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O impacto do javali na biosseguridade da produção suína

Com a diversidade e abundância de recursos naturais associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, essa espécie se proliferou e se disseminou amplamente pelo território nacional, acendendo um alerta para a defesa sanitária do país.

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Introduzido há sete décadas no Brasil para exploração comercial, os javalis se tornaram uma grande dor de cabeça para muitos setores produtivos, especialmente a suinocultura, quando passaram a viver livremente na natureza. Com a diversidade e abundância de recursos naturais associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, essa espécie se proliferou e se disseminou amplamente pelo território nacional, acendendo um alerta para a defesa sanitária do país.

Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Virgínia Santiago Silva: “Em razão da espécie não ter predadores na natureza e de estar amplamente distribuída em território brasileiro é difícil sua erradicação” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Com foco em aprimorar o manejo e a vigilância desses animais asselvajados em território brasileiro, com adoção de medidas de biosseguridade para garantir a segurança dos plantéis de suínos, a pesquisadora Virgínia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves, abordou os impactos do javali na suinocultura em palestra realizada no Fórum de Sanidade de Aves e Suínos, que aconteceu em fevereiro na cidade de Cascavel, no Oeste do Paraná.

Segundo ela, por ser uma espécie exótica invasora é considerada nociva à pecuária, à agricultura, ao meio ambiente, aos seres humanos e à saúde pública, por isso o seu controle populacional é regulamentado e autorizado no Brasil. E como são “ancestrais” do suíno doméstico, ou seja, pertencem à mesma espécie, o estímulo reprodutivo ocorre, o que aumenta ainda mais a chance de contato entre as duas populações e possível transmissão de patógenos/doenças.

Em dezembro de 2018, segundo dados da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), haviam registros em 22 unidades da federação e mais de 1,5 mil municípios brasileiros com presença de javalis. “Isso já avançou, lamentavelmente, porque é uma espécie que vem aumentando muito rápido no país. Por causa dessa expansão acelerada, desde 2017 dispomos de um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Manejo de Javali”, menciona Virgínia.

População de javalis no Brasil

A pesquisadora diz que não é possível mensurar a quantidade real de javalis existentes no Brasil porque a população é dinâmica, e como vivem livremente na natureza não há como fazer um controle de quantos animais nascem anualmente. “Esse é um dado que dificilmente alguém vai poder responder de forma imediata, porque o número total de javalis vai estar sempre oscilando, até em razão disso é fundamental que haja um sistema de controle”, expõe Virgínia.

Segundo a profissional, os indicadores com que os órgãos de defesa sanitária do mundo todo trabalham são baseados em informações cadastradas por diferentes atores autorizados que fazem o controle populacional da espécie exótica. “Na Europa trabalham com bolsas de abate, de caça; é uma atividade sinérgica, não é o que acontece no Brasil, porque lá eles têm uma quantidade de animais abatidos em áreas conhecidas, isso só é possível em nosso país com dados registrados e monitorados de abate. E para isso já contamos hoje com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que através do Sistema de Informação de Manejo da Fauna (Simaf), faz a gestão do manejo de animais abatidos no país, em que todo cidadão que deseja abater esses animais para proteger a sua propriedade tem condições, direito e autonomia para obter o registro de autorização. Essa gestão do Ibama é fundamental para que consigamos reduzir o avanço populacional de javalis no Brasil”, ressalta Virgínia.

Mais de 300 mil javalis abatidos

A partir da informatização desses dados do manejo, implementado em abril de 2019 pelo Ibama, é possível gerar estatísticas de animais abatidos no país. Desde o início do programa de controle até agosto de 2021 foram declarados oficialmente o abate de 333 mil javalis, o que não significa que haja um aumento populacional da espécie, apenas confirma que o controle está sendo realizado. “Esse número é decorrente dos abates informados ao Ibama, antes não havia esse controle, por isso não há registros, os animais eram abatidos sem que tivéssemos noção de quando, como, onde e por quem eram abatidos, agora através deste serviço do Ibama, conseguimos ter estatísticas, números esses que podem orientar as nossas próximas ações”, justifica a pesquisadora.

Por que o javali é um problema?

A pesquisadora afirma que os javalis representam uma ameaça à suinocultura porque em vida livre não possuem qualquer cuidado veterinário, com isso não há como fazer o controle sobre os locais que circulam, como se alimentam, onde bebem água, com quais patógenos têm contato e com que outras espécies de animais se relacionam. “Dado a esses fatores, o javali pode ser um transmissor de doenças e pela afinidade com a própria espécie, ora com estímulo reprodutivo, ora por busca de alimentos, vão se aproximar principalmente de locais onde tem criação de suínos. Neste contato pode transmitir doenças ou mesmo se infectar com patógenos comuns dos sistemas de criação intensiva e se tornarem reservatórios, mantendo a circulação desses patógenos nas populações asselvajadas como uma constante ameaça aos suínos”, pontua Virgínia.

