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“O futuro do agronegócio está nas pessoas”, diz especialista em transformação digital
Arthur Igreja destaca que tecnologia será decisiva para a agropecuária, mas que olhar do ser humano continuará imprescindível.

Autor do best-seller “Conveniência é o nome do negócio”, o especialista-referência em transformação digital, Arthur Igreja, é taxativo: estamos no epicentro de uma revolução. Depois da popularização da internet e dos smartphones, o conceito de Inteligência Artificial (IA) vem modificando de forma radical o mundo tal qual conhecemos, das relações sociais aos fazeres profissionais. Mas, na avaliação dele, não é a tecnologia quem será o fio condutor das inovações, mas os seres humanos – principalmente para o setor agropecuário.
“O futuro do agronegócio não está nos robôs, está nas pessoas”, resume Igreja, em palestra proferida no encerramento do Encontro Estadual de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema Faep.
O especialista começou sua apresentação evidenciando que os desafios de conexão do passado foram superados. Com o surgimento de soluções tecnológicas – como as antenas da Starlink, por exemplo – praticamente todo o globo está conectado. Tudo isso tem gerado uma série de impactos nas mais diversas atividades, inclusive no campo, Arthur Igreja, é taxativo: estamos no epicentro de uma revolução.
Depois da popularização da internet e dos smartphones, o conceito de Inteligência Artificial (IA) vem modificando de forma radical o mundo tal qual conhecemos, das relações sociais aos fazeres profissionais. Mas, na avaliação dele, não é a tecnologia quem será o fio condutor das inovações, mas os seres humanos – principalmente para o setor agropecuário. “O futuro do agronegócio não está nos robôs, está nas pessoas”, resume Igreja, em palestra proferida no encerramento do Encontro Estadual de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema Faep.
O especialista começou sua apresentação evidenciando que os desafios de conexão do passado foram superados. Com o surgimento de soluções tecnológicas – como as antenas da Starlink, por exemplo – praticamente todo o globo está conectado. Tudo isso tem gerado uma série de impactos nas mais diversas atividades, inclusive no campo.
Igreja, no entanto, faz questão de tirar o véu de romantismo que costuma envolver o tema. Na avaliação dele, “nem sempre o auge é a tecnologia”. Ele mencionou o exemplo do Apple Vision Pro, um dispositivo de realidade aumentada lançado em fevereiro de 2024 pela Apple. Além de fazer entrevistas com uma centena de usuários, Igreja também testou o aparelho. Constatou que, tecnologicamente, a ferramenta era incrível. Mas previu que o aparelho seria um fracasso – e ele estava certo.
“Não tinha chance de ser um fracasso. Era uma ferramenta incrível, mas qual o problema que ela resolve? Que resultado me entrega? É esse tipo de raciocínio que temos que ter em relação à tecnologia”, diz.
Em seguida, apontou que o campo tem sido “o celeiro da tecnologia” – ou seja, uma das atividades econômicas que mais tem se utilizado de tecnologias digitais e de dados gerados a partir dessas novas soluções. Ele enumerou que softwares de administração e de análise de dados já são uma tônica em propriedades rurais, ajudando os produtores a tomarem decisões. “O campo se digitalizou e se profissionalizou. As fazendas vão gerar mais dados digitais que uma cidade. Nós ainda não temos carros voando, por exemplo, mas temos tratores autônomos”, diz Igreja.
IA e pessoas
Igreja também eu ênfase à Inteligência Artificial, destacando que “tem muita coisa boa, mas também uma série de exageros”. Ele mencionou um exemplo hipotético em que uma pessoa recorre ao ChatGPT para escrever um e-mail para uma pessoa, que, por sua vez, utiliza a mesma ferramenta para resumir a mensagem. Por fim, esse mesmo destinatário, também usa o ChatGPT para responder o e-mail. “As pessoas estão se achando espertas, mas o que está acontecendo é que estamos brincando de telefone sem fio, com dois papagaios eletrônicos – o ChatGPT – de intermediário”, disse.
Apesar disso, Igreja não tem dúvidas de que a IA vai provocar uma nova revolução tecnológica. Ele cita o caso da indústria farmacêutica, que demora, em média, 11 anos para desenvolver uma nova molécula, por meio de pesquisas. Recentemente, no entanto, esse processo foi acelerado, a partir do uso de Inteligência Artificial. “Com IA, fizeram em 28 dias”, conta, entusiasmado.
Nesse contexto, Igreja defende que as maiores e melhores oportunidades se concentrarão no setor agropecuário. Na avaliação dele, esse movimento já está em curso. Se antes, os produtores rurais sonhavam que seus filhos se formassem e seguissem outras carreiras na cidade, agora está havendo uma trajetória reversa. Por isso, ele reforça que o foco são as pessoas. “Agora, estamos vendo outra onda. As pessoas estão vindo para o agronegócio. As oportunidades estão dentro do agronegócio”, aponta. “A essência desse futuro não está na tecnologia. Passa por sucessão, pelas novas gerações e por líderes que entendem que as melhores oportunidades estão nas pessoas”, completa.

