Conectado com

Suínos / Peixes Sanidade

O que a produção de suínos moderna tem feito para evitar as superbactérias?

Em situações onde ocorre um desequilíbrio entre a proporção de bactérias benéficas e as bactérias patogênicas os animais ficam mais suscetíveis às enfermidades

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Uma das mais renomadas pesquisadoras brasileiras na área de suínos a professora da Universidade federal do Paraná campus de Palotina, Daiane Güllich Donin, docente de Suinocultura do Departamento de Zootecnia, tem uma série de preocupações com o surgimento cada vez mais frequente de superbactérias. Mas o que são? Como agem? Quais os prejuízos e o que a produção animal brasileira está fazendo para evita-las. O Presente Rural foi atrás das respostas.

“Quando pensamos em bactérias a primeira coisa que nos vêm à cabeça é doença, mas devemos ter ciência que as bactérias são parte integral e inseparável da vida na Terra. São encontradas em qualquer lugar, desde revestindo a pele até as mucosas e trato intestinal dos homens e dos animais. Estão intrinsecamente ligadas à vida dos organismos e ao correto funcionamento e manutenção da homeostasia dos mesmos”, aborda inicialmente.

De acordo com ela, algumas são consideradas comensais ou benéficas, pois residem no organismo e não trazem prejuízo a este; pelo contrário, protegem contra a colonização por bactérias consideradas patogênicas. Outras, no entanto, denominadas patogênicas, podem causar doenças em humanos, animais e plantas.

“Em situações onde ocorre um desequilíbrio entre a proporção de bactérias benéficas e as bactérias patogênicas os animais ficam mais suscetíveis às enfermidades. Quando as doenças se estabelecem o tratamento se faz necessário para combater os sinais clínicos e o agente infeccioso com potencial patogênico que encontrou as condições ideais para se manifestar. Nestas situações, os antimicrobianos são muito importantes, pois são os fármacos de eleição para tratamento de enfermidades causadas por bactérias”, explica a especialista.

E segue: “Antes do desenvolvimento dos antimicrobianos, muitas pessoas (e animais) morriam de doenças que hoje não são mais consideradas perigosas. Com a descoberta do primeiro antimicrobiano, a penicilina, por Alexander Fleming, em 1928, muitas infecções bacterianas puderam ser tratadas com sucesso e muitas mortes foram evitadas desde o início do emprego destas substâncias na terapia dos pacientes. São, portanto, medicamentos que revolucionaram a história da Medicina, protegendo o homem e os animais de bactérias antes mortais. Milhões de infecções potencialmente fatais foram curadas por intermédio do uso da terapia antimicrobiana”.

Contudo, cita a professora Daiane, esses fármacos encontram-se entre os mais empregados de maneira errada e abusiva, resultando no desenvolvimento de microrganismos resistentes, o que torna necessário o emprego, cada vez maior, de antimicrobianos mais fortes. “A resistência microbiana aos antimicrobianos vem aumentando rapidamente em todo o mundo e, em particular, no ambiente hospitalar, o que faz com que estejam em alerta todos os setores envolvidos no emprego dos antimicrobianos nas terapias, sejam humanas ou animais”, pontua.

“O fato de as bactérias apresentarem curto tempo de geração faz com que elas apresentem capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças no ambiente. Quando uma colônia de bactérias recebe pequena dose de um determinado antimicrobiano, ocorre a morte da maioria delas, sobrevivendo apenas aquelas portadoras de variações que conferem resistência ao medicamento. Os descendentes das bactérias sobreviventes não morrem com a mesma dose do antimicrobiano, evidenciando que as variações são hereditárias. Se a dose do medicamento for aumentada, novamente algumas resistentes à nova dose sobreviverão. Enfim, prosseguindo com o aumento progressivo das doses dos antibióticos obtém-se, ao final, bactérias resistentes a altas dosagens do antimicrobiano. Não é a presença do antimicrobiano que provoca o aparecimento das mutações; na realidade elas surgem espontaneamente, e o antimicrobiano apenas seleciona as bactérias mais resistentes. Portanto, a resistência aos antimicrobianos é uma consequência natural da habilidade bacteriana de se adaptar”.

