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Nutrição de precisão ganha protagonismo no encerramento do Simpósio Técnico da ACAV

Especialistas apresentaram soluções modernas e personalizadas para alimentação de matrizes e reprodutores, alinhando genética de ponta, manejo e tecnologia para elevar a eficiência produtiva.

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Fotos: Letícia Bombo/MB Comunicação

As últimas palestras do 15º Simpósio Técnico da ACAV tiveram em comum o tema nutrição e reprodução com foco na “Casa Genética”, um conjunto de fatores relacionados às aves, entre eles a genética, o ambiente e, principalmente, a nutrição que sustentam o bom desempenho dos machos. Quem iniciou o ciclo de conversas foi o zootecnista Marcelo Silva, diretor global de Nutrição da Aviagen, sobre “Recentes avanços em nutrição de machos Ross”. Em seguida, o médico veterinário e diretor técnico e comercial da LatCan, Vitor Hugo Brandalize, continuou a palestra, desta vez sobre “Fisiologia associada à alta mortalidade de fêmeas em produção”. Foi o zootecnista Vinicius Schramm quem encerrou o ciclo falando sobre “Atualizações nutricionais para as reprodutoras modernas”.

De acordo com Marcelo, o avanço recente da nutrição de machos mostra que não basta alimentar, é preciso atuar com estratégia. Segundo ele, cada nutriente, fórmula e ajuste pensado com critério se transforma em um passo a mais rumo à eficiência. O especialista reforçou, ainda, que a genética moderna exige mais do que manejo, exige precisão na ração. Entre as considerações finais, ele destacou o controle do nível de Lisina, a partir de uma formulação conceitual e não por custo, “além disso, sem dúvidas, priorizar a qualidade sobre a quantidade”, finalizou.

Explanar sobre como o ambiente, o manejo, a nutrição e os limites fisiológicos das aves interagem com a genética moderna. Este foi o foco da palestra de Brandalize, que trouxe à tona uma discussão para quem atua diretamente com matrizes de corte, para ajudar a entender o porquê de os avanços genéticos e a mortalidade de fêmeas em produção ainda preocuparem tanto os produtores. Segundo o profissional, a compreensão dos fatores pode ajudar a prevenir perdas e otimizar resultados. Um dos insights trazidos por ele foi que a gordura não é um elemento tão importante na carcaça das aves, como se acreditava há alguns anos. “É preciso repensar como a alimentação, quando bem direcionada, pode ser o ponto de virada nos índices produtivos”, disse.

Ele reforçou, também, que algumas ações são importantes para bons resultados, entre elas seguir o programa de luz conforme o programa genético enviado, fazer uma boa coloração da água, ação muito importante para prevenção de doenças, e realizar o manejo da cama para retirar a umidade e melhorar a qualidade da microbiana da ave. Entre as doenças metabólicas mais comuns, estão a infecção e atrofia do ovário e peritonite, que estão relacionadas com curva de peso das aves, uniformidade do programa de alimentação e programa de luz. “O lado positivo é que é possível reverter a mortalidadesas aves; não é fácil unir todo o quebra-cabeça, mas é possível analisar a realidade e tomar as devidas providências para mitigar a mortalidade”, finalizou.

Schramm, por sua vez, mostrou como a nutrição deixou de ser um suporte secundário e passou a ser parte estratégica da performance genética. Segundo ele, as reprodutoras modernas altamente prolíficas, com metabolismos acelerados e demandas fisiológicas elevadas precisam de muito mais do que ração balanceada. Elas requerem planos nutricionais sob medida, ajustados a cada fase produtiva, a cada salto genético e nuance metabólica.

Com o manejo correto, percebe-se um aumento rápido na produção de ovos, aumento rápido de alimento, bom pico de produção e boa resistência. Ao passo que, com o manejo errado, apesar de a produção de ovos também aumentar de forma rápida, a do alimento cresce de forma lenta, fazendo com que a ave utilize as reservas de energia e observa-se um bom pico de produção de ovos, porém, uma baixa persistência nessa produção.

O especialista finalizou sua fala considerando que as dietas são ferramentas que trabalham com o manejo para alcançar as metas de peso dos períodos de cria e produção. Entre outras observações, ele ressaltou que é importante ter atenção à qualidade física do alimento (cuidar com a desmistura), aos requerimentos nutricionais e aos velhos conceitos que podem estar mudando, como o tamanho da partícula de calcário.

Encerrando o último dia do evento

Após a mesa redonda em que os profissionais sanaram dúvidas do público, foi realizada a cerimônia oficial de encerramento do 15º Simpósio Técnico da ACAV, seguido do Jantar do Galo com as devidas homenagens aos 30 anos em que o evento é realizado.

