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Avicultura Mais custos, menor consumo interno...

O que a avicultura brasileira espera para o segundo semestre

Segundo a Embrapa Suínos e Aves, o comportamento dos preços das commodities no mercado internacional foi o que mais influenciou o cenário

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Arquivo/OP Rural

A pandemia mudou, e muito, as expectativas de todos os setores de produção do mundo. Com o agronegócio não foi diferente. O setor esperava um ano ainda melhor que 2019. Esta realidade estava se concretizando antes da chegada do Coronavírus (Covid-19) ao Brasil. A avicultura nacional sofreu algumas alterações, como consumo interno, exportações e especialmente quantos aos custos de produção. Segundo a Embrapa Suínos e Aves, o comportamento dos preços das commodities no mercado internacional foi o que mais influenciou esse cenário.

Para explicar melhor a situação, a Embrapa Suínos e Aves fez uma nota técnica demonstrando o impacto da Covid-19 sobre as cadeias produtivas de frango de corte, ovos e suínos. O documento mostra que neste ano a situação para a cadeia de frango nacional estava sendo favorável até o surgimento da Covid-19. “As estimativas do USDA feitas entre outubro de 2019 e abril de 2020 refletem os impactos esperados da Covid-19, com uma redução de 100 mil toneladas na produção brasileira e um aumento de 200 mil toneladas nas exportações. Isto demonstra a inclusão dos efeitos negativos da pandemia na produção e no mercado interno brasileiro”, afirma o documento.

No entanto, de acordo com a Embrapa, há efeitos positivos com relação ao acesso aos mercados externos resultando no crescimento da exportação. “Segundo lideranças do setor a demanda interna teve o impacto negativo da pandemia, com o fechamento de escolas, bares, restaurantes e das atividades de turismo em geral. Outra questão a ser dimensionada é o efeito do desemprego que está ocorrendo como consequência do isolamento social, da deterioração do poder de compra das pessoas. Neste contexto, uma questão a ser observada é se apoios financeiros como o “coronavoucher” irão recompor a renda e manter o consumo dos alimentos e das carnes”, aponta a nota técnica.

A Embrapa Suínos e Aves mostra ainda que a elevação do desemprego e a queda do PIB do país devem impactar negativamente o consumo per capita da carne de frango. “Assim, existe uma preocupação na cadeia produtiva em não aumentar a oferta desta carne devido à dificuldade que o Brasil está enfrentando para aumentar a sua participação nas exportações mundiais. As lideranças da cadeia preveem dificuldades para o ano de 2020, entretanto ainda não dimensionaram o grau dos ajustes a serem tomados para superar a crise com as menores perdas possíveis”, diz.

Além disso, a variação dos preços do frango congelado no Estado de São Paulo dá uma indicação da situação do mercado desse produto. “Observa-se que após um período de preços crescentes iniciados em novembro de 2019 e que se manteve até janeiro de 2020 os preços iniciaram uma queda sem indicação de reversão, conforme indicam outras análises da conjuntura”, afirma. Os preços para as exportações brasileiras estão atrativos e remuneradores em parte devido à grande valorização do dólar em relação ao real. “O país, contudo, está encontrando grande dificuldade de expandir os volumes exportados. A evolução e duração da crise da Covid-19 e suas consequências na economia inspiram muita preocupação no setor”, mostra a nota.

A Embrapa ainda destaca que o custo de produção tem sofrido pressões altistas tanto para o frango vivo como para a indústria. “No primeiro caso a pressão vem do mercado internacional, com o Real desvalorizado, estimulando a exportação e a elevação dos preços internos do milho e da soja assim como o preço dos insumos importados (Ex: vitaminas, medicamentos). Existe uma possibilidade de redução dos preços do milho a depender do preço internacional do petróleo e das intervenções governamentais a serem implementadas visando a proteção da indústria do etanol, em especial do Brasil e dos Estados Unidos”, afirma a Embrapa. Porém, no caso das agroindústrias (frigoríficos), a nota mostra que a limitação do número de trabalhadores e as medidas de prevenção da doença diminuem a produtividade do trabalho e aumentam os custos operacionais.

A influência da Covid-19 nos custos de produção

Para entender melhor como tem se comportado este fator determinante na avicultura, a reportagem de O Presente Rural conversou com o analista Ari Jarbas Sandi, da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves. De acordo com ele, os custos apresentaram diferentes variações entre os três Estados da região Sul (que são os calculados pela Embrapa), bem como entre os períodos mensais.

