Suínos
O papel a vitamina E no sistema antioxidante e na qualidade da carne
A vitamina E pode desempenhar um papel importante na redução da deterioração da carne e nas alterações de cor ao diminuir os efeitos negativos da oxidação
Artigo escrito por G. Litta, T.K. Chung e G.M. Weber, DSM Produtos Nutricionais
A origem da deterioração da qualidade da carne pode vir de diferentes fatores, incluindo a genética, mas também de práticas indevidas no manuseio pré e pós abate, no armazenamento e no preparo. Entretanto, a oxidação lipídica é provavelmente o fator mais importante que afeta os parâmetros supracitados. A vitamina E pode desempenhar um papel importante na redução da deterioração da carne e nas alterações de cor ao diminuir os efeitos negativos da oxidação. Este relatório discute o papel antioxidante específico da vitamina E e como isso colabora para a estabilidade da carne, além de trazer uma revisão dos principais estudos que observam o modo de ação da vitamina, bem como seus requisitos de suplementação e eficácia.
A oxidação lipídica é um processo recorrente que faz com que os alimentos, inclusive a carne, sofram deterioração e/ou alterações de cor. Na carne, o processo começa imediatamente após o abate, quando a circulação sanguínea para e o metabolismo anaeróbico é iniciado. A oxidação lipídica é catalisada pela presença de radicais livres. Estes, por sua vez, são entidades químicas com um ou mais elétrons livres que derivam do oxigênio, do nitrogênio, do enxofre e do cloreto. O hidróxido e o dióxido de nitrogênio estão entre os radicais livres mais abundantes e normalmente são chamados de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs) ou Espécies Reativas de Nitrogênio (ERN). O peróxido de hidrogênio não é um radical livre, mas também é bastante prejudicial ao DNA.
As espécies reativas consistem em produtos fisiológicos do metabolismo, apresentando funções fundamentais de nível celular quando encontradas em baixa concentração (por exemplo, no sistema imunológico para a ativação dos fagócitos). Quando sua concentração excede determinado limite, essas espécies tornam-se prejudiciais às macromoléculas, como os lipídeos, as proteínas e o DNA. Além dos radicais livres, outro fator que também pode promover a oxidação lipídica é a presença de metais, como ferro e cobre, além de compostos como mioglobina e hemoglobina.
É importante ressaltar que a oxidação lipídica é um processo autocatalítico. Os produtos da oxidação catalisam outras oxidações, resultando numa reação em cadeia. Quando esse processo cíclico começa, o ritmo da reação acelera rapidamente.
As gorduras insaturadas, em especial aquelas com um grande número de ligações duplas, são extremamente propensas a sofrer oxidação. As membranas celulares que contêm fosfolipídeos ricos em ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) também são particularmente sensíveis ao processo.
Na preparação da carne, a ação do corte destrói as membranas celulares e aumenta a superfície exposta ao oxigênio, aumentando, assim, o risco de oxidação. Outro fator prejudicial é a adição de cloreto de sódio durante o preparo, o que é comum em produtos como linguiças.
Consequências da oxidação lipídica na qualidade da carne
Insipidez
A oxidação lipídica decompõe os ácidos graxos poli-insaturados em compostos voláteis de cadeia curta, como aldeídos, cetonas, álcoois, ésteres e ácidos.
Esses compostos causam odores e sabores indesejáveis que reduzem significativamente a aceitação do produto pelos consumidores. Durante o cozimento e posterior armazenamento, a oxidação lipídica na carne aumenta. Esse fenômeno, chamado de Warmed-Over Flavor (sabor de requentado), é uma grande preocupação em relação às carnes pré-cozidas.
Oxidação do colesterol
O colesterol é um componente das membranas celulares. Os Produtos da Oxidação do Colesterol (POCs) são detectados a níveis residuais na carne crua armazenada. Durante o cozimento e irradiação, a ocorrência dos POCs aumenta por conta da maior geração de radicais livres, que surge em decorrência da oxidação dos PUFAs.
Os POCs podem causar efeitos biológicos adversos, como aterosclerose, citotoxidade, mutagênese e carcinogênese.
Perda por gotejamento
No início do rigor mortis, os níveis de pH caem, a miosina torna-se desnaturada e a actomiosina é formada. Isso causa um encurtamento post mortem das miofibrilas e promove uma perda exsudativa da carne.
Os processos oxidativos podem afetar a capacidade das membranas de funcionar como uma barreira semipermeável e podem contribuir para o vazamento de fluido ou a perda por gotejamento. Por exemplo, na carne suína, a perda por gotejamento tende a aumentar durante o armazenamento refrigerado e pode ocasionar uma perda de peso do produto entre 8 e 12%.
