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O gigante acordou?
Programa cascavelense de piscicultura é finalista em concurso nacional; Cascavel, PR, tem imenso potencial, mas importa 95% do peixe que consome
Cascavel está entre os cinco maiores territórios municipais do Paraná. Olhando o copo meio vazio, é possível enxergar a titânica missão de manter três mil quilômetros de estradas rurais em condições de escoar a produção. Para ligar os dois pontos extremos do torrão cascavelense, é necessário vencer 100 quilômetros. É o mesmo que percorrer, pela BR-277 a distância entre a “Capital do Oeste” e São Miguel do Iguaçu.
Olhando a metade cheia do copo, a leitura pode ser outra: o potencial de intercalar outras atividades produtivas nesta vastidão. A piscicultura é uma opção historicamente negligenciada por aqui.
Um estudo das bacias hidrográficas de Cascavel e seu potencial hídrico, realizado pela C.Vale, chegou a um número espetacular: é possível designar 600 hectares para espelhos d’água e ali “semear” tilápias, peixe de carne nobre, frequentador dos pratos mais saudáveis. Com tantas aguadas e vasto território, Cascavel poderia tirar dos açudes até seis mil toneladas por temporada. Hoje o município produz apenas 5% do que as 317 mil potenciais boquinhas cascavelenses consomem.
Anzol na água
A escassez dos escamosos pode estar no fim. Técnicos da Emater, Secretaria Municipal da Agricultura e Sindicato Rural Patronal formaram um grupo e lançaram o anzol, chamando para si a responsabilidade. Eles revisitaram um programa que já existia. Introduziram nova metodologia, reuniram uma centena de potenciais produtores e puseram o pé na estrada. Foram 102 visitas técnicas, onde se analisava desde caraterísticas da terra e a topografia até a aptidão dos agricultores, passando pela disponibilidade da água. Vários ficaram na primeira peneirada. Vinte e seis agricultores estão em processo final de habilitação, outros 12 labutam com a papelada. E alguns já estão produzindo.
Volta às aulas
Entre os novos piscicultores está a professora que foi para a roça, Nereide Tebaldi Dola. Em quatro gestões, ela foi diretora da escola do distrito de São João. Após 33 anos nas lides da educação, aposentou-se. Ou melhor, apenas mudou de ramo. Talvez ela rale agora mais do que antes da aposentadoria. Colocou 62 mil tilápias em três tanques na pequena propriedade recém-herdada em São João.
Nereide, a professora, precisou voltar aos “bancos escolares”, afinal, o peixe só entrava na vida dela já prontinho, no prato. Era preciso entender as particularidades da criação. Os técnicos auxiliaram no licenciamento ambiental, capacitação para financiamento do Pronafinho e principalmente no manejo dos bichos. Ou seja, ensinaram a professora a pescar. Ela é uma aluna dedicada, apesar de algum receio de pegar na mão o peixe de cerca de 600 gramas.
Pescar e suar
A atividade, diferente do que o ofício de pescador possa sugerir, é trabalhosa. Com os peixes ainda pequenos, ela precisava tratá-los quatro vezes por dia. Cada sessão consome pelo menos uma hora. “Aproveitei para fazer minhas caminhadas”, disse Nereide. Fato que a preocupa é o preço que os potenciais compradores estão acenando pelo peixe vivo: R$ 4,10 o quilo.
O custo para implantação dos tanques e o custeio se somam nesta etapa do processo. Foram R$ 265 mil na construção dos açudes e outros R$ 80 mil designados para o custeio. Os peixes têm fome. Alimentá-los custa R$ 800 por dia. A última compra de ração gerou uma fatura de R$ 12 mil. É para testar mesmo a aptidão empreendedora da professora. Os parentes já andam meio assustados com o arrojo dos Dola. Na construção de açudes, a prefeitura ajuda com algumas horas-máquina, porém as “amarelas” são insuficientes para atender todos.
O que rende mais: frango ou peixe?
“É um negócio rentável”, diz o zootecnista Sergio Haroldo Henn, da Emater. “Comparando com a rentabilidade por quilo de frango produzido após deduzidas todas as despesas, temos resultado de 5% líquidos na avicultura contra até 30% na piscicultura, seis vezes mais”, afirma o especialista. Ele destaca que municípios como Maripá já colocam suas tilápias em mercados distantes, como o Nordeste brasileiro. E que as grandes cooperativas da região entraram no segmento, sinalizando para o mercado a viabilidade do setor.
Outro fator que torna Cascavel mais competitiva, segundo o zootecnista, é a presença da inspeção municipal. O Cisme carimba o peixe e permite que a produção seja comercializada em todo o território nacional. O único frigorífico de peixes do município, da família Marmentini, está se capacitando para atender a expansão da produção. A capacidade de abate vai saltar de 30 toneladas semanais para 100 mil quilos a cada sete dias. Será que agora o município do território gigante e das generosas aguadas acordou?
“Colheita” em junho ou julho
– Oxigenar a água, principalmente à noite, é uma das tecnologias implementadas pelo projeto, e que possibilita ampliar a povoação do açude, permitindo um salto de até quatro vezes na produção. Os açudes da professora Nereide dispõem de aeradores.
– Ela pretende “colher” a primeira safra de tilápias em junho ou julho, quando os peixes pesarão, em média, 750 gramas cada. Nesta dimensão, ela terá 45 mil quilos nos três açudes somados. Se vender o quilo vivo por R$ 4,10, obterá uma receita de R$ 184 mil.
– Nereide terá investido mais de R$ 100 mil em ração e precisa quitar parcelas do financiamento do açudes. Ela está ansiosa para adiantar a quitação. O prazo é de dez anos (um de carência) a juros camaradas.
– Detalhe: o peixe não está entre os pratos preferidos da professora e ela não aprecia prepará-lo. Mas negócios são negócios, preferências gastronômicas à parte…
Em tempo: o Programa de Piscicultura de Cascavel está entre os 15 selecionados pelo Prêmio Municiência, voltado para incentivar e reconhecer ações inovadoras nos municípios.
Fonte: Pitoco

