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Número de associados cresce 14% após programa de fortalecimento sindical no Paraná
Sistema Faep abre inscrições para novo ciclo do Sindicato Protagonista com mais indicadores de desempenho e metas estratégicas.

O projeto Sindicato Protagonista, promovido pelo Sistema Faep, entrou no seu terceiro ciclo. A iniciativa, voltada ao fortalecimento dos sindicatos rurais do Paraná, chega à edição 2026/2027 com mudanças que ampliam tanto os incentivos quanto o nível de exigência dos sindicatos participantes. As entidades interessadas têm até dia 17 de julho para efetivar a inscrição.
Entre as principais novidades estão o aumento da bonificação financeira, que passou de R$ 5 mil para R$ 7 mil, a inclusão de quatro novos indicadores de desempenho e a obrigatoriedade de pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). Criado para incentivar a profissionalização e a relevância dos sindicatos, o projeto combina metas, ações práticas e acompanhamento contínuo dos consultores do Sistema Faep, com foco na ampliação da base de associados, no engajamento de mulheres e jovens e na atuação institucional das entidades.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O Sindicato Protagonista, dentro do Programa de Sustentabilidade Sindical, funciona como uma ferramenta de gestão e planejamento, com consultoria individualizada e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, o projeto tem papel estratégico na qualificação das entidades sindicais. “O Sindicato Protagonista, dentro do Programa de Sustentabilidade Sindical, funciona como uma ferramenta de gestão e planejamento, com consultoria individualizada e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. O desempenho não depende da comparação entre sindicatos, mas da capacidade de cada entidade de evoluir dentro da sua própria realidade. É um desafio interno, que exige mudança de cultura organizacional e comprometimento com resultados”, afirma.
O Sindicato Protagonista opera com um sistema de pontuação que soma até mil pontos, distribuídos entre três eixos principais: atingimento de metas, execução de ações e cumprimento de prazos. A maior parte da pontuação (500 pontos) está vinculada às metas definidas pelos próprios sindicatos, com base em indicadores que refletem seus objetivos estratégicos. Cada entidade pode escolher entre três e cinco indicadores, além do PEM, que agora pontua obrigatoriamente.
Outros 350 pontos estão relacionados à execução das ações previstas no Plano de Sustentabilidade de cada entidade, enquanto os 150 pontos restantes consideram a qualidade e a pontualidade no envio de informações e evidências ao longo do ciclo.
Ao final do ciclo, em 2027, os sindicatos que atingirem pelo menos 750 pontos recebem o Selo Sindicato Protagonista, um reconhecimento institucional entregue até julho do ano seguinte. Além da visibilidade, as entidades contempladas recebem a bonificação financeira de R$ 7 mil, condicionada ao desempenho.
Novos indicadores
Para este ciclo, o projeto amplia o nível de exigência sobre a atuação dos sindicatos, ao incorporar indicadores que medem, de forma mais objetiva, a capacidade de organização, formação e renovação interna das entidades. Nos novos critérios passam a ser avaliados aspectos como o nível de capacitação da diretoria, por meio da participação no treinamento Líder S; engajamento feminino, com a exigência de formação de coordenadoras locais em pelo menos duas capacitações previstas pela Comissão Estadual de Mulheres da Faep (CEMF); e presença de jovens no quadro de associados, considerando produtores com até 35 anos.

Outro ponto que passa a ser monitorado é a qualificação de representantes que atuam em conselhos municipais, a partir da participação no curso Cidadania e Política, do Programa de Sustentabilidade Sindical.
Além desses, o projeto mantém indicadores ligados ao número de associados, à presença feminina, à atuação em conselhos municipais e comissões técnicas, ao custo operacional das entidades, à abrangência dos cursos do Sistema Faep, à execução do PEM e à oferta de serviços aos produtores.
De acordo com o gerente do Departamento de Relações Sindicais do Sistema Faep, João Lázaro Pires, o objetivo é aproximar o sindicato da sua base e tornar a atuação mais efetiva na região. “Desde o primeiro ano do Sindicato Protagonista, a gente já notou que as entidades estão mais próximas do Sistema Faep e do produtor rural. Isso fortalece a base”, afirma.
Projeto funciona como “divisor de águas” pelo Paraná
As transformações por meio do projeto Sindicato Protagonista refletem diretamente no cotidiano das entidades espalhadas pelo Paraná. Em Nova Londrina, com extensão de base em Marilena e Itaúna do Sul, o presidente do sindicato rural, Gilson Thimóteo Leitão, acredita que a iniciativa permitiu tirar projetos do papel e ampliar a atuação na região.