Uso indiscriminado

De acordo com a doutora Daiane Donin, “o uso indiscriminado de antimicrobianos, tanto na Medicina quanto na produção de animais, aumenta a pressão seletiva, selecionando as bactérias resistentes, e permitindo o surgimento das superbactérias. Os antibióticos matam as bactérias sensíveis; entretanto as que sobrevivem transmitem para as gerações futuras os genes de resistência até criar uma bactéria super-resistente”, menciona.

Ela argumenta que as superbactérias representam grande risco aos pacientes em hospitais, pois são capazes de criar “escudos” contra os medicamentos mais potentes e podem infectar os pacientes debilitados e se espalhar rapidamente pela falta de antimicrobianos capazes de contê-las. “Por isso, as superbactérias são consideradas grande ameaça global em saúde pública, e são foco de amplas discussões no meio científico”, justifica.

Para a professora e pesquisadora, a velocidade com que as bactérias desenvolvem resistência aos antimicrobianos é maior do que a velocidade com que novos fármacos são elaborados, “e desta forma, surtos provocados por bactéria comuns, como Staphylococcus aureus, porém resistente à meticilina (MRSA), podem afetar milhares de pessoas, e fazem com que estes agentes se apresentem como desafio para a indústria farmacêutica na busca novas drogas capazes de combater as superbactérias”.

Produção animal

A professora cita que a utilização de antimicrobianos na produção animal e o possível surgimento de bactérias resistentes é uma fonte de preocupação para a saúde humana por várias razões. “Primeiro porque bactérias associadas aos animais podem ser patogênicas para os humanos, podendo ser facilmente transmitidas para os humanos via alimento obtido de animais de produção. Somado a isto, os dejetos dos animais podem espalhar estas bactérias no meio ambiente de uma forma ampla”, aponta.

“O receio de que o uso de princípios antimicrobianos na produção de suínos possa espalhar resistência bacteriana para infecções em humanos foi agravado pelo fato registrado na China de resistência à Colistina. Um novo gene que tornou as bactérias comuns (como a E. coli) resistente a esta droga foi descrito na China em novembro de 2015. Em abril de 2016 foi reportada a presença deste gene em isolados de bactérias de origem animal no Brasil (encontrados em frangos oriundos do Paraná). Este gene foi encontrado em amostras de humanos, comprovando a possibilidade de surgimento nos animais de bactérias resistentes a antimicrobianos que podem infectar humanos”, revela a professora.

Neste contexto, amplia, ponto crucial e bastante criticado por profissionais ligados à saúde é o uso dos antimicrobianos (como o que era feito com a Colistina) para “incentivar o crescimento dos animais” ao invés de tratar sua infecção. “Devemos ressaltar que este uso de antimicrobianos como promotores de crescimento vem sendo banido gradativamente ao longo dos últimos anos, e isto estende-se à Colistina, por exemplo, que teve seu uso banido para esta finalidade”, sustenta.

One Health

Ainda conforme a pesquisadora, “a Organização Mundial da Saúde, através da Organização Internacional de Epizootias, tem se preocupado de sobremaneira com a ocorrência de resistência bacteriana na medicina humana e na produção animal, e aponta que apenas com uma abordagem integrada envolvendo o homem, os animais e o meio-ambiente, batizada como “One Health”, poderemos ter sucesso na resolução desse problema”.

“A abordagem sistêmica One Health talvez seja a única maneira de tentar deter a marcha rumo à resistência antimicrobiana. Devemos disciplinar a utilização de antimicrobianos na Medicina Veterinária e, em especial, evitar aqueles princípios ativos de uso compartilhado com a Medicina humana. A cultura da prevenção da ocorrência de doenças deve ser a tônica das ações de todos envolvidos na produção de suínos. Quando da necessidade da utilização de substâncias com caráter antimicrobiano nos sistemas produtivos é fundamental ter a assessoria de médicos veterinários que devem estar devidamente capacitados no assunto”, avalia a profissional.

