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O gigante bebe leite, mas poderia beber mais

No Brasil, embora as vendas externas de lácteos sejam incipientes, existe a esperança de que exportar é o caminho para manter o crescimento equilibrado do setor

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Arquivo/OP Rural

O termo exportar sempre encheu de brilho os olhos dos brasileiros. Afinal, enviar produtos nacionais ao exterior é um atestado de qualidade. E é mesmo, pois para vender para outros países deve-se cumprir uma série de exigências. Essa crença na exportação é forte também no setor leiteiro. No Brasil, embora as vendas externas de lácteos sejam incipientes, existe a esperança de que exportar é o caminho para manter o crescimento equilibrado do setor.

Há especialistas, no entanto, que adotam outro discurso, ressaltando a necessidade de investir intensamente no consumidor interno. E isso ficou bem claro no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, realizado em novembro, em Chapecó, SC. O economista da Farsul e também professor da ESPM, Antônio da Luz, adotou o mesmo tom em sua palestra sobre os desafios para alavancar o consumo de leite e aumentar a exportação de lácteos”. 

Segundo Da Luz, o mercado internacional de lácteos é extremamente restrito. “No mundo, o volume exportado é pífio em relação ao consumo. Apenas 0,3% do consumo é satisfeito com importações. Ou seja, cada país consome o que produz. Portanto, o caminho lógico para o leite não são as exportações, mas o mercado interno”, enfatiza.

Setor sensível

O leite é extremamente afetado por indicadores macroeconômicos. Nos últimos anos, o Brasil aumentou muito a capacidade produtiva, justamente num período em que o consumo interno entrava em colapso devido à crise. “Fizemos as coisas certas dentro da porteira, só esquecemos de olhar para o mercado”, avalia. O brasileiro, diz ele, não vive dentro de uma bolha, sabe o que é estar desempregado, por isso freia o consumo. “A crise também é problema de quem vende leite, pela redução nas vendas de lácteos”. Quanto mais complexa a cadeia, mais escolhas o consumidor tem durante a crise, sugere. “É o caso do setor leiteiro”. Quem produz precisa olhar resultados, diz o palestrante. “Se quisermos nos diferenciar, devemos entender também de mercado”.

Oportunidades internas

Apresentando tendências de consumo, o estudioso afirma que o mercado brasileiro possui um enorme potencial para o leite. Porém, em sua opinião, é preciso evoluir o mindset de toda a cadeia. Uma boa gestão é fundamental. “Nossos negócios são financeiros e, se ficarmos parados no tempo e nas questões bucólicas do meio rural, a gente quebra”, cita.

As estimativas são de que em 2040 o Brasil tenha 228 milhões de habitantes. Portanto, deve aumentar o consumo de leite. “Apesar das oportunidades latentes, os bons resultados no setor leiteiro exigem eficiência”, diz. Da Luz comenta a necessidade de abrir ainda mais a economia do Brasil. “Alguns vão quebrar? Ótimo, quebra quem sobrevive com subsídios que todos nós estamos pagando. Não precisamos desse tipo de empresa. Precisamos de brasileiros que queiram competir num livre mercado”, defende.

A soma entre “estratégia” e “conhecimento de mercado” é extremamente importante na visão do professor. “Como as questões mercadológicas dialogam com nossas estratégias?”. O palestrante compara uma videolocadora, um tipo de negócio que já foi popular no país, com o serviço de streaming Netflix. “Somos um negócio que será substituído por outro ou temos condições de crescer ao longo do tempo?”, questiona.

Antes de exportar, é preciso tornar-se um grande fornecedor dentro de nossas fronteiras, afirma o economista. Hoje o mercado interno paga mais do que o externo. “Vejo muita gente reclamando de preço baixo. Quem disse que o preço é o culpado? Se o preço não paga o custo, será que o custo está muito alto? Nem sempre a solução do nosso problema está no preço. No caso dos lácteos, não está”. Para participar do mercado, é fundamental vender mais barato, diz o economista.

Para onde exportar?

Para o estudioso, apesar das excelentes oportunidades internas, as portas das exportações não devem ser fechadas. Um estudo realizado em 2016 pelo Rabobank analisou as tendências do consumo de lácteos para os próximos dez anos. “O crescimento deve chegar a 25%, algo absurdamente elevado. É muito leite, uma demanda que teremos que satisfazer”, sugere.

O continente asiático aparece como o grande responsável pelo crescimento do consumo, algo em torno de 81% da nova demanda para a próxima década. “Se temos a noção de onde virá esse crescimento, sabemos com quem conversar e fazer acordos. Conhecemos quem vai nos proporcionar negócios e que tipo de estratégias devemos construir”, projeta.

A China, com mais de 1 bilhão de habitantes, está se ocidentalizando, antecipa Da Luz. Para ele, apenas o país asiático é capaz de mudar a atual configuração do mercado de leite, extremamente restrito para a exportação. “Eu acredito muito no mercado chinês, não no curto prazo, mas eles ainda vão comprar muito leite do Brasil se formos competitivos”, afirma.

