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NR 36: Livro aborda criação, impactos e formas de gerenciamento de norma que redefine o trabalho em frigoríficos

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Entender os reais motivos que levaram a criação da 36ª Norma Regulamentadora, avaliar seus principais impactos e apresentar uma forma de gerenciamento do seu conteúdo é o objetivo da obra NR 36: Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados (Editora LTr), de autoria do professor e engenheiro de Segurança do Trabalho, Moacir José Cerigueli, que será lançada no dia 29 de agosto, às 10h, durante o Salão Internacional da Avicultura (SIAV), no Anhembi, em São Paulo (SP).
Elaborada a partir de décadas de experiência como Engenheiro de Segurança & Saúde do Trabalho no setor frigorífico e de sua participação como membro do grupo que debateu e auxiliou a construção da NR 36, a obra de Cerigueli faz uma leitura detalhada da legislação que agora rege as diretrizes do trabalho nos frigoríficos brasileiros.
De forma didática, o autor transforma o conteúdo da NR-36 em tópicos comentados, para fácil entendimento e aplicação no dia a dia. Conforme explica Cerigueli, a obra objetiva ser um guia prático para técnicos das empresas do segmento, e de órgãos fiscalizadores, peritos, judiciário e entidades representativas dos trabalhadores.
“A obra faz uma revisão dos debates, das intenções dos envolvidos na elaboração e dos pontos críticos que findaram na construção da NR 36,permitido um melhor entendimento sobre os itens da norma. Além disto, é feito um detalhamento sobre questões que ainda geram dúvidas em técnicos, fiscais e sindicatos. Desta forma, o livro busca contribuir para o balizamento dos trabalhos de aplicação e fiscalização sobre a legislação”, destaca.

Sobre a Norma: Motivado pela abertura do mercado econômico brasileiro no decorrer da década de 1990, o setor frigorífico viu-se obrigado a se ajustar em termos de competitividade. Dessa forma, grande parte das indústrias deste segmento buscou acompanhar s nova realidade, sem fazer uso de ferramentas apropriadas de gestão. O resultado foi a eclosão das doenças ocupacionais. A necessidade de se estabelecer um marco regulatório em termos de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) para os frigoríficos ganhou força na sociedade brasileira nos últimos anos, o que culminou com a formação de um grupo tripartite, que levou à criação de uma nova NR.

A NR-36 traz na sua essência a necessidade das empresas melhorarem seus ambientes de trabalho, tendo a ergonomia como o principal referencial, além da definição de tempos mínimos de pausas e controle do ritmo de produção. Assim sendo, o grande desafio do segmento frigorifico do país reside em estabelecer um modelo integrado de gestão, incluindo aspectos de SST.

Sobre o Autor: Moacir José Cerigueli é engenheiro de Segurança do Trabalho e professor de cursos de Engenharia de Segurança do Trabalho e de Técnicos de Segurança do Trabalho em diversas instituições como UnC, Univates, SENAI e SENAC.Cerigueli é também membro do Grupo Técnico Tripartite (GTT) do DSST/MTE da NR-36, na condição de Assessor Técnico.  Foi, também,comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Videira (SC).

Serviço:
Lançamento da Obra: NR 36: Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados, de Moacir José Cerigueli (216 pg, Editora LTr)
Quando: Dia 29 de agosto, às 10h
Onde: No Centro de Convenções do Anhembi, durante o Salão Internacional da Avicultura (SIAV), em São Paulo (SP), com entrada gratuita.
Saiba mais pelo site www.ubabef.com.br/siav.
 
Serviço:
SALÃO INTERNACIONAL DA AVICULTURA (SIAV)
O evento oficial da Avicultura Brasileira!
De 27 a 29 de agosto de 2013
Anhembi – SP

Fonte: Ass. Imprensa da Ubabef

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Avicultura

Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

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Fotos: Divulgação

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”

Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.

Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.

“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.

Controle e tratamento 

Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.

O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.

Sinais clínicos e consequências 

Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.

A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.

Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.

De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Uso racional

Avicultura precisa mensurar melhor quanto gasta de água

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso.