Para o presidente do Sindicato Rural de Nova Londrina, Gilson Thimóteo Leitão, a iniciativa permitiu tirar projetos do papel.
“Estamos satisfeitos com a parceria junto ao Sistema Faep, que dá suporte e subsídios para que o nosso sindicato seja, de fato, protagonista. Foi um marco dentro da nossa entidade. A partir deste movimento, conseguimos transformar ideias em ações concretas que fortaleceram o nosso trabalho e ampliaram o nosso alcance”, destaca.
Segundo o dirigente, a participação no projeto resultou na adesão à Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), na implementação do programa Agrinho nas escolas municipais e na realização de ações sociais e eventos de mobilização. “Promovemos campanhas como o Outubro Rosa, realizamos o Dia do Produtor, que reuniu mais de 200 participantes, além de ações como campanha do agasalho. Também participamos de encontros estaduais que trouxeram ainda mais aprendizado. Tudo isso fez diferença na nossa atuação”, afirma Leitão. “O suporte do Sistema Faep foi fundamental para que conseguíssemos avançar”, completa.

A presidente do sindicato rural de Ibiporã, Florisa Satie Hoshino, conta que o projeto trouxe direção e segurança à entidade.
Em Ibiporã, a experiência também evidencia o processo de transformação. A presidente do sindicato rural, Florisa Satie Hoshino, relata que o projeto trouxe direção e segurança para decisões que antes eram marcadas por dúvidas. “Foi um divisor de águas. A gente já fazia muitas ações, mas havia insegurança se estávamos no caminho certo. O projeto mostrou que estávamos, mas que era preciso avançar, com metas, orientação e acompanhamento mais próximo”, afirma.
Segundo ela, o acompanhamento técnico e a construção coletiva de metas exigiram mudança de postura e enfrentamento de desafios concretos, como a formação de turmas da ATeG e a ampliação do quadro de associados. “Com persistência e direcionamento, conseguimos avançar. Isso deu mais visibilidade ao sindicato e fortaleceu nossa atuação”, relata Florisa.
A mobilização feminina também ganhou força no município. “Muitas mulheres passaram a se envolver ao perceber o movimento que estávamos construindo. Isso ampliou nossa base e trouxe novas lideranças”, conclui a dirigente.

Já em Nova Santa Rosa, o projeto trouxe um olhar estratégico sobre a atuação do sindicato rural local, conta o presidente Erni Arndt.
Esse mesmo movimento se repete em outras regiões do Estado. Em Nova Santa Rosa, o projeto trouxe um olhar estratégico sobre a atuação do sindicato rural local, contribuindo para ajustes internos e expansão das ações.
“O projeto permitiu uma visão de fora sobre o que estamos fazendo e onde podemos melhorar. A iniciativa impulsionou mudanças importantes, como a criação da Comissão de Mulheres, a ampliação da equipe e o aumento na oferta de cursos”, relata o presidente da entidade, Erni Arndt.
Com essas medidas, o sindicato está crescendo em presença e visibilidade dentro da comunidade. “Pela primeira vez na história do município, fomos convidados pela Secretaria de Educação para participar do desfile de aniversário de 50 anos da cidade”, conta o dirigente.
Para Arndt, os resultados são fruto do planejamento conjunto e do fortalecimento do trabalho em equipe. “Essas e outras ações tiveram incentivo do Sindicato Protagonista. Passamos a planejar melhor e isso fez diferença nos resultados que alcançamos”, finaliza.
Inscrição
Para participar, os sindicatos precisam formalizar a adesão por meio do envio da Carta de Adesão ao Sistema Faep (confira o regulamento no QR Code abaixo), assinada pela presidência, pela coordenação da Comissão de Mulheres (quando houver) e pela gestão da entidade. A participação implica compromisso com metas, prazos e execução do plano estratégico, além da disponibilidade de estrutura interna para acompanhar o desenvolvimento do projeto.
Sindicatos que ingressam pela primeira vez passam por um diagnóstico inicial, que serve de base para a construção do Plano de Sustentabilidade.
Primeiras edições modificaram a realidade dos sindicatos
Os números das edições anteriores do Sindicato Protagonista indicam que o programa tem provocado mudanças na estrutura e na atuação das entidades pelo Paraná. Os reflexos já podem ser percebidos na prática, dentro e fora dos próprios sindicatos.
No ciclo mais recente, iniciado em 2025 e encerrado em 2026, o projeto contou com a adesão de 105 sindicatos rurais. Ao longo do período, o número de associados saltou de 12.690 para 14.511, aumento de 14%.
A participação feminina também apresentou crescimento. O número de mulheres envolvidas nas estruturas sindicais passou de 3.493 para 4.290, avanço de 22%. Esse movimento está diretamente ligado à atuação da Comissão Estadual de Mulheres da Faep, que hoje reúne 108 comissões locais.
Outro indicador relevante é o fortalecimento da presença institucional dos sindicatos. A participação em conselhos municipais aumentou de 375 para 394 representações, enquanto as indicações para comissões técnicas do Sistema Faep passaram de 382 para 441. Na prática, isso amplia a inserção das entidades nos espaços de decisão e no debate de políticas públicas no meio rural.
O projeto também impactou a gestão interna. Houve redução de 9,5% no custo operacional, sinalizando ganhos de eficiência e melhor organização administrativa.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