Oxidação do pigmento muscular
A cor é o principal fator que afeta a aparência da carne no momento da compra. A qualidade dessa cor depende do estado químico do pigmento muscular, a mioglobina.
A mioglobina pode existir na forma oxigenada ferrosa, a oximioglobina, que produz uma cor vermelho vivo. Por outro lado, ela também pode ser encontrada na forma de metamioglobina férrica oxidada, que tem uma coloração mais amarronzada. Durante o armazenamento e exposição em varejo, a oximioglobina é oxidada e se transforma em metamioglobina, deixando a carne com uma indesejável coloração marrom.
O sistema antioxidante
Os organismos vivos desenvolveram mecanismos antioxidantes específicos que os protegem contra espécies reativas. Somente devido à presença de antioxidantes é que os organismos vivos podem sobreviver em um ambiente rico em oxigênio. Esses mecanismos são descritos de modo geral como sistema antioxidante.
Os antioxidantes podem ser definidos como qualquer substância que atrasa, impede ou elimina os danos oxidativos de uma molécula-alvo. Eles se dividem em duas categorias com base em algumas principais características específicas: enzimas e não enzimáticas.
Com base em suas propriedades físicas, os antioxidantes também podem ser categorizados como antioxidantes solúveis em água (vitamina C, glutationa, ácido úrico) e antioxidantes solúveis em lipídios (vitamina E e ?-caroteno).
Enzimas
Superóxido dismutase (SOD)
Catalase
Glutationa redutase
Glutationa peroxidase (GPX)
Não enzimáticas
Glutationa
Ácido úrico
Vitamina C
?-caroteno
Vitamina E
Vitamina E: química e metabolismo
A vitamina E é um termo genérico usado para descrever oito compostos solúveis em lipídio que podem ser encontrados na natureza. Quatro desses compostos são chamados de tocotrienóis e os outros quatro de tocoferóis. Esses compostos são isômeros e diferem entre si por sua estrutura química. Os tocoferóis têm uma maior eficácia em relação aos tocotrienóis. Em particular, o ?-tocoferol é a forma mais comum e, biologicamente, a mais ativa também.
A vitamina E é suplementada na dieta como o éster de all-rac-?-tocoferol. Esse éster, o acetato all-rac-?-tocoferol, é caracterizado por um maior armazenamento, processamento do alimento e estabilidade de passagem pelo trato digestivo dos animais. As esterases pancreáticas liberam rapidamente o ?-tocoferol nativo para absorção a partir do intestino delgado.
Estudos que tratam do papel e dos requisitos da vitamina E costumam ser realizados com o acetato all-rac-?-tocoferol disponível no mercado. Um amplo corpo de pesquisa forneceu informações detalhadas sobre a função metabólica exata da vitamina E: 1. A vitamina E é absorvida por células epiteliais no intestino delgado, onde é incorporada aos quilomícrons; 2. Em seguida, ela é transportada pela linfa intestinal até o fígado; 3. A partir das células hepáticas, ela é secretada por uma proteína de transferência ?-tocoferol para a circulação geral; 4. Por fim, ela é depositada nas membranas e estruturas subcelulares, onde exerce seus efeitos de proteção contra a peroxidação dos fosfolipídeos.
O papel da vitamina E no sistema antioxidante
Um sistema antioxidante é formado por diversos compostos que ficam em diferentes espaços celulares, subcelulares e extracelulares, e que fornecem diferentes níveis de defesa. Cada antioxidante desempenha um papel específico no sistema e interage com outros compostos de forma única. Por isso, é importante que todos esses compostos estejam presentes no sistema, pois um não pode substituir o outro.
O sistema antioxidante basicamente opera em três diferentes níveis de defesa: primeiro nível (responsável pela prevenção da formação de radicais livres pelas enzimas antioxidantes, como SOD e GPX), segundo nível (combate a produção dos radicais livres e é composto por antioxidantes de quebra de cadeia, como vitamina E, ?-caroteno, vitamina A, vitamina C e ácido úrico) e terceiro nível (ativado para eliminar ou reparar as moléculas danificadas pelos radicais livres. Consiste principalmente em enzimas como lipases, proteases, nucleases e diversas transferases).
A localização da vitamina E na membrana permite que ela cumpra bem seu papel de proteger os ácidos graxos poli-insaturados altamente oxidáveis contra a peroxidação por EROs. A concentração molar da vitamina E nas membranas é inferior se comparada à presença de fosfolipídeos. No entanto, ela é particularmente eficiente por conta de que a vitamina E oxidada pode ser convertida novamente em sua forma ativa. Para isso, ela reage com outros oxidantes, como a vitamina C e/ou carotenoides.