Fonte: Assessoria ACAV

Avicultura

Modelo tradicional de cálcio e fósforo perde precisão na dieta de aves, diz especialista

Estudos indicam que formulação baseada em valores totais de minerais não reflete a absorção real, exigindo modelos mais precisos para melhorar desempenho, reduzir custos e minimizar impactos ambientais.

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Fotos: Shutterstock

O equilíbrio nutricional das dietas de frangos de corte, especialmente na relação entre cálcio (Ca) e fósforo (P), passou a ter impacto direto não apenas no desempenho produtivo, mas também no custo da ração e na carga ambiental da atividade. Em um cenário de maior exigência técnica, estudos conduzidos pela pesquisadora Roselina Angel, doutora em Nutrição de Aves e professora da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, indicam que a forma como esses minerais vêm sendo tradicionalmente utilizados na formulação já não atende plenamente às demandas atuais da avicultura intensiva.

Pesquisadora Roselina Angel apresenta durante o 26º SBSA evidências de que o modelo tradicional de formulação com cálcio total e fósforo disponível não reflete o aproveitamento real dos minerais em frangos de corte e pode comprometer eficiência produtiva e custo da dieta

A temática será detalhada pela especialista durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece entre os dias 07 e 09 de abril em Chapecó (SC), com foco na necessidade de revisão dos parâmetros utilizados na formulação de rações. Ela possui ampla atuação científica internacional, com sete capítulos de livros publicados, mais de 180 artigos científicos revisados por pares e mais de 265 resumos científicos, além de ter ministrado mais de 300 palestras em diversos países.

Seu trabalho recente se concentra na otimização da nutrição de fósforo por meio da compreensão da interação com cálcio, desenvolvendo ferramentas que aumentam a eficiência econômica da utilização de nutrientes e reduzem o impacto ambiental da produção avícola. Sua pesquisa tem contribuído diretamente para avanços na sustentabilidade ambiental e econômica da indústria avícola.

Em um dos estudos conduzidos pela pesquisadora aponta que a formulação baseada em cálcio total (tCa) e fósforo disponível (AvP) não reflete a fração efetivamente absorvida no trato digestivo. Como alternativa, Roselina propõe o uso de coeficientes de digestibilidade ileal padronizada (SID) para ambos os minerais, permitindo estimar com maior precisão o aproveitamento real na ave. Essa abordagem reduz a necessidade de margens de segurança elevadas na formulação, que frequentemente resultam em excesso de minerais na dieta.

Variabilidade do calcário

Outro ponto crítico identificado nos estudos de Roselina está na variabilidade do calcário, principal fonte de cálcio utilizada na avicultura e responsável por até 75% do Ca das dietas.

Em pesquisas publicadas recentemente, a autora demonstra que diferenças de solubilidade, granulometria e origem geológica interferem diretamente na digestibilidade, o que pode gerar respostas produtivas distintas mesmo em dietas com níveis semelhantes de cálcio. Essa variabilidade amplia o risco de desequilíbrios nutricionais quando a formulação se baseia apenas em valores totais.

Interação com fitato limita aproveitamento de minerais

A interação entre cálcio e fitato aparece nos estudos como um dos principais fatores que limitam o aproveitamento de minerais. Presente em ingredientes vegetais como milho e farelo de soja, o fitato forma complexos insolúveis com o cálcio, reduzindo a disponibilidade tanto de Ca quanto de P.

Dados experimentais apresentados pela pesquisadora indicam que níveis elevados de cálcio intensificam essa ligação, comprometendo a digestibilidade dos minerais e de outros nutrientes, como aminoácidos e lipídios. Esse mecanismo contribui para perdas nutricionais e aumento da excreção de fósforo.

Melhoria da eficiência nutricional

Nesse contexto, o uso de fitase tem papel relevante na melhoria da eficiência nutricional. A enzima atua na quebra do fitato, liberando o fósforo ligado e reduzindo sua interação com o cálcio. Resultados observados nos estudos conduzidos por Roselina mostram aumento consistente na digestibilidade do fósforo e ganhos variáveis na disponibilidade de cálcio, especialmente em dietas com maior teor de fitato. A adoção dessa estratégia permite reduzir a inclusão de fosfatos inorgânicos e melhorar o aproveitamento global da dieta.

