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Luiz Vicente Suzin Opinião

O plano possível

O plano não é perfeito, mas é o possível em face das atuais condições macroeconômicas

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

A agricultura é um setor estratégico, sensível e vulnerável para o País. Além de setor econômico de excelência e protagonista nas exportações, oferece a segurança alimentar sem a qual qualquer nação entra em crise social. Garantir todas as formas de  financiamento à agricultura é um dos maiores imperativos nacionais. Por isso, o anúncio do Plano Safra, a cada ano, reveste-se de importância.

O governo federal, através da diligente ministra Tereza Cristina, tem demonstrado sensibilidade e conhecimento das características do setor primário, como testemunha o recém-anunciado Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2021/2022. O Plano disponibilizará recursos da ordem de R$ 251,2 bilhões, o que representa um aumento de 6,3% em relação ao ano passado. Deste volume, R$ 177,7 bilhões serão destinados para custeio e comercialização. Um grande avanço que merece registro: os recursos para investimentos aumentarão em 29% e serão de R$ 73,4 bilhões. A promessa é de que os financiamentos poderão ser contratados de 1º de julho de 2021 a 30 de junho de 2022.

A oferta de condições para a infraestruturação do campo está expressa nos R$ 4,12 bilhões de recursos do Programa de Construção e Modernização de Armazéns (PCA), volume 84% acima do plano anterior. Com o PCA será possível ampliar a capacidade de armazenagem em cinco milhões de toneladas.

A agricultura familiar ficou amplamente contemplada com os recursos do Pronaf (R$ 39,34 bilhões, alta de 19%), ampliação do limite da renda bruta e enquadramento de R$ 415 mil para R$ 500 mil, incremento de 20,5%.

Foram destinados R$ 34 bilhões para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), elevação de 3% em relação à safra passada, e o aumento do limite de renda bruta para classificação, de R$ 2 milhões para R$ 2,4 milhões, 20% a mais. A expectativa era de elevação do limite da renda bruta anual em 32% tanto para o Pronaf quanto para o Pronamp.

O Plano Safra 21/22 também prevê recursos para o custeio de milho, sorgo e às atividades de avicultura, suinocultura, piscicultura, pecuária leiteira e bovinocultura de corte em regime de confinamento: R$ 1,75 milhão (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

O PAP 2021/2022 aumentou o limite de recursos que o produtor pode acessar em subvenção ao prêmio do seguro rural, de R$ 48 mil para R$ 60 mil, para as atividades agrícolas. Para o apoio à comercialização, o volume será de R$ 1,4 bilhão.

A preocupação ambiental é patente, visto que o Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) terá incremento de 101%, totalizando R$ 5,05 bilhões. Na próxima safra, o Programa ABC financiará a construção de unidades de produção de bioinsumos e biofertilizantes, sistemas de geração de energia renovável, além de oferecer um limite de crédito coletivo, até R$ 20 milhões, para a geração de energia elétrica, a partir de biogás e biometano.

O Proirriga, programa destinado ao financiamento da agricultura irrigada, terá R$ 1,35 bilhão, e o Inovagro, voltado para inovações tecnológicas nas propriedades rurais, ficou com R$ 2,6 bilhões.

Ao contrário do que esperavam os produtores rurais, as taxas de juros aumentaram 1,0 ponto percentual em relação à safra anterior mas, apesar da elevação da taxa Selic, representará um custo maior para os produtores rurais. O governo destinou um aporte de R$ 13 bilhões para equalização de juros. As taxas de juros variam de 3% a 8,5%.

Com relação à Assistência Técnica e Extensão Rural Digital (Ater Digital), está previsto repasse de R$ 25 milhões para a execução das ações pelas empresas de assistência técnica e extensão rural, ampliando o acesso dos agricultores a serviços modernos, ágeis e eficientes.

O plano não é perfeito, mas é o possível em face das atuais condições macroeconômicas. As cooperativas, por exemplo, esperavam aumento dos recursos do Prodecoop para R$ 3,5 bilhões, mas manteve-se o montante da safra anterior (R$ 1,65 bilhão) e os recursos para comercialização diminuíram 40,9% de R$ 2,37 bilhões para R$ 1,4 bilhão. Mas não há dúvidas que o Plano Safra deve ser a cada ano aperfeiçoado,  contribuindo para que o agronegócio se mantenha como a locomotiva da economia brasileira.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

A força da intercooperação

É crescente a conscientização de cooperados e dirigentes sobre os benefícios da intercooperação

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Santa Catarina (SESCOOP/SC)

Intercooperação é a atuação conjunta no interesse mútuo entre cooperativas. Intercooperação não é palavra vazia nem um modismo. É o sexto princípio do cooperativismo mundial e preconiza a parceria, a ação conjunta, o relacionamento institucional, político e comercial entre as cooperativas, prática que leva ao fortalecimento recíproco das cooperativas e, por extensão, do sistema.