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Rally da Safra avalia potencial da segunda safra de milho no Oeste do Paraná
Região vem apresentando melhores perspectivas que o Norte do estado. Levantamento ajudará a confirmar as estimativas finais da safra brasileira de milho.

O Oeste do Paraná será o foco do Rally da Safra para avaliação das lavouras de milho segunda safra a partir de segunda-feira (08). A expedição deixará Campo Grande (MS) e irá percorrer, até o dia 15, as regiões de Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Cascavel, Ubiratã, Goioerê, Campo Mourão e Maringá.

Favorecido por uma janela de plantio mais antecipada, o Oeste paranaense apresenta perspectivas mais positivas para a produtividade do milho em comparação com o Norte do estado, onde a semeadura tardia e os períodos de estiagem comprometeram parte do desenvolvimento das lavouras. O Oeste também passou por um período de estiagem, porém, ao longo dos meses de abril e maio, a chuva retornou ao estado de forma mais regular. Até o momento, as geadas ocorridas em maio não afetaram as lavouras de forma abrangente, e as perdas foram pontuais.
“As avaliações de campo desta penúltima equipe do Rally tornam-se decisivas para entender os impactos do clima no potencial produtivo e ajustar nossos números até o final de junho, quando encerraremos a etapa milho”, explica André Debastiani, coordenador da expedição.
Os dados pré-Rally da Agroconsult indicam uma segunda safra brasileira de milho de 112,1 milhões de toneladas, volume inferior ao recorde de 123,9 milhões de toneladas registrado no ciclo 2024/25. Já a produção total de milho no país é estimada em 140,5 milhões de toneladas, frente a 151 milhões de toneladas no ciclo anterior. “Há espaço para ajustes nas estimativas, a depender dos dados de campo”, aponta o coordenador do Rally.
Expedição já percorreu importantes polos produtores

Em sua primeira etapa este ano, o Rally avaliou as condições de mais de 1,7 mil lavouras de soja durante as fases de desenvolvimento e de colheita em 14 estados. As lavouras avaliadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho no país.
Desde 11 de maio, o Rally da Safra percorre os principais polos produtores de milho do país em cinco estados. As equipes já passaram por diferentes regiões do Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Mato Grosso do Sul, avaliando condições climáticas, desenvolvimento das lavouras, investimentos realizados pelos produtores e perspectivas de produtividade. Após a etapa no Oeste e Noroeste do Paraná, a última equipe realizará o levantamento no Sul do Mato Grosso do Sul e Norte do Paraná, encerrando os trabalhos de campo da safra de milho em 23 de junho.
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Projeto leva diagnóstico de nematoides em tempo real para dentro das lavouras
Iniciativa permite identificar espécies diretamente no campo e busca reduzir perdas causadas por uma das pragas mais difíceis de detectar na agricultura.