Segundo o analista, os custos de produção no Estado do Paraná (janeiro a maio 2020, para o qual o ICPfrango/Embrapa é calculado), foram 9,8% e 4,9% mais onerosos do que em de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, respectivamente. “Essa diferença relativa pode ser explicada pelo preço do farelo de soja, que nos cinco primeiros meses do ano 2020 no Paraná, foi 20,5% e 8% superior aos preços praticados nos Estados de SC e RS. A média de preços nesse período foi de R$ 1.613 a tonelada no PR, R$ 1.484 no RS e R$ 1.331 em SC”, explica o profissional.

Sandi informa que embora o preço do milho no Paraná durante o primeiro trimestre do ano de 2020 tenha superado o preço de Santa Catarina em 5,9%, a partir de abril até junho comparando vis-à-vis o preço entre os dois Estados, este acumula uma queda de 6,7%. “Entretanto, a baixa nos preços do milho para o Paraná não foram suficientes para minimizar a diferença nos custos de produção de frangos de corte, atualmente em 10,1% a mais quando comparado ao estado catarinense e 6% ao estado gaúcho”, esclarece.

O profissional destaca, porém, que os preços do farelo de soja continuarão a sofrer pressões da taxa de câmbio bem como do mercado internacional. “A cotação da soja em grãos na CBOT – Bolsa de Chicago, sugere o valor de US$/Bushel 8,67 para julho, 8,68 para agosto e 8,73 para novembro de 2020. Já, segundo a mesma bolsa de valores, as cotações futuras para o farelo de soja são de US$/tonelada 288,40 para o mês de julho, 290,70 para agosto, 292,50 para setembro e 294 para outubro de 2020. Lembrando que um Bushel de soja equivale a 27,216 quilogramas”, conta.

Sandi informa que, em uma média do primeiro quadrimestre do ano, no Paraná os custos de produção se elevaram em 12,9%, passando de R$ 3,01 em janeiro para R$ 3,41 ao kg de frango vivo em maio de 2020. Em Santa Catarina passou de 8,6% (de R$/kg vivo 2,77 para 3,07) e no Rio Grande do Sul foram de 4% (de R$/kg vivo 3 para 3,03).

“O aumento verificado nos custos de produção de frangos de corte guarda estreita relação com os preços das commodities. Estas valorizaram-se devido as cotações internacionais, e ao bom momento que o setor agrícola atravessa, principalmente devido a demanda externa. Talvez a pandemia tenha cooperado para esse aumento, embora as exportações líquidas tenham diminuído”, observa o analista.

O profissional comenta ainda que as exportações totais de carne de frango (incluindo in natura e processados) alcançaram 399,4 mil toneladas em maio, resultado que supera em 4,5% o saldo dos embarques efetivados no mesmo período de 2019, com 382,2 mil toneladas. Já a receita das exportações do período totalizou US$ 546,3 milhões, número 17,3% menor que o resultado registrado no mesmo mês do ano passado, com US$ 660,7 milhões.

No acumulado do ano, o volume exportado chegou a 1,76 milhão de toneladas, volume 4,9% acima do efetivado entre janeiro e maio de 2019, com 1,68 milhão. A receita do período chegou a US$ 2,69 bilhões, número 3,7% menor em relação ao desempenho registrado no mesmo período comparativo, com US$ 2,80 bilhões. “A China fortaleceu sua posição como principal destino das exportações de aves e de suínos, e foi um dos impulsos para o bom desempenho dos embarques neste período.  Esta é uma tendência que deverá se manter durante os próximos meses em relação ao mercado asiático”, explica Sandi.

Diferenças entre produtores

O analista afirma que a avicultura de corte no Brasil é realizada, em 95% dos casos, a partir de contratos de integração vertical. Desse modo, existe a necessidade de considerar dois atores principais, que embora são tratados como produtores, não são adequadamente distinguidos um do outro: as agroindústrias e os avicultores e produtores rurais.

Sandi explica que as agroempresas integradoras (agroindústrias) são fornecedoras de insumos alimentares, transportes de insumos e produtos, assistência técnica especializada e pintainhos. “Geralmente as integradoras é que definem o pacote tecnológico a ser seguido no campo produtivo, sendo que o preço por quilo de frango vivo pago ao integrado depende da eficiência produtiva que ele consegue obter a partir da função manejo”, informa.

