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Suínos 16º SBSS

Nutrição adequada é crucial para que leitões atinjam seu potencial de desenvolvimento

Leitões de baixo peso e a busca por uniformidade dos lotes são desafios da suinocultura

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Djane Dallanora destacou práticas que devem ser adotadas na granja em termos de nutrição e sanidade durante sua participação no SBSS

As primeiras fases de vida dos leitões exigem programas especiais de nutrição. Um dos grandes objetivos da cadeia produtiva é aumentar o tamanho das leitegadas, mas uma série de fatores pode dificultar que esses animais atinjam todo o seu potencial genético. O doutor em Ciência Animal, Jesus Acosta, abordou na quarta-feira (14), durante a programação científica do 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), as possibilidades de melhorar a uniformidade dos leitões, por meio do manejo nutricional.

Doutor em Ciência Animal, Jesus Acosta, abordou as possibilidades de melhorar a uniformidade dos leitões, por meio do manejo nutricional – Fotos: Caroline Lorenzetti/MB Comunicação

O tamanho da leitegada e o peso dos animais no nascimento são variáveis com grande impacto na rentabilidade da produção suína. Para assegurar uma nutrição adequada, que contribua para a uniformidade dos leitões, as estratégias devem iniciar ainda antes da ovulação das fêmeas.

Segundo Acosta, a base de todo esse processo está em manter as reservas corporais das fêmeas. “É muito importante entender que nas fêmeas as reservas corporais têm muito a ver com produtividade”, explica o especialista.

Durante a gestação, por exemplo, dependendo da condição da fêmea, é necessário aumentar ou restringir as reservas. “Nosso propósito é evitar que a nutrição seja um limitante. Precisamos maximizar a transferência de nutrientes e garantir a manutenção de uma condição corporal ideal para produzir uma boa gestação”.

Já na fase da lactação, as fêmeas entram em uma condição de balanço energético negativo, então, a dieta deve ser pensada de forma a minimizar a perda de peso, além de permitir que elas cheguem ao desmame em boas condições.

Para reduzir a variação de peso dos leitões no nascimento, ou seja, melhorar a homogeneidade, bem como aperfeiçoar o desempenho produtivo dos leitões nas próximas fases de criação, Acosta cita como componentes estratégicos os níveis de energia, dos aminoácidos e dos microminerais das dietas.

Em relação à energia, é necessário balancear bem as reservas das fêmeas, por meio do manejo da dieta. Nos aminoácidos, há bons indícios de que explorar a suplementação com arginina e glutamina pode reduzir a variabilidade na leitegada. Já os minerais podem contribuir para que os leitões ganhem peso e apresentem melhor desempenho desde o desmame até a terminação.

Leitões de peso baixo

As médicas-veterinárias Djane Dallanora e Fernanda Almeida completaram o debate, ao trazer para a programação o tema “Desmistificando leitões de baixo peso: da teoria à prática”.

A seleção de fêmeas hiperprolíficas, aquelas que produzem um maior número de leitões por leitegada, permitiu um crescimento substancial da suinocultura, no entanto, um grande desafio surgiu nesse contexto: os leitões de baixo peso. “Estamos diante de uma espécie que gera leitegadas enormes, mas temos um problema anatômico de capacidade uterina nas nossas fêmeas, agravado pela característica da placenta suína, que não representa uma interface materno-fetal eficaz”, pontua Fernanda.

Fernanda Almeida participou do debate sobre leitões de baixo peso

Essas condições fazem com que os fetos cresçam menos, pois ficam sem espaço no útero. Ao nascer, esses leitões com baixo peso corporal dificilmente alcançarão o mesmo peso de uma leitegada que nasceu com peso considerado normal, acarretando num desenvolvimento abaixo do esperado e, até mesmo resultar em um menor desenvolvimento muscular. “Atuar diretamente sobre animais de baixa viabilidade é um tanto arriscado, porque são animais que, mesmo ao fornecer a melhor dieta, não competirão com seus irmãos que nasceram com peso normal. São alterações que acontecem dentro do útero e que impactarão durante toda a vida do indivíduo, por isso nosso foco é atuar sobre a fêmea”, salientou Fernanda.

Na visão de Fernanda, o ideal seria atuar na melhoria da nutrição da fêmea para que ela consiga fornecer um ambiente uterino favorável ao desenvolvimento dos seus leitões. “São vários alvos de ação que podemos observar para favorecer o crescimento desses animais ainda no útero, como investir em qualidade de microbiota, oferecendo probióticos para a fêmea gestante”, detalha.

Já Djane, explana sobre cada fase dos leitões de baixa viabilidade, e boas práticas que devem ser adotadas na granja em termos de nutrição e sanidade. Segundo a veterinária, o manejo dos leitões durante a lactação interferirá diretamente em seu desempenho até a terminação.

Para entender as causalidades dos leitões de baixo peso, é preciso olhar para a maternidade e entender o histórico da leitegada. “É preciso identificar se teve um leitão pequeno de cada leitegada, se foram várias leitegadas de leitões pequenos, ou se teve leitões pequenos por conta de problemas sanitários, como incidência de diarreia. Quando identifico essa causa raiz que está gerando o leitão de baixo peso, vou poder tomar ações apropriadas”.

