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O que a suinocultura pode aprender com a bovinocultura de corte?

A reportagem conversou com profissionais dos dois setores para ver o que um pode aprender com o outro

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Francine Trento/OP Rural

Carnes nobres e diferenciadas, variados cortes não faltam no churrasco e no dia a dia do brasileiro. Estas são somente algumas das características da carne bovina que fazem dela a queridinha do consumidor. Mas então, o que o setor suinícola precisa e pode fazer para alcançar este status da pecuária de corte?

Para responder a esta pergunta, o jornal O Presente Rural, em parceria com a Topigs Norsvin e a Agropecuária Guapiara, realizou um bate-papo na Fazenda São Luiz, na cidade de Boa Ventura de São Roque, Centro-Sul do Paraná. A ideia foi discutir justamente o que a suinocultura pode aprender com a bovinocultura para se destacar em um mercado que exige qualidade. Genética, nutrição, sanidade e possibilidades de mercado estiveram no centro dos debates.

A Agropecuária Guapiara foi a escolhida para repassar algumas informações considerando a sua participação no mercado de carnes nobre nacional. Atualmente, a Guapiara conta com 12 fazendas, todas no Estado do Paraná. Para garantir o mercado premium, as fazendas trabalham somente com a raça Brangus e contam com o ciclo completo da produção. São aproximadamente seis mil fêmeas para reprodução e por volta de quatro mil animais por ano para abate. A Fazenda São Luiz utiliza o sistema de produção por confinamento, possui uma fábrica de ração, que oferta a nutrição para todas as 11 outras fazendas, além de contar com a Integração Lavoura Pecuária.

Segundo o diretor da Agropecuária Guapiara, Edison Fontoura Filho, as fazendas são pensadas como uma empresa, porque o resultado financeiro é importante para atividade. “Nós não somos produtores de carne, somos produtores de dinheiro”, afirma.

O primeiro ponto abordado foi sobre a nutrição. De acordo com Fontoura, se o produtor quiser atingir determinados mercados de carne de qualidade, que remunera melhor, ele vai precisar ter uma nutrição adequada para chegar aos índices reprodutivos e de qualidade que almeja. “Tanto a nutrição quanto o manejo nutricional são importantes                “, destaca. Ele explica que a eficiência já começa com a vaca gestante. “Se o produtor quer chegar ao objetivo final de ter um bom animal, a programação fetal é de suma importância. Uma vaca mal alimentada vai produzir um bezerro que não consegue atingir os níveis esperados”, afirma.

O diretor Geral da Topigs Norsvin, André Costa, ressalta a fala. Segundo ele, na suinocultura acontece a mesma forma. “Trabalhamos muito o conceito de nutrição de precisão. São diversos os nutrientes necessários para determinada etapa da vida do animal. Então, olhamos os dois aspectos, não somente a eficiência e desempenho do animal, mas também no sentindo de atingir a especificação necessária em termos de qualidade de carne, carcaça e rendimento dos animais no frigorífico e abatedouro”, diz. Ele acrescenta que na suinocultura quando se olha para a mãe deve se olhar também para o feto. “O aspecto de nutrição da mãe é muito importante, porque impacta diretamente na formação de fibras musculares e consequentemente vai impactar na qualidade da carne do animal quando ele chegar no abate. Outro detalhe importante é quanto a permanecia dessa fêmea como reprodutora. Temos que olhar a longevidade desse animal, oferecendo um aporte necessário para si e para os fetos”, avalia.

Fontoura destaca ainda que na nutrição da pecuária cada categoria de animal conta com uma dieta diferenciada, seja animais na terminação ou em dieta inicial. “Cada categoria com cada peso é pensada uma nutrição específica para os animais, levando em consideração a energia e proteína dessa dieta. Especialmente para não existir o achatamento do animal. Para cada categoria e cada peso dos animais é idealizada uma dieta equilibrada para que ele tenha o máximo de desempenho possível”, informa.

De acordo com Costa, na suinocultura acontece da mesma maneira, sendo que o produtor precisa se preocupar em oferecer aos animais dietas com os níveis necessários de nutrientes. “O que eu der a menos o animal não vai desenvolver, e o que eu der a mais vou estar jogando fora. Por isso, conhecer a curva de crescimento do animal e aportar uma nutrição necessária em cada etapa daquela curva é essencial. Olhando, inclusive, para o resultado financeiro”, afirma.