Já as agroempresas integradas (avicultores e produtores rurais) são fornecedores de capital fixo de alta especificidade (construções e equipamentos modernos que servem apenas para aquela finalidade), de mão de obra qualificada, energia elétrica, energia térmica, maravalha e serviços auxiliares, cuja renda depende do checklist e da eficiência produtiva determinada pela integradora.

“Os preços recebidos por quilo de frango vivo diferem de acordo com cada tipo de produtor. O integrado não assume responsabilidades no comércio nacional ou internacional de carnes frescas e processadas. Ele apenas fornece à integradora frangos com peso homogêneo a cada 42 dias (frangos pesados) e/ou 28 dias (frangos leves). O preço que remunera esse produtor pelo produto que ele comercializa à agroempresa integradora, difere do preço do frango vivo no mercado físico”, explica Sandi.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Ionóforos ajudam a modular o microbioma intestinal de frangos de corte, mas sua principal função é anticoccidiana

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura

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Artigo escrito por Patrícia Tironi Rocha, mestre em Sanidade Animal e gerente técnica de avicultura da Phibro Saúde Animal

O problema é sério. Em termos globais, são registrados prejuízos de até US$ 13 bilhões devido à temível e prevalente coccidiose aviária, doença intestinal causada por parasitas do gênero Eimeria, que causam uma série de danos à digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos, além de predispor as aves a outras doenças igualmente desafiadoras.

Além de provocar grande impacto em desempenho zootécnico, a coccidiose pode levar as aves à morte. Um dos problemas desencadeados, especialmente pela Eimeria maxima, é a predisposição a infecções pelo Clostridium perfringens (CP), que, ao produzir toxinas necrotizantes, causa a enterite necrótica, outra importante enfermidade de frangos de corte.

A ciência descobriu anticoccidianos químicos e ionóforos poliéteres eficazes para controlar a coccidiose. Os ionóforos (termo que significa “transportador de íons”) são produzidos por processo fermentativo e são amplamente utilizados – e com sucesso – em dietas de frangos de corte. Atualmente, seis moléculas com essa função são utilizadas pela indústria avícola. Entre elas, está a semduramicina, usada com segurança e eficácia há mais de duas décadas. Já as moléculas produzidas por síntese química podem ser representadas pela nicarbazina, introduzida no mercado em 1955 e ainda utilizada com sucesso.

Ao contrário da eficácia anticoccidiana dos ionóforos, amplamente reconhecida, a eficácia antimicrobiana dos mesmos em nível intestinal é bem menos estudada e avaliada e, possivelmente, tem sido supervalorizada. Um exemplo é a crescente produção de frangos de corte sem antibióticos melhoradores de desempenho. Nesse modelo de produção, para as empresas que ainda fazem o uso de anticoccidianos ionóforos e químicos as questões entéricas incluindo enterite necrótica têm sido frequentemente reportadas, o que evidencia que não se pode creditar apenas aos ionóforos o efeito antimicrobiano e o controle da enterite necrótica.

Ao analisar os valores de concentração inibitória mínima (CIM) dos ionóforos frente a cepas de Clostridium perfringens (in vitro) e compará-los com as doses dos ionóforos na ração, como anticoccidianos, constatamos que as concentrações indicadas para uso nas rações estão acima dos valores de CIM. Como exemplo, a CIM de semduramicina é de 10 partes por milhão (ppm) para inibição de CP. As doses de semduramicina registradas no Brasil na ração são de 20 a 25 ppm, ou de 15 a 18 ppm quando em associação com nicarbazina. Como o CP faz parte da microbiota intestinal normal de frangos (população heterogênea com várias cepas), pode-se inferir que os valores de CIM (in vitro) possuem relação direta com o potencial de inibição deste microrganismo no lúmen intestinal.

Um ponto importante a ser verificado em pesquisas sobre a concentração inibitória mínima de ionóforos é em relação às cepas de Clostridium perfringens utilizadas. Alguns estudos e relatos não especificam se as cepas utilizadas eram de aves saudáveis ou provenientes de surtos de enterite necrótica. Isso faz muita diferença. Em intestinos de aves saudáveis, a população de Clostridium perfringens é variada e composta por múltiplas cepas. Já em intestinos de aves afetadas pela enterite necrótica há a predominância de um clone único desta bactéria – Clostridium perfringens virulentos e que expressam fatores de virulência.