Apesar dos benefícios da fitase, os próprios estudos indicam que sua eficiência está diretamente relacionada ao nível de cálcio presente na dieta. O excesso de Ca reduz a ação da enzima e limita o aproveitamento dos nutrientes. Além disso, níveis elevados de cálcio podem interferir negativamente na digestibilidade de gordura, aminoácidos e microminerais, afetando a conversão alimentar.

Precisão nutricional reduz custos e perdas ambientais

Do ponto de vista econômico, análises derivadas dessas pesquisas mostram que a maior precisão na formulação permite reduzir custos com ingredientes minerais e melhorar a eficiência produtiva.

A redução da excreção de fósforo também tem impacto direto na gestão ambiental, especialmente em regiões com alta concentração de produção avícola, onde o acúmulo de nutrientes pode comprometer a qualidade da água e do solo.

A evolução genética das aves intensifica esse cenário ao aumentar a sensibilidade a desequilíbrios nutricionais. Linhagens modernas apresentam maior potencial produtivo, mas exigem maior precisão na oferta de nutrientes. Nesse contexto, a substituição de modelos baseados em teor total por sistemas fundamentados em digestibilidade e interação entre nutrientes tende a se consolidar como referência técnica na formulação de dietas.

Os resultados apresentados nos estudos de Roselina indicam uma mudança de abordagem na nutrição mineral de frangos de corte, com foco em eficiência de utilização, redução de perdas e maior controle sobre os fatores que influenciam o desempenho produtivo.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Genética mais eficiente reduz margem para erros no manejo de frangos

Aves mais responsivas exigem controle ambiental rigoroso, biosseguridade elevada e decisões rápidas para manter desempenho e sanidade.

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Fotos: Shutterstock

A evolução genética do frango de corte elevou a produtividade da avicultura a patamares inéditos, mas também reduziu a margem para erros no manejo dentro das granjas. Com ciclos produtivos cada vez mais curtos, falhas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a comprometer diretamente o desempenho, a uniformidade dos lotes e a rentabilidade do sistema.

De acordo com o médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães, o avanço genético foi determinante para consolidar a carne de frango como a proteína animal mais consumida no mundo, mas trouxe novas exigências ao setor. “Evoluímos muito em genética, nutrição, manejo e biosseguridade, mas o grande desafio agora é equilibrar eficiência produtiva com bem-estar animal, sustentabilidade ambiental, qualidade da carne e segurança alimentar”, enfatizou em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Médico-veterinário Rodrigo Tedesco Guimarães: “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”

Ele vai tratar do tema no Painel Manejo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, programado para ocorrer entre os dias 07 e 09 de abril, em Chapecó (SC), onde deve abordar a relação entre potencial genético, ambiente e execução de manejo nas granjas.

Para o profissional, a ave moderna responde de forma mais intensa às condições oferecidas no campo, o que amplia tanto o potencial de desempenho quanto os riscos associados a falhas. “O frango de corte moderno é extremamente responsivo ao ambiente. Se eu forneço boas condições, ele expressa seu máximo potencial genético. Se erro, o impacto aparece rapidamente”, afirma.

Guimarães ressalta que a redução do tempo entre a eclosão e o abate é um dos principais fatores que elevam a sensibilidade do sistema produtivo. “O manejo passou a ser um processo sequencial e irreversível, no qual cada etapa influencia diretamente o resultado final. O tempo entre a eclosão e o abate é curto, o que reduz a margem para correções. Um erro de um dia em um ciclo de 42 dias representa quase 2,5% da vida do animal. Em ciclos mais curtos, esse impacto é ainda maior”, explica.

Nesse contexto, práticas consideradas básicas ganham peso estratégico. Controle de temperatura, ventilação, densidade, qualidade de cama, iluminação e acesso a água e alimento deixaram de ser rotinas operacionais e passaram a determinar a conversão do potencial genético em resultado produtivo. “Atualmente apenas bons índices zootécnicos não são suficientes. Não adianta ter sanidade sem nutrição adequada, nem nutrição sem ambiência de qualidade. O manejo precisa integrar todos esses fatores”, ressalta.

Ambiente define consumo, saúde intestinal e desempenho

A interação entre temperatura, ventilação e qualidade do ambiente tem efeito direto sobre o consumo alimentar, o desenvolvimento intestinal e a resposta imunológica das aves.

Na fase inicial, o desafio central é garantir condições que estimulem o consumo. “Temperatura sozinha não resolve. É preciso combinar temperatura adequada com qualidade de ar, controle de umidade e níveis corretos de gases. Isso estimula o consumo de ração e água, que é fundamental para o desenvolvimento intestinal”, salienta Guimarães, enfatizando que os primeiros dias de vida são determinantes para a formação do trato gastrointestinal. “Entre 4 e 10 dias ocorre crescimento intestinal acelerado. Um intestino bem desenvolvido melhora a resposta imunológica e o desempenho ao longo do ciclo”, diz.