As especifidades do mercado premium

É muito comum ver a carnes em supermercados e açougues sendo classificadas como “premium”. Mas, na suinocultura, isso é mais raro. Pelo menos aqui no Brasil. O diretor da Agropecuária Guapiara comenta que o mercado premium está em franca expansão. “O mercado e os produtores brasileiros ainda não dão conta de atender a essa demanda que existe, tanto é que ainda importamos cortes de outros países, como Argentina, Uruguai e Estados Unidos”, comenta.

Para Fontoura, este é um mercado com um consumidor diferenciado. “É aquele mesmo consumidor que está buscando uma cerveja artesanal, um vinho diferente. Ele está deixando de lado a quantidade e está buscando a qualidade. Muitas vezes ele não faz mais um churrasco de 1,5kg de carne por pessoa, mas faz um churrasco de 600g por pessoa, mas é “A” carne. A pessoa se sente bem em comer, ela degusta”, diz.

De acordo com o diretor Geral da Topigs Norsvin, a carne suína está seguindo esta mesma tendência que a pecuária. “A carne suína tem, principalmente, uma versatilidade bastante grande. Nós temos observado um crescimento nessa demanda por uma carne diferenciada. E vem um pouco nessa linha que a bovinocultura já vem seguindo há um tempo. Então, vemos que ainda há um espaço importante a ser ocupado pela carne suína nesse aspecto”, afirma.

Para os dois profissionais, algo que faz muita diferença quando o assunto é carne de qualidade é a raça utilizada pelo produtor na produção do animal. “A raça é muito importante, sem dúvida. Existe um segmento genético que propicia uma carne de melhor qualidade, com características para quando o animal for terminado”, destaca Fontoura. Mas, para ele, um segredo que faz a diferença, e que poucos produtores se atentam, é que muito mais do que somente a raça, é encontrar dentro dela o indivíduo que o produtor acredita ser o melhor. “Eu já comi carne de angus que estava horrível, mas nem por isso angus é ruim. Assim como já experimentei carne de nelore, que é teoricamente dita como uma carne de menor qualidade, que foi uma das melhores que já comi na vida. Então, é muito o indivíduo e como essa carne foi preparada”, reitera.

Já na suinocultura, Costa destaca que existem diversas raças, mas aquela com aspectos mais relacionados a qualidade é a Duroc. “A carne suína se diferencia pelo seu sabor e esse acho que é o grande diferencial”, afirma. Para ele, é preciso que o suinocultor se atente a qual sistema ele vai utilizar para conseguir focar com qual mercado ele quer trabalhar. “Então posso trabalhar com um sistema de comodities, então uso uma raça mais magra, com características de menos gordura e marmoreio. Ou então posso focar naquele mercado que quer um produto diferenciado, que é onde o Duroc se encaixa, de uma carne mais fresca, com um consumidor que aprecia uma determinada quantidade de gordura e marmoreio, porque é isso que vai trazer para ele uma maior experiência ao provar a carne, com diferentes formas de preparo e apresentação”, diz. Para ele, a versatilidade do suíno vai conseguir abrir espaço para essa busca que o mercado vem fazendo de um produto diferenciado. “Estamos falando nessa experiência. Sem dúvida o bovino já tem isso, com a busca da dona de casa no dia a dia, e o suíno também tem essa possibilidade de atender esse tipo de mercado, com um bife de pernil, uma carne moída suína. É a forma como você apresenta os diversos cortes para trabalhar e o consumidor está buscando essa praticidade”, avalia.

Segundo o diretor Técnico da Selection Beef, Matheus Zacarias, existem características que colocam uma carne em um projeto de maior qualidade. “Geralmente é um animal jovem e bem-acabado para garantir maciez”, diz. Porém, hoje este é um mercado que vem crescendo e se segregando. “A carne macia não é mais a carne premium, é uma carne de qualidade, mas não é top. Aí vamos para a questão do sabor, do marmoreio. O mercado vai se diferenciando por valores”, informa. Ele explica que hoje há um animal extremamente marmorizado, mais velho e com coloração mais intensa e que alguns mercados comercializam a R$ 150 o quilo. Assim como existem animais que foram abatidos jovens, de carne macia, muito melhor que comodities, mas que alguns mercados comercializam a R$ 45 o quilo. “Nós precisamos identificar a genética do animal que vamos trabalhar, e ver qual protocolo que a fazenda vai trabalhar para identificar qual nicho a qualidade de produção se encaixa e vai atender. Assim teremos um maior desfrute desse trabalho que está sendo realizado”, afirma. De acordo com Zacarias, este é um mercado em ascensão e que a suinocultura vem adentrando também. “O setor começou a se identificar, ver qual linhagens para produzir qual tipo de carne, para ver se vai produzir um produto ingrediente ou como um produtor principal de maior valor agregado. Então, o mercado vem se diferenciando e subindo degraus diferentes de valores agregados”, conta.