Estudos

Trabalho publicado em 2003, com inoculação de frangos de corte com cepa de Clostridium perfringens isolada de surto de enterite necrótica, avaliou bacitracina metileno dissalicilato (BMD), narasina e também associação dos dois recursos em relação a um grupo sem tratamento. Verificou-se que os escores de lesão para enterite necrótica e mortalidade por essa causa foram reduzidos apenas nos grupos que receberam o antibiótico melhorador de desempenho (BMD) e no grupo com a associação de BMD e narasina.  Esses dados sugerem ação limitada do ionóforo (neste estudo, a narasina) no controle da enterite necrótica.

A hipótese mais aceita atualmente pela academia é que os anticoccidianos ionóforos auxiliam na redução de bactérias intestinais gram-positivas, incluindo Clostridium perfringens, mas não as eliminam. A contribuição antimicrobiana dos ionóforos parece ser por modulação populacional e não por eliminação. Contudo, é preciso salientar que os efeitos antimicrobianos dos ionóforos que auxiliam no controle de lesões de enterite necrótica aparentemente podem se perder quando a dose utilizada na ração é reduzida.

Pesquisa publicada em 2010 relata que em frangos de corte sob condições de desafio as lesões de enterite necrótica diminuíram significativamente em cada grupo experimental que recebeu ionóforos simples via ração (70 ppm de narasina, 75 ppm de lasalocida, 70 ppm de salinomicina e 5 ppm maduramicina). No mesmo experimento, o produto combinado narasina-nicarbazina, a 50 ppm de cada princípio ativo, não diminuiu significativamente o número de aves com lesões de enterite necrótica quando comparado com o grupo controle desafiado, indicando que a dose reduzida da narasina (50 ppm) possivelmente está abaixo do limiar de eficácia microbiológica.

Em síntese, a simples observação dos valores das Concentrações Inibitórias Mínimas – CIM (in vitro) dos ionóforos frente a Clostridium perfringens mostra que todos ionóforos, nas doses em que são usados como anticoccidianos, já atingem concentrações suficientes para inibição desta bactéria no lúmen intestinal. Porém, estudos sugerem efeito limitado dos ionóforos no controle da enterite necrótica e inibição do Clostridium perfringens em estudos in vivo.

A contribuição dos ionóforos na redução de enterite necrótica e na translocação bacteriana do Clostridium perfringens a partir do intestino tem como base principal a preservação da barreira epitelial entérica. Isso se deve, em primeiro lugar, à sua eficácia como anticoccidiano – até mesmo porque, a partir da visão epidemiológica, a coccidiose é o mais frequente e importante fator predisponente à enterite necrótica e, secundariamente, à modulação da microbiota.

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Do sonho de criança a presidente da Epagri Santa Catarina

Edilene Steinwandter é a primeira mulher a assumir a presidência da Epagri, além disso, ainda foi a primeira a assumir diversos outros cargos de liderança dentro da empresa

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Divulgação/Epagri

Muitas vezes uma mulher precisa dar o primeiro passo para mostrar para as outras que aquilo que parecia inalcançável é possível. Edilene Steinwandter foi uma destas mulheres que alçou voos para mostrar que o impossível para uma mulher determinada e competente não existe. Pioneira em diversos sentidos, é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Mais que isso, realizou um sonho de infância de trabalhar na empresa.

Vinda de uma família de agricultores, Edilene praticamente cresceu no meio rural. Os pais moravam na cidade de Treze Tílias, onde cuidavam de um moinho de farinha. “Meus pais são filhos de agricultores, mas assim que se casaram, mudaram para a cidade. Então eu nasci e me criei na cidade. Mas sempre tive um vínculo muito forte com o meio rural porque todos os meus tios trabalhavam no campo”, conta. Por essa forte ligação que existia, assim que estava terminando o ensino médio Edilene já sabia qual faculdade faria: Agronomia. Ela se formou na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), na cidade de Lages.

