Suínos Piscicultura
O fim do amadorismo
Cooperativas entram em cena, protagonizam mutação da piscicultura no Oeste do Paraná e sustentam o maior polo de produção de tilápias do país

O Paraná é o maior produtor de peixes cultivados do Brasil, mas até chegar a esse posto galgou um longo caminho de calotes e desinformação que beiravam o amadorismo. Nos anos de 1980 e 1990 praticamente tudo era feito sem nenhuma assistência técnica, os piscicultores tinham pouca informação, acumulavam calotes de compradores independentes e dívidas com fornecedores. O fracasso na atividade foi em massa no Oeste do Estado, região que hoje concentra 66% da produção paranaense. O cenário começou a mudar no início dos anos 2000 essencialmente por dois motivos: a aproximação entre pesquisadores do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e produtores e o início das atividades em piscicultura por duas cooperativas da região. As cooperativas passaram a oferecer segurança para o piscicultor produzir e para receber, sem precisar comercializar, fazer dívidas ou preocupar-se com a assistência técnica. Era tudo que os pequenos produtores precisavam para voltar a apostar na criação de peixes no Oeste do Estado.
“Quando a gente conversa com os produtores, ouve muitos relatos dos problemas que eles enfrentavam. A atividade era um risco permanente e os calotes se multiplicavam. Para falar a verdade, eu ouço essas histórias há décadas. Gente que entregava um lote ou dois, recebia em dia, mas no lote seguinte o comprador dava um cheque frio e sumia. O produtor ficava com a dívida junto ao fornecedor de ração e tinha que se virar para pagar, pegar dinheiro emprestado, tirar de outra fonte, enfim, era uma insegurança total. Isso sem falar que eles (produtores) tinham que se virar com assistência técnica, não tinham muitos profissionais especializados. Muita gente abandonou a atividade por essas dificuldades”, lembra o presidente da C.Vale, Alfredo Lang.
“Não existia um sistema de integração. Era tudo produção independente. Você tinha seus peixes e vendia para quem pagava mais ou para quem você achava que era confiável, que não ia dar calote. O comprador muitas vezes era de longe e o produtor não tinha informações sobre o histórico dele, se era bom pagador ou não. O produtor entregava os peixes e ficava rezando para receber. Nem todos os compradores eram caloteiros, evidentemente, mas os golpes eram frequentes. E tinha outro problema: muitas vezes o frigorífico prometia pagamento para um dia determinado e chegava o tal dia e o comprador pedia mais prazo, não tinha capital de giro. O pagamento atrasava e o produtor ficava na angústia porque tinha a promissória da ração para quitar”, continua Lang.
Histórias de prejuízos que o piscicultor Wilson Wehrmeister ouvia desde 1993, quando mudou-se de Santa Catarina para casar-se com Dietlen Pavloski, a Nena, e tocar uma pequena propriedade rural em Palotina. Depois de tentativas de pouco sucesso com vacas de leite e uma pequena área agricultável, decidiram, em 2010, migrar para a piscicultura. O sistema de integração oferecido pelas cooperativas atraiu a atenção de Wilson.
A cooperativa dava os alevinos, a assistência técnica para o manejo correto e manutenção da qualidade da água, dava a ração, fazia a despesca, o abate, a industrialização e a comercialização dos peixes. Ao produtor cabia oferecer a mão-de-obra, pagar a fatura da energia elétrica necessária para tocar os aeradores dos tanques escavados e receber o dinheiro na conta dois ou três dias depois que os peixes eram levados da propriedade, diz Wilson. “Eu já tinha a intenção de trabalhar com peixes desde o início dos anos 2000, mas meu sogro não queria, tinha medo por causa dos calotes e da falta de informação, os técnicos não tinham o conhecimento que se tem hoje. Mas em 2010 começamos a construir os tanques. No final daquele mesmo ano começamos a produzir”, lembra. “Eles davam os juvenis, a ração e a assistência técnica. O pessoal da Emater também vinha fazer visitas”, recorda o piscicultor.
A C.Vale começou a sua produção de peixes em 2007, inicialmente abatendo em frigoríficos terceirizados. Dez anos depois, inaugurou o maior frigorífico do Brasil, em Palotina, que hoje abate 85 mil tilápias por dia, mas o investimento, de R$ 110 milhões, suporta o processamento de mais de 200 mil tilápias por dia, o que deve acontecer ao longo dos próximos anos, de acordo com Lang.
Era um casamento perfeito, lembra Wilson, até que, em 2015, ele pediu “divórcio” da cooperativa na ânsia de ganhar um pouco mais com uma produção independente. Já no primeiro ano, teve uma quebra na safra, acumulou dívidas e ficou com a saúde debilitada. “Em 2015 decidi fazer a produção particular. No primeiro lote tive uma quebra de 17 toneladas de peixe. Entrou uma bactéria nos açudes, eu não sabia o que era, não sabia como controlar. Era pra produzir 50 toneladas, mas só saiu 33 toneladas (sic). Como a ração era financiada, não consegui pagar e entrei em depressão, tive que procurar ajuda médica”, recorda.