Conforme Daiane Donin, o plano de ação global prevê como metas melhorar o conhecimento sobre a resistência a antimicrobianos, aumentar o monitoramento da resistência a antimicrobianos, reduzir a incidência de infecções, otimizar o uso de antimicrobianos e ampliar os investimentos em novos antimicrobianos, ferramentas de diagnóstico, vacinas e outras intervenções alternativas.

Ainda segundo a pesquisadora, “melhorias na gestão do uso de antimicrobianos em animais de produção, particularmente reduzindo aqueles criticamente importantes para a Medicina humana, são passos relevantes para a preservação dos benefícios dos antimicrobianos para o ser humano”, reforça.

Uso racional

Ela reitera que vale destacar que não somente a produção animal é responsável pelo surgimento de superbactérias, mas sim, a prescrição banalizada de antimicrobianos na Medicina humana é a principal responsável pela expansão de bactérias resistentes. “Desta forma, se desejamos conter o surgimento destas bactérias, devemos não somente nos preocupar com a forma como lidamos com os antimicrobianos nas produções animais, mas também reduzir a medicalização na Medicina humana, visando frear o uso de antimicrobianos em situações em que terapias alternativas poderiam ser utilizadas para solucionar as enfermidades”, aponta.

E garante: “Racionalizar o uso de antimicrobianos tanto na Medicina humana quanto na Medicina Veterinária é o caminho para contermos o aparecimento de bactérias resistentes e sabemos que isto tem sido foco das discussões e das ações nas cadeias de produção animal, em especial na produção de aves e suínos. A atividade suinícola vem assumindo o compromisso de usar racionalmente os antimicrobianos e implementar práticas que permitam a produção eficiente e rentável sem o uso indiscriminado destes produtos. As empresas estão investindo fortemente na tentativa de validar novos produtos que possam ser utilizados como melhoradores desempenho dos animais alternativos aos antimicrobianos, como probióticos, prebióticos, simbióticos e outros”.

Pontos chave

Neste contexto, insiste a professora, seguem alguns pontos chave para obtenção de sucesso na redução e uso prudente de antimicrobianos: utilização de eubióticos: aditivos que auxiliam na manutenção do ótimo balanço da flora gastrointestinal sendo assim, benéficos para a saúde intestinal dos animais e contribuindo para o bem-estar e aumento do desempenho produtivo. Na prática, ácidos orgânicos, probióticos, prebióticos e óleos essenciais são os eubióticos que têm sido amplamente pesquisados para uso nas criações comerciais de suínos, e validados ao terem seus benefícios comprovados. “Citando alguns exemplos, a modulação de flora das matrizes minimizando a excreção de agentes patogênicos pelas fezes e consequente contaminação das leitegadas através da utilização de ácidos orgânicos e probióticos nas semanas anteriores ao parto já é prática consolidada em alguns países, bem como a utilização de ácidos orgânicos e probióticos na maternidade e dietas pós-desmame visando prevenção e controle de enfermidades entéricas”.

Outro ponto chave: “Adoção dos manejos básicos: respeitar vazio sanitário das instalações, estimular os leitões a ingerirem o máximo de colostro, respeitar o fluxo de produção, adotar sistema “todos dentro – todos fora”, promover a utilização adequada de quarentenário na introdução de animais, desinfecção adequada de caminhões, entre outros. A adoção de práticas eficientes de biossegurança e manejo são imprescindíveis na manutenção do status sanitário dos sistemas de produção, evitando dessa forma a necessidade da utilização dos antimicrobianos. Neste quesito, no Estado do Paraná a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicou recentemente a Instrução Normativa nº 265, instrumento que regulamenta as boas práticas voltadas à prevenção e controle de doenças infecciosas nos locais onde ocorre a criação de suínos. O Estado é o primeiro entre todas as unidades da federação a ter um regulamento dessa natureza.