Estimular a prática da intercooperação deve ser uma prioridade de todos os dirigentes, de todas as organizações e de todos os programas de fortalecimento do cooperativismo. As transações comerciais entre si, a prestação de serviços, a cooperação técnica e financeira – tudo deve ser cada vez mais intenso entre as cooperativas de todos os ramos.

Quando as cooperativas transacionam comercialmente, estão fortalecendo a circulação de riquezas e recursos no ambiente cooperativo, portanto, contribuindo para o desenvolvimento de milhares de associados.

A história mostra que a filosofia de atuação em rede e a intercooperação permitiram às cooperativas crescer e enfrentar as adversidades do mercado. A intercooperação estabelece um relacionamento horizontal das cooperativas singulares entre si e, através dele, definem-se ações conjuntas e viabilizam-se empreendimentos e projetos comuns.

São muitas e várias as formas de intercooperação. Pratica-se a intercooperação quando a cooperativa de crédito financia a cooperativa habitacional e/ou a cooperativa de produtores rurais. Ou, ainda, quando a cooperativa de consumo adquire alimentos in natura ou semi-industrializados da cooperativa de produção agrícola.

A OCESC defende uma cultura de integração, de concepção do cooperativismo como uma doutrina que pode e deve envolver todas as áreas da atividade humana a partir da profissionalização da gestão, da formação de redes intercooperativas, da educação, da formação cooperativista e da responsabilidade social das cooperativas.

O relacionamento horizontal das cooperativas entre si é tão profícuo quanto o relacionamento vertical que elas mantêm com as centrais, federações e confederações. Através dele, harmonizam-se conflitos de base territorial, definem-se ações conjuntas e viabilizam-se empreendimentos e projetos comuns de formação de recursos humanos, de difusão tecnológica e até mesmo de infraestruturação local e regional.

É essencial estimular uma cultura de integração. Isso inclui educar os cooperados e encorajar os dirigentes sobre os benefícios da intercooperação, colocando em marcha ações que otimizem o uso das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.

Quando o princípio da intercooperação é conspurcado, abandonado ou deturpado, as cooperativas acabam concorrendo entre si, ficando exposta uma fragilidade no sistema cooperativo. Os dirigentes precisam compreender que as sociedades cooperativas não detêm, em geral, todas as habilidades e competências necessárias para o desenvolvimento das suas atividades estratégicas. Por isso, essas parcerias são as soluções para complementar as competências. Algumas vezes pode facilitar o acesso a novos mercados, desenvolvimento de novos produtos e serviços de forma conjunta. A prática tem demonstrado que a intercooperação é capaz de neutralizar disfunções como a falta de confiança, rivalidades regionais, invasões de áreas, além de questões culturais, políticas e, em especial, as profundas mudanças e transformações disruptivas que ultimamente estão abalando os mercados e setores da economia.

É crescente a conscientização de cooperados e dirigentes sobre os benefícios da intercooperação. Basta ver o progressivo emprego das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais para esse fim. Quanto mais intensa for a intercooperação, maior independência conquistará o sistema cooperativista e melhor cumprirá seu desiderato social.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

Muito além dos serviços financeiros

O cooperativismo de crédito, muito além dos serviços financeiros, exercita um ideário fundamentado no bem-estar e no crescimento de todos

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

As mudanças e transformações que afetam todos os setores da atividade laboral e empresarial atingiram, de forma particular, o segmento de serviços financeiros. A intermediação, a gestão de crédito e a oferta de centenas de produtos financeiros deixaram de ser privilégio dos Bancos. As novas tecnologias viabilizaram o surgimento das fintechs e dezenas de novas plataformas para pagamentos e movimentação de recursos.

Utilizando as tecnologias mais avançadas e seguras sem abrir mão do atendimento humano – presencial ou à distância – convivem nesse ambiente as Cooperativas de Crédito. Elas são mais que instituições financeiras. Elas são, durante todo o ano, parceiras ativas de seus usuários-correntistas-cooperados, ou, em outra definição, seus verdadeiros proprietários.

O caso do cooperativismo de crédito em Santa Catarina é muito emblemático porque consegue expressar como esse vitorioso segmento está entranhado na vida social e econômica dessa singular unidade da Federação brasileira. Atuam em todas as regiões do território estadual 62 cooperativas de crédito que, juntas, representam 2,2 milhões de catarinenses. Esse imenso capital humano corresponde a 1/3 da população e a 73% de todos os associados/cooperados entre todas as cooperativas (de todos os ramos) registradas na OCESC.

Nesse período de pandemia, as cooperativas de crédito demonstraram grande capacidade de superação e resiliência, inovaram em serviços. Foram muito além do básico. Interpretaram cenários, diagnosticaram situações, modularam produtos e serviços e foram a campo oferecer soluções. Muitas atividades foram essencialmente assistenciais, em razão da gravidade do momento, mas outras foram de assessoramento, apoio e soerguimento.