Com a ajuda de amigos, Wilson está pagando a dívida e, em 2017, voltou a produzir peixes em sistema de integração, de onde não pretende sair tão cedo. “Não tem como comparar o independente e o produtor da integração. A C.Vale vem aqui com seus técnicos a cada 15 dias, ajusta os níveis de ração, faz a biometria dos peixes, faz a pesagem, analisa a conversão alimentar, analisa a qualidade da água. Se tiver algum problema, já entra com a correção imediatamente, reduzindo riscos e prejuízos”, aponta. “A gente trabalha com mais segurança”, sugere o produtor rural.
Wilson produz cerca de 50 toneladas a cada lote de peixes, que ficam alojados entre oito e nove meses. São seis açudes que totalizam 23,6 mil metros quadrados. “A renda nossa praticamente é toda da piscicultura. Hoje a gente vive do peixe. Temos cinco hectares de plantação (milho e soja), mas a gente pode dizer que nossa renda maior vem do peixe”, menciona o produtor. No último ano, Wilson conquistou premiações entre os produtores mais eficientes da cooperativa. “Fiquei em segundo lugar em crescimento diário e também em segundo no rendimento de filé”, alegra-se.
Integração
O presidente da C.Vale, Alfredo Lang, explica que a decisão da cooperativa em investir esforços na piscicultura veio por conta da facilidade que o produtor da região tem de adaptar-se a novas atividades e oferta abundante de grãos, insumo básico das rações. “Decidimos ingressar na atividade porque o Oeste do Paraná tem as duas condições ideais para um sistema de integração de peixes competitivo. Primeiro, a vocação natural dos produtores da região para a diversificação, tanto que é o maior polo de produção de peixes do Paraná. A segunda é a grande oferta de matéria-prima, principalmente milho, para a produção de rações”, explica Lang.
“Nós montamos um sistema de integração de ciclo completo. O produtor entra com os açudes e a mão-de-obra enquanto que a C.Vale fornece os alevinos, ração, assistência, retirada do peixe, industrialização e comercialização. O pagamento é pelo desempenho do lote de tilápias. Em outras palavras, por conversão alimentar, ganho de peso diário e rendimento de filé”, argumenta. Com esse sistema, lembra, não foi difícil encontrar produtores dispostos a criar peixes. Angariar os produtores “foi a parte mais fácil do projeto. A maior parte deles era independente e não pensou duas vezes em passar a ser fornecedor da C.Vale. O produtor tem só o trabalho da criação das tilápias. Eles (piscicultores) só tiveram vantagens. Não precisam assinar promissórias para comprar a ração, o pagamento é garantido e o melhor de tudo, com uma excelente rentabilidade”, reforça o líder cooperativista.
Conforme Lang, as cooperativas no Oeste do Paraná montaram sistemas de produção em grande escala, têm grandes estruturas, com laboratórios, controle de qualidade, atualizam tecnologicamente o produtor e oferecem ao consumidor garantia de origem do produto, dentro das normas de sanidade. Essas características, de acordo com a liderança, garantem mais confiabilidade na qualidade dos produtos.
Hoje a C.Vale tem 130 produtores integrados e capacidade de alojamento de 18 milhões de peixes. O frigorífico, em Palotina, inaugurado em 2017, tem 10 mil metros quadrados e emprega 618 funcionários. A operação na planta industrial começou em abril do ano passado, quando “estávamos abatendo 35 mil tilápias por dia. Agora estamos com 85 mil/dia e queremos chegar ao final do ano com 100 mil/dia”, cita o presidente.
Já a Copacol atualmente é a maior empresa do Brasil no abate de tilápias. São 213 produtores integrados, com média de abate de 138,6 mil tilápias por dia, industrializadas no Abatedouro de Peixes em Nova Aurora. Durante o ano de 2018, foram abatidas quase 41 milhões de cabeças. Os produtos são comercializados no mercado interno e a pele é exportada para a França.
C.Vale e Copacol protagonizam um novo e próspero momento da piscicultura no Paraná e no Brasil. Informação e segurança financeira acabaram com o amadorismo que desagradavelmente flertava com os piscicultores da região.
Líder nacional
O Paraná é líder nacional na produção de pescados em cativeiro. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a expectativa é que a atividade experimente crescimento de 20% neste ano em relação a 2018, chegando a 170 mil toneladas de carne de peixe produzidas.
Conforme a Associação Brasileira de Piscicultura, em 2018 a produção de peixes no Paraná foi de 129,9 mil toneladas, 16% a mais que em 2017, o que coloca o Estado como o maior produtor de peixes de cultivo do país, seguido por São Paulo e Rondônia.
O Oeste representa a maior parte da produção. De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) cerca de três mil piscicultores de 12 municípios da Bacia do Rio Paraná 3, que abrange municípios da região, trabalham com a atividade, 95% deles com a tilapicultura, que ocupa dois mil hectares.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



