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O impacto da agricultura de precisão na produtividade e sustentabilidade
A agricultura de precisão tem se consolidado como uma das principais soluções para garantir uma produção sustentável e eficiente, capaz de suprir a crescente demanda global por alimentos.

A agricultura de precisão tem se consolidado como uma das principais soluções para garantir uma produção sustentável e eficiente, capaz de suprir a crescente demanda global por alimentos. No Brasil, essa realidade está cada vez mais presente no campo, impulsionada pela adoção de tecnologias digitais que otimizam processos e aumentam a produtividade.
De acordo com um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 84% dos agricultores brasileiros utilizam pelo menos uma ferramenta tecnológica no manejo de suas culturas. Esse avanço tem permitido um crescimento significativo na produção de grãos, que aumentou mais de 300% nas últimas duas décadas, enquanto a área plantada cresceu cerca de 60%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A agricultura de precisão busca maximizar a produtividade utilizando menos recursos, como água, fertilizantes
edefensivos agrícolas, além de reduzir o impacto ambiental. Máquinas agrícolas modernas são equipadas com sistemas inteligentes que coletam e analisam dados em tempo real, auxiliando o produtor a tomar decisões mais assertivas e eficientes. O uso de piloto automático permite um manejo mais preciso, diminuindo compactação, sobreposições e falhas. Sensores e sistemas de telemetria monitoram o desempenho das máquinas, enviando dados para centrais de controle que ajudam a identificar necessidades de manutenção e a otimizar as operações e frotas.
Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel importante na evolução da agricultura de precisão, proporcionando maior eficiência operacional, redução de custos e sustentabilidade. A integração entre sensores, algoritmos e sistemas autônomos permite que os tratores modernos operem de forma mais inteligente. A comunicação inteligente por exemplo entre controlador, transmissões e motor garantem ajustes dinâmicos que otimizam o consumo de combustível e prolongam a vida útil dos equipamentos.
Na etapa de pulverização, sistemas inteligentes utilizam câmeras e sensores para identificar a presença de plantas daninhas, pragas ou doenças, permitindo a aplicação direcionada de produtos apenas nas áreas afetadas. Alguns modelos de pulverizadores possuem estação meteorológica integrada ao controlador, coletando e analisando dados climáticos em tempo real, o que possibilita a aplicação de defensivos em condições ideais. Essa integração reduz desperdícios e custos para o produtor e minimiza o impacto ambiental, promovendo uma agricultura mais sustentável.
No plantio, a IA garante o paralelismo ideal entre as linhas de plantio, evitando sobreposições ou falhas na distribuição das sementes. O sistema de gerenciamento de frota monitora o desempenho da máquina em tempo real, enviando os dados para uma central de acompanhamento. Esse monitoramento permite a identificação de necessidades de manutenção, evitando paradas inesperadas. No controle de insumos, o sistema de fertilizantes opera com tecnologias que realizam um gerenciamento preciso do adubo, reduzindo significativamente o desperdício de fertilizantes.
As colheitadeiras também se beneficiam das tecnologias, utilizando piloto automático para otimizar a colheita e reduzir perdas de grãos. Sensores ajustam automaticamente a altura da plataforma, assegurando um corte uniforme e sem falhas. O monitor de produtividade coleta dados em tempo real, possibilitando a tomada de decisão imediata e gerando informações para o planejamento da próxima safra. A integração entre análise de solo e mapeamento de produtividade ajuda os agricultores a identificar áreas que demandam mais fertilização ou correção, otimizando recursos e maximizando o potencial produtivo.
Diante da crescente automação e da evolução das tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas, a capacitação para utilizar essas tecnologias tornou-se fundamental. A modernização do campo exige profissionais qualificados, capazes de interpretar e operar equipamentos sofisticados que aumentam a precisão das operações, otimizam o uso de recursos e impulsionam a produtividade. Nesse cenário, o setor tem atraído cada vez mais jovens talentos, que se destacam pela familiaridade com novas tecnologias e pela rápida adaptação às inovações do mercado.
A conectividade também é um fator relevante na agricultura digital. Embora nem todas as operações exijam conexão contínua, a transmissão de dados em tempo real é essencial para monitoramento remoto e manutenção preditiva. Em regiões mais distantes, soluções como fibra ótica, redes de rádio e internet via satélite têm ampliado o acesso à conectividade no campo. A Internet das Coisas (IoT) tem possibilitado a integração de máquinas, sensores e sistemas de gestão, criando um ecossistema inteligente que facilita a tomada de decisões. Colheitadeiras equipadas com sensores de produtividade, por exemplo, geram mapas detalhados da lavoura, indicando áreas que necessitam de correção de solo ou adubação específica, otimizando recursos e aumentando a produtividade.
Com o contínuo avanço das tecnologias digitais e a expansão da conectividade rural, o campo estará cada vez mais preparado para enfrentar os desafios do futuro, garantindo uma produção agrícola sustentável e resiliente. A tendência é que a automação e a IA se tornem cada vez mais presentes em todas as etapas da produção agrícola, com a conectividade em tempo real sendo essencial para garantir a eficiência e a segurança dessas operações.
Inovação para enfrentar mudanças climáticas
As mudanças climáticas e seus impactos na agricultura também trazem novos desafios aos produtores rurais, que precisam adaptar seus sistemas de cultivo em um cenário cada vez mais imprevisível. Para responder a essa necessidade, a indústria de máquinas agrícolas tem investido em tecnologias avançadas que melhoram a eficiência e a produtividade no campo e asseguram a resistência dos equipamentos em condições extremas.
Entre os principais avanços, destaca-se o esforço para garantir a simplicidade operacional das máquinas, o que facilita a regulagem, o diagnóstico e a manutenção, especialmente em momentos críticos, como intempéries climáticas. A facilidade de manutenção é fundamental, visto que permite uma rápida retomada das operações, minimizando os impactos causados por eventos climáticos extremos, como chuvas intensas ou secas prolongadas.
Além disso, as máquinas vêm sendo projetadas para resistir a ambientes cada vez mais desafiadores. A incorporação de sistemas eletrônicos protegidos, com cabos e conectores blindados, garante maior durabilidade dos equipamentos, mesmo em condições extremas. A tecnologia embarcada também oferece um diagnóstico mais eficiente, permitindo a detecção precoce de falhas elétricas, mecânicas ou hidráulicas. Com o uso de telemetria, é possível verificar e resolver problemas antes mesmo de iniciar as operações, evitando danos maiores e aumentando a vida útil dos equipamentos.
Outro aspecto importante é o suporte técnico oferecido aos produtores, que, além das orientações em campo sobre as
melhores práticas de manutenção, têm à disposição materiais informativos que auxiliam no uso adequado das máquinas. Esse acompanhamento contribui para a prevenção de riscos e melhora a durabilidade dos equipamentos, assegurando que o produtor consiga extrair o melhor desempenho de suas máquinas, independentemente das condições climáticas.
Essas inovações refletem uma adaptação necessária para enfrentar os desafios impostos pelo clima, garantindo uma produção agrícola mais eficiente e sustentável. Com máquinas mais robustas e tecnologia de ponta, a agricultura se torna mais preparada para lidar com os imprevistos climáticos, permitindo que o agricultor mantenha sua produtividade e sustentabilidade no longo prazo.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



