Suínos Produção
O que a suinocultura pode aprender com a bovinocultura de corte?
A reportagem conversou com profissionais dos dois setores para ver o que um pode aprender com o outro

Carnes nobres e diferenciadas, variados cortes não faltam no churrasco e no dia a dia do brasileiro. Estas são somente algumas das características da carne bovina que fazem dela a queridinha do consumidor. Mas então, o que o setor suinícola precisa e pode fazer para alcançar este status da pecuária de corte?
Para responder a esta pergunta, o jornal O Presente Rural, em parceria com a Topigs Norsvin e a Agropecuária Guapiara, realizou um bate-papo na Fazenda São Luiz, na cidade de Boa Ventura de São Roque, Centro-Sul do Paraná. A ideia foi discutir justamente o que a suinocultura pode aprender com a bovinocultura para se destacar em um mercado que exige qualidade. Genética, nutrição, sanidade e possibilidades de mercado estiveram no centro dos debates.
A Agropecuária Guapiara foi a escolhida para repassar algumas informações considerando a sua participação no mercado de carnes nobre nacional. Atualmente, a Guapiara conta com 12 fazendas, todas no Estado do Paraná. Para garantir o mercado premium, as fazendas trabalham somente com a raça Brangus e contam com o ciclo completo da produção. São aproximadamente seis mil fêmeas para reprodução e por volta de quatro mil animais por ano para abate. A Fazenda São Luiz utiliza o sistema de produção por confinamento, possui uma fábrica de ração, que oferta a nutrição para todas as 11 outras fazendas, além de contar com a Integração Lavoura Pecuária.
Segundo o diretor da Agropecuária Guapiara, Edison Fontoura Filho, as fazendas são pensadas como uma empresa, porque o resultado financeiro é importante para atividade. “Nós não somos produtores de carne, somos produtores de dinheiro”, afirma.
O primeiro ponto abordado foi sobre a nutrição. De acordo com Fontoura, se o produtor quiser atingir determinados mercados de carne de qualidade, que remunera melhor, ele vai precisar ter uma nutrição adequada para chegar aos índices reprodutivos e de qualidade que almeja. “Tanto a nutrição quanto o manejo nutricional são importantes “, destaca. Ele explica que a eficiência já começa com a vaca gestante. “Se o produtor quer chegar ao objetivo final de ter um bom animal, a programação fetal é de suma importância. Uma vaca mal alimentada vai produzir um bezerro que não consegue atingir os níveis esperados”, afirma.
O diretor Geral da Topigs Norsvin, André Costa, ressalta a fala. Segundo ele, na suinocultura acontece a mesma forma. “Trabalhamos muito o conceito de nutrição de precisão. São diversos os nutrientes necessários para determinada etapa da vida do animal. Então, olhamos os dois aspectos, não somente a eficiência e desempenho do animal, mas também no sentindo de atingir a especificação necessária em termos de qualidade de carne, carcaça e rendimento dos animais no frigorífico e abatedouro”, diz. Ele acrescenta que na suinocultura quando se olha para a mãe deve se olhar também para o feto. “O aspecto de nutrição da mãe é muito importante, porque impacta diretamente na formação de fibras musculares e consequentemente vai impactar na qualidade da carne do animal quando ele chegar no abate. Outro detalhe importante é quanto a permanecia dessa fêmea como reprodutora. Temos que olhar a longevidade desse animal, oferecendo um aporte necessário para si e para os fetos”, avalia.
Fontoura destaca ainda que na nutrição da pecuária cada categoria de animal conta com uma dieta diferenciada, seja animais na terminação ou em dieta inicial. “Cada categoria com cada peso é pensada uma nutrição específica para os animais, levando em consideração a energia e proteína dessa dieta. Especialmente para não existir o achatamento do animal. Para cada categoria e cada peso dos animais é idealizada uma dieta equilibrada para que ele tenha o máximo de desempenho possível”, informa.
De acordo com Costa, na suinocultura acontece da mesma maneira, sendo que o produtor precisa se preocupar em oferecer aos animais dietas com os níveis necessários de nutrientes. “O que eu der a menos o animal não vai desenvolver, e o que eu der a mais vou estar jogando fora. Por isso, conhecer a curva de crescimento do animal e aportar uma nutrição necessária em cada etapa daquela curva é essencial. Olhando, inclusive, para o resultado financeiro”, afirma.
As especifidades do mercado premium
É muito comum ver a carnes em supermercados e açougues sendo classificadas como “premium”. Mas, na suinocultura, isso é mais raro. Pelo menos aqui no Brasil. O diretor da Agropecuária Guapiara comenta que o mercado premium está em franca expansão. “O mercado e os produtores brasileiros ainda não dão conta de atender a essa demanda que existe, tanto é que ainda importamos cortes de outros países, como Argentina, Uruguai e Estados Unidos”, comenta.
