Avicultura
Nutrição fortalece a saúde das aves e impulsiona a eficiência da avicultura
Especialista destaca que dietas equilibradas e focadas na saúde intestinal são decisivas para o desempenho produtivo, o bem-estar e a sustentabilidade dos plantéis.

Durante muito tempo, o debate sobre nutrição animal esteve restrito às tabelas nutricionais, ao cálculo preciso de energia e proteína e à busca por eficiência na conversão alimentar. Hoje, no entanto, o olhar técnico se ampliou. Nutrição e saúde se tornaram indissociáveis, e compreender como esses dois pilares se conectam na prática é o que diferencia os sistemas mais eficientes e sustentáveis da avicultura.
A ciência vem demonstrando que a ração não é apenas combustível, ela é parte ativa da imunidade e do equilíbrio fisiológico das aves. O intestino, por exemplo, não é apenas um órgão digestivo. Ele abriga cerca de 70% das células do sistema imunológico e é controlado por uma complexa rede de neurônios chamada sistema nervoso entérico, uma via de comunicação direta entre o sistema gastrointestinal, o sistema imunológico e o sistema nervoso central. Esse eixo integrado, conhecido como eixo intestino-cérebro-imunidade, desempenha papel decisivo na manutenção da saúde geral do organismo.

PhD em Ciência Animal e consultor agro de Nutrição Animal da MBRF, Rodolfo Vieira: “Dietas bem estruturadas, com ingredientes de alta digestibilidade e uso racional de aditivos funcionais, como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e enzimas, reduzem inflamações, fortalecem as defesas naturais e favorecem o bem-estar e a eficiência produtiva das aves” – Foto: Divulgação/MBRF
De acordo com o PhD em Ciência Animal e consultor agro de Nutrição Animal da MBRF, Rodolfo Vieira, a formulação das rações impacta diretamente esse sistema. “O equilíbrio nutricional adequado é capaz de modular a microbiota, preservar a integridade da mucosa intestinal e regular as respostas imunes”, ressalta, complementando: “Dietas bem estruturadas, com ingredientes de alta digestibilidade e uso racional de aditivos funcionais, como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e enzimas, reduzem inflamações, fortalecem as defesas naturais e favorecem o bem-estar e a eficiência produtiva das aves”.
Na prática, o papel da nutrição vai além de alimentar, ela é parte da estratégia de prevenção sanitária. “A saúde intestinal é o ponto de partida para a saúde sistêmica, e qualquer desequilíbrio na dieta pode desencadear uma cadeia de efeitos negativos”, enfatiza Vieira, mencionando que desequilíbrios nutricionais, como excesso de proteína ou desbalanço entre cálcio e fósforo, comprometem a digestibilidade e a absorção de nutrientes, geram substratos para a proliferação de bactérias patogênicas e aumentam a incidência de enterites e inflamações crônicas.
O especialista destaca que o excesso de proteína, por exemplo, pode gerar acúmulo de substrato não digerido no intestino, criando ambiente favorável a disbiose e enterite. Já o descompasso entre cálcio e fósforo interfere no metabolismo ósseo e muscular, prejudicando crescimento e postura. “Deficiências de vitaminas A, E e do complexo B reduzem a integridade das mucosas e comprometem a eficiência imunológica. O resultado é um organismo sob maior estresse metabólico e mais vulnerável a agentes infecciosos”, salienta.
Nesse contexto, o conceito de custo imunológico ganha força. Sempre que o organismo é desafiado, seja por calor, microrganismos ou condições de manejo, ele redireciona energia para a defesa, e isso impacta o desempenho produtivo. “A dieta, portanto, precisa estar preparada para sustentar essa demanda. A ausência desse suporte gera desequilíbrios fisiológicos e perdas zootécnicas”, pontua Vieira.
Saúde intestinal
O PhD em Ciência Animal ressalta que a saúde e a produtividade do plantel começam na escolha e controle das matérias-primas. “Ingredientes mal processados, oxidados ou contaminados reduzem a digestibilidade e o aproveitamento da dieta. Óleos e farinhas oxidados, por exemplo, diminuem a absorção de energia e comprometem o metabolismo lipídico. Farelo de soja com baixa solubilidade ou altos níveis de inibidor de tripsina interfere na digestão de proteínas. Já micotoxinas e contaminações bacterianas prejudicam a absorção intestinal e alteram a microbiota, provocando queda de desempenho e maior risco sanitário”, sustenta.
Para Vieira, a busca por matérias-primas de qualidade deve ser tratada como política de biosseguridade nutricional. “Cada ingrediente precisa ser visto como uma ferramenta de saúde. A ração é o primeiro filtro de defesa do sistema produtivo”, observa.
Menos antibióticos, mais equilíbrio