Após terminar a faculdade, Edilene foi trabalhar em uma escola agrícola, onde foi professora durante um ano. Depois, passou a trabalhar na Prefeitura de Ponte Serrada, região Oeste de Santa Catarina, como engenheira agrônoma. “Nesse período que eu trabalhava lá prestei o concurso para a Epagri e passei. Assim, continuei trabalhando no mesmo município. Foi bem importante porque foi a continuidade de um trabalho que já tinha sido iniciado”, conta.

E trabalhar na Epagri foi uma realização para Edilene. “O meu sonho era trabalhar na empresa, porque a sede deles na cidade que a gente morava ficava bem na frente da casa dos meus pais. Então a gente vivenciava aquela rotina, estava sempre brincando na rua e vendo o que acontecia e eu admirava muito o trabalho que era feito”, recorda.

Edilene entrou na Epagri em 2002 e após algum tempo na empresa foi convidada para compor a equipe da gerência regional em Xanxerê. “Eu fiquei lá na gerência e nesse período eu consegui também fazer o meu mestrado, que foi quando me dediquei à área de bovinocultura de leite”, comenta. Em 2011 a engenheira agrônoma foi convidada para assumir a gerência regional. “Que foi quando eu saí um pouco da área técnica para ir para uma área mais de gestão. Lá eu coordenava o trabalho de 14 municípios da região. Eu fui a primeira mulher na Epagri a assumir uma gerência regional de extensão rural, porque até então nunca uma mulher tinha assumido uma gerência de área técnica”, diz.

Pelo trabalho que desenvolveu na gerência de Xanxerê, no final de 2011 Edilene foi convidada para ir até Florianópolis compor a equipe estadual de extensão rural. “Trabalhei na equipe e em 2015 assumi a gerência estadual de extensão rural. Também até o momento nunca uma mulher tinha assumido uma gerência estadual da área técnica”, lembra.

Já em 2019 Edilene foi convidada a assumir a presidência da Epagri. “Para mim foi um desafio bastante grande, mas ao mesmo tempo muito gratificante. Primeiro porque ser funcionária e ser presidente traz para os outros funcionários aquela visão e esperança de que existem oportunidades de crescimento dentro da empresa. Porque até então, os outros presidentes não eram funcionários”, comenta. Para Edilene, o fato de ser mulher e receber o convite de assumir a presidência também foi uma gratificação. “É recompensador estar à frente de uma empresa que historicamente sempre foi gerida por homens”, menciona.

Atualmente a Epagri conta com aproximadamente 1,7 mil funcionários, sendo que destes 592 são mulheres – aproximadamente 35% do total. Destas, 28 são pesquisadoras, 207 extensionistas (sendo de diferentes formações como agronomia, nutrição, assistência social e pedagogia), 357 são da área meio – considerada um apoio entre a pesquisa e a extensão – e 43 são dirigentes (que estão divididas entre gerentes estadual e regional ou das estações de pesquisa, além do centro de treinamento). “Mesmo o número 43 sendo interessante, na área técnica eu ainda considero uma baixa participação”, comenta Edilene.

A mulher no agro

Mesmo sendo a primeira mulher em diversos cargos dentro da Epagri, Edilene comenta que nunca notou, explicitamente, preconceito ou resistência em ela assumir os cargos de liderança dentro da empresa. “Porque talvez eu também não procurei enxergar. Eu sempre me coloquei em um papel de igual, nunca numa condição de inferior, de vitimização ou de não competência”, afirma. Além disso, de acordo com ela, algo que pode ter facilitado a “aceitação” dela nos cargos que ocupou é a trajetória que construiu na empresa. “Eu já conhecia praticamente todos os funcionários, já me relacionava tanto com a pesquisa quanto com a extensão rural. Então as pessoas já me conhecem e acredito que isso e toda a minha trajetória na Epagri facilitou os processos”, conta.

Edilene comenta que, mesmo não de uma forma tão rápido quanto se gostaria, é possível ver a ascensão da mulher nos cargos de liderança dentro das empresas, cooperativas e instituições. “Tem um estudo da Epagri que foi publicado há pouco tempo que mostra que 25% das agroindústrias de Santa Catarina são coordenadas, administradas ou de propriedade de mulheres. E essas agroindústrias são diversas, mas se concentram principalmente na área de produção e industrialização vegetal, como conservas, geleias e panificados. Ao mesmo tempo observamos o baixo índice de mulheres que administram as propriedades rurais, porque ainda o trabalho da mulher é muito visto como de uma ajudante e daí traz a invisibilidade tanto social quanto econômica da mulher no meio rural, porque ela é responsável basicamente por toda a produção do auto abastecimento da família, mas isso raras vezes é considerado como renda ou trabalho”, explica.