Para Fontoura, este é um mercado com um consumidor diferenciado. “É aquele mesmo consumidor que está buscando uma cerveja artesanal, um vinho diferente. Ele está deixando de lado a quantidade e está buscando a qualidade. Muitas vezes ele não faz mais um churrasco de 1,5kg de carne por pessoa, mas faz um churrasco de 600g por pessoa, mas é “A” carne. A pessoa se sente bem em comer, ela degusta”, diz.
De acordo com o diretor Geral da Topigs Norsvin, a carne suína está seguindo esta mesma tendência que a pecuária. “A carne suína tem, principalmente, uma versatilidade bastante grande. Nós temos observado um crescimento nessa demanda por uma carne diferenciada. E vem um pouco nessa linha que a bovinocultura já vem seguindo há um tempo. Então, vemos que ainda há um espaço importante a ser ocupado pela carne suína nesse aspecto”, afirma.
Para os dois profissionais, algo que faz muita diferença quando o assunto é carne de qualidade é a raça utilizada pelo produtor na produção do animal. “A raça é muito importante, sem dúvida. Existe um segmento genético que propicia uma carne de melhor qualidade, com características para quando o animal for terminado”, destaca Fontoura. Mas, para ele, um segredo que faz a diferença, e que poucos produtores se atentam, é que muito mais do que somente a raça, é encontrar dentro dela o indivíduo que o produtor acredita ser o melhor. “Eu já comi carne de angus que estava horrível, mas nem por isso angus é ruim. Assim como já experimentei carne de nelore, que é teoricamente dita como uma carne de menor qualidade, que foi uma das melhores que já comi na vida. Então, é muito o indivíduo e como essa carne foi preparada”, reitera.
Já na suinocultura, Costa destaca que existem diversas raças, mas aquela com aspectos mais relacionados a qualidade é a Duroc. “A carne suína se diferencia pelo seu sabor e esse acho que é o grande diferencial”, afirma. Para ele, é preciso que o suinocultor se atente a qual sistema ele vai utilizar para conseguir focar com qual mercado ele quer trabalhar. “Então posso trabalhar com um sistema de comodities, então uso uma raça mais magra, com características de menos gordura e marmoreio. Ou então posso focar naquele mercado que quer um produto diferenciado, que é onde o Duroc se encaixa, de uma carne mais fresca, com um consumidor que aprecia uma determinada quantidade de gordura e marmoreio, porque é isso que vai trazer para ele uma maior experiência ao provar a carne, com diferentes formas de preparo e apresentação”, diz. Para ele, a versatilidade do suíno vai conseguir abrir espaço para essa busca que o mercado vem fazendo de um produto diferenciado. “Estamos falando nessa experiência. Sem dúvida o bovino já tem isso, com a busca da dona de casa no dia a dia, e o suíno também tem essa possibilidade de atender esse tipo de mercado, com um bife de pernil, uma carne moída suína. É a forma como você apresenta os diversos cortes para trabalhar e o consumidor está buscando essa praticidade”, avalia.
Segundo o diretor Técnico da Selection Beef, Matheus Zacarias, existem características que colocam uma carne em um projeto de maior qualidade. “Geralmente é um animal jovem e bem-acabado para garantir maciez”, diz. Porém, hoje este é um mercado que vem crescendo e se segregando. “A carne macia não é mais a carne premium, é uma carne de qualidade, mas não é top. Aí vamos para a questão do sabor, do marmoreio. O mercado vai se diferenciando por valores”, informa. Ele explica que hoje há um animal extremamente marmorizado, mais velho e com coloração mais intensa e que alguns mercados comercializam a R$ 150 o quilo. Assim como existem animais que foram abatidos jovens, de carne macia, muito melhor que comodities, mas que alguns mercados comercializam a R$ 45 o quilo. “Nós precisamos identificar a genética do animal que vamos trabalhar, e ver qual protocolo que a fazenda vai trabalhar para identificar qual nicho a qualidade de produção se encaixa e vai atender. Assim teremos um maior desfrute desse trabalho que está sendo realizado”, afirma. De acordo com Zacarias, este é um mercado em ascensão e que a suinocultura vem adentrando também. “O setor começou a se identificar, ver qual linhagens para produzir qual tipo de carne, para ver se vai produzir um produto ingrediente ou como um produtor principal de maior valor agregado. Então, o mercado vem se diferenciando e subindo degraus diferentes de valores agregados”, conta.
Um ponto importante destacado por Zacarias foi quanto a diferenciação entre carne premium e carnes especiais. “Hoje não existe regulamentação de classificação de carne ou carcaça, o que existe são marcas que se criam e elas criam esse protocolo para atender a esse padrão de qualidade. Mas não existe uma regulamentação de animais com determinado padrão para ser uma carne premium”, explica. Isso acontece, informa, porque animais de carne premium podem ser aqueles com idade mais avançada ou os mais jovens. “Não existem classificação, tudo depende do valor que você vai agregar”, afirma.