A professora segue: “Diagnóstico adequado de enfermidades: a coleta de material e diagnóstico adequado das doenças que acometem os animais permite adotar diferentes práticas de manejo no controle, além da utilização de classes de antimicrobianos menos prejudiciais aos animais, evitando dessa forma a utilização preventiva de antimicrobianos de amplo espectro, bem como grande quantidade de princípios ativos”. Ambiente adequado aos animais: “outro ponto importante a ser considerado no uso prudente de antimicrobianos é a promoção de ambiência adequada aos animais, permitindo a expressão de seu máximo potencial genético sem a necessidade do suporte medicamentoso”.

A professora cita ainda a eliminação de doenças: “diversos protocolos de eliminação de diferentes enfermidades que acometem os suínos já foram validados e, de acordo com as características de cada sistema de produção, são possíveis de serem adotados, minimizando também dessa forma a utilização massiva de antimicrobianos. Neste contexto, em granjas com um perfil sanitário livre de algumas enfermidades, a observação das práticas de biossegurança e origem de animais de reposição deve ser cuidadosamente respeitada visando garantir a manutenção deste status”.

Desta forma, aponta a pesquisadora, “observa-se que os sistemas de produção de suínos têm investido na implementação e melhoria dos programas de biossegurança, têm revisado e melhorado os programas vacinais, e têm feito o uso prudente de antimicrobianos visando promover a saúde dos animais, prevenir a entrada de enfermidades e garantir o bom desempenho zootécnico dos mesmos. A Medicina Veterinária preventiva é a melhor ferramenta para conter o avanço do uso inadequado de antimicrobianos nos animais e reduzir os riscos de aparecimento de superbactérias”, sugere a professora da Universidade Federal do Paraná.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 − um =

Suínos / Peixes Saúde Animal

Escherichia coli, uma única bactéria, múltiplas patologias

A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Isaac Rodriguez, gerente Técnico e Marketing América Latina da Hipra Saúde Animal

A Escherichia coli pertence à família das enterobactérias, bactérias Gram-negativas anaeróbias facultativas. Dentro dessa espécie, existem cepas de E. coli que pertencem à flora comensal do indivíduo e outras cepas patogênicas potencialmente causadoras de doenças gastrointestinais. A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência, estruturas bacterianas antigênicas que formam parte da conformação natural de E. coli, assim como por sua capacidade de produzir toxinas, substâncias com diversos efeitos patogênicos sobre o indivíduo.

Entre os fatores de virulência mais estudados, encontramos as fímbrias (F), os flagelos (H), o antígeno somático (O) e a cápsula e a microcápsula (K). Há múltiplas classificações que podem ser feitas com as mais de 25 cepas de E. coli identificadas no trato gastrointestinal de um suíno e as mais de 120 espécies descritas. Se nos concentrarmos na combinação do antígeno fimbrial, no tipo de toxinas produzidas e na patologia desenvolvida em suínos afetados por E. coli, poderemos encontrar as doenças mais prevalentes em suínos associadas a esta bactéria.

Há várias curiosidades epidemiológicas sobre o modo de vida dessa bactéria a nível do trato gastrointestinal dos suínos. Por exemplo, as cepas dominantes de E. coli podem variar de um dia para o outro, com a proliferação e a variação máxima das cepas ocorrendo no intestino delgado, enquanto, o número de bactérias permanece constante no íleo e no reto. Em momentos de doença, as mesmas cepas costumam se encontrar presentes em vários animais doentes e costumam persistir em lotes sucessivos, com infecções mistas (por mais de uma cepa) sendo mais frequentes que infecções causadas por apenas uma cepa. Finalmente, destaque-se que as rotinas de limpeza e desinfecção costumam ser insuficientes para romper o ciclo de infecção por E. coli, e é por isso que as infecções por esse agente costumam ser recorrentes nas criações expostas a este.

