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O que está por trás do salto esperado na produção brasileira de soja
Tecnologia, clima favorável e demanda por biocombustíveis explicam por que o Brasil deve colher uma safra recorde e consolidar sua liderança global.

O Brasil deve seguir liderando o ranking dos maiores produtores mundiais de soja na safra 2025/26, com uma estimativa de produção recorde de 174 milhões de toneladas, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA. O número é 4% superior ao da temporada anterior e praticamente em linha com a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que aponta para 175 milhões de toneladas.
O desempenho brasileiro se destaca num cenário global de crescimento moderado, com a produção mundial estimada em 427 milhões de toneladas, aumento modesto de 1% em relação a 2024/25. “O Brasil deve ser o único entre os grandes produtores a apresentar crescimento relevante na produção de soja na próxima temporada. “Isso se deve à combinação de uma leve expansão de área, ganho de produtividade e boas condições climáticas nas principais regiões produtoras”, avalia o consultor agro do Itaú BBA, Francisco Carlos Queiroz.

consultor agro do Itaú BBA, Francisco Carlos Queiroz: Se o clima colaborar, teremos mais uma safra muito robusta no Brasil” – Foto: Divulgação/Itaú BBA
A consultoria estima que a área plantada com a oleaginosa chegue a 48,3 milhões de hectares, um aumento de 1,5% frente ao ciclo anterior. Embora tímido, o crescimento mantém uma tendência de 18 safras consecutivas de expansão. “Nos últimos quatro anos, a área cresceu 19%, mas agora o avanço será mais contido”, observa Queiroz, ressaltando que os custos de produção elevados, especialmente fertilizantes e juros, são limitadores importantes.
A produtividade média esperada é de 3,6 toneladas por hectare, favorecida por tecnologias modernas e pelo cenário climático promissor. Os modelos climáticos indicam neutralidade nos próximos meses, o que tende a garantir chuvas regulares em regiões-chave como o Centro-Oeste. “Se o clima colaborar, teremos mais uma safra muito robusta no Brasil”, aponta Queiroz.
Demanda em transformação
Do lado da demanda, o cenário também se mostra positivo. O farelo de soja continua sendo peça fundamental na nutrição animal, alimentando o crescimento das cadeias de carnes e leite. Mas a maior novidade está no uso do óleo de soja como base para biocombustíveis, especialmente o biodiesel e o diesel renovável.
“A produção de biocombustíveis está se tornando o principal vetor de crescimento da demanda por soja. Há uma necessidade global de descarbonização das economias, o que tem impulsionado investimentos nesse setor”, menciona Queiroz, destacando que a tendência é de aumento no processamento do grão para extração de óleo, o que gera efeitos positivos sobre toda a cadeia da soja.
EUA e Argentina: cenário mais contido
Nos Estados Unidos, a produção deverá recuar para 118 milhões de toneladas, 1% abaixo da safra passada. Apesar da produtividade projetada de 3,5 t/ha (alta de 3,5%), a área plantada sofreu uma redução de 4%, pressionada pela concorrência com o milho, que promete maior rentabilidade neste ciclo. “O plantio nos EUA ocorreu de forma acelerada e em boas condições, com chuvas acima da média em algumas regiões”, relata o consultor, enfatizando: “A produtividade pode ser boa, mas ainda estamos no meio do ciclo. Julho e agosto serão decisivos.”
O alerta vem do balanço mais apertado entre oferta e demanda no mercado americano. “Se houver alguma quebra, o impacto nos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) pode ser relevante”, avalia Queiroz.
Na Argentina, a estimativa é de 48,5 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à safra anterior, com recuo de quase 5% na área plantada. “O produtor argentino tende a migrar para culturas de maior retorno esperado, como o milho”, comenta o especialista.
Competitividade global e preços

Em um cenário de crescimento global modesto e pressões nos custos de produção, o Brasil tende a ganhar mais espaço no mercado internacional. “Com uma safra recorde e demanda aquecida, o Brasil continua sendo peça-chave no abastecimento global de soja”, expõe Queiroz.
Apesar disso, ele alerta que o mercado internacional seguirá sensível a eventuais quebras na produção americana. “O Brasil pode produzir muito bem, mas o comportamento dos preços continuará atrelado à percepção sobre a oferta nos EUA”, enaltece.