Um dos efeitos mais práticos das estratégias nutricionais bem planejadas é a redução do uso de antibióticos na produção avícola. Ao fortalecer a barreira intestinal e manter a microbiota em equilíbrio, as dietas funcionais reduzem a necessidade de antibióticos promotores de crescimento. “Probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, enzimas, óleos essenciais e fitogênicos assumem parte do papel antimicrobiano, inibindo patógenos e estimulando o desenvolvimento de bactérias benéficas”, expõe o especialista.
Esse conceito de nutrição de precisão é cada vez mais associado à sustentabilidade e à biosseguridade, pilares que definem o futuro da produção de proteína animal. “Dietas balanceadas, formuladas com foco na integridade intestinal e na resposta imunológica, mantêm o desempenho zootécnico e reduzem o risco sanitário sem comprometer o bem-estar”, reforça Vieira.
Bem-estar animal
Práticas nutricionais adequadas também contribuem para o bem-estar das aves, reduzindo lesões, estresse térmico e problemas fisiológicos. O equilíbrio de eletrólitos (sódio, potássio e cloro) ajuda na regulação térmica e na manutenção do equilíbrio ácido-base, especialmente em períodos de calor intenso. “Vitaminas antioxidantes como A, C e E, associadas a minerais como selênio e zinco, reduzem o estresse oxidativo e favorecem a recuperação celular. Já o controle adequado do balanço cálcio-fósforo previne problemas locomotores e lesões ósseas em frangos de rápido crescimento”, explica o PhD em Ciência Animal.
Outro ponto de destaque é a adequação energética da dieta, que evita o excesso de calor metabólico e contribui para o conforto térmico e o comportamento alimentar estável. “O resultado é um plantel mais uniforme, com menor incidência de mortalidade e melhor desempenho produtivo”, destaca.
Qualidade do produto final
A nutrição também é determinante para a qualidade da carne e dos ovos. O equilíbrio de aminoácidos favorece a deposição muscular e melhora a textura da carne, enquanto vitaminas antioxidantes e minerais como o selênio retardam a oxidação lipídica, prolongando a conservação e o frescor do produto. “O fornecimento adequado de cálcio, fósforo e vitamina D fortalece as cascas dos ovos, e pigmentos naturais, como xantofilas, melhoram a coloração da gema e da pele, atributos valorizados pelo mercado consumidor”, evidencia Vieira.
Para o especialista, a alimentação equilibrada agrega valor à proteína produzida, melhora a aparência, o sabor, a segurança e o valor nutritivo, reforçando a conexão entre saúde animal e qualidade do alimento final.
Indicadores de desempenho
A tomada de decisão nutricional depende de um olhar sistêmico sobre os indicadores de desempenho e saúde. De acordo com Vieira, ganho de peso diário, conversão alimentar, consumo de ração e água, qualidade das fezes, uniformidade dos lotes e mortalidade são dados que orientam ajustes finos na formulação. “Em poedeiras, qualidade de casca, fertilidade e coloração da gema também são parâmetros de resposta à dieta”, pontua.
O avanço da automação e das tecnologias de monitoramento vem permitindo uma leitura mais precisa desses indicadores. “Com dados em tempo real, o nutricionista consegue ajustar a dieta conforme as variações ambientais ou fisiológicas, garantindo maior estabilidade produtiva”, afirma.
Tripé de eficiência
Conforme Vieira, o futuro da avicultura depende da integração entre nutrição, manejo e biosseguridade. Segundo ele, a nutrição adequada fortalece o sistema imunológico e preserva a integridade intestinal, reduzindo a entrada e multiplicação de patógenos, enquanto o manejo correto e as medidas de biosseguridade, como controle de entrada, limpeza, desinfecção e monitoramento sanitário, limitam a exposição a agentes infecciosos. “Quando combinadas, essas estratégias criam um ambiente de baixa pressão infecciosa e um organismo mais resistente”, enfatiza.
Nutrição equilibrada e biosseguridade eficaz atuam, portanto, de forma complementar. O resultado é um sistema mais eficiente, com menor uso de antibióticos, melhor conversão alimentar e maior sustentabilidade produtiva. “No campo, essa integração se traduz em rentabilidade, previsibilidade e bem-estar, os pilares que sustentam a avicultura do futuro”, enaltece.
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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