Na fase final, o desafio muda para a dissipação de calor. “Quando não conseguimos retirar o calor do aviário, o animal entra em estresse térmico e reduz o consumo de alimento. Isso gera desequilíbrio, piora a condição intestinal e compromete o desempenho”, pontua.

Falhas básicas persistem

Apesar dos avanços tecnológicos, erros simples de manejo ainda são recorrentes nas granjas. Entre os principais, o especialista cita falhas no ajuste de temperatura sem considerar umidade e velocidade do ar, além de problemas na regulagem de comedouros e bebedouros. “Não podemos mais falar apenas de temperatura. Precisamos considerar sensação térmica, o que o animal está sentindo. Muitas vezes o produtor tem a informação, mas não executa corretamente o manejo”, menciona o profissional.

Ele destaca que a avicultura comercial em grande escala exige atenção constante aos detalhes, especialmente em sistemas mais industrializados. “A diferença está no nível de cuidado. O produtor que se destaca vai além do básico e entende o sistema como um todo”, destaca.

Pressão sanitária exigem rigor operacional

Além do manejo, o cenário sanitário reforça a necessidade de controle rigoroso nas granjas. A manutenção da biosseguridade em níveis elevados é apontada como prioridade, especialmente diante do risco de Influenza aviária e da circulação de outros patógenos. “Nosso principal desafio é manter a biosseguridade elevada. Não podemos baixar a guarda. O objetivo é impedir a entrada de qualquer patógeno”, frisa.

O médico-veterinário também cita impactos econômicos associados a enfermidades como bronquite infecciosa e reovírus, que têm gerado aumento de condenações em frigoríficos. “Muitas vezes o problema não aparece no campo, mas reduz o aproveitamento no abate e compromete a margem”, expõe.

A intensificação da produção em regiões com alta concentração de granjas também amplia o risco sanitário, especialmente quando há redução de intervalos entre lotes ou aumento de densidade. “Quando pressionamos o sistema produtivo, o resultado cai. O ganho de volume pode vir acompanhado de perdas”, aponta.

Tecnologia exige uso efetivo dos dados

O avanço de sensores, automação e monitoramento amplia a capacidade de controle nas granjas, mas o uso eficiente dessas informações ainda é um desafio. “A coleta de dados é fundamental. Primeiro coletamos, depois analisamos e então tomamos decisões. O problema é que muitas vezes o setor coleta muito e utiliza pouco essas informações”, ressalta Guimarães.

Segundo ele, a tendência é de sistemas mais integrados e responsivos, com uso crescente de automação e inteligência artificial para interpretar dados de ambiente e comportamento animal. “A integração entre sensores e análise de comportamento deve permitir ajustes mais rápidos e precisos no ambiente”, diz.

Equilíbrio produtivo e execução definem resultado

Para o profissional, não há soluções simplificadas para os desafios da avicultura comercial. O foco deve estar na execução consistente do manejo e no equilíbrio entre produtividade, sanidade e bem-estar. “O mercado não exige soluções mirabolantes. Exige um sistema equilibrado, com desempenho consistente em toda a cadeia, da reprodução ao abate”, afirma, ressaltando que o avanço genético amplia a necessidade de precisão técnica. “O ganho de peso diário continua aumentando e a idade de abate reduzindo. Isso aumenta a velocidade do sistema e o impacto dos erros. O manejo bem executado é o que garante resultado”.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Bem-estar animal deixa o campo técnico e vira critério de mercado na avicultura

Práticas de manejo passam a influenciar produtividade, sanidade e retenção de clientes, com impacto direto na competitividade e na permanência das empresas no mercado.

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A incorporação do bem-estar animal à estratégia das empresas deixou de ser restrito à área técnica e passou a influenciar diretamente decisões de investimento, posicionamento de mercado e sobrevivência dos negócios na avicultura. Mais do que uma exigência ética, o tema ganha peso econômico ao impactar produtividade, sanidade e, sobretudo, a capacidade de retenção de clientes em um ambiente de consumo em transformação.

Na avaliação do doutor em Administração, mestre em Engenharia de Produção e professor do Instituto COPPEAD da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Celso Funcia Lemme, a inserção do bem-estar animal na avicultura atua como vetor de inovação nos sistemas produtivos. “Se você olhar ao longo dos anos como se produziu automóveis, vestuário ou qualquer outro bem, vai ver que os modelos de negócio mudam. Na produção de alimentos não é diferente, e o bem-estar animal passa a ser um fator de motivação para essa inovação”, afirma.

