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Nutrição e manejo influenciam qualidade e rendimento do leite na indústria

Oscilações nos teores de gordura e proteína afetam produção de derivados e podem ser reduzidas com estratégias nutricionais.

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Fotos: Shutterstock

Foto: Divulgação/Salus

Artigo escrito por Junior Negri, zootecnista, coordenador Técnico/Comercial Ruminantes RS e SC da Salus

O maior percentual da composição do leite de vaca é água (entre 86 e 88%) e o restante (entre 12 e 14%) corresponde aos sólidos totais (gordura, proteína, açúcar, minerais e vitaminas). Para fins de inspeção, o Mapa define um valor mínimo no percentual de sólidos totais para aprovação do leite no Serviço de Inspeção Federal. Na indústria de lácteos, a composição do leite está ligada ao rendimento industrial e à qualidade do produto final. A proteína é importante para a produção de queijos, iogurtes e leite em pó, sendo responsável pela estrutura e estabilidade da grande maioria dos produtos lácteos.

Já o leite com percentual de gordura mais alto tem impacto positivo para a indústria, ao aumentar a produção de manteiga, queijos, requeijões e cremes, entre outros derivados. No entanto, o fator mais relevante no que se refere à composição do leite é a saúde do rebanho, afinal, variações nos constituintes/componentes do leite de um rebanho podem ser influenciadas tanto pela saúde quanto pela nutrição, manejo e ambiente. Essas variações na composição podem ocorrer ainda em função da raça, do estágio de lactação e das estações do ano. Entender essas variações possibilita a tomada de decisões para diminuir a oscilação na composição do leite durante o ano.

Entre os componentes do leite, a gordura é a que apresenta maior variação. No entanto, variações nos níveis de proteína, açúcar e água também influenciam na qualidade do leite. Entre os fatores que podem interferir nessa variação, destacam-se a nutrição e a sazonalidade (estação do ano). A nutrição é, nesse caso, a variável que pode ser controlada de forma mais direta e com resultados mais rápidos, considerando a quantidade de amido, de carboidratos não fibrosos (CNF) e a relação entre concentrado e volumoso na dieta.

Além disso, a ingestão total de matéria seca (IMS), o equilíbrio entre energia e proteína na dieta e a fonte e quantidade de proteína no alimento são outros fatores que exercem influência na composição do leite. Quanto à sazonalidade, a influência na composição do leite se dá em função das mudanças na temperatura e umidade do ambiente e da disponibilidade de alimentos. Temperatura e umidade elevadas reduzem a produção, o percentual de gordura e de proteína no leite ao causarem redução no consumo de alimentos pelos animais.

Gordura

Nesse sentido, a gordura do leite é o parâmetro que sofre a maior variação, em especial associada à saúde do rúmen e ao status nutricional da vaca. No que diz respeito à saúde ruminal, o pH do rúmen é determinante para não haver queda na formação de gordura na glândula mamária (síndrome do leite com baixa gordura). Rebanhos que apresentam problemas de acidose ruminal tendem a apresentar percentual de gordura inferior. Os quadros de acidose ocorrem, em especial, por questões ambientais (estresse térmico), de manejo (número de refeições), de conforto (tempo em pé) e nutricionais.

Proteína

A proteína do leite, por sua vez, sofre menos variação que a gordura, mas alguns pontos precisam ser levados em consideração, como, por exemplo, a garantia da oferta de aminoácidos necessários para a formação de proteína do leite. Outro ponto importante refere-se à ingestão de matéria seca, uma vez que vacas que têm consumo de matéria seca menor que o índice nutricional recomendado apresentam menor teor de proteína no leite. Isso ocorre porque o balanço energético é um ponto fundamental para a formação desse constituinte na glândula mamária.

Estratégias nutricionais

Foto: Isabele Kleim

Existem estratégias nutricionais para amenizar o impacto da sazonalidade, sendo fundamental a manutenção do pH ruminal. Nesse sentido, o atendimento da exigência de fibra se faz necessário. O tamponamento via fibra (produção de saliva) representa 80% da capacidade tamponante; o restante é dividido em dois momentos: a adaptação do rúmen à dieta de lactação e a inclusão de tamponantes na dieta. Além dos tamponantes, tecnologias como os óleos essenciais formam outra estratégia a ser incluída na nutrição para garantir a estabilidade do pH ruminal e, consequentemente, obter um rúmen mais saudável. Os óleos essenciais participam da modulação da microbiota ruminal, reduzindo a produção de ácido lático.