O trabalho constrói

Além disso, Edilene comenta que mesmo com todos estes desafios que a mulher diariamente enfrenta, ela se considera um exemplo para aquelas que sonham alto como ela. “Porque todas as funções que eu fui assumindo ao longo da minha vida foi consequência do meu trabalho. Hoje eu estou em uma função que é um cargo de confiança do Governo do Estado, mas eu tenho clareza que o convite para eu assumir foi pela minha trajetória e pelo meu trabalho. Por isso eu acho que é um exemplo no sentindo de que vale a pena sonhar, trabalhar, expor suas opiniões e se colocar. Independente da atividade ou função que a gente exerce é preciso mostrar competência sim e que nós temos capacidade”, comenta.

Para Edilene, a mulher tem mostrado o seu papel e a sua importância dentro do agronegócio. “Nada se faz sozinho. É muito importante a presença do masculino e do feminino, que as suas diferenças, potencialidades e fortalezas são coisas que se complementam”, avalia. Porém, a mulher traz uma diferenciação especial. “Eu vejo que a mulher traz muito esse olhar do cuidado, da cooperação, da participação e da inovação. Traz um olhar mais amplo e holístico das situações em que trabalha”, sustenta a criança que um dia sonhava e se tornou a presidente da Epagri.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Controlando a Salmonella: um importante parâmetro de segurança alimentar

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos

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Divulgação/MAPA

Artigo escrito por Ricardo Scherer Simões, médico veterinário, mestre em Ciência Animal e coordenador Técnico Avicultura-Farmabase Saúde Animal; e Giovani Marco Stingelin, médico veterinário, mestre em Clínica Médica de Animais de Produção, doutorando em Clínica Médica de Suínos e gerente Técnico de Aves e Suínos da Farmabase Saúde Animal

A Salmonella spp. é um tema de extrema relevância na atual conjuntura da avicultura e acaba sendo destaque nas discussões técnicas espalhadas pelo mundo, o que não é por acaso, baseado no impacto do agente no contexto de saúde pública, sendo considerado um dos principais causadores de toxinfecções alimentares através da ingestão de alimentos contaminados. Outro ponto relevante é a questão das exportações dos produtos e abertura de novos mercados, que acabam sendo afetados diretamente através de exigências tanto dos consumidores, quanto dos órgãos nacionais reguladores e fiscalizadores.

Dentre as diversas características das salmonelas, o grupo das paratíficas, o qual engloba um grande número de sorovares distintos de Salmonella, são as mais prevalentes na agroindústria de aves e possuem ampla adaptabilidade tanto no organismo dos animais, quanto no ambiente das granjas e indústrias, o que de fato dificulta o controle em todo ciclo de produção.

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos. Além disso, também podem incluir aditivos via ração que reduzam a excreção e positividade do patógeno na cadeia avícola e precisam investir em educação continuada e capacitação dos colaboradores e produtores envolvidos em todos os elos da cadeia produtiva.

Muitos aditivos nutricionais foram desenvolvidos com a finalidade de reduzir a contaminação e excreção da Salmonella spp. pelas aves. Há muitos produtos no mercado que prometem milagres sem fundamentação científica. Por outro lado, há tecnologias eubióticas disponíveis capazes de reduzir a excreção da Salmonella spp. pelas aves e a recontaminação desses animais na granja. Dentre as associações de moléculas com mais embasamento técnico e científico, está a combinação de ácido sórbico com óleos essenciais como o timol e o carvacrol.

Os óleos essenciais são uma mistura de compostos complexos que podem variar em suas composições e concentrações químicas. Por exemplo, os componentes predominantes Timol e o Carvacrol encontrados no Tomilho, podem variar de 3 a 60% do total de óleos essenciais dessa planta, pois dependem da região, clima, solo, das condições de cultivo e da parte da planta que foi coletada. Por esse motivo, é importante que os ensaios in vitro e in vivo utilizem ativos como o Timol e o Carvacrol sintetizados em laboratório de forma pura, isto é, o que chamamos de compostos naturais idênticos (CNI). Somente dessa forma é possível saber a concentração exata do ativo que está sendo usada. O uso da planta ou seu óleo essecial é impreciso, pois não se sabe a concentração exata de timol e carvacrol encontrada.