Uma iniciativa vai levar ciência aplicada diretamente para dentro das lavouras brasileiras. O projeto Caçadores de Nematoides tem como objetivo fortalecer o manejo de uma das pragas mais silenciosas e subestimadas da agricultura: os nematoides. Diferente do modelo tradicional, baseado na coleta de amostras e envio para laboratório, o projeto realiza o diagnóstico diretamente na área do produtor, com identificação das espécies em tempo real, por meio de microscopia e análise conduzida por especialista.
A proposta é permitir que o produtor veja, no próprio campo, os organismos microscópicos responsáveis por perdas de produtividade que, muitas vezes, passam anos sem diagnóstico preciso.
Os nematoides estão presentes em todas as diferentes regiões agrícolas e culturas e podem comprometer o desenvolvimento das plantas ao afetar diretamente o sistema radicular. Ainda assim, o manejo no campo segue marcado por lacunas técnicas importantes, especialmente pela ausência de diagnóstico adequado e pela adoção de estratégias isoladas.
Sem a identificação da espécie presente na área, decisões de manejo tendem a ser genéricas e pouco eficientes. Na prática, isso leva a um cenário recorrente: o produtor trata os sintomas, como a queda de produtividade, sem atuar sobre a causa, relacionada à alta pressão populacional no solo. “Um dos principais erros no manejo de nematoides é a ausência de diagnóstico. Sem saber qual espécie está presente, o produtor acaba tomando decisões genéricas, tratando o sintoma e não a causa, e isso permite que a infestação se mantenha ou até aumente ao longo das safras”, afirma O mestre em Agronomia e Proteção de Plantas, Lucas Silva.
Além disso, fatores como a sucessão de culturas hospedeiras, a falta de rotação eficiente e o uso inadequado de ferramentas de controle contribuem para a manutenção ou até o aumento da infestação ao longo do tempo.
Outro ponto crítico é a falta de precisão no manejo. Cada espécie de nematoide apresenta comportamento, hospedeiros e nível de dano distintos, o que exige estratégias específicas. Sem esse nível de detalhamento, o produtor pode adotar medidas ineficientes ou até favorecer a multiplicação da praga. É justamente essa desconexão entre problema e manejo que o projeto busca enfrentar.
Ao levar o diagnóstico para dentro da propriedade, o projeto Caçadores de Nematoides reduz o tempo entre identificação e tomada de decisão, além de ampliar a compreensão do produtor sobre o que está acontecendo em sua lavoura. A visualização dos nematoides ao microscópio, no próprio campo, transforma um problema abstrato em evidência concreta.
A iniciativa também expõe um desafio cultural no campo. Como são invisíveis a olho nu e de difícil diagnóstico sem análise especializada, os nematoides ainda são frequentemente subestimados ou confundidos com outros fatores, como fertilidade do solo ou doenças, o que retarda o manejo adequado.
Mais do que uma agenda técnica, o projeto se posiciona como uma ação de conscientização, ao aproximar o produtor do problema e estimular decisões mais assertivas no manejo.
O projeto é desenvolvido pela Vitalforce e conta com participação da pesquisadora, doutora em Agronomia e nematologista Angélica Calandrelli, a iniciativa combina rigor técnico e abordagem prática para transformar conhecimento científico em experiência direta no campo.
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Com 2,9 milhões de hectares cultivados, milho paranaense segue em condição favorável
Maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento e previsão climática reduz risco de perdas por geadas.

As lavouras de milho segunda safra mantêm um cenário favorável no Paraná, embora as condições climáticas das últimas semanas exijam atenção dos produtores. Levantamento divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostra que 79% da área cultivada apresenta boas condições de desenvolvimento.

Foto: Divulgação
Segundo o boletim conjuntural do Deral, dos 2,9 milhões de hectares plantados na safra 2025/26, outros 14% das lavouras estão em condição considerada mediana e 7% apresentam situação ruim.
De acordo com o analista de mercado da Seab, Edmar Wardensk Gervásio, a expectativa geral ainda é de uma boa produção no Estado. No entanto, o comportamento recente do clima pode limitar parte do potencial produtivo das lavouras. “O cenário continua positivo, mas a ocorrência de mais dias nublados e de temperaturas mais baixas pode reduzir a produtividade média das lavouras paranaenses”, observa o analista no boletim.
Geadas seguem como principal preocupação
Neste momento, o principal fator de risco para a segunda safra continua sendo a possibilidade de geadas, especialmente para as áreas que ainda se encontram em estágios mais sensíveis de desenvolvimento.
Apesar dessa preocupação, os dados meteorológicos trazem alívio aos produtores. Segundo o Deral, a previsão estendida do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná

Foto: Divulgação
(Simepar) não indica ocorrência de geadas nos próximos 14 dias.
O avanço do ciclo das lavouras também contribui para reduzir a vulnerabilidade da safra. Atualmente, 17% das áreas cultivadas já entraram na fase de maturação, estágio em que o risco de perdas provocadas por geadas é considerado muito baixo.
Por outro lado, 83% das lavouras ainda permanecem suscetíveis a eventuais danos causados por frio intenso. Ainda assim, com a ausência de previsão de geadas e o avanço natural do desenvolvimento das plantas, a tendência é que uma parcela crescente dessas áreas alcance a maturação nas próximas semanas e fique fora da zona de risco.
Produção segue dependente das condições climáticas
O milho segunda safra ocupa uma área de 2,9 milhões de hectares no Paraná e representa uma das principais culturas do agronegócio estadual. Além da relevância para as exportações, a produção é estratégica para o abastecimento das cadeias de proteína animal, especialmente aves e suínos.
Embora o quadro atual seja considerado favorável, o desempenho final da safra dependerá do comportamento climático nas próximas semanas, período decisivo para a definição da produtividade em parte importante das áreas ainda em desenvolvimento.