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Envolvida em muitas funções fisiológicas, a água chega a compor 85% da estrutura corporal de pintainhos e de até 75% em aves adultas. Por isso, a reposição da água corporal e a qualidade desta água ingerida é fundamental para o consumo adequado dos animais para evitar desidratação e redução no consumo da ração.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, destacou que diante da escassez hídrica vivenciada nos últimos anos é preciso cada vez mais buscar alternativas para o uso racional da água. Neste contexto, é fundamental rever todos os processos que envolvem a utilização de água na atividade avícola, desde as granjas reprodutoras, passando pelos incubatórios, produção de frangos, abatedouro e fábrica de ração.

Antônio Mário Penz Junior: “Sem medir a qualidade da água não podemos melhorar qualquer processo” – Fotos: Arquivo/OP Rural

Conforme Penz, em um incubatório se espera um consumo total de água de 300 ml/1000 pintainhos, enquanto que em um abatedouro, o valor médio empregado de água é de 22 litros/ave abatida. “Na propriedade rural só agora começa a discussão deste tema, uma vez que se começa a ver a coleta de água da chuva e de linhas de bebedouros para serem usadas em refrigeração de painéis evaporativos ou para outros usos, até irrigação de plantas da casa do produtor ou em suas hortas, quando não em alguma produção de grãos”, relata. Ele palestrou sobre “Qualidade de água: sustentabilidade x crise hídrica” no 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, promovido em abril pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), na cidade de Chapecó (SC)

Quantidade ideal de água por frango

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso. “Qualquer desvio desta proporção por dias subsequentes sugere alguma anomalia na saúde dos animais, que podem consumir mais, em um processo febril e consumir menos pelo uso de água quente, bebedouros altos, etc.”, alerta.

Outro fator a ser considerado é a mortalidade, uma vez que quanto maior a idade com que as aves morrem, maior o consumo de água e de ração que serão perdidos. Já frangos com dieta peletizada podem consumir até 20% menos água do que aves que consomem dieta farelada, além de apresentar melhor conversão alimentar, o que leva a uma redução de consumo de água.

Penz diz que é imprescindível medir o que é gasto nos diferentes processos de produção. Em incubatórios e abatedouros esta é uma medida regular, um item de controle. Mas na propriedade, além do que é gasto com as aves, tem que medir o que é gasto em outros processos na produção, como nos painéis evaporativos. “Cada produtor, com a medida de consumo total na propriedade, definirá um indicador que poderá ser por frango produzido/mês, por frango produzido por metro quadrado de galpão por ano, etc. As empresas integradoras terão importante papel nesta atividade, estimulando os produtores a começar a medir o que gastam e como podem fazer para que reduzam seus gastos. Sem medir não podemos melhorar qualquer processo”, expõe.

Para aplicar na prática o método da água sustentável, Penz afirma que é necessário começar com a medição do consumo de água que cada propriedade tem e definir valores de referência para cada segmento de produção. Para isto, as propriedades deverão ter pelo menos um hidrômetro de registro. “E se quiserem ser ainda mais eficientes que tenham hidrômetros em diferentes segmentos como tambo, pocilga, aviário, casa do proprietário etc.”, menciona, ressaltando: “Temos que medir o que é consumido e devemos fazer análises sistemáticas da água usada pelos frangos – duas vezes por ano, sendo na época de chuva e na seca -, para identificarmos se há algum cuidado que deve ser dado à água antes que seja utilizada pelos produtores e seus animais”.

Em termos de temperatura, são recomendados valores inferiores a 25ºC. Com relação ao pH, que seja entre 6 e 7. Água com pH alcalino (9) deve ser acidificada, para que atinja, pelo menos a neutralidade (pH 7,0), orienta o diretor global.

Para a concentração mineral da água, Penz sugere como indicador de referência o uso de sólidos dissolvidos totais, onde os valores devem ser de no máximo 1000 mg/L. “Acima disto e quanto maior for este valor, maior atenção o produtor deverá dar a água que está sendo usada pelas aves, em geral”, salienta.

Em relação ao que provoca nas aves a falta de consumo d’água, Penz é enfático: “O frango come por que bebe! Desta forma, se a ave toma 90% do que deveria consumir, seu consumo de ração será 10% abaixo do previsto e, com isto, o resultado de produção do lote será muito prejudicado”.