Com o plantio no Brasil previsto para começar em setembro, o produtor entra na reta final de decisões sobre cultivares, insumos e investimentos. Se as previsões se confirmarem, o País poderá reforçar ainda mais sua posição como líder global na produção de soja, consolidando o protagonismo conquistado nos últimos anos.
Demanda global em alta
A expansão da demanda mundial por soja também contribui para o otimismo com o mercado da oleaginosa. De acordo com o consultor do Itaú BBA, o crescimento médio do consumo global nos últimos 10 anos foi de 3% ao ano. No entanto, a safra 2024/25 deve encerrar com um salto de 7% no consumo, e para 2025/26, a projeção é de um crescimento de 4%, ambos bem acima da média da década. “O que está puxando essa aceleração são os biocombustíveis. O óleo de soja vem ganhando importância crescente na produção de biodiesel e diesel renovável. Esse movimento cria um novo patamar de demanda, com impactos estruturais sobre o mercado da soja”, explica Queiroz.
A projeção do USDA para o esmagamento mundial, etapa de processamento dos grãos para extração de óleo e farelo, indica uma elevação de 13,4 milhões de toneladas, saltando de 353,2 para 366,6 milhões de toneladas na temporada 2025/26. O farelo de soja, por sua vez, deverá registrar demanda recorde, sustentada pela expansão da produção global de carnes e pelos preços competitivos diante do aumento da oferta. “O farelo continua sendo o principal insumo proteico para a ração animal, e o crescimento da produção de frangos, suínos e bovinos sustenta a demanda por essa matéria-prima”, comenta o especialista.
China segue como principal consumidora
Responsável por cerca de 30% do consumo global de soja, a China continuará a ser a maior importadora mundial do grão. Após um leve recuo nas compras em 2024/25, motivado por estoques elevados, o país asiático deverá retomar um ritmo mais forte na temporada seguinte.
A previsão do USDA aponta para importações acima de 110 milhões de toneladas em 2025/26, com o consumo total projetado em 133 milhões de toneladas, aumento de 4,8% sobre o ciclo anterior. “Mesmo com a desaceleração econômica e as tentativas do governo chinês de reduzir o uso de farelo na alimentação animal, a demanda por soja deve crescer acima da média histórica”, afirma Queiroz, destacando que a urbanização e a mudança no padrão de consumo alimentar continuam impulsionando o consumo de proteínas no país asiático.
Além da China, outros polos de demanda vêm ganhando relevância, como a União Europeia, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Irã, Bangladesh e Paquistão. “Esses mercados têm registrado aumento no consumo de proteína animal, o que naturalmente puxa o consumo de soja e farelo”, completa o consultor do Itaú BBA.
Estoques globais
Apesar do avanço na produção e no consumo, os estoques globais de soja devem se manter estáveis em 2025/26, na casa de 125 milhões de toneladas, conforme estimativas da consultoria. Esse patamar, aliado à forte demanda, deve resultar em uma ligeira queda na relação estoque/uso global, de 31% para 30%. “Esse é um ponto de atenção. Estoques mais baixos costumam aumentar a volatilidade dos preços. Se houver qualquer contratempo climático nas principais regiões produtoras, principalmente nos EUA, o impacto sobre as cotações internacionais pode ser significativo”, ressalta Queiroz
Além dos fatores produtivos e de consumo, aspectos políticos e regulatórios seguem influenciando o mercado da soja. Questões como políticas de biocombustíveis, subsídios agrícolas, acordos comerciais e restrições ambientais também pesam nas decisões de mercado. “Um exemplo claro é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que gerou impactos diretos nos preços da soja na Bolsa de Chicago e valorizou os prêmios pagos no Brasil”, lembra o especialista.
Olho no clima e nos preços
Com um cenário de crescimento sustentado da demanda, estoques relativamente ajustados e expectativa de produção robusta no Brasil, o mercado da soja entra na safra 2025/26 com fundamentos positivos. No entanto, a volatilidade continuará presente, exigindo atenção redobrada dos produtores e agentes de mercado. “O clima nos EUA e no Brasil, além do ritmo de compra da China, serão os principais fatores a influenciar os preços nos próximos meses”, afirma Queiroz, salientando que a expectativa é de um ambiente de boa rentabilidade para quem produzir com eficiência.
