Conectado com
LINKE

José Zeferino Pedrozo Opinião

O agro e as eleições municipais

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Os atuais e futuros gestores municipais – antes e depois das eleições – precisam olhar com atenção para o setor primário da economia dos municípios: ali, onde funcionam a agricultura, a pecuária e o extrativismo e cujo movimento econômico impacta integralmente na fixação do índice de retorno do ICMS, principal receita tributária.

Desde o início dos tempos, os produtores e empresários rurais convergem suas reivindicações para o setor viário. Eles pedem a abertura e a conservação de estradas na zona rural. Estradas vicinais, estradas gerais, acessos, rodovias-troncos… O único ente federativo capaz de atender a essa reivindicação é o Município, porque não cabe ao Estado nem à União cuidar das estradas da zona rural.

A importância do sistema viário rural para o sucesso do agronegócio é vital. A entrega de insumos agrícolas como rações, sementes, fertilizantes, defensivos etc. ou de ativos biológicos e a retirada da produção (grãos, frutas, hortigranjeiros e animais prontos para abate) dependem da circulação diária de milhares de caminhões. É uma operação logística cuja eficiência define – ao lado de outros fatores – o sucesso ou o fracasso do agronegócio.

Outro fator igualmente importante é o suprimento de água para consumo das famílias, irrigação de lavouras e dessedentação dos planteis. Em muitas regiões catarinenses a escassez de água nas áreas agrícolas é mais grave do que nos centros urbanos, exigindo das administrações municipais investimentos em sistemas descentralizados de captação, tratamento, armazenagem e distribuição de água para os estabelecimentos rurais.

Felizmente, grande parcela dos municípios catarinenses prioriza o agro e fez investimentos sustentados e de longo prazo para solucionar essas duas necessidades. Com isso, apoiaram e viabilizaram a produção agrícola e pecuária, elevaram a qualidade de vida do meio rural, sustaram o êxodo de jovens e asseguraram a produção de riquezas e a geração de tributos.

A retribuição das Prefeituras à enorme contribuição do agro ao desenvolvimento econômico local manifestou-se em outras ações. Uma delas é a criação da patrulha agrícola mecanizada através da qual o Município empresta máquinas – tratores, trilhadeiras, ceifadeiras, colheitadeiras etc. – para serviços nas propriedades rurais, cobrando apenas o combustível em sinal de cooperação e estímulo aos produtores.

Em outra frente, sozinhas ou em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), as Prefeituras oferecem ou apoiam centenas de treinamentos técnicos e especializados e totalmente gratuitos em todas as áreas da atividade agrícola e pecuária.

Os municípios mais avançados mantém o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) credenciado junto ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) do Ministério da Agricultura. Esse serviço permite que milhares de pequenas agroindústrias de processamento de carne sejam inspecionadas e habilitadas à comercialização de produtos cárneos, com expressivo incremento à economia local e regional.

Nessa mesma linha de vanguarda, alguns municípios estabeleceram convênio com o Instituto de Meio Ambiente do Estado e foram autorizados a analisar, aprovar e emitir licenças ambientais de construção, instalação e operação de empreendimentos, como granjas, incubatórios, criatórios de aves e suínos etc. Os ganhos são impressionantes em simplificação, desburocratização e rapidez.

As políticas para a agricultura e o agronegócio dependem do governo central, mas o apoio material ao setor primário é dever das administrações municipais, razão pela qual as eleições deste ano devem estar no radar das prioridades de todos que formam nosso rico e multifacetado universo rural.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − 14 =

José Zeferino Pedrozo Opinião

Precisamos duplicar a BR 282

Na condição de espinha dorsal do sistema rodoviário catarinense, a BR-282 é essencial para o escoamento da vasta produção agroindustrial do Oeste de Santa Catarina

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

O grande mérito da rodovia federal BR-282 é a integração territorial de leste a oeste de Santa Catarina. É a principal rodovia transversal sulbrasileira, ligando  Florianópolis ao município de Paraíso, na fronteira com a República Argentina. O grande público desconhece que entre Florianópolis e São José, a BR recebe o nome de “Via Expressa”. Confunde-se com a BR-101 no trecho entre São José e Palhoça, ponto no qual se separa para seguir em direção ao oeste,  atravessa a região da Grande Florianópolis vencendo a Serra Geral, corta o planalto sul, meio oeste, oeste e extremo oeste até atingir a fronteira Brasil-Argentina.

As estatísticas confirmam, a cada ano, que entre as rodovias federais que cortam Santa Catarina, a BR-282 é a que tem mais acidentes fatais, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. Essa periculosidade decorre de fatores estruturais (pista simples, subidas, descidas e muitas curvas) e fatores humanos (má formação técnica e cívica dos condutores despreparados e imprudentes).

Na condição de espinha dorsal do sistema rodoviário catarinense, a BR-282 é essencial para o escoamento da vasta produção agroindustrial do Oeste de Santa Catarina aos portos e aos grandes centros brasileiros de consumo. Por ela transitam milhões de dólares em produtos exportáveis que asseguram as divisas das quais o País precisa para sustentar seu desenvolvimento. Na verdade, é o único caminho para escoar as riquezas exportáveis do grande oeste.