Medição de consumo de água

O profissional declara que para se pensar em soluções econômicas ao uso d’água para o futuro é preciso agir no presente, iniciando com a medição do que está de fato sendo consumido na propriedade. “A medição de consumo de água de uma propriedade rural não é um procedimento convencional, pois a água, normalmente, vem da propriedade, através de açudes, poços rasos ou profundos, porém, sem medir não podemos definir metas”, pontua.

Tecnologia e uso racional

“Com os equipamentos hoje disponibilizados já é possível identificar o consumo e a temperatura de água em tempo real e relacionar este consumo com o consumo de alimento. Qualquer alteração que ocorra no aviário será identificada imediatamente, permitindo ações mais rápidas e efetivas”, assegura Penz.

Ele cita que já estão disponíveis no mercado equipamentos que permitem medir o peso dos frangos, em tempo real, através do uso de câmeras, além do surgimento de equipamentos que mensuram características ambientais importantes no galpão, como concentração de CO², umidade, amônia, velocidade do ar e temperatura, além de sons distintos produzidos pelos animais. “Qualquer desvio de parâmetros ambientais e comportamentais podem comprometer o consumo de água que, por consequência, comprometerá o consumo de alimento”, reforça.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Alternativas eficientes

Especialista orienta sobre como manter a saúde das aves sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa, diz que existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Usados na avicultura, principalmente, para gerar benefícios na produção, como melhorar o ganho em peso, a conversão alimentar e reduzir a mortalidade, os antibióticos são aplicados na avicultura, porém o uso desses medicamentos vem sendo reduzido gradualmente na produção brasileira. A redução se deve às mudanças na legislação, em razão da resistência antimicrobiana que pode interferir também na saúde humana.

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa: “A recomendação é usar antibióticos com prudência e apenas medicar animais doentes ou lotes onde a percentagem de animais doentes o justifique, sempre sob a supervisão de um veterinário e com um diagnóstico preciso” – Foto: Divulgação

No entanto, os problemas causados pelo uso excessivo de antibióticos como promotores de crescimento não ser restringem aos humanos. “O desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana também terá um impacto negativo na produção animal e na economia mundial”, é o que aponta Mariano Fernández Miyakawa, coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. O profissional fala sobre as novidades desse tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril, em Chapecó (SC).

A prática, segundo Fernández, é totalmente desaconselhada, pois os antibióticos devem ser usados apenas para tratar animais doentes. “Sob essa perspectiva, cada vez mais países estão restringindo seu uso, somado à pressão dos consumidores para poder acessar a carne produzida sem antibióticos, incluindo, sobretudo, os promotores”, relata.

Portanto, reduzir seu uso é considerado fundamental para minimizar o impacto do problema e se adequar à legislação brasileira. Desta forma, a retirada dos antibióticos deu origem à alternativas para como estratégias para substituir os promotores de crescimento.

De acordo com Mariano, a retirada dos antibióticos como promotores de crescimento não causa nenhum problema às aves, “pois há conhecimento, ferramentas e aditivos (alternativas) que em seu resultado global podem até ser superiores ao uso de antibióticos”, afirma.

Para ele, saúde intestinal, como parte da saúde das aves, deve ser mantida com medidas que incluem vacinação eficaz, medidas de biossegurança, densidade adequada do lote e a escolha correta de aditivos. “Muitas vezes essas medidas são difíceis de abordar, ou devido a questões culturais, econômicas ou de gestão/conhecimento. Mas devemos dizer que a saúde intestinal das aves não foi garantida pelos antibióticos promotores”, pois segundo Fernández, há evidências de que os antibióticos poderiam agravar o aparecimento de patógenos cada vez mais virulentos e aumentar sua dispersão e manutenção dentro do sistema. “Portanto, essa mudança de paradigma no uso de alternativas deve ser vista como uma oportunidade para aumentar a eficiência do nosso sistema produtivo a médio e longo prazos”, afirma Fernández.

A saúde intestinal das aves é fundamental, pois é o que permite manter a absorção adequada de nutrientes e uma barreira contra muitos patógenos, um ponto-chave para a eficiência econômica. De acordo com Mariano, também é importante ter um ambiente saudável e manter um desenvolvimento adequado do animal. “Assim, evitamos complicações gerais de saúde, bem como alterações fisiológicas e comportamentais da ave que possam impactar negativamente nessa busca pela eficiência e bem-estar do animal”, ressalta.