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Pesquisa brasileira atrai produtores argentinos para troca de conhecimento
Programação abordou desde manejo reprodutivo até sistemas integrados no bioma Pampa.

Durante a quarta-feira (14), a Embrapa Pecuária Sul recebeu uma comitiva da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (AACREA), formada por 83 produtores rurais e técnicos. O grupo, envolvido em atividades de pecuária, silvicultura e produção de grãos, nas províncias de Corrientes e Missiones, está fazendo um giro técnico no Brasil e a visita à Embrapa foi para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas para o setor primário.
O grupo foi recepcionado pela equipe de gestão na unidade da Embrapa e na sequência participou de palestras sobre diferentes temas que são trabalhados pela pesquisa. Segundo o analista da Embrapa, Marco Antônio Karam, esse tipo de iniciativa é importante para reforçar os laços com os países da região. “Além disso, estamos difundindo conhecimentos e tecnologias disponíveis para que possam ser utilizados lá, visando sistemas produtivos mais sustentáveis”.
Ainda na parte da manhã os pesquisadores Danilo Sant’Anna e Daniel Montardo apresentaram a vitrine de forrageiras, onde estão algumas das cultivares desenvolvidas pela instituição. Outro tema discutido foi o conceito Pasto sobre Pasto, que visa a oferta de forragem de qualidade para animais durante todo o ano.
No início da tarde, a comitiva assistiu a palestra Manejo da reprodução: fisiologia e uso de hormônios, ministrada pelo pesquisador José Carlos Ferrugem. O evento teve prosseguimento tendo como tema o melhoramento genético bovino. Os pesquisadores Fernando Cardoso e Cristina Genro falaram sobre pesquisas e tecnologias na área, como a utilização da genômica para o melhoramento de animais em características como eficiência alimentar e resistência ao carrapato, além dos trabalhos para a adaptação das raças taurinas a regiões tropicais.
A programação foi encerrada com a apresentação sobre o projeto Integra Pampa, feita pelos pesquisadores Naylor Perez e Hélio Tonini. Esse projeto está avaliando os melhores arranjos e desenhos de sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta para o bioma Pampa.
Segundo o coordenador regional da Crea, Mariano Lanz, um dos objetivos do grupo foi conhecer soluções tecnológicas que possam ser implantadas nos sistemas de produção deles. “Somos produtores do nordeste Argentino, região com muitas semelhanças com esta. Estamos procurando ideias e encontramos aqui alternativas muito interessantes, principalmente no melhoramento animal e das pastagens”, afirmou.
A Crea é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1960 e formada por empresários agropecuários organizados em grupos regionais. Voltada ao desenvolvimento sustentável e à inovação, a entidade promove a troca de experiências e a geração de conhecimento entre produtores, com foco na melhoria da gestão e no crescimento das empresas do setor.
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Mercado externo e estoques apertados elevam cotações do trigo
Clima no Hemisfério Norte e previsão de menor área plantada reforçam alta.

Os preços do trigo avançaram em março no mercado brasileiro, acompanhando o movimento internacional e o período de entressafra. No Paraná, a saca de 60 kg fechou o mês cotada a R$ 63, alta de 3,4% em relação a fevereiro. Já nos primeiros dias de abril, as cotações subiram ainda mais, com média de R$ 66 por saca.
A valorização ocorre em um momento de menor disponibilidade de produto no mercado interno. Com estoques mais ajustados, os preços passaram a seguir mais de perto a paridade de exportação, o que limitou uma reação mais forte da demanda doméstica.

Foto: Fábio Carvalho
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário externo também contribuiu para sustentar as cotações no Brasil. No mercado internacional, o trigo registrou volatilidade ao longo de março. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o primeiro vencimento do trigo soft variou entre 572 e 635 centavos de dólar por bushel, encerrando o mês a 616 centavos, alta de 4% frente a fevereiro.
As oscilações foram influenciadas principalmente pelo clima seco nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, o que elevou as preocupações com a produção. Além disso, o mercado ganhou suporte após relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar redução da área cultivada, reforçando a expectativa de uma safra menor em 2026/27.
Com isso, o mercado segue atento às condições climáticas e às revisões de oferta, fatores que continuam impactando diretamente a formação dos preços do trigo no Brasil.
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Entidades de imprensa do Sul lançam campanha contra desinformação
Iniciativa inédita reúne associações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para alertar sobre fake news e conteúdos gerados por inteligência artificial.