O manejo do colostro é primordial nesse aspecto. Dados apresentados pela doutora mostram que é possível compensar um menor peso ao nascimento com um alto consumo de colostro. “Mamar o colostro é fundamental, impactará na sobrevivência e no desempenho”, destaca a especialista.

Outras ferramentas que Djane considera crucial para a virada de resultado na maternidade são a classificação pós-parto e a lotação de aparelho mamário. “Temos que entender a dinâmica de lactação, a lotação de aparelho mamário e preparar bem as fêmeas, estimulando o aparelho mamário na sua primeira e segunda lactação. Isso definirá a funcionalidade do aparelho mamário durante toda a vida dela e vai fazer com que ela produza leite suficiente para um número tão grande de leitões”.

A doutora ainda chama a atenção para a importância dos cuidados com questões sanitárias nas creches, como a limpeza e desinfecção corretas, organização de manejos básicos de alojamento, como o vazio sanitário adequado, e o investimento em sistemas de climatização para assegurar a qualidade do ar.

Programação 

Quinta-feira (15)

Painel Biosseguridade

08h às 08h40 – Biossegurança em fábricas de rações: principais eventos de risco de contaminação do alimento às granjas

Palestrante: Gustavo Simão

08h45 às 09h25 – Conhecendo o inimigo: como garantir a segurança da granja com relação a roedores

Palestrante: Isis Pasian

09h25 às 09h45 – Questionamentos

09h45 às 10h05 – Coffee break

Painel Manejo da Produção

10h10 às 11h45 – Perdas ao abate: oportunidades no campo e abatedouro

10h10 às 10h35 – Qual o papel do abatedouro como cliente do sistema de produção? Uma visão holística

Palestrante: Jalusa Deon Kich

10h35 às 11h45 – Debatedores:

●       Marisete Cerutti

●       Augusto Queluz

●       Sérgio Carvalho

●       Mônica Santi

●       Ricardo José Buosi

11h45 às 12h – Questionamentos

12h05 – Sorteios e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet

Suínos

Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

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Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

Suinocultura enfrenta queda nas cotações em importantes estados produtores

Dados mostram retrações diárias e mensais, com exceção do Rio Grande do Sul, que apresenta leve avanço no acumulado do mês.

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Os preços do suíno vivo registraram variações negativas na maioria dos estados acompanhados pelo indicador do CEPEA, ligado à Esalq, conforme dados divulgados em 13 de fevereiro.

Em Minas Gerais, o valor do animal posto foi cotado a R$ 6,76 por quilo, com recuo diário de 0,29% e queda acumulada de 4,52% no mês. No Paraná, o preço do suíno a retirar ficou em R$ 6,65/kg, com retração de 0,30% no dia e de 2,06% no comparativo mensal.

No Rio Grande do Sul, o indicador apresentou leve alta no acumulado do mês, com valorização de 0,59%, alcançando R$ 6,80/kg, apesar da pequena queda diária de 0,15%. Já em Santa Catarina, o valor registrado foi de R$ 6,59/kg, com baixa de 0,60% no dia e retração de 1,79% no mês.

Em São Paulo, o suíno posto foi negociado a R$ 6,92/kg, apresentando redução diária de 0,57% e queda mensal de 2,40%.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos

Exportações sustentam desempenho da suinocultura brasileira no início de 2026

Embarques crescem mais de 14% e ajudam a equilibrar o setor, conforme análise da Consultoria Agro Itaú BBA, mesmo diante do aumento da oferta interna.

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O início de 2026 registrou queda significativa nos preços do suíno, reflexo da expansão da produção observada ao longo do ano anterior. Mesmo com a pressão no mercado interno, o setor manteve resultados positivos, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pelo controle nos custos de produção, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

As cotações do animal vivo em São Paulo apresentaram forte recuo no começo do ano, passando de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro, queda de 23% no período. Com o ajuste, os preços retornaram a níveis próximos aos registrados no início de 2024 e ficaram abaixo do observado no começo do ano passado, quando o mercado apresentou maior firmeza nas cotações, com valorização a partir de fevereiro.

O avanço da produção de carne suína ao longo de 2025 foi impulsionado pelas margens favoráveis da atividade. A expectativa é de que esse ritmo tenha sido mantido no primeiro mês de 2026, embora os dados oficiais de abate ainda não tenham sido divulgados.

No mercado externo, o setor iniciou o ano com desempenho positivo. Os embarques de carne suína in natura somaram 100 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os principais destinos, destacaram-se Filipinas e Japão, responsáveis por 31% e 13% das exportações brasileiras no mês, respectivamente.

Mesmo com os custos de produção sob controle, a queda de 5% no preço do animal na comparação entre janeiro e dezembro resultou na redução do spread da atividade, que passou de 26% para 21%. Ainda assim, o resultado por cabeça terminada permaneceu em nível considerado satisfatório, com média de R$ 206.

No comércio internacional, o spread das exportações também apresentou recuo, influenciado pela redução de 0,8% no preço da carne suína in natura e pela valorização cambial. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após registrar 42% no mês anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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