A doença do edema: pouco lembrada, mas muito presente

A doença do edema é causada por VTEC, com as cepas produtoras de verotoxina 2e (Vt2e) ou toxina semelhante a Shiga 2e (STx2e) de Escherichia coli sendo as únicas capazes de produzir a doença do edema (ECED). Essa nomenclatura dupla (Vt2e e Stx2e) possui origem dupla: por um lado o efeito letal que Vt2e tem sobre as células Vero (células de cultura comumente usadas a nível laboratorial) e, por outro, a semelhança estrutural de tal toxina com a produzida por Shigella dysenteriae, e é por isso que tem o nome de toxina semelhante à de Shigella (Stx2e).

Normalmente, E. coli que apresenta majoritariamente fímbrias de aderência F18ab, mas também F18ac, corresponde às cepas responsáveis pela produção de Vt2e. Essa circunstância condiciona o momento de surgimento da doença, já que os receptores de aderência para E. coli F18 não são expressos completamente em leitões com menos de 20 dias de vida, e é por isso que o momento de surgimento da doença ocorre ao redor de 5-14 dias após o desmame desses animais, que costuma ocorrer entre 21 e 28 dias de vida. É importante considerar que a doença do edema também pode se manifestar na fase de engorda, com a introdução dos suínos no lote de terminação, que é o momento crítico em seu desenvolvimento.

Com esses receptores já tendo sido ativados, as ECED colonizam o intestino delgado, aderem às fímbrias e começam a secretar Vt2e. Quando a toxina alcança a corrente sanguínea, distribui-se até os tecidos, onde exerce seu efeito tóxico, que é a destruição das paredes dos vasos sanguíneos, o que se supõe que causa o surgimento dos edemas característicos da doença.

Quando se ingerem ECED em quantidade suficiente, sua proliferação é bastante rápida, atingindo concentrações maciças da ordem de 109 UFC/g. Esse grau de colonização e, portanto, de produção de Vt2e condicionará o desenvolvimento da infecção e, com isso a forma de apresentação da doença. A apresentação clínica da doença do edema poderá ser diferente, com base no grau de colonização e na capacidade de produção de Vt2e.

Formas de apresentação da doença do edema

Forma clínica ou aguda. Trata-se da forma característica da doença, que costuma se apresentar nos animais após seu desmame, embora também possa se apresentar nos animais na entrada da fase de terminação. Essa apresentação se caracteriza por ser esporádica e afetar todo o grupo, embora apenas uma proporção morra de forma súbita, sem apresentar nenhum outro sinal clínico associado.

Os sinais clínicos mais característicos são:

  • Inapetência
  • Inchaço das pálpebras e da parte frontal da cabeça
  • Emissão de grunhidos característicos
  • Incoordenação motora
  • Dificuldade respiratória
  • Ausência de febre e diarreia
  • Nas fases terminais, um número reduzido de animais pode apresentar diarreia aquosa com coágulos de sangue vivo
  • Uma parte dos animais que desenvolvem os sinais clínicos anteriores ficará prostrada e morrerá. Os níveis de mortalidade podem variar entre níveis baixos (que, inclusive, podem passar despercebidos, correspondendo a cerca de 1-3%) ou extremos (incluindo entre 50 e 90% dos animais do lote).

Forma crônica

Os animais que forem capazes de sobreviver a uma forma aguda da doença permanecem no grupo exibindo atraso no crescimento e podendo demonstrar distúrbios nervosos unilaterais, tais como pedalagem, torção da cabeça ou atrofia dos músculos das extremidades, com debilitação progressiva.

Forma subclínica

Os leitões ficam clinicamente saudáveis, mas desenvolvem lesões vasculares, que podem resultar em atraso do crescimento.

Lesões características da doença do edema.