As principais associações de imprensa do Sul do Brasil se unem, de forma inédita, para lançar uma campanha conjunta de combate à desinformação. A iniciativa reúne a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e a Associação Paranaense de Imprensa (API), com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos das fake news especialmente diante do avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e reforçar a importância do jornalismo profissional para escolhas livres e conscientes.
O Brasil se aproxima de mais um processo eleitoral marcado pela polarização. Paralelamente, o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial elevou a desinformação a um novo patamar, com vídeos, áudios e imagens hiper-realistas que dificultam a distinção entre o real e o falso. Esse cenário ultrapassa as fake news tradicionais e ameaça diretamente a democracia, a liberdade de escolha do eleitor e a credibilidade da informação.
Diante desse contexto, a campanha assinada pela agência MOOVE propõe um alerta direto ao público por meio do conceito: “Se é bom demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é estranho demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é forçado demais, duvide. Notícia exige apuração.”
A ideia parte do princípio de que a desinformação raramente circula no meio-termo. Ela se espalha quando provoca reações intensas, seja entusiasmo ou estranhamento levando ao compartilhamento impulsivo, sem verificação.
O papel das entidades e do jornalismo profissional é justamente interromper esse ciclo, oferecendo informação confiável e incentivando a checagem antes do compartilhamento. Como estratégia criativa, a campanha apresenta manchetes verossímeis, construídas para parecerem plausíveis, despertando curiosidade e provocando reações imediatas no público. Os temas foram cuidadosamente selecionados para evitar vieses ou conflitos com grupos e instituições, inclusive no campo político.
Durante o lançamento, jornalistas e comunicadores serão convidados a aderir à iniciativa por meio do uso do selo da campanha, em versões para rádio, TV, portais, jornais e revistas, reforçando a mensagem de que a notícia exige apuração. Segundo o presidente da ARI, José Maria Rodrigues Nunes, a ação representa um passo importante na atualização do papel da imprensa diante dos novos desafios. “Embora hoje todos possam produzir conteúdo, o jornalismo profissional segue sendo o principal filtro contra a desinformação. A campanha dá continuidade a ações anteriores da entidade e atualiza o discurso para o contexto da inteligência artificial e do período eleitoral. Ao concluir essa nova etapa, entendemos que era o momento de ampliar o movimento, convidando as associações do Sul para essa grande mobilização. Esperamos que essa iniciativa inspire outras entidades a se somarem a esse esforço coletivo.”
A presidente da ACI, Déborah Almada, destaca o caráter histórico da união. “Estamos entusiasmados com essa campanha, que faz um alerta fundamental em um momento em que a desinformação tem causado tantos danos à cidadania no mundo todo. A união de três instituições que representam a imprensa no Sul do País é um feito inédito que merece ser celebrado. Fortalecer o jornalismo é uma missão.” Para o presidente da API, Célio Martins, em um ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de informação, a proliferação da desinformação é prejudicial a toda a sociedade e faz com que conteúdos falsos ganhem escala e dificultem a distinção entre o que é fato e o que é mentira. “Nesse contexto, o jornalismo profissional é fundamental como contraponto, ao defender a informação de interesse público, combater fake news com apuração rigorosa, checagem de dados e responsabilidade na divulgação, oferecendo ao público conteúdo confiável e contribuindo para a defesa da democracia”, enfatiza.
Responsável pela campanha, a agência Moove reforça a sua importância: “Em tempos de desinformação acelerada, o papel do jornalismo ético e da comunicação responsável torna-se o principal pilar de sustentação da verdade. Nosso objetivo é despertar a consciência crítica no consumo de informações, reafirmando que a qualidade do debate público depende, acima de tudo, da credibilidade da fonte”, afirma Gabriel Fuscaldo, CEO da Moove.
Para Roberto Schmidt, criativo da Agência Moove, a inteligência artificial é uma realidade e não existe qualquer possibilidade de retrocesso, por isso ações como essa são importantes. A campanha atua na geração de senso crítico sobre o conteúdo que circula nas redes, ajudando a combater fake news antes mesmo do seu compartilhamento.



