na alimentação animal, a demanda por soja deve crescer acima da média histórica”, afirma Queiroz, destacando que a urbanização e a mudança no padrão de consumo alimentar continuam impulsionando o consumo de proteínas no país asiático.
Além da China, outros polos de demanda vêm ganhando relevância, como a União Europeia, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Irã, Bangladesh e Paquistão. “Esses mercados têm registrado aumento no consumo de proteína animal, o que naturalmente puxa o consumo de soja e farelo”, completa o consultor do Itaú BBA.
Estoques globais
Apesar do avanço na produção e no consumo, os estoques globais de soja devem se manter estáveis em 2025/26, na casa de 125 milhões de toneladas, conforme estimativas da consultoria. Esse patamar, aliado à forte demanda, deve resultar em uma ligeira queda na relação estoque/uso global, de 31% para 30%. “Esse é um ponto de atenção. Estoques mais baixos costumam aumentar a volatilidade dos preços. Se houver qualquer contratempo climático nas principais regiões produtoras, principalmente nos EUA, o impacto sobre as cotações internacionais pode ser significativo”, ressalta Queiroz
Além dos fatores produtivos e de consumo, aspectos políticos e regulatórios seguem influenciando o mercado da soja. Questões como políticas de biocombustíveis, subsídios agrícolas, acordos comerciais e restrições ambientais também pesam nas decisões de mercado. “Um exemplo claro é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que gerou impactos diretos nos preços da soja na Bolsa de Chicago e valorizou os prêmios pagos no Brasil”, lembra o especialista.
Olho no clima e nos preços
Com um cenário de crescimento sustentado da demanda, estoques relativamente ajustados e expectativa de produção robusta no Brasil, o mercado da soja entra na safra 2025/26 com fundamentos positivos. No entanto, a volatilidade continuará presente, exigindo atenção redobrada dos produtores e agentes de mercado. “O clima nos EUA e no Brasil, além do ritmo de compra da China, serão os principais fatores a influenciar os preços nos próximos meses”, afirma Queiroz, salientando que a expectativa é de um ambiente de boa rentabilidade para quem produzir com eficiência.
Tendência de valorização do grão
A grande oferta global, liderada pela safra recorde brasileira e pelo aumento dos estoques finais nos Estados Unidos, pressionou as cotações internacionais da soja na temporada 2024/25. Como resultado, os preços médios futuros ficaram abaixo dos registrados no ciclo anterior.
No entanto, a tendência de queda começa a perder força. Para a safra 2025/26, o mercado já projeta valorização nos preços futuros em Chicago, refletindo uma relação estoque/uso mais apertada, estimada em 30%. “O mercado começa a reprecificar a soja com base em fundamentos mais justos, e isso tem se refletido nas cotações do óleo de soja”, expõe Queiroz.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) propôs elevações de 67% nas metas de mistura de biodiesel para 2026 e de 75% para 2027. Além disso, o novo regulamento propõe limitar os créditos de descarbonização gerados a partir de matérias-primas importadas, como óleo usado da China e sebo bovino do Brasil. “Na prática, essa mudança favorece o óleo de soja doméstico e estimula a demanda interna nos EUA, elevando os preços”, afirma o consultor.
Esse cenário reforça a expectativa de firmeza nos preços da soja em Chicago, sobretudo considerando o balanço americano mais apertado, a influência do clima durante os meses de julho e agosto no Meio-Oeste, além de incertezas geopolíticas e a evolução da temporada sul-americana.
No Brasil, os preços seguem próximos à paridade de exportação, sustentados pelo câmbio e pelos prêmios. “Mesmo com a queda de 10% na CBOT entre junho de 2024 e junho de 2025, a soja recuou apenas 3,4% em reais no Porto de Paranaguá, mostrando alguma resiliência no mercado doméstico”, pontua Queiroz.
Custos em alta e margens pressionadas
Apesar do ambiente mais favorável para os preços, os produtores devem enfrentar um aumento nos custos de produção na safra 2025/26. A expectativa do Itaú BBA é de uma alta de 8% no custo operacional total, puxada principalmente pelos fertilizantes, que devem subir cerca de 20%. “Potássio e fósforo acumularam alta de quase 20% nos últimos 12 meses. Com isso, a relação de troca piorou, ou seja, cada tonelada de soja compra menos insumo do que comprava antes. Isso pressiona diretamente as margens do produtor”, reforça o consultor.
No Sudeste do Mato Grosso, apesar das produtividades acima do esperado no ciclo 2024/25, os custos financeiros elevados, devido aos juros altos, reduziram a rentabilidade líquida. Regiões como o Sul e o Mato Grosso do Sul, onde a produtividade ficou abaixo do esperado, enfrentaram um cenário ainda mais desafiador.
Por outro lado, o câmbio pode oferecer algum alívio. “Se o real não se valorizar muito nos próximos meses, como projeta o time de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, isso tende a favorecer a precificação da soja em reais”, afirma Queiroz.
A alta dos custos, porém, limita o estímulo para novas expansões de área. “Ainda que o clima esteja favorável, com previsão de chuvas regulares no Centro-Oeste, o aumento de área plantada deve continuar moderado”, diz o consultor.
Rentabilidade menor, preços firmes

Mesmo com a projeção de preços médios maiores para 2025/26, a expectativa é de que a rentabilidade dos produtores fique mais apertada, diante do aumento dos custos. A precificação da soja em reais será influenciada por três principais variáveis: preços em Chicago, câmbio e prêmios de exportação. “O mercado está mais volátil, e isso exige do produtor maior atenção à gestão de risco”, recomenda Queiroz, salientando: “Com tantos fatores em jogo, desde clima e geopolítica até decisões de política energética nos EUA, o uso de ferramentas de hedge se torna ainda mais estratégico.”
Entre as alternativas, estão as operações de fixação de preços futuros e o uso de derivativos para proteção contra quedas. “Proteger margens diante de um cenário mais incerto pode fazer toda a diferença para a sustentabilidade financeira do negócio”, evidencia Queiroz.
O acesso à versão digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, clique aqui. Boa leitura!

Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
Notícias
Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
Notícias
EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