Entre as lesões mais frequentes e características da doença do edema clínica e crônica, encontram-se:

  • Edema subcutâneo na cabeça e pálpebras.
  •  O estômago costuma apresentar o conteúdo alimentar aparentemente fresco. Os edemas se localizam na submucosa gástrica e, ocasionalmente, no fundo.
  • Mesocólon edematoso.
  • Edema no mesentério do intestino delgado, assim como da vesícula biliar.
  • Nódulos mesentéricos e do cólon que costumam parecer edematosos, congestos e inchados.
  • As cavidades pericárdica, pleural e peritoneal podem apresentar um ligeiro aumento do conteúdo seroso, com possível presença de fios de fibrina.
  •  Costuma-se apresentar um edema pulmonar, embora em um grau de afecção amplo, indo desde um edema leve até uma congestão sublobular generalizada.
  • Fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença do edema.

Mesmo considerando que a doença do edema possui um único agente causador (Vt2e), pode-se chegar a considerar uma doença multifatorial, por causa dos muitos fatores que condicionam seu desenvolvimento. Entre os fatores de risco mais comuns, encontram-se:

  • Desmames precoces.
  • Situações de estresse ao redor da fase de desmame e da entrada na fase de terminação.
  • Ausência ou presença reduzida de anticorpos maternos contra Vt2e.
  • Composição genética de crescimento rápido e alto consumo de alimentos.
  • Mistura de animais de diferentes origens e status sanitário.
  • Níveis elevados de proteína bruta da dieta nos primeiros dias pós-desmame e da terminação.
  • Alterações de dieta, bem como dietas com proteínas pouco digestíveis.
  • Altas concentrações de farelo de soja.
  • Água de baixa qualidade e não tratada.
  • Presença de doenças concomitantes, especialmente aquelas associadas a E. coli, tais como as diarreias pós-desmame.

Conclusões

Embora a doença do edema seja uma patologia antiga, a realidade atual é que, no entanto, ela costuma se associar diretamente a diarreias pós-desmame. Se acrescentarmos a isso que a doença do edema não costuma estar presente nos diagnósticos diferenciais de leitões com sinais clínicos neurológicos e mortalidade no desmame ou na entrada na fase de engorda, o que encontramos é um possível cenário de doença do edema mal diagnosticada e mais prevalente do que se poderia imaginar.

Portanto, podemos associar E. coli como sendo responsável por outras sintomatologias diferentes das diarreias de fases iniciais ou pós-desmame. Quando se observar sintomatologia nervosa, geralmente atribuída a agentes tais como Streptococcus suis ou Haemophilus parasuis, torna-se importante, por tudo que foi descrito anteriormente, incluir as cepas de E. coli produtoras de verotoxina 2e no diagnóstico diferencial, para uma abordagem correta da doença e um diagnóstico final correto.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Saúde Animal

Especialistas defendem controle combinado de micoplasma, circovirose e ileíte

Circovirose, micoplasma e ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Uma estratégia sanitária que combina o controle e a prevenção simultâneos de três agentes infecciosos que mais desafiam a suinocultura tem trazido resultados eficientes ao campo. A circovirose, o micoplasma e a ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país e, consequentemente, trazem as maiores perdas econômicas. Este quadro vem ganhando importância na medida em que crescem as pressões globais pelo uso cada vez mais restrito de antibióticos na produção animal.

E, diante deste cenário de restrição, um programa sanitário eficiente associado a biosseguridade, manejo adequado e nutrição nunca foi tão importante para minimizar o impacto econômico para o produtor. A médica veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, Brenda Marques, defende a aclimatação correta das leitoas como estratégia cada vez mais importante e eficiente no controle do Mycoplasma hyopneumoniae.

“É necessário quebrar alguns paradigmas e entender que as granjas precisam se preparar para um novo cenário de produção com uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, afirma a especialista, que também alerta para a importância da prevenção conjunta do micoplasma com estes outros patógenos igualmente desafiadores. “Sabemos da interação destes agentes com outros patógenos e também o impacto de fatores ambientais e estresse na ocorrência de doenças respiratórias”, diz ela salientando a estratégia da empresa de trabalhar simultaneamente na prevenção de enfermidades para manter elevada a produtividade do plantel e a rentabilidade do produtor.

