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Avicultura

Nutrição ganha papel estratégico na imunidade e no controle de doenças na avicultura

Ração deixa de ser apenas fonte de desempenho e passa a atuar como ferramenta biológica, reforçando defesas das aves em um cenário de menor uso de antibióticos.

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Fotos: Shutterstock

Por décadas, a nutrição animal foi vista como ferramenta para garantir desempenho, peso e conversão alimentar. Mas, em um cenário de restrição ao uso de antibióticos e pressão crescente por sustentabilidade, a alimentação tem assumido outro papel estratégico na avicultura, que é atuar a favor da imunidade e no controle de patógenos.

Especialista em Imunologia Veterinária e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Breno Castello Branco Beirão: “É possível melhorar como acontecem as defesas se damos alguns nutrientes em momentos específicos. Hoje isso ainda é bastante teórico, pois a ração é fixa dentro de cada empresa, mas há potencial para o futuro” – Foto: Arquivo Pessoal

A ciência vem mostrando que a ração é mais do que combustível, é também um modulador biológico capaz de ajustar o comportamento do sistema imune, tornando as aves mais resistentes a desafios sanitários. Vitaminas, minerais, aminoácidos e aditivos funcionais não apenas nutrem, mas também influenciam como o organismo reage a infecções, inflamações e desequilíbrios intestinais.

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Breno Castello Branco Beirão, especialista em Imunologia Veterinária, explica que todos os nutrientes têm papel na modulação do sistema imunológico das aves, alguns de forma mais marcante, como as vitaminas A e D, os aminoácidos triptofano e arginina e os carboidratos.

Esses nutrientes, detalha Beirão, podem mudar de forma significativa a intensidade e a rapidez da resposta imune. “Há aminoácidos especialmente relevantes no controle imune, como glutamina, arginina e triptofano. A alteração deles modifica de maneira importante as defesas”, afirma.

No caso da energia dietética, explica, o essencial é o equilíbrio. “A quantidade total e a velocidade de uso são determinantes. A glicemia elevada constantemente ativa as células imunes, e o uso de fibras pode ajudar a mitigar isso”, menciona.

Mais do que nutrientes

O professor ressalta que a suplementação de vitaminas, minerais e prebióticos pode aprimorar as defesas naturais, mas o ponto-chave é o momento da oferta. “É possível melhorar como acontecem as defesas se damos alguns nutrientes em momentos específicos. Hoje isso ainda é bastante teórico, pois a ração é fixa dentro de cada empresa, mas há potencial para o futuro”, observa.

Na prática, o desafio está na rigidez dos sistemas industriais de alimentação. Cada empresa trabalha com formulações padronizadas, o que limita ajustes pontuais conforme a idade das aves, as condições do lote ou a carga de patógenos. “Talvez estratégias como a nutrição in ovo ou via água possam permitir maior flexibilidade”, expõe Beirão.

Controle de patógenos pelo intestino

As doenças entéricas, como coccidiose e enterites bacterianas, estão entre as principais causas de perdas produtivas. Nesses casos, as estratégias nutricionais buscam suprimir inflamações e, ao mesmo tempo, otimizar a resposta imune, explica o professor. “Sabemos um pouco sobre o uso de aditivos bióticos e nutricionais, mas ainda há espaço para melhorar esse conhecimento. É uma área nova de pesquisa”, salienta.

A ação dos aditivos funcionais, como probióticos, enzimas, óleos essenciais e acidificantes, ocorre em múltiplas frentes. “Eles interagem diretamente com as células imunes e alteram a microbiota intestinal, influenciando a presença de patógenos. Há inúmeros mecanismos, e esses são alguns dos mais conhecidos”, detalha.

Em relação à acidificação intestinal, Beirão observa que, embora muitos microrganismos se tornem resistentes aos ácidos, a técnica ainda provoca mudanças importantes na microbiota, dificultando a colonização por agentes como Salmonella e Escherichia coli.

Imunidade desde cedo

Outro ponto crítico é o início da vida das aves, quando o sistema imune ainda está em formação. “A maturação imune é muito dependente de estímulos nos primeiros momentos da vida. Estímulos com probióticos, leveduras e nutrição que sustente a formação dos tecidos mudam a resposta para toda a vida do animal”, afirma Beirão.