“O potencial de crescimento do Brasil no contexto mundial é grande. Porém, é preciso melhorar muito o sistema para ampliar a competitividade. Depende da evolução de toda a cadeia. Todos nós, produtores, indústria e governo, devemos ter uma estratégia comum para competir internacionalmente”, lembra. É preciso chegar aos portos com mais competitividade e com qualidade. “Mas ainda estamos discutindo brucelose, tuberculose, propriedades com resultados econômicos distintos, tabelamento de frete. Esse sistema não funciona mais”, garante o estudioso.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Vietnã habilita mais quatro frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina

Plantas em Rondônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins se somam às já autorizadas e ampliam para oito o número de estabelecimentos aptos, fortalecendo a presença do Brasil no mercado vietnamita.

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Fotos: Shutterstock

As autoridades sanitárias do Vietnã concluíram o processo de avaliação técnica e habilitaram mais quatro estabelecimentos brasileiros para a exportação de carne bovina com osso e desossada.

Os novos estabelecimentos habilitados estão localizados em Rondônia (2), Mato Grosso do Sul (1) e Tocantins (1), somando-se a outros quatro já autorizados, situados em Goiás (3) e Mato Grosso (1).

Os dossiês técnicos apresentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foram avaliados e aprovados, comprovando o cumprimento dos requisitos sanitários e de inocuidade dos alimentos exigidos para a habilitação dos novos estabelecimentos.

O mercado vietnamita de carne bovina foi aberto em 2025, após décadas de negociação, no âmbito da missão oficial do Presidente da República a Hanói, que fortaleceu o diálogo bilateral e ampliou as oportunidades de inserção de novos produtos brasileiros naquele mercado. Com as novas autorizações, o Brasil passa a contar com oito plantas habilitadas, dobrando a capacidade atual de oferta e fortalecendo a presença da carne bovina brasileira em um dos países que mais têm expandido o consumo de proteína animal nos últimos anos.

Cabe ressaltar que esse avanço é fruto de intenso diálogo técnico e negocial, consolidando a parceria entre os dois países.

O Mapa seguirá atuando para ampliar o número de estabelecimentos habilitados e diversificar mercados, sempre com base na transparência, no robusto sistema oficial de inspeção e controle sanitário e na qualidade dos produtos brasileiros.

Fonte: Assessoria Mapa
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Gadolando enfrenta retração em registros, mas avança na valorização genética do gado Holandês

Mesmo em um ano marcado pela crise do leite, associação gaúcha registra forte crescimento nas classificações de animais e reforça o trabalho técnico como estratégia para fortalecer a atividade.

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Foto: Gadolando/Divulgação

A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) divulgou os números do serviço de controle leiteiro e do sistema de registros da raça referentes a 2025. De acordo com o levantamento, 5.256 animais estão sob controle leiteiro, com a realização de 63.072 controles. O sistema contabiliza 10.007 animais registrados e 4.355 em classificação linear.

Os dados apontam uma queda de 21,19% no número de registros e de 18,5% no controle leiteiro em relação à 2024. Em contrapartida, as classificações apresentaram um crescimento expressivo de 272,54%, resultado, segundo a Gadolando, da participação direta de 90 produtores e do reforço no corpo técnico da entidade.

Para o presidente da Gadolando, Marcos Tang, os números refletem a realidade vivida pelo setor leiteiro ao longo do último ano. Segundo o dirigente, apesar da diminuição nos registros e em parte dos controles, a entidade comemora a manutenção dos serviços por grande parte dos associados. “A maioria dos nossos produtores continuou realizando registro, controle e classificação. Tivemos, inclusive, um aumento significativo no número de animais classificados, pois disponibilizamos um corpo técnico mais estruturado para atender essa demanda”, destaca.

Tang avalia que a retração nos registros já era esperada diante da crise enfrentada pelo setor. O presidente da Gadolando lembra que, nos últimos quatro a cinco anos, os produtores lidaram com condições climáticas adversas, como períodos de estiagem intercalados com enchentes que comprometeram a produção de alimentos para o rebanho.

A situação se agravou, de acordo com ele, a partir de agosto, com a forte queda na remuneração do leite pago ao produtor. “Estamos vivendo uma das piores crises do setor leiteiro. Nesse contexto, é natural que haja redução no número de registros e de serviços”, afirma.

Apesar do cenário desafiador, Tang tem uma expectativa de estabilidade e recuperação gradual do setor. “Nós, da Gadolando, apostamos no fortalecimento da qualidade genética e na continuidade do trabalho técnico como caminhos para melhorar os indicadores e dar suporte aos criadores gaúchos nos próximos períodos”, conclui.

Fonte: Assessoria Gadolando
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Leite mais barato alivia custo da alimentação nas capitais brasileiras

Com recuo de até 5,6% em dezembro, produto foi um dos principais responsáveis por frear a alta da cesta básica, embora os preços sigam pressionados em grandes centros urbanos.

