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Novos programas para garantir renda ao produtor rural marcam 2024
Ano foi marcado pelo lançamento do Programa Leite Bom SC, com medidas de incentivo à cadeia leiteira e do Safra Garantida SC, proposta inédita para socorrer os agricultores que sofrem com os prejuízos das safras atingidas por intercorrências climáticas.

As políticas públicas para o desenvolvimento no campo atenderam mais de 80 mil agricultores catarinenses em 2024. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) executou mais de R$ 356,2 milhões (dados atualizados até 17/12), em programas e ações de apoio aos agricultores, com incentivos à inovação nas propriedades e permanência no campo. O ano foi marcado pelo lançamento do Programa Leite Bom SC, com medidas de incentivo à cadeia leiteira e do Safra Garantida SC, proposta inédita para socorrer os agricultores que sofrem com os prejuízos das safras atingidas por intercorrências climáticas.
O estado de Santa Catarina é campeão nacional na produção de carne suína, maçã, cebola, ostras, vieiras, mexilhões e pinhão. Neste ano bateu recorde na exportação de carne suína, com melhor resultado mensal de toda a série histórica, desde 1997. No acumulado de janeiro a novembro, exportou 1,8 milhão de toneladas de carnes, alta de 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas foram de US$ 3,78 bilhões, alta de 3,2% na comparação com os valores do mesmo período de 2023.
O governo do Estado e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária realizaram em dezembro o lançamento do Safra Garantida SC – Garantindo a renda do agricultor Catarinense. O programa busca potencializar a produção catarinense e garantir renda ao pequeno produtor nas safras prejudicadas pelas adversidades climáticas. O governo irá investir mais de R$ 84 milhões nos próximos dois anos em subvenção da taxa do adicional do Proagro Mais, para agricultores familiares.
As ações e programas são integrados entre a Secretaria de Estado da Agricultura e suas empresas vinculadas: Cidasc, Epagri e Ceasa. “Santa Catarina é referência na produção, pesquisa e sanidade, isso é resultado do trabalho conjunto do setor público e de toda cadeia produtiva. Dialogamos e buscamos juntos novas soluções para avançarmos com sustentabilidade e para atendermos as reais necessidades dos produtores. Temos o compromisso com que produz e com a qualidade dos produtos catarinenses, que chegam a mais de 140 países”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Valdir Colatto. Para melhorar a estrutura e acessibilidade, o prédio da SAR está em reformas, terá investimento de R$ 9,8 milhões.
Financiamento agropecuário e subvenção de juros
Para apoiar a cadeia produtiva de leite, o governo do Estado lançou em abril deste ano o Programa Leite Bom SC, que consiste em medidas de apoio a cadeia produtiva leiteira, com financiamentos e incentivos fiscais. Por meio do Financia Leite SC, foram aplicados R$ 54,2 milhões para investimentos na melhoria dos processos produtivos no setor leiteiro.
Foram destinados mais de R$ 27,5 milhões em financiamento e subvenção de juros para atender as demandas emergenciais, em decorrência das enxurradas e enchentes ocorridas em 2023, por meio do Recupera SC – 2ª Etapa. Nesse sentido, os agricultores foram atendidos pelos programas Reconstrói SC e Pronampe Agro SC Custeio Emergencial. A estimativa é que foram alavancados R$ 333 milhões na economia do ano.
No trabalho permanente de incentivo à produção, foram investidos R$ 106,9 milhões no Programa Terra Boa, nos projetos em que os agricultores têm acesso a calcário, sementes de milho, kits forrageira, apicultura e solo saudável, abelha rainha e incentivo ao cultivo de cereais de inverno. Foram aplicados R$ 118,8 milhões para atender os agricultores por meio dos programas: Água no Campo SC, Pronampe Agro SC, Financia Agro-SC, Jovens e Mulheres em Ação. Esses programas são destinados a melhoria dos processos produtivos por meio de financiamento e subvenção de juros. Os recursos para fomento do setor agropecuário chegam aos agricultores através do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), operacionalizado pela SAR e Epagri.
Regularização e Legalização Fundiária