Segundo ele, investir na imunocompetência precoce é um dos caminhos mais promissores para reduzir o uso de antibióticos. “A nutrição pode ajudar, mas não sozinha. É preciso mudar manejo junto. Várias das estratégias que já mencionamos contribuem para isso”, acrescenta.

Avaliar, medir e ajustar

Hoje, nutricionistas contam com ferramentas sofisticadas para monitorar a saúde intestinal das aves. “Já há indicadores tecnificados, como análise de microbioma e permeabilidade intestinal”, menciona o professor, acrescentando: “Contudo, os parâmetros clínicos e zootécnicos ainda são o padrão ouro, embora sejam retrospectivos e não preditivos.”

Mesmo com limitações práticas, a convergência entre nutrição, imunidade e controle sanitário já é uma realidade respaldada pela pesquisa. “Há muitos estudos demonstrando resultados concretos, mas o problema é operacional: como manejar a dieta de uma empresa inteira quando as demandas são localizadas?”, questiona Beirão. A resposta, sugere ele, pode estar em inovações que permitam ajustar a nutrição de forma mais dinâmica e personalizada.

A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Avicultura de postura começa 2026 sob pressão dos custos

Poder de compra do produtor cai pelo sétimo mês seguido frente ao farelo de soja.

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O poder de compra do avicultor de postura em relação aos principais insumos da atividade – milho e farelo de soja – segue em trajetória de queda em janeiro, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o Centro de Pesquisas, a relação de troca entre os ovos e o milho recua de forma contínua desde setembro de 2025, atingindo em janeiro o menor patamar real desde março de 2022.

Em relação ao farelo de soja, a perda de poder de compra é ainda mais prolongada: o movimento de baixa já se estende por sete meses consecutivos, com o indicador alcançando, neste início de ano, o nível mais baixo em termos reais desde fevereiro de 2023.

Mesmo com alguma reação nos preços dos ovos ao final da primeira quinzena de janeiro, os dados do Cepea indicam que a média mensal permanece inferior à registrada em dezembro. No mesmo intervalo, o milho apresentou desvalorização menos intensa, enquanto o farelo de soja acumulou alta.

 

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura

Declaração de biosseguridade avícola deve ser enviada até 31 de janeiro em Goiás

Agrodefesa reforça que o documento é obrigatório e integra as ações de prevenção à influenza aviária no estado.

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Foto: Shutterstock

Produtores rurais e responsáveis técnicos por estabelecimentos comerciais avícolas devem estar atentos ao prazo para envio da Declaração de Biosseguridade à Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa). A data-limite para o cumprimento da obrigação é 31 de janeiro. O documento deve ser preenchido e inserido no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago). A medida faz parte de um conjunto de ações adotadas para prevenção e mitigação de risco da influenza aviária de alta patogenicidade (gripe aviária).

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira, a cooperação entre o setor produtivo e o serviço oficial é fundamental para preservar o status sanitário de Goiás no momento em que a doença avança na Europa, com 42 surtos confirmados em 14 dias, e que o estado de Mato Grosso trabalha na contenção de um foco detectado em aves de subsistência. “Manter Goiás livre da influenza aviária e da doença de Newcastle requer trabalho conjunto. A exigência da Declaração de Biosseguridade reforça as ações preventivas e assegura que as granjas avícolas estejam alinhadas às normas da Agrodefesa e às diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)”, destaca.

(Foto: Leonardo Wen)

A declaração é obrigatória e deve ser elaborada pelo médico-veterinário responsável técnico (RT) do estabelecimento, que responde pela execução dos controles higiênico-sanitários dos plantéis. O não cumprimento dessa exigência pode acarretar sanções aos RT´s por falta ética, conforme prevê o Código de Ética do Médico-Veterinário, estabelecido por meio da Resolução 1.138/2016 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFVM). Já os estabelecimentos podem sofrer bloqueio no registro cadastral, resultando na proibição da emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA).

Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Avícola da Agrodefesa, Silvânia Andrade Reis, a biosseguridade é a adoção de um conjunto de medidas e procedimentos operacionais para prevenir, controlar e limitar a exposição das aves contidas em um sistema produtivo a agentes causadores de doenças. “O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) do Mapa possui normas técnicas para registro, fiscalização e controle dos estabelecimentos avícolas comerciais. A Agrodefesa busca assegurar o cumprimento da legislação brasileira e prevenir a entrada de doenças nos plantéis goianos e prejuízos à economia do estado”, explica.

Como realizar

O modelo da Declaração de Biosseguridade está disponível no site da Agrodefesa, na página do Programa Estadual de Sanidade Avícola (Pesa). O documento deve ser preenchido pelo médico-veterinário responsável técnico e inserido no Sidago até 31 de janeiro de 2026. Além da declaração, é necessário inserir o Registro de Estabelecimentos Comerciais Avícolas.

Entre as exigências a serem cumpridas pelos estabelecimentos avícolas goianos estão: telas com malha até 2,54cm; cercas no mínimo a 5 metros do galpão; arco de desinfecção presente; controle de visitas com livro e placas de restrição; limpeza de área ao redor da granja; plano de capacitação de pessoal em execução; movimentação acobertada por GTA; presença apenas de uma espécie e aptidão (carne/ovo); ausência de árvores frutíferas ao redor dos núcleos/galpões; e plano de contingência para emergência sanitária, que pode estar no memorial descritivo.

Fonte: Assessoria Agrodefesa
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Avicultura

Trabalho sanitário no Rio Grande do Sul garante retomada das exportações de frango para a China

Ações do Programa Estadual de Sanidade Avícola incluíram 1.846 fiscalizações em 2025, vigilância ativa e rápida contenção de focos de influenza aviária, reforçando a confiança internacional no status sanitário do Estado.

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Foto: Divulgação/Seapi

O anúncio recente de que a China reabriu o mercado à carne do frango no Rio Grande do Sul é reflexo de um intensivo trabalho conduzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Programa Estadual de Sanidade Avícola. Em 2025, a pasta realizou 1.846 fiscalizações de biosseguridade em granjas avícolas do estado, além de conter focos de influenza aviária (H5N1) identificados em Montenegro e Sapucaia do Sul.

“Desde o registro dos primeiros casos de influenza aviária na América do Sul em 2022, a Agricultura intensificou todas as ações direcionadas à prevenção e detecção precoce da doença, investindo na preparação para o enfrentamento em caso de ocorrência de focos”, destaca a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Avícola, Ananda Kowalski.

Em 2025, foram realizados 138 atendimentos de casos suspeitos de Síndrome Respiratória e Nervosa em aves, dos quais 51 tiveram amostras coletadas, por terem sido enquadrados como casos prováveis. Foram detectados os três focos de influenza aviária registrados em 2025: numa granja avícola de reprodução em Montenegro, no Zoológico de Sapucaia do Sul e em ave silvestre em Montenegro.

“A pronta atuação na contingência do foco de Montenegro, primeiro caso no Brasil de influenza aviária em granja avícola, com a rápida retomada da condição sanitária do país, são reflexos de toda a preparação feita pela Secretaria. Isso foi destacado pelas missões internacionais que auditaram o Rio Grande do Sul”, pontua a coordenadora.

Ao longo do ano, também foram realizadas coletas de amostras para vigilância ativa de influenza aviária e doença de Newcastle, tanto em granjas avícolas como em criações de aves de fundo de quintal. Foram coletadas 5.655 amostras de aves comerciais e 513 amostras de aves de substência, analisadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária no Rio Grande do Sul e em Campinas, São Paulo. Não houve detecção de influenza aviária nem de doença de Newcastle.

“A vigilância ativa é um dos componentes do Plano de Vigilância para influenza aviária e doença de Newcastle do Ministério da Agricultura, sendo conduzida em ciclos, anualmente, pelos órgãos executores de sanidade agropecuária, como a Seapi”, explica Ananda.

Para este ano, as ações de fiscalização de biosseguridade e de vigilância seguem sendo prioridade. O novo ciclo de vigilância ativa em avicultura industrial e em aves de subsitência, que está sendo executado desde novembro de 2025, tem previsão para conclusão em junho de 2026.

Fonte: Assessoria Seapi
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