Um ponto importante destacado por Zacarias foi quanto a diferenciação entre carne premium e carnes especiais. “Hoje não existe regulamentação de classificação de carne ou carcaça, o que existe são marcas que se criam e elas criam esse protocolo para atender a esse padrão de qualidade. Mas não existe uma regulamentação de animais com determinado padrão para ser uma carne premium”, explica. Isso acontece, informa, porque animais de carne premium podem ser aqueles com idade mais avançada ou os mais jovens. “Não existem classificação, tudo depende do valor que você vai agregar”, afirma.

Zacarias ainda destaca que é importante que o produtor faça um projeto na fazenda para conseguir produzir um animal de qualidade. “Trabalho hoje com alguns projetos com uma população de três mil animais, em que dessa quantidade vamos identificar quais são os mil que irão atender ao mercado de qualidade. Mas dentro de um protocolo, sem tem que fazer nada extraordinário. O produtor já tem genética, sanidade, nutrição. Então são ferramentas para potencializar a genética. Vamos acrescentar no valor comercial, já que estes animais já estão dando dinheiro, a qualidade vai entrar como um bônus”, explica. De acordo com ele, nos outros animais será feita uma otimização para ganhar mais dinheiro entrando em diferentes tipos de mercado. “Mas se não tem genética, não vai conseguir colocar no mercado. O mercado de carne de qualidade vai puxando a eficiência nas fazendas”, ressalta.

Segregando a carne premium

Ao produzir uma carne de melhor qualidade, o produtor vem atendendo, inclusive, aquilo que o consumidor tem buscado nas prateleiras do supermercado e no açougue: uma carne de melhor qualidade, que não oferece somente maciez, mas também sabor e uma experiência diferenciado no momento da degustação. “A tendência é que a população melhore o poder aquisitivo e assim melhore também os hábitos de consumo. Aquele consumidor que começa a ter acesso a uma carne premium, que não tem uma variação grande de renda, dificilmente volta para uma carne comum. Uma vez que ele experimenta uma carne de melhor qualidade ele não quer voltar para outra. Então, com a melhoria do poder aquisitivo da população, a tendência é que este mercado cresça. A carne de qualidade é um produto que sem dúvida tem todo um crescimento pela frente. É um mercado que não volta mais ao ponto que estava antes”, destaca o gerente de Relacionamento com o Pecuarista da Biogéneses Bagó, Bruno di Rienzo.

De acordo com Zacarias, hoje o cliente aceita perder na intensidade de maciez se ele tem um produto com mais sabor. “Então, um animal mais jovem ganha em maciez, mas perde um pouco no sabor. São diferentes tipos de consumidores. Hoje existem clientes para todos os níveis de carne, o que temos que ajudar é o animal ser eficiente da porteira para dentro e temos que agregar dinheiro da porteira para fora”, diz.

Costa comenta que atualmente o consumidor tem essa maior capacidade de sentir a diferença de experiências que uma carne de qualidade traz. “Ele sente essas experiências diferentes e se você conseguir preparar diversos tipos de produto de uma maneira correta, consegue atender aos diversos segmentos desse mercado mais exigente”, afirma.

Para o diretor Geral da Topigs Norsvin, o produtor consegue trabalhar usando tecnologia para ter um retorno de uma maneira eficiente. “Eu não somente trabalho com um animal para atender um nicho específico. Dentro do que eu tenho vou trabalhar para atender diferentes mercados”, comenta.

Ele acrescenta que a suinocultura tem investido muito em tecnologia para alcançar a eficiência. “Vemos que o setor vem passando por esses avanços e isso permite que possamos começar a nos diferenciar, fazer esse tipo de segregação e atender a diferentes demandas de mercado, abrindo mais espaço para esse tipo de consumo”, diz.

Costa afirma que vendo as experiências com demanda que o bovino atravessou nos últimos anos foi possível enxergar espaço para a carne suína nesse mercado. “Então os frigoríficos começaram a ter essa demanda, de produtores que estão olhando para isso, buscando atender esse mercado. Já investe em genética, em nutrição, sanidade e agora vão buscando quais são as linhas para atender essa demanda e acabam segregando animais que vão produzir aquele tipo específico de carne para atender esse mercado”, comenta. Segundo ele, é possível ver a cadeia suinícola se organizando e saindo do aspecto de somente produzir carne, mas sim ter uma produção diferenciada. “Isso muda a questão de logística. Vemos que é preciso ter a carne presente no restaurante, no açougue de um dia para o outro, não carne congelada. Nós vemos que a cadeia vai se movimentando nesse sentindo e se tornando mais ágil”, afirma.