Os números que realçam a extraordinária importância dessa rodovia são retumbantes. Essa via suporta cerca de 53.000 toneladas de carnes suínas e 30.000 toneladas de carnes de aves todos os meses, que resultam na maior parte dos 2,2 milhões de contêineres/ano embarcados pelos portos catarinenses. Sete em cada dez toneladas de carne suína e de aves exportadas pelo Brasil saem do Oeste catarinense. Somam-se a isso  grãos e lácteos transportados todo mês. Essa imensa riqueza exportável justifica as reivindicações pela sua melhoria.

É imperioso e é urgente duplicar a BR-282.

Hodiernamente, a BR-282 ostenta infraestrutura incapaz de comportar o número de veículos que trafega diariamente pelo trecho: são mais de 1.300 carretas por dia. Concebida como um ícone para integração política, econômica e cultural, não se previa crescimento tão intenso no transporte de produtos para exportação, o que representa milhões de dólares circulando pelas estradas.

Não há cálculo direto sobre os prejuízos que essa situação representa, mas estudos do Instituto de Pesquisas Rodoviárias e do DNIT informam que o mau estado de conservação da rede viária resulta no acréscimo do consumo de combustíveis em até 58%, no aumento no custo operacional dos veículos em até 40%, na elevação do índice de acidente em até 50% e na extensão do tempo de viagem até 100%. Estudos apontam que para cada US$ 1 dólar não investido em conservação e manutenção de uma rodovia serão necessários US$ 2,50 para restauração.

Não há dúvidas de que a rodovia está com sua capacidade esgotada. Chegamos a um estágio em que a reparação não resolve mais. A solução é a duplicação da rodovia federal.

A 282 representa uma questão emergencial, mas é necessário pensar de forma sistêmica, no corredor rodoviário que inclui as BRs 163, 282 e 470, do extremo oeste com alternativa para acesso aos portos de Itajaí, São Francisco e Itapoá. As BRs 282 e 470 sozinhas concentram cerca de 80% do volume de carnes destinadas aos portos.

Santa Catarina, historicamente, não tem recebido os investimentos que merece: a arrecadação federal é de R$ 60 bilhões por ano e o retorno não passa de R$ 6 bilhões. É preciso mudar essa realidade.

Investir na melhoria, ampliação e eficiência da malha rodoviária barriga-verde – com atenção especial para a BR-282 – deve ser prioridade da sociedade catarinense.

Pelas razões expostas, apoiamos com entusiasmo a campanha pela duplicação da BR-282 que o Grupo Condá de Comunicação, com sede em Chapecó, lançou, pois a comunicação social é importante ferramenta para conscientizar a classe política, o empresariado e a população em geral sobre a vital importância dessa reivindicação.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

José Zeferino Pedrozo Opinião

Todos pela infraestrutura

Cresce a cada ano, em face da insuficiência de investimentos públicos e privados, as deficiências infraestruturais

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

Todas as lideranças econômicas e políticas de Santa Catarina precisam priorizar de forma uníssona, forte e consistente as reivindicações que possam  viabilizar investimentos na melhoria da infraestrutura barriga-verde. As prioridades para melhoria da infraestrutura e logística catarinense já foram reiteradamente apontadas pelo Conselho das Federações (Cofem), entre outras entidades de representação do setor produtivo, mas elas precisam constar – de forma muito clara – na planificação de investimentos do Governo Federal.

Cresce a cada ano, em face da insuficiência de investimentos públicos e privados, as deficiências infraestruturais. Recente estudo da Federação das Indústrias mostra que a necessidade de investimento é de cerca de 5 bilhões de reais ao ano. A bancada parlamentar catarinense no Congresso precisa estar atenta a essa demanda para conquistar fatias do orçamento geral da União que garantam essas obras.

A Faesc tem especial preocupação com a situação das regiões produtoras da agricultura, pecuária e agroindústria, onde as más condições de logística e transporte afetam diretamente os custos de produção e, portanto, a competitividade catarinense no mercado nacional e no comércio exterior. Essas dificuldades – associadas à acidentada topografia do território  –  criam condições as quais exigem grande esforço de superação, ou seja, encarecem a produção.

A melhoria da competitividade catarinense exige investimentos em todos os setores, mas, em particular, no sistema viário, incluindo as rodovias BR-282 (espinha dorsal do Estado), BR-470 (em lento processo de duplicação), BR-163 (essencial para o extremo-oeste), BR-153, BR-158, nacionalização da SC-283 (Itapiranga a Concórdia), além de portos e aeroportos.

Duas obras são essenciais e urgentes na fronteira Brasil/Argentina: a ampliação do Porto Seco de Dionísio Cerqueira-Bernardo de Irigoyen e implantação da Aduana e construção de uma ponte sobe o Rio Peperi em Paraíso. O Porto Seco está em processo de privatização. Ainda no extremo-oeste, uma ponte é necessária entre Itapiranga (SC) e Barra do Guarita (RS), melhorando o fluxo rodoviário paralelo à fronteira internacional.

