Suínos
O que esperar para o futuro da maior suinocultura do Brasil?
Produtores, pesquisadores e cooperativas projetam um futuro da suinocultura catarinense que une tradição, inovação, sustentabilidade e sucessão familiar para manter o estado como referência global.

Santa Catarina é hoje sinônimo de suinocultura. Estado que soube transformar pequenas propriedades em referência global, que uniu tradição e inovação para conquistar mercados exigentes e que consolidou um dos melhores status sanitários do planeta. Mas o que reserva o futuro para essa cadeia que movimenta pessoas, ciência e indústrias? O quinto episódio da série Expedição Suinocultura: Rotas do Brasil reúne vozes de produtores, lideranças e pesquisadores para refletir sobre os próximos passos da atividade.
Pessoas no centro da produção
Um futuro tecnológico não dispensa a essência humana. Produtores como os Carboni reforçam que a inteligência artificial pode avançar, mas nada substitui o olhar e a dedicação de quem acorda cedo para cuidar do plantel. É nas mãos de homens e mulheres que a modernidade se concretiza.
Essa consciência é acompanhada de otimismo: o campo ainda guarda muitas oportunidades. Com status sanitário diferenciado e demanda crescente por proteína, Santa Catarina tem potencial para expandir tanto para dentro quanto para fora do país. A convicção é clara: quem permanecer na atividade com profissionalismo terá espaço e resultados.
Novos modelos e novos mercados
Pesquisadores apontam para dois caminhos que já se desenham. De um lado, uma suinocultura altamente industrializada, mecanizada, eficiente e sustentável, com produtos padronizados e inseridos em cadeias globais. De outro, nichos gourmet, pequenas agroindústrias e rebanhos voltados a mercados de proximidade, que valorizam carne diferenciada e produtos artesanais.
Ambas as rotas convivem e se complementam, fortalecendo a imagem da carne suína como alimento versátil, saudável e competitivo. O desafio, lembram lideranças, é superar gargalos logísticos, garantir crédito acessível e modernizar a estrutura tributária, de forma a permitir que os avanços cheguem também às pequenas e médias propriedades.
Pesquisa e inovação como farol
O futuro também depende da ciência. A Embrapa Suínos e Aves já trabalha na consolidação de um protocolo nacional de sustentabilidade, que servirá como referência para produtores, indústrias e mercados. O objetivo é oferecer métricas confiáveis, capazes de mostrar dentro e fora do país que a suinocultura brasileira é sustentável, inovadora e comprometida com saúde única – animal, ambiental e humana.
Projetos de redução de antibióticos, uso de vacinas nanotecnológicas, manejo de dejetos e mitigação de gases de efeito estufa apontam para uma cadeia mais consciente e resiliente. A mensagem é clara: não há futuro possível sem responsabilidade ambiental.
A força da sucessão
Entre os relatos mais emocionantes estão os que falam da sucessão familiar. Pais, filhos e netos dividindo a lida, aprendendo uns com os outros e garantindo continuidade à atividade. É a prova de que a suinocultura não é apenas negócio – é herança cultural e econômica.
Cooperativas reforçam esse papel ao integrar famílias, promover assistência técnica e manter viva a vocação produtiva. O futuro da atividade depende, em grande medida, da capacidade de atrair jovens, oferecer perspectivas e mostrar que o campo pode ser tão moderno quanto qualquer outra carreira.
Santa Catarina no amanhã
Do pequeno agricultor ao grande empresário, das famílias às agroindústrias, dos pesquisadores aos dirigentes, o consenso é um só: o futuro da suinocultura catarinense é promissor. Haverá desafios – de logística, de custos, de competitividade global. Mas também haverá oportunidades – de expansão do consumo interno, de abertura de novos mercados, de valorização da qualidade que o estado já entrega.
O quinto episódio da Expedição Suinocultura encerra a segunda temporada mostrando que Santa Catarina não chegou até aqui por acaso. Chegou porque ousou mudar, porque acreditou na ciência, porque preservou a tradição e porque nunca deixou de valorizar as pessoas. É essa soma de raízes e horizontes que continuará guiando o estado como potência suinícola do Brasil e do mundo.
Confira o quinto episódio da Expedição Suinocultura: Rotas do Brasil – Santa Catarina

Suínos
ABCS fecha 2025 com avanços estratégicos para a suinocultura brasileira
Entidade fortalece ações técnicas, defesa setorial e acompanhamento de pautas que impactam diretamente o produtor.

O ano de 2025 foi marcado por desafios, mudanças e forte movimentação política em Brasília. Mesmo diante de um cenário legislativo travado pela antecipação eleitoral, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) manteve atuação ativa e qualificada, defendendo a competitividade da suinocultura brasileira e garantindo presença constante nos espaços de decisão.
Com articulação institucional, técnica e estratégica, a entidade atuou junto ao Poder Legislativo, ao Executivo e às associações do Instituto Pensar Agro (IPA). Essa presença contínua permitiu avançar em pautas essenciais para o setor. Para Marcelo Lopes, presidente da ABCS, a união segue sendo a principal força da cadeia.
“É papel da ABCS transformar essa união em voz ativa e representativa em todos os espaços de decisão.”
Cenário político de 2025