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Foto: Shutterstock

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgaram na última quinta-feira (08) a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025, estudo publicado em parceria entre as duas instituições desde agosto do ano passado. Segundo o levantamento, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais, diminuiu em outras nove cidades e se manteve estável em um município, João Pessoa (PB), em que o preço permaneceu em R$ 597,66.

Foto: Divulgação/EBC

Entre novembro e dezembro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em Maceió (AL), com alta de 3,19%; Belo Horizonte (MG), com aumento de 1,58%; Salvador (BA), com crescimento de 1,55%; Brasília (DF), acréscimo de 1,54%; Teresina (PI), com alta de 1,39%; Macapá (AP), com aumento de (1,23%); Goiânia (GO), com alta de 1,19%; e Rio de Janeiro (RJ), que cresceu 1,03%. Já as quedas mais expressivas ocorreram em Porto Velho (RO), de 3,6%; Boa Vista (RR), de 2,55%; Rio Branco (AC), de 1,54%; Manaus (AM), de 1,43%; e Curitiba (PR), de 1,03%.

São Paulo segue sendo a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresenta o maior custo (R$ 845,95), seguida por outras capitais do Centro-Sul como Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22). Em contraponto, nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01), Recife (R$ 596,10), Natal (R$ 597,15) e João Pessoa (597,66).

Alimentos com maior queda

Leite integral, arroz agulhinha, açúcar, café em pó e óleo de soja foram os principais produtos que fazem parte da cesta básica de

Foto: Divulgação/Conab

alimentos que tiveram redução de preços. Apresentando a maior queda dentre as capitais, o arroz agulhinha teve o preço reduzido em 23 das 27 cidades, sendo as maiores diminuições registradas em Maceió (AL), de 6,65%; e Vitória (ES), de 6,63%. Em Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO), o valor não variou. Em Recife (PE) aumento 2,36% e em Manaus (AM) chegou a 1,04%. As causas para os preços mais baixos foram o menor volume exportado e a demanda retraída, que resultaram em novas diminuições do custo do grão no varejo.

Em seguida, o leite que caiu em 22 das 27 cidades, com variações entre -5,61%, em Curitiba (PR), e -0,69%, em Recife (PE). Em Palmas (TO), Aracaju (SE) e Maceió (AL), o valor não se alterou e observou-se aumento em outras duas cidades: Boa Vista (RR) com 3,28% de alta e Macapá (AP), com adição de 0,26%. De acordo com a pesquisa, a maior oferta interna, consequência da produção no campo e das importações de derivados, fez com que os preços diminuíssem no varejo.

Com maior oferta no varejo, o açúcar também apresentou menores valores em 21 capitais, com reduções entre -5,94%, em Teresina (PI), e -0,40%, em Florianópolis (SC). Em São Luís (MA), o valor médio não teve alteração. Houve aumento em cinco localidades, com destaque para Macapá (AP), que teve alta de 1,51%.

Foto: Geraldo Bubniak

O café em pó diminuiu em 20 cidades, com oscilações entre -3,35%, em Palmas (TO), e -0,07%, em Macapá (AP). Houve aumento em outras sete cidades, sendo que a variação mais alta foi verificada em Manaus (AM), chegando a um aumento de 3,97%. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores compradores de café, e as incertezas em relação à negociação reduziram as exportações e os preços no varejo.

Por fim, a maior oferta global da soja impactou na redução do valor do óleo no varejo, o qual ficou mais barato em 17 cidades, com destaque para os percentuais em Belo Horizonte (MG), baixa de 6,68%; e São Luís (MA), redução de 5,9%. Em Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE), o valor médio não se alterou e, em oito cidades, foi observada alta, sendo que a maior variação ocorreu em Belém (PA), de 3,54%.

Salário mínimo ideal e horas trabalhadas para aquisição da cesta

Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00. Em novembro, o valor necessário era de R$ 7.067,18 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em dezembro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.067,68 ou 5,01 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412,00.

Em dezembro de 2025, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais foi de 98 horas e 41 minutos,

Foto: Geraldo Bubniak

pouco maior do que o registrado em novembro, quando ficou em 98 horas e 31 minutos. Já em dezembro de 2024, considerando apenas as 17 capitais, a jornada média foi de 109 horas e 29 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em dezembro de 2025, 48,49% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em novembro, 48,41% da renda líquida. Em dezembro de 2024, considerando as 17 capitais, o percentual médio ficou em 53,80%.

Parceria Conab e Dieese

A coleta de preços de alimentos básicos foi ampliada de 17 para 27 capitais brasileiras, resultado da parceria entre a Conab e o Dieese. A iniciativa reforça a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos com todas as capitais começaram a ser divulgados em agosto de 2025.

Para acessar informações detalhadas sobre os valores dos produtos que compõem a cesta básica nas 27 capitais, consulte a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025 no site da Conab e no portal do DIEESE.

Fonte: Assessoria Conab
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