Segundo ele, no caso da avicultura, há evidências técnicas de que práticas associadas ao bem-estar contribuem para ganhos produtivos e sanitários. “O setor tem desafios de produtividade e sanidade. O aumento dos níveis de bem-estar animal está associado a ganhos produtivos e à redução de doenças, inclusive de ocorrência generalizada”, pontua Lemme, que vai analisar o tema sob a perspectiva econômica, relacionando exigências de mercado, inovação e sustentabilidade dos negócios durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece de 07 a 09 de abril, em Chapecó (SC).

Perfil do consumidor

Além dos ganhos operacionais, o especialista destaca que a incorporação do bem-estar animal responde a uma mudança no perfil de consumo, especialmente entre as gerações mais jovens, que passam a considerar critérios éticos nas decisões de consumo, investimento e estilo de vida, o que amplia o conceito tradicional de qualidade. “Essa consciência moral dos consumidores sobre a forma como os animais são tratados se reflete no que podemos chamar de qualidade ética do produto. Assim como ninguém compraria um produto mais barato sabendo que envolve trabalho escravo ou infantil, a sociedade passa a questionar também o tratamento dado aos animais”, enfatiza o doutor em Administração

Na prática, essa mudança impõe às empresas o desafio de alinhar eficiência produtiva a padrões mais elevados de manejo. “O objetivo primário de um negócio é reter o cliente. É isso que gera desempenho financeiro e garante a capacidade de se manter no mercado”, reforça.

Saúde única conecta produção, ambiente e consumidor

Embora a abordagem da palestra seja centrada na economia, Lemme destaca que o conceito de saúde única atua como eixo integrador entre bem-estar animal, saúde humana e ambiente de produção. “Se você cuida do alimento de forma saudável, cuida das pessoas e do ambiente. Essas dimensões são inseparáveis. Não é possível evoluir em uma sem dar atenção às outras”, salienta.

De acordo com Lemme, essa interdependência reforça a necessidade de modelos produtivos mais consistentes do ponto de vista sanitário, ambiental e social, com impactos diretos sobre a competitividade do setor.

Custo da transição é menor que risco de ficar para trás

Doutor em Administração, mestre em Engenharia de Produção e professor do Instituto COPPEAD da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Celso Funcia Lemme: “Sustentabilidade é capacidade de sustentar no tempo. É, em última análise, uma discussão sobre sobrevivência dos negócios”

Um dos principais entraves à adoção de práticas mais alinhadas ao bem-estar animal ainda é a percepção de aumento de custos. Para o especialista, essa análise é incompleta quando desconsidera o risco de não adaptação. “É muito comum ouvir que a transição tem custo. Mas maior do que o custo de mudar pode ser o risco de não mudar e não sobreviver”, enaltece Lemme.

Ele recorre a exemplos históricos para ilustrar o argumento. “A sociedade avisou por décadas que o modelo baseado na escravidão não tinha futuro. O mesmo ocorreu com direitos trabalhistas e rotulagem de validade. No início, tudo foi visto como custo. Hoje, são práticas indispensáveis”, ressalta.

De acordo o mestre em Engenharia de Produção, o mesmo raciocínio se aplica às inovações tecnológicas. “Os primeiros celulares, computadores e televisões tinham custos extremamente elevados. Isso não impediu que esses equipamentos se tornassem essenciais. A inovação começa com investimento, ganha escala e reduz custo unitário ao longo do tempo”, evidencia.

O que define permanência no mercado

Durante o SBSA, o especialista pretende provocar o setor com duas mensagens centrais. A primeira é a necessidade de acompanhar as transformações sociais e tecnológicas. “O novo sempre vem. As empresas são o braço econômico da sociedade e precisam acompanhar essa evolução. Ignorar sinais de mudança é um risco para a sobrevivência”, enfatiza

A segunda envolve a construção de soluções coletivas. “É fundamental fortalecer parcerias entre produtores, equipes de campo, pesquisa, organizações e reguladores. Cada um tem um papel e nenhum é dispensável”, assegura.

Na avaliação de Lemme, a adaptação a novos padrões de produção não é apenas uma resposta a pressões externas, mas um movimento necessário para manter competitividade e acesso a mercado. “Sustentabilidade é capacidade de sustentar no tempo. É, em última análise, uma discussão sobre sobrevivência dos negócios”, frisa.

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Fonte: O Presente Rural
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