Foto: Jonatã Rocha
Para promover a cidadania e a inclusão dos agricultores, o Programa Terra Legal entregou a documentação para regularização fundiária de 5.359 estabelecimentos do meio rural neste ano, foram investidos mais de R$ 690 mil.
O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) proporcionou o financiamento para a compra de imóveis rurais às famílias em busca de oportunidades no setor agrícola, 43 beneficiários foram atendidos por meio de financiamento de imóveis rurais, com investimento na ordem R$ 7,4 milhões. Na área de Desenvolvimento Sustentável e Florestal foi finalizado o Inventário Florestal de Florestas Plantadas (IFFP) do Estado de Santa Catarina, com um investimento no valor de R$ 498 mil.
Defesa Agropecuária
A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária desempenha, em conjunto com a Cidasc, programas e ações de defesa e inspeção sanitária agropecuária, visando à proteção da saúde pública, a qualidade dos alimentos, bem como a manutenção e expansão do status sanitário do Estado de Santa Catarina.
O Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa) investiu R$ 13,2 milhões na indenização de produtores rurais pelo abate sanitário de 4.665 animais doentes, possibilitando a readequação do rebanho com animais saudáveis e preservando a saúde pública. Também teve sequência a indenização de animais de produção mortos por afogamento ou soterramento, em decorrência de catástrofes ambientais ocorridas nos municípios pelo excesso de chuvas de outubro e novembro de 2023.
O Programa de Apoio à Criação de Gado para Abate Precoce beneficiou até outubro deste ano 2.109 pecuaristas catarinenses cadastrados, com incentivos para o abate de novilhos precoces e superprecoces no valor de R$ 15,3 milhões.
Em 2024 teve destaque a regulamentação do controle populacional de javalis, e de normativas com medidas para prevenção à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. Também ocorreu a publicação da Lei que atualiza as normas sobre a inspeção sanitária dos produtos de origem animal produzidos no Estado, mantendo a segurança e qualidade dos alimentos oferecidos ao consumidor.
Na defesa sanitária vegetal as ações fortaleceram o Programa Estadual de Mitigação de Riscos do Cancro Europeu das Pomáceas, com a continuidade da campanha “Todos Contra o Cancro”. Na área de grãos as ações foram na continuidade do combate à cigarrinha do milho e complexo de enfezamento, com recursos para o monitoramento e pesquisas no controle da praga. Para a cultura da soja os esforços foram para adequação do calendário de semeadura da soja em Santa Catarina, atendendo as necessidades das diferentes regiões.
Em 2024 também foi destaque a realização do Simpósio Sul Brasileiro ABC+ Agricultura de Baixa emissão de Carbono.
Convênios
Neste ano os convênios estaduais totalizaram mais de R$ 13,4 milhões, atendendo 72 municípios. Os convênios federais somam R$11,3 milhões destinados a 120 municípios, com o repasse de 287 equipamentos agrícolas. Os recursos são destinados por meio de emendas parlamentares, aplicadas para compra de equipamentos e implementos agrícolas, sistema antigranizo e eventos agropecuários.
Parcerias
O ano também foi marcado pela aprovação da criação de sete novas Câmaras setoriais: de Agroinovação; Ovinocultura e Caprinocultura; Bambu, Bebidas Artesanais; Turismo Rural; Pecuária de Corte e das Palmeiras Cultivadas. Com essa aprovação, totalizam 32 Câmaras setoriais na estrutura da SAR, com objetivo de discutir a cadeia produtiva, aprofundar os debates e sugerir políticas públicas.
O Projeto “Hortas do Saber Cultivando Conhecimento e Sustentabilidade”, está sendo implantado por meio da parceria da SAR com a Secretaria de Estado da Educação (SED). A SAR já destinou cerca de 50 mil pacotes de sementes de hortaliças às escolas estaduais.
Esse ano também foi comemorada a criação de três novas Indicações Geográficas: Banana e Cachaça de Luiz Alves e Lingüiça Blumenau, também foi lançado o Fórum de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, instituído pela Portaria 40/2024 SAR, em 1º de novembro de 2024.

Notícias
Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



