Colunistas
O poder dos drones na agricultura brasileira
Tecnologia aérea eleva produtividade, reduz custos e leva agricultura de precisão até pequenos produtores, com impactos também em sustentabilidade, mineração e conservação ambiental.

No cenário dinâmico do agronegócio brasileiro, os drones, ou veículos aéreos não tripulados (VANTs), estão liderando uma revolução tecnológica que redefine a gestão de cultivos e impulsiona a eficiência em diversos setores. Com o Brasil como um dos maiores celeiros do mundo, a adoção de tecnologias inovadoras é crucial para atender à crescente demanda global por alimentos, ao mesmo tempo em que se promove a sustentabilidade.
O agronegócio é um pilar da economia brasileira, respondendo por cerca de 27% do PIB nacional, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, 2024). Contudo, os desafios são enormes: extensas áreas rurais, diversidade climática e a pressão por práticas sustentáveis exigem soluções inovadoras. Os drones surgem como ferramentas versáteis, combinando sensoriamento remoto, inteligência artificial (IA) e análise de dados para transformar a agricultura de precisão.

Foto: Mapa
Os drones não são apenas dispositivos voadores, eles são plataformas tecnológicas que integram hardware e software para fornecer dados em tempo real. Isso permite que agricultores tomem decisões baseadas em evidências, otimizando recursos e aumentando a produtividade de forma sustentável. Além disso, também beneficiam aspectos como:
Monitoramento avançado de culturas: Equipados com câmeras multiespectrais e sensores térmicos, os drones identificam problemas como deficiências nutricionais, infestações de pragas ou doenças antes que se tornem críticos. Um estudo da Revista Brasileira de Agricultura (2024) revelou que fazendas de milho e soja no Mato Grosso que adotaram drones para monitoramento aumentaram sua produtividade em até 18%, reduzindo o uso de insumos químicos em 25%. Ferramentas como o índice NDVI, gerado por drones, permitem mapear a saúde das plantas com precisão milimétrica. Isso reduz custos operacionais e minimiza o impacto ambiental, um fator crucial para a sustentabilidade.
Pulverização inteligente: A pulverização por drones, como os modelos da série DJI Agras, tem revolucionado a aplicação de defensivos agrícolas. Em plantações de citrus no interior de São Paulo, por exemplo, drones reduziram o tempo de pulverização em 85% e o uso de agroquímicos em até 35%, conforme relatório da DJI Agriculture (2024). Em áreas de relevo acidentado, como as plantações de café em Minas Gerais, os drones oferecem uma vantagem incomparável, aplicando insumos com precisão e evitando danos às culturas.
Mapeamento e gestão de terras: Drones geram mapas topográficos de alta resolução, essenciais para o planejamento agrícola. Na região canavieira de Ribeirão Preto, o uso de drones para análise de solo e planejamento de plantio resultou em um aumento de 12% na eficiência do uso de fertilizantes, segundo a Embrapa (2023). Esses mapas permitem otimizar o uso da terra, desde o espaçamento ideal das culturas até a implementação de sistemas de irrigação mais eficientes.
Sustentabilidade e reflorestamento: Além da agricultura, drones têm sido utilizados em projetos de reflorestamento, como na Amazônia, onde dispersam sementes em áreas degradadas. Um projeto piloto no Pará, apoiado pela WWF-Brasil (2024), demonstrou que drones podem cobrir até 50 hectares por dia, acelerando a restauração ambiental. Essa aplicação é estratégica para o Brasil, que enfrenta pressões globais para preservar seus biomas.
Impacto econômico e social

Foto: José Fernando Ogura/AEN
O mercado de drones agrícolas no Brasil está em franca expansão. Um relatório da MarketsandMarkets (2024) estima que o setor de drones na América Latina, liderado pelo Brasil, crescerá a uma taxa anual composta de 29% até 2030, atingindo USD 3,8 bilhões. Além do impacto econômico, os drones estão gerando empregos especializados, como operadores e analistas de dados, e democratizando o acesso à tecnologia. A disponibilidade de serviços de drones sob demanda, conhecidos como Drone as-a-Service, permite que pequenos agricultores tenham acesso à agricultura de precisão sem grandes investimentos. Isso é especialmente relevante em estados como Bahia e Maranhão, onde a agricultura familiar é predominante.
Além da agricultura, os drones também estão transformando outros setores estratégicos para o Brasil:
Mineração: Na região de Carajás, drones monitoram operações, mapeiam depósitos minerais e inspecionam equipamentos em áreas de risco, reduzindo acidentes em 30%, segundo a Vale (2024).
Infraestrutura: Na construção da BR-319, drones foram usados para monitorar o progresso e identificar gargalos, economizando 20% em custos de fiscalização (DNIT, 2024).
Conservação ambiental: Na Amazônia, drones equipados com sensores térmicos detectam focos de incêndio e atividades ilegais, fornecendo dados em tempo real para o Ibama.
Desafios e perspectivas futuras

