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O custo bilionário da política tarifária de Trump

Decisão da Suprema Corte dos EUA desmonta a estratégia de tributação por decreto, abre passivo estimado em US$ 175 bilhões ao Tesouro e reprecifica risco fiscal, juros e fluxos globais de capital.

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A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar grande parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump com base no Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) não apenas encerra um ciclo de protecionismo por decreto. Ela reabre uma fatura estimada em US$ 175 bilhões e desloca o debate do comércio para o coração do sistema fiscal e monetário americano.

Economista PhD em Finanças, Roberto Simioni: “A Corte removeu um risco de cauda relevante para a economia global, mas abriu um novo capítulo sobre os limites institucionais do protecionismo nos Estados Unidos” – Foto: Arquivo pessoal

No caso Learning Resources, Inc. vs. Trump, a Corte distinguiu o poder de regular o comércio do poder de tributar importações, reafirmando que tarifas são, em essência, impostos cuja competência é do Congresso. Para o economista PhD em Finanças, Roberto Simioni, trata-se de um divisor de águas institucional. “A decisão desarticula a tributação por decreto e restabelece a fronteira constitucional entre Executivo e Legislativo. Isso reduz o prêmio de risco institucional que vinha sendo precificado nos mercados”, salienta.

A leitura imediata do mercado foi positiva. Bolsas reagiram em alta, especialmente em setores cíclicos como varejo, tecnologia e indústria. Empresas que vinham operando com margens comprimidas pelas tarifas tendem a capturar ganhos extraordinários com a devolução dos valores pagos. “Para companhias do S&P 500, esse reembolso funciona como um fluxo de caixa não operacional massivo. Isso pode impulsionar recompras de ações e dividendos”, diz Simioni.

Do ponto de vista distributivo, porém, o efeito é assimétrico. Muitas empresas já haviam repassado os custos tarifários ao consumidor ao longo de 2025. Com a reversão judicial, parte relevante do benefício deve permanecer nos balanços corporativos. “O efeito deflacionário para o consumidor tende a ser marginal e defasado, sobretudo em mercados oligopolizados, onde há rigidez de preços para baixo”, observa o economista.

Foto: Shutterstock

Reembolso

O impacto mais delicado emerge no front fiscal. A devolução estimada de até US$ 175 bilhões aos importadores cria um passivo contingente imediato para o Tesouro americano. O modo como esses recursos serão financiados é central para o comportamento das taxas de juros.

Segundo Simioni, a drenagem da Treasury General Account (TGA) para honrar os reembolsos pode injetar reservas no sistema bancário. “Se houver redução do saldo da TGA, aumenta-se a liquidez bancária, o que pode pressionar as taxas de overnight e testar o corredor de juros do Federal Reserve em um ambiente de política monetária restritiva”, ressalta.

Alternativamente, se o Tesouro optar por emitir títulos de curto prazo, haverá realocação de liquidez do setor privado para os importadores.

Reação do mercado

No mercado de dívida, a reação foi mais cautelosa. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos avançaram para a faixa de 4,10% a 4,25%, enquanto os papéis de 30 anos se aproximaram de 4,75%, refletindo a incorporação de risco fiscal adicional e incertezas sobre a recomposição de receitas. “Não é uma transação meramente contábil. É um choque de liquidez com implicações monetárias complexas”, resume Simioni.

No plano real da economia, a decisão elimina uma barreira relevante ao crescimento. Estudos apontavam que as tarifas reduziam o PIB

Foto: Divulgação

americano em até 0,35% ao ano e elevavam preços em 1,3%, com custo estimado de US$ 1,8 mil por família. A retirada das tarifas tende a aliviar pressões inflacionárias e pode abrir espaço para cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica em duas ou três reuniões do Fed este ano, caso a desaceleração do PCE se confirme.

Ainda assim, a reversão não é isenta de efeitos colaterais. Investimentos realizados sob a proteção tarifária, sobretudo em substituição de importações, podem se tornar menos competitivos. “O empresário tolera risco, mas não tolera imprevisibilidade. E a mudança abrupta de regime pode transformar ativos recém-instaurados em capacidade ociosa”, afirma Simioni.

Ofensiva de Trump

A reação inicial da administração Trump foi sinalizar a utilização da Seção 122 do Trade Act de 1974 como alternativa legal. Mas esse instrumento impõe limites mais rígidos: tarifas de até 15% e duração máxima de 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso. “A Seção 122 estabelece um teto ao protecionismo. Ela reduz a distorção alocativa global e impede a consolidação de indústrias dependentes de proteção proibitiva”, avalia.

Foto: Shutterstock

Caso Brasil 

Para o Brasil, os canais de transmissão são predominantemente positivos no curto prazo. A retirada de barreiras discricionárias melhora termos de troca e favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes. “Com menor incerteza global e possível enfraquecimento do dólar, o Brasil, que oferece juros reais elevados, tende a se beneficiar via câmbio e bolsa”, afirma Simioni.

Setores como siderurgia e manufaturados de maior valor agregado ganham competitividade relativa com a redução das tarifas globais. Além disso, a limitação do uso do IEEPA como instrumento de sanção comercial reduz o risco de medidas arbitrárias que afetem exportadores brasileiros, inclusive no setor de óleo e gás.

Há, contudo, nuances estratégicas. A normalização das relações comerciais entre EUA e China pode reduzir o prêmio obtido por commodities brasileiras em momentos de tensão bilateral. “Quando há guerra tarifária, o Brasil se beneficia de desvios de comércio, especialmente na agroindústria. Uma estabilização institucional pode diminuir esse prêmio”, pondera.

Balanço geral 

No balanço, a decisão da Suprema Corte encerra um ciclo de volatilidade induzida por discricionariedade executiva e recoloca o comércio americano sob um arcabouço mais previsível. Mas o custo da transição – fiscal, monetário e político – ainda está em formação. “A Corte removeu um risco de cauda relevante para a economia global, mas abriu um novo capítulo sobre os limites institucionais do protecionismo nos Estados Unidos”, sintetiza Simioni.

Fonte: O Presente Rural

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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo

Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

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Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.

“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.

Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.

Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.

“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep

Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

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Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.

A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.

“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Alberto Cancian, produtor de tilápias de Marechal Cândido Rondon

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado

Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.

Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Rosimeri Draghetti, piscicultora de Santa Helena

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal

A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.

Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.

Mais ações previstas

O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.

De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.

“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.

As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.

Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos

Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

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Foto: Divulgação/Freepik

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

Foto: Divulgação/Freepik

A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.

Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.

Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

Foto: Divulgação/Freepik

não apenas um ajuste momentâneo.

A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.

Fonte: Assessoria Sinditrigo PR
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