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Nutrição livre de fitato: um novo paradigma na produção de animais monogástricos

A nutrição livre de fitato é complexa e é muito mais do que apenas a remoção do fitato da dieta e a liberação de fosfato e inositol

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rafael Sens, engenheiro agrônomo e gerente de Enzimas e Eubióticos para América Latina da DSM

Como a maior parte dos alimentos para aves é baseada em vegetais, até 70% do P da dieta pode estar na forma de fitato, e, portanto, indisponíveis para animais monogástricos. Mesmo os níveis normais de fitato encontrados nas dietas à base de milho e farelo de soja podem ter um efeito negativo no desempenho do crescimento e na eficiência alimentar. Entre os ingredientes vegetais, a maior concentração de inositol está presente nas oleaginosas, como a soja, e a menor concentração é encontrada nos vegetais folhosos e no milho. As dietas típicas de frangos de corte, por exemplo, podem conter de 2,5 a 4,0 g kg-1 de fitato.

Enzimas exógenas têm sido usadas para fornecer mais nutrientes da ração, permitindo ao nutricionista maior flexibilidade na escolha dos tipos de ingredientes a serem utilizados na formulação da ração. As fitases são as enzimas responsáveis ​​pela hidrólise de uma molécula de fitato em inositol e seis moléculas de fosfato inorgânico

Ainda que a completa remoção de fitato das dietas de animais monogástricos pode não ser realista, por causa da presença de concentrações variáveis de ácido fítico persistente em determinadas regiões de cereais, farelos de sementes oleaginosas e leguminosas, a maior parte do ácido fítico reativo é rapidamente degradada a ésteres menores, inócuos, no trato gastrointestinal proximal.

Assim sendo, o paradigma nutricional mudou, passando da formulação de dietas para acomodar a presença de fitase passando para a formulação de dietas para acomodar a ausência de ácido fítico. Estas diferenciações não são banais, mas podem ter implicações consideráveis para o desempenho animal e o equilíbrio nutricional ideal da dieta.

A ‘nutrição livre de fitato’ (NLF) é definida como sendo a remoção enzimática rápida e completa de todos os ésteres de alto peso molecular do ácido fítico (IP6, IP5 e IP4), utilizando uma ou mais enzimas exógenas, potencializadas por alterações estratégicas da densidade nutricional da dieta, e a subsequente desfosforilação destes ésteres menores para fosfato livre e mio-inositol por fosfatases endógenas. O termo NLF está associado não apenas com a ausência de fitato, mas também com a geração de fosfato, isômeros úteis de polifosfato de inositol e mio-inositol livre”.

Há vários fatores fundamentais que precisam ser considerados para otimizar a utilização das estratégias de superdosagem de fitase. Estes fatores incluem a fonte e a concentração de fitato, liberação de mio-inositol, densidade de energia e aminoácidos, balanço iônico da dieta, genética/idade dos animais e a fitase incluída na ração.

A figura 01 mostra um espaço geométrico delimitado pela concentração de fitato-P na dieta no eixo horizontal e a liberação de P disponível pela fitase no eixo vertical. Dentro deste espaço do nutriente, temos os efeitos da dose de fitase mapeados mostrando um aumento da liberação do P disponível com o aumento da dose de fitase, mas chega a um platô quando o substrato é esgotado. A Zona 1 é uma região onde o substrato é um fator limitante na dose de fitase e premissas do valor da matriz. Observe que esta zona não é limitada apenas pela concentração de fitato-P mas também pela dose de fitase usada e a premissa de avP (fósforo disponível) na matriz. Se a concentração de fitato-P for relativamente baixa, < 0,18% por exemplo, esta zona se expande com o aumento da dose de fitase, mostrando que a depleção/esgotamento do substrato torna-se cada vez mais arriscada(o) quanto mais fitase for usada e quanto maior forem as premissas de equivalência de avP. A Zona 2 é uma zona de fronteira entre a zona 1 e a zona 3, onde fitase ou fitato podem ser limitantes de forma intercambiável. Para os nutricionistas que usam elevadas doses de fitase há um risco maior de que a concentração do substrato possa se tornar limitante. A Zona 3 é a zona em que a fitase é o fator limitante. Nesta zona, o único fator que influencia a liberação de avP é a dose de fitase. Se isto ocorrer em situações práticas, seria lógico relaxar as margens de segurança nas matrizes de fitase e aumentar a dose de fitase.

Figura 01: Nível de fitato da dieta e o percentual de liberação de P disponível conforme inclusão de fitase em dietas práticas.

A nutrição livre de fitato é complexa e é muito mais do que apenas a remoção do fitato da dieta e a liberação de fosfato e inositol. A nutrição livre de fitato é criar um cenário de dietas que podem acomodar os efeitos benéficos da remoção do fitato, geração de fosfato e inositol, e traduzir isso em forma de respostas de taxa de conversão alimentar e ganho de peso.

Quais são os principais pré requisitos de uma fitase exigidos pela indústria de nutrição animal?

  • Termoestabilidade (deve ser monitorada constantemente)
  • Padrão de granulometria e fluidez desenhado para rações animais assim como um número de partículas por grama adequado para atender as exigências nutricionais em todas as fases de produção animal.
  • Liberação rápida e consistente de P de IP6 / IP5 (proporcionando uma maior segurança e rentabilidade ao produtor).

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul

Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

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Foto: Shutterstock

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.

Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.

A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.

Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.

Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav

sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.

Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.

A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.

Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária

Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

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Foto: Divulgação/Asgav

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav

Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.

Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.

Auditorias apontam evolução das granjas

Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.

A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav

granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.

Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.

Biosseguridade ganha protagonismo

A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.

Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav

Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.

Mercado e competitividade

O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.

Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.

Selo reconhece boas práticas

Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.

Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav

desenvolvidas pela iniciativa.

Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.

Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa

Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

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Fotos: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.

Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.

Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.

No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.

A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.

Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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