Dois projetos ferroviários são essenciais para manter em alta o agronegócio catarinense: a ferrovia Norte-Sul, ligando o centro-oeste brasileiro ao oeste catarinense e, assim, assegurando o fluxo de grãos para a agroindústria de aves e suínos; e a rodovia Leste-Oeste, integrando o oeste aos portos marítimos. De outra parte, a indústria catarinense necessita de gasoduto para trazer gás da Argentina ou da Bolívia e abandonar em definitivo a queima de lenha.

O Ministério da Infraestrutura precisa ter essas prioridades inclusas em seu planejamento como pontos-chaves, pacíficos e consensuais, aspirações legítimas de toda a sociedade catarinense, portanto, defendidas por empresários, gestores públicos, parlamentares.

Para o agro, as deficiências da infraestrutura se constituem em uma agrura atroz: são “fatores fora das porteiras” que derrubam grande parcela da eficiência da produção “dentro das porteiras”, prejudicando toda uma admirável estrutura de produção, formada pela extensa base produtiva no campo e um avançado parque agroindustrial, compondo um notável ambiente de produção e de negócios. São centenas de indústrias trabalhando direta ou indiretamente em sintonia com mais de 190 mil estabelecimentos rurais. Essa gigantesca máquina produtiva gera bilhões de dólares em riquezas exportadas e milhões de dólares em arrecadação tributária para os cofres do Estado e da União Federal.

Todos pela infraestrutura. Esse deve ser o bordão, o mantra de todos os catarinenses.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

José Zeferino Pedrozo Opinião

Há muita tecnologia no campo

A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

O sucesso no campo é orientado pela ciência. Os resultados obtidos em melhoria da sanidade e no aumento da produtividade, da produção e da qualidade nas áreas da agricultura, da pecuária, da piscicultura, da silvicultura e do extrativismo, entre outros, são integralmente devidos ao emprego de tecnologia.

A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados. Empresas privadas de setores avançados – entre eles a avicultura, suinocultura e os cereais – têm investido em anos de pesquisas, o que permitiu oferecer produtos de vanguarda, invariavelmente à frente da Academia. As novas tecnologias permitem ao produtor um maior controle sobre a produção, otimização dos recursos da propriedade e aumento da lucratividade.

A revolução do conhecimento que a indústria e demais setores da economia absorveram também chegou ao campo para torná-lo mais eficiente. Será cada vez mais frequente, no futuro próximo, o uso da inteligência artificial, do big data (estuda como tratar, analisar e organizar informações), das impressões 3D, da internet das coisas (uso de sensores para colher dados), blockchain (permite rastrear o envio e recebimento de dados pela internet), automação parcial, identificação e controle por radiofrequência (RFID), realidade aumentada, visão computacional etc. É notório que o emprego articulado dessas tecnologias tem impacto transformador nas cadeias produtivas.

A questão central que se apresenta é como viabilizar que o produtor, na condição de pequeno ou médio empresário rural, tenha acesso a todas essas tecnologias. As agroindústrias têm sido as parcerias mais tradicionais na transferência de tecnologias ao campo, pois são as maiores beneficiadas pelos seus resultados. Em decorrência das tecnologias surgem melhorias intrínsecas nas matérias-primas que recebem, de sua base produtiva no campo, para processamento industrial. Nesse caso, geralmente a base produtiva está organizada pelo sistema de integração – uma modalidade que está regulada em lei federal e é muito comum nas cadeias de aves, suínos, leite e fumo – e na qual as empresas suportam a maior parte do investimento.

Mas é preciso pensar em novas formas de financiamento e, ao mesmo tempo, ampliar os canais de transferência de conhecimento entre a universidade pública e o agronegócio.

A liderança que o Brasil conquistou na esfera planetária decorreu da associação entre recursos naturais (solo, água, clima) com vocação laboral (recursos humanos) e uso de tecnologia (a ciência aplicada ao desenvolvimento). O principal desses fatores, de forma cada vez mais acentuada, é e será a tecnologia.

Outro ponto essencial é qualificar o usuário final  – o produtor/empresário rural  – para o uso adequado das tecnologias disponíveis e acessíveis. Essa deve ser uma prioridade cogente dos formuladores de políticas para o agro. Nesse aspecto, o Sistema S tem sido pródigo na criação e oferta de produtos para formação, qualificação e requalificação profissional.

Há um outro nó górdio a desatar. Hodiernamente, quase todas as tecnologias estão ancoradas na internet. Da mesma forma, os programas educacionais/instrucionais dependem de plataformas disponibilizadas na rede mundial de computadores. Assim, fica patente que internet de boa qualidade é uma condição sine qua non para o desenvolvimento das regiões agrícolas, sem a qual não terá acesso ao conhecimento científico – seja na forma de tecnologia ou de cursos de capacitação.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
CONBRASUL/ASGAV

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.