Suínos
O novo paladar do consumidor brasileiro: a ascensão da carne suína
Pesquisa revela que o brasileiro está redescobrindo a carne suína: mais sabor, saúde e presença na mesa do consumidor.


Foto: Divulgação/Comunica Agro
Artigo escrito por Felipe Ceolin, médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, com especialização em Qualidade de Alimentos, MBA em Gestão Comercial e em Marketing, diretor Comercial da Agência Comunica Agro
Por muito tempo, a carne suína foi vista com desconfiança na mesa dos brasileiros. Estigmas ligados à gordura e à saúde afastavam consumidores, mesmo sendo o Brasil um player mundial na produção desta proteína. Porém essa realidade vem mudando – e os dados mais recentes mostram que o consumo cresce ano após ano.
Um estudo conduzido pelo médico-veterinário Felipe Ceolin, em seu trabalho de MBA em Marketing pela USP/Esalq, buscou entender o comportamento do consumidor brasileiro contemporâneo de carne suína. A pesquisa, de abrangência nacional, revelou tendências que explicam a evolução recente do consumo e apontam caminhos para o futuro do setor.
O levantamento mostrou que 91,3% dos entrevistados consomem carne suína pelo sabor – atributo que se destacou sobre o preço do produto, tradição familiar ou recomendações de profissionais de saúde. Além disso, 70,7% reconhecem o valor nutricional e de saúde da carne suína, mostrando uma ruptura com antigos preconceitos.
Do Churrasco ao Dia a Dia
Deixando para trás a imagem de prato apenas para “ocasiões especiais”, a carne suína passou a fazer parte do dia a dia: 62,3% afirmaram consumir semanalmente. O consumo acontece principalmente em casa (93,9%) e o modo de preparo preferido são assados no forno ou churrasqueira, porém com um crescente uso da fritadeira elétrica.
O que Pesa na Gôndola
Na escolha no ponto de venda, pesam atributos ligados à confiança: aspecto visual, higiene, validade e armazenamento adequado foram os fatores mais valorizados. Supermercados e atacarejos ainda são os principais canais de compra, embora os açougues especializados começam a ganhar espaço.
Mais do que Preço: Experiência
O estudo também mostra que o setor pode crescer ainda mais se investir em comunicação e experiência do consumidor. Ações que divulgam receitas e modos de preparo, promoções de preço e campanhas que reforçam o sabor e a qualidade estão entre os principais estímulos ao consumo.
Uma Nova Imagem em Construção
A pesquisa conclui que a carne suína conquistou um novo status na dieta dos brasileiros: saudável, prática e saborosa. Combinando esforços da indústria, varejo e comunicação, há espaço para que o produto avance em participação e desmistifique de vez a visão ultrapassada que marcou gerações.
Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.

Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Suínos
Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026
Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.
No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.
De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.
Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.
No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.
Suínos
Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro
Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.