Na análise desse cenário notabiliza-se, de forma natural, a expressiva presença de mulheres e de jovens no cooperativismo de crédito: quase um milhão de mulheres (exatamente 941.264) e 355 mil jovens estão associados às cooperativas de crédito em Santa Catarina. Nenhum outro setor do associativismo empresarial tem presença humana tão marcante e isso explica em boa medida o protagonismo desse ramo do cooperativismo barriga-verde. Essas duas personagens (mulher e jovem) são mais frequentemente seduzidas pelas iniciativas de natureza social/assistencial, cultural e empresarial, razão pela qual são figuras onipresentes no chamado terceiro setor.

A sociedade em geral e os gestores públicos em particular já perceberam o papel crucial das cooperativas no crescimento brasileiro e na geração de emprego e renda. Paralelamente à intensa atuação urbana, as cooperativas de crédito são tradicionais financiadoras da atividade rural.

Cresce a cada dia o reconhecimento das cooperativas de crédito como fomentadoras da economia local, indutoras da adoção de novas tecnologias, levando oportunidades de desenvolvimento e ofertando produtos e serviços em localidades remotas, onde promovem a inclusão e a educação financeira. Números do Banco Central do Brasil, recentemente divulgados, testemunham esse novo estágio: crescimento de 21% nos ativos, 19,8% na carteira de crédito e 23,7% de depósitos. Na pavimentação da retomada econômica, o cooperativismo cumpre importante papel, respondendo por 60% de cartel de crédito para micro e pequenas empresas, além de excelente desempenho em programas governamentais.

O cooperativismo de crédito, muito além dos serviços financeiros, exercita um ideário fundamentado no bem-estar e no crescimento de todos.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

Cooperativas: Na crise ou na bonança

Governo Federal prudentemente instituiu o auxílio emergencial no ano passado, medida reeditada neste ano por questões fortemente humanitárias

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Santa Catarina (SESCOOP/SC)

As classes econômicas localizadas na base da pirâmide social sofrem um processo de empobrecimento inédito na história recente. A crise econômica que se arrasta desde 2016 e os percalços para o crescimento do País geraram uma elevada taxa de desemprego e de subemprego. As expectativas de uma retomada segura, que se vislumbrava no primeiro trimestre de 2020, foram derrubadas pela eclosão da pandemia e por todas as mazelas que trouxe em seu bojo.

O quadro, inevitavelmente, deteriorou-se nesses 13 meses de crise sanitária no Brasil, deixando ainda mais vulnerabilizados aqueles a quem o serviço social chama de hipossuficientes, ou seja, os destituídos de tudo ou quase tudo. O Governo Federal prudentemente instituiu o auxílio emergencial no ano passado, medida reeditada neste ano por questões fortemente humanitárias.

É inspirador identificar, nesse cenário de dificuldades, o papel das cooperativas dos diversos ramos de atividade no esforço – ora isolado no plano local, ora articulado na esfera regional ou estadual – de mitigar as dores físicas e emocionais desses brasileiros.

Na crise, a segurança alimentar é a primeira preocupação: a história nos mostra que onde grassar a fome não haverá paz social. As 45 cooperativas agropecuárias de Santa Catarina são essenciais para assegurar o preparo de grande parte dos 1,3 milhão de hectares cultivados em território barriga-verde e, consequentemente, contribuem com parcela significativa da safra agrícola estadual que, neste ano, deve render 7 milhões de toneladas, entre arroz, feijão, soja, milho e outros produtos agrícolas. Essa imensa produção rende ao Estado milhões de dólares em exportações, mas, acima de tudo, assegura alimento farto e acessível à população em todas as regiões. Simultaneamente, as cooperativas produzem grãos para a nutrição animal de duas cadeias produtivas que notabilizaram os criadores catarinenses no Brasil e no mundo: a suinocultura e a avicultura.

Nesse particular, é importante notar a questão do alimento acessível. Excetuando-se um ou outro produto que, por questões climáticas, sanitárias, logísticas ou mercadológicas, apresenta-se episodicamente encarecido, de regra a comida no Brasil tem preço entre baixo e moderado. Parte dessa realidade é edificada pelas cooperativas.

Os formuladores de políticas públicas perceberam que a forma mais eficiente de distribuição de renda é o emprego. Contudo, em tempos de baixa atividade econômica e legislação trabalhista complexa, a alternativa é capacitar e instrumentalizar as pessoas para uma atividade viável, sustentável e rentável – mesmo que seja no microcosmo desse pequeno agente econômico. Santa Catarina aderiu a essa fórmula, como comprovam os mais de 500 mil microempreendedores individuais (MEIs) registrados. Esses trabalhadores também podem ser organizados em cooperativas, quando realmente houver uma vocação coletiva para um projeto associativista.

É fato notório e historicamente comprovado que a sociedade em geral e o Poder Público em particular podem contar com o papel solidário das cooperativas em épocas de bonança ou de crise.

Fonte: Assessoria
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