Em relação à proteína do leite, uma abordagem importante é aumentar a oferta de aminoácidos na dieta. Outra estratégia é a inclusão de taninos às dietas, que têm demonstrado a capacidade de formar complexos com proteínas no rúmen, reduzindo sua solubilidade e a degradação pelos microrganismos ruminais. Dessa forma, parte da proteína da dieta escapa da degradação ruminal e é digerida no intestino, aumentando o fluxo de proteína não degradável no rúmen e a disponibilidade de aminoácidos absorvíveis. Esse mecanismo pode contribuir para melhorar a eficiência de utilização do nitrogênio e favorecer a síntese de proteína na glândula mamária.

Foto: Divulgação/OP Rural

Nesse cenário, soluções nutricionais aplicadas no momento certo desempenham papel fundamental na redução dessas oscilações. Afinal, amenizar o efeito da sazonalidade da composição do leite influencia diretamente nos resultados econômicos das fazendas e da indústria. O uso de aditivos capazes de modular a fermentação ruminal é uma ferramenta importante para manter a estabilidade da gordura e da proteína do leite, assim como estratégias voltadas ao melhor aproveitamento da proteína da dieta podem contribuir para maior disponibilidade de aminoácidos para síntese de proteína do leite.

Á edição também está disponível na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Pequenas propriedades concentram 80% da pecuária de corte em Mato Grosso

Levantamento do Indea mostra que quatro em cada cinco fazendas de bovinocultura de corte no estado têm até 320 hectares, evidenciando o peso dos pequenos produtores na liderança nacional do rebanho bovino.

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Foto: Divulgação/Imac

Apesar de abrigar o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada majoritariamente por pequenas propriedades. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostram que, das 106.009 fazendas dedicadas à atividade no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Além da liderança nacional em número de bovinos, a pecuária de corte também é a atividade econômica com maior número de estabelecimentos em Mato Grosso. O segmento responde por 9,36% de todas as empresas registradas no estado, superando setores como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário, o transporte rodoviário de cargas e a construção civil.

Foto: Fabiano Bastos

A estrutura da atividade inclui ainda 12.583 propriedades de médio porte, que representam 11,8% do total, e 8.417 grandes fazendas, correspondentes a 7,9%.

Entre os municípios com maior número de propriedades voltadas à bovinocultura de corte, Colniza ocupa a primeira posição, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051).

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números evidenciam que a competitividade da pecuária estadual está apoiada em uma ampla base de produtores. “Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirma.

Segundo Andrade, a presença da bovinocultura em praticamente todas as regiões do estado contribui para o desenvolvimento econômico dos municípios e fortalece a cadeia produtiva. “Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, salienta.

Fonte: Assessoria Imac
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Integração entre lavoura e pecuária transforma prejuízo de US$ 215 por hectare em resultado positivo

Estudo de 25 anos mostra que a diversificação da produção reduz os impactos das quebras de safra, aumenta a estabilidade da renda e melhora as condições do solo.

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Foto: Divulgação/Rede ILPF

A integração entre lavoura e pecuária pode reduzir os impactos das oscilações climáticas sobre a produção agrícola, aumentar a rentabilidade das propriedades e melhorar a qualidade do solo. A avaliação é do professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho, que apresentou resultados de pesquisas conduzidas ao longo de décadas no Sul do Brasil.

Professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho

Segundo o pesquisador, os levantamentos mostram que a região convive com uma elevada variabilidade climática e com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, cenário que amplia os riscos para os sistemas produtivos. Nos últimos 30 anos, o Rio Grande do Sul registrou frustração de safra em 44% das lavouras de soja e em mais de 50% das de trigo. Para Carvalho, os dados demonstram que a diversificação da produção é uma das principais estratégias para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.

Um experimento de longa duração, conduzido durante 25 anos no estado, evidencia os ganhos da integração. Em sistemas exclusivamente agrícolas, a produtividade da soja variou de mais de 70 sacas por hectare em anos favoráveis para menos de 10 sacas por hectare em períodos de seca. Quando o gado é incorporado ao sistema para o pastejo das plantas de cobertura no inverno, a renda obtida com a pecuária é convertida em equivalente de produção de soja, elevando o resultado médio para 73 sacas por hectare.