Tendência de valorização do grão
A grande oferta global, liderada pela safra recorde brasileira e pelo aumento dos estoques finais nos Estados Unidos, pressionou as cotações internacionais da soja na temporada 2024/25. Como resultado, os preços médios futuros ficaram abaixo dos registrados no ciclo anterior.
No entanto, a tendência de queda começa a perder força. Para a safra 2025/26, o mercado já projeta valorização nos preços futuros em Chicago, refletindo uma relação estoque/uso mais apertada, estimada em 30%. “O mercado começa a reprecificar a soja com base em fundamentos mais justos, e isso tem se refletido nas cotações do óleo de soja”, expõe Queiroz.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) propôs elevações de 67% nas metas de mistura de biodiesel para 2026 e de 75% para 2027. Além disso, o novo regulamento propõe limitar os créditos de descarbonização gerados a partir de matérias-primas importadas, como óleo usado da China e sebo bovino do Brasil. “Na prática, essa mudança favorece o óleo de soja doméstico e estimula a demanda interna nos EUA, elevando os preços”, afirma o consultor.
Esse cenário reforça a expectativa de firmeza nos preços da soja em Chicago, sobretudo considerando o balanço americano mais apertado, a influência do clima durante os meses de julho e agosto no Meio-Oeste, além de incertezas geopolíticas e a evolução da temporada sul-americana.
No Brasil, os preços seguem próximos à paridade de exportação, sustentados pelo câmbio e pelos prêmios. “Mesmo com a queda de 10% na CBOT entre junho de 2024 e junho de 2025, a soja recuou apenas 3,4% em reais no Porto de Paranaguá, mostrando alguma resiliência no mercado doméstico”, pontua Queiroz.
Custos em alta e margens pressionadas
Apesar do ambiente mais favorável para os preços, os produtores devem enfrentar um aumento nos custos de produção na safra 2025/26. A expectativa do Itaú BBA é de uma alta de 8% no custo operacional total, puxada principalmente pelos fertilizantes, que devem subir cerca de 20%. “Potássio e fósforo acumularam alta de quase 20% nos últimos 12 meses. Com isso, a relação de troca piorou, ou seja, cada tonelada de soja compra menos insumo do que comprava antes. Isso pressiona diretamente as margens do produtor”, reforça o consultor.
No Sudeste do Mato Grosso, apesar das produtividades acima do esperado no ciclo 2024/25, os custos financeiros elevados, devido aos juros altos, reduziram a rentabilidade líquida. Regiões como o Sul e o Mato Grosso do Sul, onde a produtividade ficou abaixo do esperado, enfrentaram um cenário ainda mais desafiador.
Por outro lado, o câmbio pode oferecer algum alívio. “Se o real não se valorizar muito nos próximos meses, como projeta o time de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, isso tende a favorecer a precificação da soja em reais”, afirma Queiroz.
A alta dos custos, porém, limita o estímulo para novas expansões de área. “Ainda que o clima esteja favorável, com previsão de chuvas regulares no Centro-Oeste, o aumento de área plantada deve continuar moderado”, diz o consultor.
Rentabilidade menor, preços firmes

Mesmo com a projeção de preços médios maiores para 2025/26, a expectativa é de que a rentabilidade dos produtores fique mais apertada, diante do aumento dos custos. A precificação da soja em reais será influenciada por três principais variáveis: preços em Chicago, câmbio e prêmios de exportação. “O mercado está mais volátil, e isso exige do produtor maior atenção à gestão de risco”, recomenda Queiroz, salientando: “Com tantos fatores em jogo, desde clima e geopolítica até decisões de política energética nos EUA, o uso de ferramentas de hedge se torna ainda mais estratégico.”
Entre as alternativas, estão as operações de fixação de preços futuros e o uso de derivativos para proteção contra quedas. “Proteger margens diante de um cenário mais incerto pode fazer toda a diferença para a sustentabilidade financeira do negócio”, evidencia Queiroz.
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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural
Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa
A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.
André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.
O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa
meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.
Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa
O que diz o ACT
Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.
Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.
O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná
Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação
Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.
O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado
Avaliação rigorosa
Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes
Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.
Próximos passos
Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.
Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.
Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.
Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN
cooperativas competirem com grandes players do mercado.
Coopera Paraná
Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.
No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.
O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).