Foto: Freepik
Apesar dos avanços, a adoção de drones enfrenta obstáculos. A regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) exige licenças para operações comerciais, e a capacitação de operadores ainda é limitada. Um estudo da ScienceDirect (2024) aponta que 60% dos agricultores brasileiros citam a falta de treinamento como uma barreira.
Os drones são um exemplo de como podemos alinhar produtividade, sustentabilidade e inclusão social. No Brasil, onde a inovação é essencial para manter nossa competitividade global, esse tipo de ferramenta tem um potencial ilimitado. Com a chegada do 5G, por exemplo, drones poderão operar em redes de alta velocidade, coordenando missões autônomas em tempo real. Além disso, o uso de blockchain para rastrear dados agrícolas pode garantir a transparência na cadeia produtiva.
Os drones estão redefinindo o futuro do Brasil em diversas áreas, com benefícios que vão desde a redução de custos até a promoção da sustentabilidade, essas tecnologias estão pavimentando o caminho para um país mais eficiente e resiliente. E o sucesso dessa revolução depende de investimentos em educação, regulamentação e inovação contínua. Com sua liderança e visão, o Brasil está bem-posicionado para colher os frutos dessa transformação tecnológica.

Colunistas
Safra recorde pressiona logística e expõe desafios no escoamento da produção
Crescimento estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reforça a necessidade de modernização da infraestrutura e ampliação da eficiência no transporte agrícola.

A cada nova safra, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância no cenário global. De acordo com dados do IBGE, a estimativa é uma safra de 345,6 milhões de toneladas em 2025, a maior já observada no Brasil, sendo 18,1% superior a de 2024. Esses números evidenciam a força do setor e, ao mesmo tempo, a urgência de uma logística capaz de acompanhar o crescimento. À medida que os números avançam e a produtividade se consolida como um diferencial competitivo, fica claro que a eficiência na operação deixou de ser apenas uma parcela da preocupação para se tornar parte essencial e estratégica, especialmente nas épocas em que o volume é concentrado e a pressão sobre toda a cadeia aumenta.
Grande parte dessa operação nasce em regiões distantes dos centros urbanos e dos portos, o que torna a infraestrutura um dos principais desafios para o escoamento. Estradas rurais pouco preparadas, acessos fragilizados e gargalos históricos ao longo dos corredores logísticos impactam diretamente custos, prazos e previsibilidade. Mesmo com avanços graduais na malha nacional, a infraestrutura física ainda evolui de forma mais lenta que a demanda, o que reforça a importância de soluções digitais sólidas, baseadas em dados, inteligência e integração, e capazes de compensar as questões de limitações estruturais.

Artigo escrito por André Pimenta, CEO da Motz – Foto: Sandro Portaluri
Outro ponto crítico é a escassez de caminhões e motoristas durante o pico da safra. A concentração de demanda pressiona valores de frete e reduz a capacidade de resposta do setor, intensificando um desafio que se repete ano após ano, especialmente em um país onde cerca de 68,8% do fluxo de soja ainda depende do transporte rodoviário, segundo dados do Esalq-Log (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial). Esse nível de concentração torna o sistema mais sensível a qualquer oscilação, e é justamente nesse contexto que as plataformas digitais ganham protagonismo ao conectar embarcadores e transportadores com maior rapidez e assertividade, melhorando a alocação de recursos e reduzindo o impacto da sazonalidade. Quando combinamos previsibilidade, transparência e dados em tempo real, deixamos de reagir ao gargalo para antecipá-lo.
O movimento já faz parte da transformação mais profunda que o setor logístico vive. A digitalização de ponta a ponta elimina burocracia, amplia visibilidade e melhora a colaboração entre todos os agentes da cadeia. A otimização de soluções com recursos como automação e uso de inteligência artificial trazem velocidade e precisão às operações críticas, enquanto o rastreamento de cargas pode estabelecer um novo padrão de transparência e segurança. Visibilidade, que antes era diferencial, tornou-se requisito básico para operar em grande escala.
A alta temporada do agronegócio, portanto, não deve ser vista apenas como um período de tensão operacional, mas como oportunidade para elevar o patamar logístico do setor. Quando unimos tecnologia, integração, inteligência e presença operacional, transformamos desafios históricos em vantagem competitiva, conectando o campo à estrada por meio de uma logística que responde ao agora e evolui para um futuro sustentado por líderes estratégicos, cadeias mais integradas e uma convivência madura entre o digital e o físico.
Colunistas
Salvaguarda chinesa para carne bovina pressiona exportações brasileiras e acende alerta no setor
Limitação de cotas pode reduzir presença do produto brasileiro no mercado asiático e gerar impacto na cadeia produtiva.