Desafios

A especialista defende que o mercado brasileiro pode avançar mais rapidamente na redução do uso de antimicrobianos na produção, atendendo uma demanda global crescente, aprendendo com as lições que ocorreram em países da Europa e nos Estados Unidos. “Nestes dois mercados não houve adaptações dos produtores. Eles precisaram reagir às pressões. O que temos em nosso favor é que podemos nos adaptar e isso é sem dúvida mais fácil que precisar reagir. E estamos em um bom momento para adaptações”, avalia.

“A capacidade de produção do Brasil é alta e com muitas possibilidades de participar de mercados estrangeiros, especialmente diante do quadro de tensão comercial entre os Estados Unidos e outros países, especialmente falando da China. Outros países da nossa região, como o Chile, por exemplo, estão trabalhando muito rapidamente em questões como redução de antibióticos e bem-estar animal”, continua Brenda.

Ela acredita que a adaptação no plantel brasileiro pode se dar através de sistemas de análises de prevenção de enfermidades, manejo adequado, nutrição e biosseguridade alinhando os objetivos do mercado às necessidades do consumidor.

Controle e Prevenção 

O trabalho de controle e prevenção tem melhores resultados com um programa de vacinação que contemple três agentes infecciosos de maior importância no campo: o circovírus suíno tipo 2, o Mycoplasma hyopneumoniae e a Lawsonia intracellularis. “Redução da perda de peso diária e mortalidade associada com infecção por PCV2 e pela Mycoplasma hyopneumoniae são os primeiros impactos desta medida”.

Outros benefícios também são citados pela especialista, como redução do manuseio dos animais, facilitando o processo de vacinação, além de minimizar o estresse nos leitões, avalia. “Também reduz a excreção viral, resultante das infecções por circovirose, e lesões pulmonares causadas pela infecção por Mycoplasma hyopneumoniae. As doenças são controladas no mesmo momento”, menciona Brenda.
Esta estratégia é resultado de um trabalho de inovação e diferenciação com investimentos em pesquisa e colaborando a melhoria da sanidade e dos resultados da cadeia produtiva, ressalta o médico-veterinário e gerente de Produtos da MSD Saúde Animal, Robson Gomes. Ele ainda lembra a importância de combinar este trabalho de controle do micoplasma associado com outra enfermidade também desafiadora para os produtores: a ileíte.

Esta associação é uma resposta da empresa para o desafio global de se produzir proteína animal com uso cada vez mais restrito de antibióticos. A ileíte é uma doença entérica que acomete suínos nas fases mais tardias de crescimento e terminação e era tratada justamente com estas moléculas, quadro que exige inovações da cadeia produtiva para manter elevados os índices de produtividade no campo.

Entre os principais impactos da doença no plantel estão a queda de ganho de peso e conversão alimentar, sobretudo ao final da fase de terminação, alerta o médico-veterinário. Outro indicador afetado pela enfermidade apontado pelo especialista é a incidência de desuniformidade do lote. “A ileíte sempre teve um impacto significativo na suinocultura. E ganhou importância mais recentemente por conta da restrição no uso de antimicrobianos e a chegada de uma vacina que proporciona o controle eficaz da doença e de forma conveniente para todos os suinocultores”, afirma.

Ele defende a importância de uma vacinação contra Lawsonia intracellularis com longa duração de imunidade, o que significa proteger o animal durante todo o ciclo de crescimento e engorda. “Uma menor pressão de infecção através de uma redução da quantidade e do tempo de excreção de bactérias é outro benefício desta medida, que é ainda mais importante neste momento em que a atividade enfrenta o desafio de manter elevada a eficiência produtiva apesar do uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, defende Gomes.

De acordo com ele, esta experiência no campo permitiu constatar ainda uma eficaz redução da colonização e do tempo de excreção da Lawsonia Intracellularis. “Também foi capaz de reduzir as lesões macro e microscópicas provocadas pela doença”, salienta o especialista, alertando que a prevalência deste agente infeccioso é alta nos rebanhos brasileiros e que a imunização do rebanho pode colaborar com o uso racional ou até mesmo a redução de medicamentos.