Justamente por ser uma espécie que se relaciona de diversas formas diferentes com o meio em que está inserida, ressalta a pesquisadora, é que se tem a necessidade de contabilizar todos os riscos que pode expor tanto aos seres humanos quanto aos suínos a partir do momento que há contato direto ou indireto. “Como os javalis têm uma condição sanitária desconhecida, não é o funcionário da granja que está em contato com os suínos que deve abater ou manipular a carcaça do javali”, aponta.

Virgínia explica que algumas das doenças que podem circular nessas populações são zoonoses – Leptospira, vírus de Hepatite E, Toxoplasma gondi – que podem acometer o homem, por isso medidas de biosseguridade são primordiais no abate, uma vez que quando o javali é abatido não apresenta qualquer sinal ou sintoma que está infectado. “Muitas vezes o javali não vai apresentar sintomas ou lesões, e quem faz esse abate consome (a carne desse animal), então ainda tem um risco de saúde pública gravíssima”, relata.

Risco sanitário

Conforme Virgínia, o javali pode arruinar todo um programa sanitário se uma doença chega a atingir as populações asselvajadas, visto a dificuldade de controlar, conter e erradicar nestas condições a disseminação de uma doença. “Por isso é muito importante conhecer a realidade fora e dentro da granja para que o produtor possa se precaver e esses animais exóticos não venham a ter contato com a suinocultura”, frisa.

Doenças transfronteiriças

A ameaça sanitária pelo contato entre criações domésticas e comerciais com populações de vida livre tem fundamental importância quando se trata de doenças transfronteiriças, de notificação oficial internacional e que podem resultar em restrições ao comércio internacional, como a Peste Suína Clássica (PSC), Peste Suína Africana (PSA), entre outras. O Brasil é livre de PSA, mas a situação da doença na Europa e na Ásia é um alerta para que os países livres invistam em vigilância e em biosseguridade das criações comerciais, bem como em controle populacional, monitoramento e vigilância de javalis de vida livre, para detecção e contenção de doenças.

Como detectar a presença de javalis?

Por onde passam, os javalis deixam vestígios típicos da espécie, que caracterizam seus hábitos e comportamentos, como pegadas robustas, áreas fuçadas, marcação em árvores e predação em lavouras, especialmente de milho.

Outra forma de identificar a evidência desses animais é através do cruzamento com matrizes suínas. “Muitos produtores acreditam que a prole gerada desse cruzamento é mais robusta, resistente a doenças ou que sua carne é melhor, nada disso é comprovado, além de ser proibida a criação em nosso país, portanto deve ser coibido para que não volte a ocorrer”, enfatiza Virgínia.

Biosseguridade

A adoção de biosseguridade em granjas de suínos consiste em medidas para evitar a entrada e propagação de doenças nos rebanhos. Desde forma, para impedir a introdução de patógenos por animais selvagens, Virgínia orienta que seja evitado o contato entre as populações domésticas e as de vida livre.

Entre os recursos mais eficazes para impedir o acesso de javalis asselvajados às criações de suínos estão as barreiras físicas, como as cercas de proteção, isolando a propriedade de invasores. Virgínia salienta que os javalis são animais fortes e por isso a cerca deve ser resistente para garantir que não seja rompida.

Recomenda-se a instalação de cercas de 1,8 metro de altura, com tela malha 7 e fio 12 mm, sendo que a cada 40 centímetros de altura é preciso usar um fio de sustentação de 5mm. Para oferecer maior segurança, a parte inferior deve ser reforçada, podendo ser dupla, e deve-se enterrar 40 centímetros de mureta de alvenaria ou tela para evitar que os javalis cavem para passar por baixo da cerca. Sobre a extremidade superior é indicado colocar de três a quatro fios de arame farpado.

É possível erradicar os javalis?

A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves diz que em razão da espécie não ter predadores na natureza e de estar amplamente distribuída em território brasileiro é difícil sua erradicação, sendo apenas possível fazer o controle para minimizar ao máximo os impactos que causam e adotar medidas preventivas para que os javalis não se proliferem ainda mais.

E para isso a detecção precoce e a comunicação ao órgão de controle do Estado são essenciais para reduzir sua população. “Essa é a única espécie que o abate é autorizado no Brasil, quando é comunicado ao órgão que faz essa gestão do controle populacional passam a ser adotadas, na área de identificação de presença de javalis, medidas de biosseguridade”, ressalta Virgínia.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar o mercado interno.

“Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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