Foto: Rodrigo Alva

O impacto econômico também é expressivo. Em anos de clima favorável, o sistema integrado proporciona receita superior ao dobro da obtida apenas com a agricultura. Já em anos de quebra de safra, enquanto a lavoura isolada registra prejuízo de US$ 215 por hectare, a integração entre agricultura e pecuária gera resultado positivo de US$ 189 por hectare.

Para Carvalho, a presença dos animais reduz a exposição da propriedade às oscilações do mercado e do clima. Enquanto a produtividade da soja apresenta variações superiores a 30%, a pecuária registra oscilações inferiores a 10%, funcionando como um fator de estabilidade para o sistema produtivo.

Foto: Gabriel Faria

As pesquisas também mostram benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo. Utilizando técnicas de análise tridimensional, os pesquisadores verificaram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água. O efeito resulta em aumento de 14% na capacidade de retenção hídrica.

Outro resultado observado foi o incremento de 140% na ocorrência de fungos benéficos em áreas manejadas com integração lavoura-pecuária. Esses microrganismos favorecem a absorção de fósforo pelas plantas, contribuindo para o aumento gradual da produtividade da soja ao longo dos anos.

Fonte: Assessoria UFRGS
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Angus desenvolve base genética inédita para cruzamento industrial

Projeto em parceria com a Embrapa vai coletar seis mil amostras de bovinos meio-sangue para desenvolver modelos capazes de identificar touros Angus com maior potencial para transmitir qualidade de carne aos descendentes.

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Foto: Divulgação

A pecuária de corte brasileira terá, pela primeira vez, uma população de referência genética formada exclusivamente por bovinos meio-sangue. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, pretende desenvolver modelos capazes de identificar quais touros Angus apresentam maior potencial para transmitir características ligadas à qualidade da carne quando utilizados no cruzamento com matrizes de outras raças, como o Nelore.

Foto: Agência Result/Feicorte

O projeto representa uma das primeiras pesquisas conduzidas pela entidade após sua certificação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), obtida em 2026. Entre os resultados esperados está o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), incluindo uma voltada à maciez da carne, característica ainda inexistente nas avaliações genéticas brasileiras.

A fase de campo começa na terça-feira (14) e prevê a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue certificadas pelo Programa Carne Angus Certificada. O orçamento dessa etapa já está assegurado.

Para viabilizar o estudo, pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para retirar amostras de tecido muscular diretamente de carcaças resfriadas. A técnica adapta um método empregado anteriormente apenas na coleta de cartilagem da orelha para análises genéticas. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação.

Genética voltada ao cruzamento industrial

Hoje, as avaliações genéticas relacionadas à qualidade de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são baseadas em animais de raça pura e utilizam principalmente informações obtidas por ultrassonografia.

Foto: Gustavo Rafael

Com o novo projeto, os dados fenotípicos coletados nos frigoríficos serão integrados às informações genéticas dos animais. A partir desse banco de dados, pesquisadores da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa desenvolverão modelos estatísticos específicos para bovinos oriundos de cruzamento industrial.

Na prática, a ferramenta permitirá identificar touros com maior capacidade de transmitir atributos ligados à qualidade da carne aos descendentes, oferecendo ao pecuarista maior segurança na escolha da genética e aumentando a eficiência dos programas de melhoramento.

Ganhos produtivos e novas etapas da pesquisa

Além dos efeitos sobre a qualidade da carne, a seleção mais precisa de reprodutores pode reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate. Com melhor conversão alimentar, o sistema tende a utilizar menos recursos naturais por quilo produzido e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por animal ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação/Angus

Em uma segunda etapa, condicionada à captação de novos recursos, a Associação pretende ampliar a população estudada para dez mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne.

Os exames irão avaliar parâmetros como teor de gordura, pH, coloração e força de cisalhamento (shear force), indicador utilizado para medir objetivamente a maciez da carne. Essas informações servirão de base para o desenvolvimento de novas predições genéticas, incluindo uma DEP específica para maciez, inédita no país.

Fonte: Assessoria Angus
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