Alternativas

Existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos e que podem ser classificados de várias maneiras, mas em geral estão associados a produtos derivados de microrganismos (probióticos, pós-bióticos, peptídeos, etc.); medicamentos, produtos químicos (prebióticos, ácidos, etc.) e enzimas; fitoquímicos (extratos vegetais, óleos essenciais, saponinas, taninos, etc.) e produtos derivados relacionados ao sistema imunológico.

Conforme Fernández, cada um possui características específicas e, embora os mecanismos de ação propostos variem, mesmo entre produtos semelhantes (por exemplo, dois fitoquímicos semelhantes), em geral estão relacionados à modulação da microbiota, efeitos diretos no trato intestinal e na fisiologia do hospedeiro, incluindo o sistema imunológico. “Em algumas alternativas, um mecanismo pode ser mais preponderante que outro, porém temos que considerar que estamos falando de um sistema complexo, que se estabelece entre a microbiota intestinal e a ave, de modo que cada efeito de um lado influenciará o outro”, explica.

Processo de transição

A transição dentro da granja pode ocorrer de maneira rápida e segura, desde que se escolher corretamente as alternativas indicadas para cada sistema produção. No entanto, de acordo com Fernández, o maior desafio muitas vezes está nas pessoas encarregadas de aplicar a mudança, pois ainda existe receio e resistência a essa substituição. “Este medo leva a crer que qualquer situação negativa que surja no sistema de produção é rapidamente associada à substituição, o que pode ameaçar a mudança realizada”, aponta Fernández.

Custo

Considerado o principal “vilão” na produção brasileira de proteína animal, o custo de produção é extremamente debatido e os processos produtivos ajustados para que sejam minimizdos, sem comprometer a produtividade.

Dentro desse atual contexto, qualquer mudança pode ser vista com preocupação pelos produtores, em razão de possíveis encarecimentos do custo de produção.

Entretanto, as alternativas aos promotores de crescimento convencionais não acarretam aumento aos avicultores, segundo Fernández. “Com a oferta de alternativas disponíveis, não deve ser mais caro se a escolha for adequada ao meu sistema”, afirma.

No entanto, conforme Mariano, devemos ter em mente que muitas vezes diferentes alternativas são adicionadas aos alimentos, por diferentes motivos, como cobrir possíveis problemas, que muitas vezes não são necessários. “Isso acaba aumentando o custo do uso dessas alternativas”, menciona.

Por outro lado, o impacto ao longo do tempo, o uso dessas alternativas nos sistemas de produção, acompanhado de outras medidas como vacinação, biossegurança e densidade, devem gerar um sistema mais estável e previsível. “E portanto, menor custo de produção associado a problemas de saúde clínicos e subclínicos”, salienta Fernández.

Alternativas futuras

O desenvolvimento de alternativas vem evoluindo desde os anos 2000, com um forte impulso de pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

Segundo Fernándes, no início, o foco era muito na capacidade antimicrobiana das alternativas, para depois incluir a ave como alvo de ação das alternativas e depois incluir ambas. “No futuro, talvez mais próximo do que esperamos, teremos alternativas que atuem diretamente nos principais mecanismos que nos permitem estimular o crescimento dos animais e teremos mais uma mudança de paradigma”, ressalta. Embora, conforme ele, a indústria ainda esteja tentando entender quais são esses mecanismos, muito desse conhecimento já se tem e o desafio está em juntar essas peças. “É muito provável que isso também afete a forma como prevenimos a adversidade das doenças infecciosas intestinais, favorecendo uma microbiota robusta e um sistema imunológico ativo”, salienta.

Mas para progredir ainda mais, de acordo com ele, é preciso descrever com mais detalhes a dinâmica das várias microbiotas sob diferentes condições, os metabólitos que são gerados e as vias de comunicação que se estabelecem entre a microbiota gastrointestinal e a ave. “Essas práticas começaram a entender graças ao custo cada vez mais acessível das técnicas de sequenciamento massivo, por exemplo”, sustenta.

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Fonte: O Presente Rural
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