É preciso catequizar o consumidor

Mesmo já sendo uma carne solicitada pelo consumidor, para os profissionais muitos ainda não sabem pedir um corte diferenciado no momento da compra, ou mesmo não reconhecem uma carne premium. “Por isso o marketing do setor é fundamental. Há 10 anos o Brasil vinha patinando nesse sentido. Mas é fundamental ter uma apresentação. Hoje falamos de qualidade da carne bovina, mas temos que lembrar que alguns cortes sãos mais facilmente vendidos. O mercado da carne de qualidade está indo agora a um patamar de agregar valor a cortes que antes não tinham valor agregado. Tudo isso requer marketing”, afirma Zacarias.

Para ele, ainda é preciso ensinar, ou melhor “catequizar”, o consumidor sobre a diferença entre uma carcaça de qualidade que produz todos os cortes de qualidade. “É preciso levar essa informação para o consumidor, fazer degustação, eventos que promovam as carnes, para enaltecer esse mercado. Tudo isso para que a carne premium cresça”, acentua.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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Suínos

Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global

Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

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Projeto Peso na Granja criado por estudantes da Faculdade Donaduzzi, usa IA para para estimar o peso de suínos com precisão e atende demandas do mercado - Foto: Shutterstock

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.

Foto: Shutterstock

As tecnologias utilizam Inteligência Artificial (IA), ciência de dados e visão computacional para enfrentar gargalos históricos do agronegócio brasileiro, com foco em eficiência operacional, redução de custos e aumento de produtividade. A iniciativa consolida a transição de protótipos acadêmicos para soluções de alta complexidade, estruturadas para atender produtores rurais, cooperativas e integradoras.

O movimento reforça o posicionamento do Oeste paranaense como polo de inovação aplicada ao agro, conectando formação técnica, pesquisa e mercado.

Suinocultura 4.0 no campo

Entre os projetos que avançam para a fase comercial está o Peso na Granja, desenvolvido por alunos do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial. A solução responde a um dos principais desafios da suinocultura de precisão: a pesagem dos animais sem manejo físico.

Com uso de redes neurais profundas, o sistema identifica individualmente os suínos por imagem e extrai medidas biométricas sem contato

Foto: Shutterstock

direto, alcançando precisão de 98%. A tecnologia automatiza a pesagem, reduz o estresse animal e qualifica o controle zootécnico das granjas.

Na prática, o produtor passa a contar com dados em tempo real para ajustes finos na nutrição, monitoramento da curva de conversão alimentar e identificação precoce de possíveis enfermidades. O ganho é duplo: melhoria do desempenho produtivo e maior previsibilidade de resultados.

O projeto foi reconhecido nacionalmente ao ser premiado no Hackathon do Show Rural Digital 2026, um dos principais eventos de inovação voltados ao agronegócio no país.

Compliance no campo

Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock

A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.

Trilha empreendedora

O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.

A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.

Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.

Fonte: Assessoria Biopark
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Suínos

Carne suína atinge menor média de preço desde abril de 2024

Queda registrada em fevereiro amplia competitividade frente à bovina e ao frango, segundo dados do Cepea.

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Foto: Shutterstock

A atual média mensal de preço da carne suína já é a menor desde abril de 2024, em termos reais (série deflacionada pelo IPCA de janeiro/26), apontam dados do Cepea.

Esse movimento de desvalorização, que seguiu com força em fevereiro, acabou elevando, pelo segundo mês consecutivo, a competitividade da carne suína em relação às concorrentes, bovina e de frango.

De acordo com pesquisadores do Cepea, o ganho de competitividade frente à carne de boi neste mês também é influenciado pelo avanço no preço da carcaça casada bovina; no caso do frango, observa-se desvalorização da proteína, mas em menor intensidade que a registrada para a suína.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que o movimento de queda nos preços do suíno vivo, que vem sendo verificado desde o início deste ano, perdeu um pouco de força nesta semana. O principal fundamento desse cenário baixista é a oferta acima da demanda.

Agentes consultados pelo Centro de Pesquisas indicam que já eram esperadas desvalorizações no primeiro bimestre de 2026, em razão do menor poder de compra da população, mas a intensidade da baixa preocupa.

Fonte: Assessoria Cepea
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