Para se ter uma ideia do impacto da Enteropatia Proliferativa Suína, a enfermidade traz grandes prejuízos ao suinocultor, como redução no ganho de peso e piorando a taxa de conversão alimentar. No Brasil, a principal forma de manifestação da doença é a subclínica, sendo silenciosa e devastadora.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Nutrição

Fibras na dieta de matrizes melhora desempenho da leitegada

Fibras podem ser utilizadas em todas as fases de produção, auxiliando no funcionamento do trato intestinal dos animais

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Uma boa opção para a nutrição animal, as fibras são ingredientes a base de madeira fresca especialmente selecionadas para a nutrição que passam por processo de moagem ultrafina. Elas dão suporte ao funcionamento fisiológico de todo o sistema gastrointestinal, contribuindo para uma melhor eficiência zootécnica dos suínos. Mesmo sendo já bastante utilizada, ainda são muitas as dúvidas que surgem em produtores e profissionais sobre como utilizá-las e quais são os seus reais benefícios para a produção animal.

Segundo o médico veterinário e CEO da Biosen, Fernando Toledano, são diversas as contribuições que a utilização das fibras proporciona, especialmente na dieta de suínos. “Dietas destinadas à nutrição de animais de produção, tais como aves e suínos, possuem um baixo percentual de fibras, limitando o funcionamento do trato gastrointestinal. O principal benefício das fibras funcionais é permitir um reequilíbrio das funções fisiológicas dos animais utilizando-se baixas inclusões nas dietas”, explica.

Toledano informa que em fêmeas suínas em fase reprodutiva, as fibras funcionais permitem um melhor gerenciamento do nível glicêmico, levando uma melhor estabilidade reprodutiva, leitões mais pesados ao nascimento e melhor produção de leite nas porcas. Já o uso de fibras funcionais em dietas de leitões no período pós desmame previne o desenvolvimento das chamadas diarreias pós-desmame por estimularem o funcionamento adequado dos intestinos. “Elas podem ser utilizadas em todas as fases da criação, especialmente em matrizes”, salienta.

O médico veterinário esclarece que a análise de custo benefício sobre o uso de fibras funcionais deve considerar a situação do plantel. “Quanto maiores forem os transtornos causados pela deficiência de fibras nas dietas dos animais, maior será a contribuição das fibras funcionais e um maior retorno financeiro será observado”, conta. O especialista comenta que, de modo geral, o uso de fibras funcionais na atividade de suinocultura pode ser considerado um dos melhores investimentos na área nutricional a ser feito pelo produtor, tamanha é a deficiência de fibra, “tanto em quantidade, quanto em qualidade”, afirma.

Estudos comprovam

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre os benefícios da utilização das fibras, Toledano diz que atualmente está disponível ao público uma série de pesquisas feitas com animais, especialmente suínos, mostrando os benefícios de uso de fibras funcionais na performance reprodutiva e zootécnica do plantel. “As linhas de pesquisas mais promissoras mostram que as fibras melhoram a produtividade reprodutiva do plantel e a saúde intestinal dos suínos”, conta.

Além disso, as fibras funcionais são ainda uma excelente opção para a redução da utilização dos antibióticos, algo muito cobrado tanto pelo consumidor quanto dos mercados externos. “As fibras funcionais contribuem para redução do uso de antibióticos porque dão suporte às funções gastrointestinais dos animais. Funções estas que são prejudicas no sistema de criação intensiva dos animais”, esclarece o médico veterinário.

O profissional afirma que como consequência disso, há um melhor estímulo a função peristáltica, maior produção de ácidos graxos voláteis e um melhor equilíbrio da microbiota intestinal. “Mas é importante salientar que o alimento sozinho não é a única solução, boas práticas de manejo, bem como bem-estar animal, compõem os pilares para animais melhores e sadios, consequentemente, retorno positivo zootécnico e econômico”, sustenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Evonik – Aminored
Biochem site – lateral
AB VISTA Quadrado

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.