Outro fator determinante é proteger esses ativos através do microencapsulamento, de forma que sejam liberados de forma uniforme e gradativa durante todo o intestino das aves, para que atinjam altas concentrações no ceco e cólon. É importante lembrar que a Salmonella spp. é uma  bactéria que coloniza e se multiplica na porção final do intestino, principalmente no ceco.

Associação sinérgica e efetiva para o controle de Salmonella spp.

Pesquisadores da Universidade de Bologna na Itália desenvolveram um aditivo com tecnologia única de microencapsulamento por uma camada de triglicerídeos hidrolisados de origem vegetal, chamada de microesfera, permitindo que os ativos sejam liberados gradativamente até o ceco das aves.

Além disso, associaram à formulação o Ácido Sórbico, um ácido orgânico de alto peso molecular e pKa com alto poder antimicrobiano e menor concentração inibitória mínima (MIC) quando comparados aos demais ácidos.

Na figura 1, podemos observar a maior eficácia do ácido sórbico na redução do crescimento de Salmonella Typhimurium se compararmos aos demais ácidos.

E como podemos observar na figura 2, o timol e o carvacrol possuem maior capacidade de redução de crescimento de Salmonella Typhimurium in vitro se compararmos com os demais óleos essenciais.

Mecanismo de Ação:

Conforme figura 3, o timol e o carvacrol sensibilizam as paredes celulares bacterianas, causam danos significativos à membrana e levam ao colapso da integridade citoplasmática bacteriana, facilitando a entrada e ação do Ácido Sórbico que, por sua vez, age reduzindo o pH intrabacteriano, provocando consequente lise e morte da bactéria. O extravazamento bacteriano acontece através de danos à parede celular, danos à membrana citoplasmática, coagulação do citoplasma e destruição da proteína da membrana (Conner e Beuchat, 1984; Cox et al., 1998; Helander et al., 1998; Ultee et al., 2002), bem como redução da força motriz de prótons (Nazzaro et al., 2013).

Eficácia contra Salmonella

Muitos trabalhos tem demonstrado a eficácia dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella no ceco das aves. Dentre eles podemos destacar alguns estudos recentes feitos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Jaboticabal – SP), que revelam a eficiência contra os sorovares mais prevalentes e importantes na avicultura.

Pelos resultados expressos na figura 4, podemos verificar redução significativa na contagem de Salmonella Typhimurium, Salmonella Minnesota e Salmonella Heidelberg no ceco dos grupos tratados com compostos naturais idênticos associados ao ácido sórbico.

Na figura 5, temos o resultado de um estudo realizado com aves tratadas com esse aditivo até os 42 dias de vida (idade de abate), onde ocorreu um aumento no percentual de suabes cloacais negativos no grupo tratado, com relação ao controle não tratado.

Na figura 6, evidencia-se o crescimento de Salmonella Typhimurium no grupo controle, em contrapartida no grupo tratado não há crescimento.

Na figura 7 observa-se que no grupo tratado não houve aparecimento de lesões hepáticas por Salmonella Typhimurium em aves com 14 dias.

Na figura 8 podemos destacar o efeito do timol, carvacrol e ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella Enteritidis no ceco aos 21 dias pós infecção com a inclusão de 1, 2 e 5 kg/tonelada de ração desse aditivo eubiótico.

Em resumo

A combinação dos ativos Timol, Carvacrol e Ácido Sórbico é sinérgica na redução da pressão de infecção e excreção nas fezes de enteropatógenos como a Salmonella spp., e pode ser usada tanto em matrizes pesadas quanto em frangos de corte. Nesse novo aditivo citado, a concentração de Timol (9,5%), Carvacrol (2,5%) e de Ácido Sórbico (25%) não tinha sido utilizada em nenhum aditivo ou tecnologia para aves até então.

A utilização dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico é uma ferramenta inovadora importante que auxilia consideravelmente na redução da positividade de Salmonella spp. na cadeia avícola, principalmente quando associado a medidas de melhoria na biosseguridade, maior controle de qualidade nas matérias primas das rações e melhoria da qualidade dos pintinhos.

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Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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