A salvaguarda adotada pela China para proteger sua produção local é, sem dúvida, uma medida legítima e até exemplar. Trata-se de uma decisão soberana que demonstra o zelo com o produtor interno, algo que também deveríamos praticar com igual rigor. O ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação.
No caso específico da carne vermelha brasileira, é indispensável considerar a dinâmica própria desse comércio. A relação entre produção, embarque e entrega opera em ritmo acelerado e com contratos previamente estabelecidos. O ciclo médio entre a produção e a chegada do produto ao destino gira em torno de 75 dias, o que significa que qualquer alteração abrupta nas regras impacta volumes já comprometidos e em trânsito.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
À época da implementação da medida, o volume comercializado era da ordem de 170 mil toneladas por mês, o que representa aproximadamente 7.700 toneladas por dia. Projetado para o período de 75 dias, isso resulta em cerca de 500 mil toneladas em trânsito, desconsiderando inclusive eventuais interrupções por feriados. Diante da cota atual, a diferença alcança quase 50% do total pretendido, criando um descompasso evidente entre oferta e limite autorizado.
Esse cenário pode levar, em menos de seis meses, à ausência do produto brasileiro no mercado chinês. Por isso, a solicitação do Brasil para que sejam consideradas na cota de 2026 apenas as cargas efetivamente embarcadas neste ano não é um pleito meramente setorial, mas uma medida vital para a sobrevivência do setor produtivo brasileiro e para o equilíbrio do abastecimento, sem prejuízo ao produtor chinês, justamente o objetivo central da salvaguarda.
Os números são claros. Em 30 de dezembro de 2025 havia cerca de 350 mil toneladas entre portos chineses e cargas em trânsito. Somam-se a isso 120 mil toneladas exportadas em janeiro e uma previsão de 100 mil toneladas para fevereiro. Ao final desse período, o total entregue poderá alcançar 570 mil toneladas. Restariam, então, para os dez meses seguintes de 2026, apenas 530 mil toneladas, o equivalente a 53 mil toneladas por mês, frente às 170 mil entregues em dezembro.
Não se trata de uma análise teórica ou de projeções especulativas, mas da leitura objetiva de números que já sinalizam risco de desabastecimento no mercado chinês e grave impacto sobre a cadeia produtiva brasileira. É imprescindível que a diplomacia brasileira leve à mesa das relações bilaterais essa realidade concreta, demonstrando que ajustes técnicos são necessários para preservar a previsibilidade e a estabilidade do comércio.
A China é, indiscutivelmente, nossa grande e leal parceira comercial. O que se impõe agora é a capacidade de expor, com dados e serenidade, as preocupações legítimas de um setor estratégico para ambas as economias.
Colunistas
Quando investir em marketing no agronegócio?
Experiência prática mostra como a aplicação de métricas e etapas bem definidas orienta decisões sobre quando, como e por que investir em comunicação no setor.

O marketing no agronegócio é complexo e exige, a todo instante, uma análise criteriosa sobre o andamento das ações. Na Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio, fazemos essa leitura de cenário com base em uma fórmula exclusiva, chamada V.C.I.D.
Certa vez, uma empresa de nutrição animal contratou a agência para fazer um projeto de marketing de conteúdo. Reuni a equipe e estruturamos o planejamento, indicando os melhores canais e as abordagens mais apropriadas.

Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
Após o sinal verde do cliente, começamos a produzir o conteúdo, que teve rápido engajamento e visibilidade em curva ascendente.
Tudo estava uma maravilha até que o alcance se estagnou, de uma hora para outra. Foi quando, então, aplicamos a fórmula V.C.I.D para entender o cenário.
A etapa da visibilidade (V) já estava concluída e agora precisávamos completar a fase seguinte, o C de Credibilidade. As ações eram outras, os objetivos eram outros.
Adaptamos o conteúdo para atingir as novas metas e o processo andou naturalmente. Em pouco tempo, mais uma etapa concluída.
Esse aprendizado me fez refletir sobre uma questão específica: quando investir em marketing no agronegócio?
O resultado desta análise, em alguns momentos profunda, vou compartilhar agora com você. Acredito que uma empresa de agronegócio precisa investir em marketing quando quer:
1) Destacar os seus diferenciais
2) Aparecer com a mesma intensidade que seus principais concorrentes
3) Ampliar a presença de mercado de forma estratégica.
4) Garantir a solidez do negócio.
Esses quatro pontos muitas vezes se convergem e automaticamente explicam que, sem marketing, uma empresa pode prejudicar as suas conexões e, com menos conexões, uma empresa compromete a sua essência.
Portanto, o marketing no agronegócio é – e sempre será – fundamental. Você dúvida disso?