A função da vitamina E de antioxidante de quebra de cadeia é bastante forte e específica: ela impede a produção autorrealizada dos peróxidos lipídicos. Entretanto, para uma eficácia ideal na prevenção da oxidação lipídica, a vitamina E precisa ser suplementada no alimento a níveis mais altos do que o comum, dado que a parte que não for usada para fins metabólicos será depositada nas membranas celulares. Quando adicionada à carne post mortem, a vitamina não é fisiológica e naturalmente incorporada às membranas celulares.
Estabilidade oxidativa
Diversas pesquisas demonstraram o modo de ação e o efeito da vitamina E na redução da oxidação lipídica e na melhoria da qualidade da carne. Também foi demonstrado que a vitamina E melhora a fluidez das membranas e, portanto, reduz a perda por gotejamento. O maior efeito nesse sentido pode ser avaliado na carne congelada, onde os cristais penetram na membrana celular e facilitam o vazamento do citosol.
Os mesmos níveis de melhoria foram constatados na estabilidade oxidativa da carne suína. Um efeito antioxidante positivo da vitamina E foi observado com suplementação de 200 mg por quilo de alimento para suínos recebendo 3% de óleo de soja e sebo.
Uma análise abrangente publicada em 2001 analisou e resumiu 10 estudos conduzidos entre 1991 e 1998, os quais avaliavam os impactos nutricionais na qualidade da carne suína. A análise constatou uma melhoria consistente na estabilidade oxidativa da carne suína quando os animais recebiam de 100 a 200 mg de vitamina E por quilo de alimento.
Estudos de meta-análise
Mais recentemente, uma meta-análise confirmou claramente o efeito positivo de níveis de vitamina E na dieta para a oxidação lipídica. Os autores analisaram 10 experimentos publicados onde a oxidação lipídica foi medida e 13 onde o acúmulo de vitamina E foi avaliado, em ambos os casos usando o músculo Longissimus dorsi. O escopo da análise era determinar a relação entre a dose e a duração da suplementação de vitamina E e a evolução do processo oxidativo nos músculos pós-abate.
Essa meta-análise estabeleceu uma relação quantitativa entre a vitamina E na dieta e seus efeitos na qualidade da carne suína. Foi alcançado um acúmulo máximo no tecido muscular de cerca de 6,4 mg de ?-tocoferol por grama de tecido. Foram necessárias pelo menos 100 mg de vitamina E por quilo de alimento para que houvesse uma redução significativa na oxidação lipídica, e cada 1 mg de ?-tocoferol por grama de tecido reduziu a oxidação lipídica em cerca de 0,05 unidades de TBARS no Longissimus dorsi. A meta-análise também indicou que a oxidação lipídica era reduzida gradualmente ao longo de três dos quatro dias de armazenamento pós-abate, e depois disso era estabilizada durante até 10 dias pós-abate.
Estabilidade da cor
Os mesmos autores realizaram uma meta-análise dos efeitos da vitamina E no alimento e das condições de armazenamento na estabilidade da cor da carne suína. A análise constatou uma relação linear entre o vermelho da carne e a concentração de ?-tocoferol. O modelo revelou que um aumento de 1 mg de ?-tocoferol no músculo levava a um aumento esperado de 0,11 na coloração vermelha durante todo o período de armazenamento. De modo geral, a meta-análise sugeriu que a suplementação de vitamina E afetou a coloração vermelha da carne suína, mas apenas quando excedia 100 mg por quilo de alimento e passados seis dias pós-abate.
Conclusão
A suscetibilidade de que a carne sofra oxidação lipídica é influenciada pelo teor de ?-tocoferol na carne e pelo teor de PUFA nos fosfolipídeos da membrana. Os efeitos benéficos da vitamina E na melhoria da qualidade de suínos, os quais derivam das propriedades antioxidantes da membrana no ambiente lipídico, foram cientificamente comprovados e comercialmente testados, validados e implementados.
Isso se atribui à capacidade da vitamina E na alimentação, após sua digestão e absorção, de se depositar e acumular na carne. Portanto, a vitamina E sendo o antioxidante lipossolúvel mais eficaz da natureza, com sua função única de proteger a integridade da membrana, não pode ser substituída por outros antioxidantes ou substâncias que tenham propriedades semelhantes ao antioxidante.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
Suínos
Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global
Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.
Compliance no campo
Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock
A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.
Trilha empreendedora
O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.
Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.