Zacarias ainda destaca que é importante que o produtor faça um projeto na fazenda para conseguir produzir um animal de qualidade. “Trabalho hoje com alguns projetos com uma população de três mil animais, em que dessa quantidade vamos identificar quais são os mil que irão atender ao mercado de qualidade. Mas dentro de um protocolo, sem tem que fazer nada extraordinário. O produtor já tem genética, sanidade, nutrição. Então são ferramentas para potencializar a genética. Vamos acrescentar no valor comercial, já que estes animais já estão dando dinheiro, a qualidade vai entrar como um bônus”, explica. De acordo com ele, nos outros animais será feita uma otimização para ganhar mais dinheiro entrando em diferentes tipos de mercado. “Mas se não tem genética, não vai conseguir colocar no mercado. O mercado de carne de qualidade vai puxando a eficiência nas fazendas”, ressalta.
Segregando a carne premium
Ao produzir uma carne de melhor qualidade, o produtor vem atendendo, inclusive, aquilo que o consumidor tem buscado nas prateleiras do supermercado e no açougue: uma carne de melhor qualidade, que não oferece somente maciez, mas também sabor e uma experiência diferenciado no momento da degustação. “A tendência é que a população melhore o poder aquisitivo e assim melhore também os hábitos de consumo. Aquele consumidor que começa a ter acesso a uma carne premium, que não tem uma variação grande de renda, dificilmente volta para uma carne comum. Uma vez que ele experimenta uma carne de melhor qualidade ele não quer voltar para outra. Então, com a melhoria do poder aquisitivo da população, a tendência é que este mercado cresça. A carne de qualidade é um produto que sem dúvida tem todo um crescimento pela frente. É um mercado que não volta mais ao ponto que estava antes”, destaca o gerente de Relacionamento com o Pecuarista da Biogéneses Bagó, Bruno di Rienzo.
De acordo com Zacarias, hoje o cliente aceita perder na intensidade de maciez se ele tem um produto com mais sabor. “Então, um animal mais jovem ganha em maciez, mas perde um pouco no sabor. São diferentes tipos de consumidores. Hoje existem clientes para todos os níveis de carne, o que temos que ajudar é o animal ser eficiente da porteira para dentro e temos que agregar dinheiro da porteira para fora”, diz.
Costa comenta que atualmente o consumidor tem essa maior capacidade de sentir a diferença de experiências que uma carne de qualidade traz. “Ele sente essas experiências diferentes e se você conseguir preparar diversos tipos de produto de uma maneira correta, consegue atender aos diversos segmentos desse mercado mais exigente”, afirma.
Para o diretor Geral da Topigs Norsvin, o produtor consegue trabalhar usando tecnologia para ter um retorno de uma maneira eficiente. “Eu não somente trabalho com um animal para atender um nicho específico. Dentro do que eu tenho vou trabalhar para atender diferentes mercados”, comenta.
Ele acrescenta que a suinocultura tem investido muito em tecnologia para alcançar a eficiência. “Vemos que o setor vem passando por esses avanços e isso permite que possamos começar a nos diferenciar, fazer esse tipo de segregação e atender a diferentes demandas de mercado, abrindo mais espaço para esse tipo de consumo”, diz.
Costa afirma que vendo as experiências com demanda que o bovino atravessou nos últimos anos foi possível enxergar espaço para a carne suína nesse mercado. “Então os frigoríficos começaram a ter essa demanda, de produtores que estão olhando para isso, buscando atender esse mercado. Já investe em genética, em nutrição, sanidade e agora vão buscando quais são as linhas para atender essa demanda e acabam segregando animais que vão produzir aquele tipo específico de carne para atender esse mercado”, comenta. Segundo ele, é possível ver a cadeia suinícola se organizando e saindo do aspecto de somente produzir carne, mas sim ter uma produção diferenciada. “Isso muda a questão de logística. Vemos que é preciso ter a carne presente no restaurante, no açougue de um dia para o outro, não carne congelada. Nós vemos que a cadeia vai se movimentando nesse sentindo e se tornando mais ágil”, afirma.
É preciso catequizar o consumidor
Mesmo já sendo uma carne solicitada pelo consumidor, para os profissionais muitos ainda não sabem pedir um corte diferenciado no momento da compra, ou mesmo não reconhecem uma carne premium. “Por isso o marketing do setor é fundamental. Há 10 anos o Brasil vinha patinando nesse sentido. Mas é fundamental ter uma apresentação. Hoje falamos de qualidade da carne bovina, mas temos que lembrar que alguns cortes sãos mais facilmente vendidos. O mercado da carne de qualidade está indo agora a um patamar de agregar valor a cortes que antes não tinham valor agregado. Tudo isso requer marketing”, afirma Zacarias.
Para ele, ainda é preciso ensinar, ou melhor “catequizar”, o consumidor sobre a diferença entre uma carcaça de qualidade que produz todos os cortes de qualidade. “É preciso levar essa informação para o consumidor, fazer degustação, eventos que promovam as carnes, para enaltecer esse mercado. Tudo isso para que a carne premium cresça”, acentua.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2020 ou online.

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.