Foto: Shutterstock
O ano começou com expectativa de alta produtividade no Congresso, impulsionada pela nova gestão da Câmara dos Deputados. Contudo, o ritmo legislativo desacelerou com a antecipação das articulações eleitorais de 2026.
Segundo Marcelo Lopes, o ambiente ficou mais polarizado, mas o agro conseguiu assegurar entregas importantes. “A FPA, com apoio técnico das entidades do IPA — entre elas a ABCS — manteve protagonismo ao atuar como oposição estratégica em temas essenciais para o campo.”
Presença permanente no Congresso Nacional
O acompanhamento direto dos debates em Brasília foi uma das marcas de 2025. A gerente do departamento político da ABCS, Ana Paula Cenci, destaca que o monitoramento dos Projetos de Lei é diário. “Só em 2025, mais de 35 PLs foram monitorados. Protocolamos diversas notas técnicas aos parlamentares da FPA, principalmente sobre projetos de bem-estar animal. É um trabalho estratégico, qualificado e construtivo.”
Entre os projetos com maior impacto para a suinocultura estiveram:
- PL 784/2024 – Rotulagem de produtos de origem animal.
- PL 2742/2024 – Padrões mínimos para manejo animal.
- PL 2047/2025 – Controle de espécies invasoras (javali).
Cenci reforça que o acompanhamento técnico é contínuo para evitar que qualquer pauta relevante à suinocultura fique de fora do radar legislativo.
Conquistas do agro no Congresso
Mesmo com dificuldades de tramitação, o setor garantiu avanços importantes em 2025, como:
- Licenciamento ambiental: mais segurança jurídica e previsibilidade ao produtor rural.
- Imposto de Renda: isenção para rendimentos de até R$ 5 mil, ampliando o alívio financeiro aos pequenos produtores.
- Tributação rural baseada no lucro: medida que reduz distorções em anos de safra negativa ou altos custos de produção.
- Faixa de fronteira: avanços para ampliar segurança jurídica e atender demandas históricas do setor.
Para Marcelo Lopes, essas entregas reforçam o valor da mobilização ruralista. “A FPA leva as necessidades do campo ao Congresso, representando e defendendo os interesses do agro. Esse trabalho é essencial para o crescimento da suinocultura.”
Encerramento de 2025 e perspectivas para 2026
Para Ana Paula Cenci, a ABCS fecha 2025 com resultados sólidos, apesar do ambiente político conturbado. “A atuação estratégica, técnica e integrada garantiu conquistas importantes para o produtor, preservando competitividade, segurança jurídica e o fortalecimento institucional da suinocultura brasileira.”
A entidade já monitora a agenda de 2026 e reforça seu compromisso permanente com a defesa da cadeia produtiva.
Suínos
Abate de suínos acelera no 3º trimestre com apoio das exportações
Setor registrou 15,81 milhões de cabeças abatidas entre julho e setembro, crescimento impulsionado por demanda externa aquecida e maior consumo interno.

Entre julho e setembro, foram abatidas 15,81 milhões de cabeças, volume 5,3% maior que o registrado no mesmo período de 2024 e 4,8% acima do total do segundo trimestre deste ano.
O peso total das carcaças também avançou. No trimestre, o acumulado chegou a 1,49 milhão de toneladas, alta de 6,1% frente ao 3º trimestre do ano passado e crescimento de 4,8% em relação ao trimestre anterior.
Segundo Angela Lordão, as exportações seguem desempenhando papel central no bom momento da atividade. “As vendas externas de carne suína alcançaram níveis inéditos tanto em volume quanto em faturamento, com as Filipinas liderando as compras. No mercado interno, cortes mais acessíveis e práticos também vêm impulsionando o consumo”, afirma.
Suínos
Suinocultura brasileira reforça liderança sanitária em debate regional sobre febre aftosa
Encontro no Paraguai destaca avanços e desafios da região sem vacinação, enquanto a ABCS ressalta competitividade e potencial das exportações de carne e genética suína do Brasil.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) participou, nos dias 25 e 26 de novembro, do Taller Regional de Febre Aftosa, em Assunção, no Paraguai. O encontro reuniu especialistas, autoridades sanitárias e representantes do setor produtivo do Cone Sul para debater os avanços e desafios no combate à doença.
O foco principal foi o novo cenário da região após o reconhecimento de países livres de febre aftosa sem vacinação, um marco que exige atenção redobrada às oportunidades e riscos, além da construção de estratégias conjuntas para preservar o status sanitário e a competitividade do bloco no comércio internacional.
Representando a ABCS, a diretora técnica Charli Ludtke apresentou a palestra “Expectativas de los mercados de carne porcina frente a distintos status”. Ela ressaltou o forte desempenho da suinocultura brasileira, destacando o padrão sanitário elevado, a integração entre setor público e privado e a estrutura produtiva avançada — fatores que ampliam o acesso do Brasil a mercados mais exigentes.
Ludtke também apontou o crescimento do segmento de genética suína, impulsionado pela atuação da Estação de Quarentena de Cananéia (EQC), peça-chave para garantir segurança na entrada de material genético e para fortalecer a expansão das exportações.
Entre os temas discutidos no encontro estiveram os desafios enfrentados pelos países livres da aftosa sem vacinação, como a necessidade de respostas rápidas em possíveis emergências sanitárias, as novas exigências internacionais e o fortalecimento das parcerias público-privadas.
Para Charli Ludtke, o encontro marca uma nova fase para o Brasil e para a América do Sul. “A retirada da vacina é só o começo. Agora, o desafio é manter o status livre sem vacinação com vigilância ativa, biosseguridade e cooperação entre os países. A febre aftosa não respeita fronteiras, e a harmonização das estratégias dentro do Mercosul é fundamental.”



