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Roberta Züge Opinião

Novos mercados! Novas perspectivas?

Para que de fato possamos alçar os voos que desejamos e podemos fazê-los, temos que buscar comprovar a adequação dos requisitos exigidos pelos clientes

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Artigo escrito por por Roberta Züge, diretora Administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki, médica veterinária doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP)

Não se pode negar o quanto o Brasil evolui nas últimas décadas em relação à produção de leite e, especialmente, em relação à balança comercial brasileira. Apesar do imenso rebanho, somente em 2004 o volume de importações foi menor que de exportação de lácteos. De fato, depois deste ano, a produção brasileira foi incrementada, e com ela também, em menor velocidade, a qualidade de leite. Mas, não na mesma proporção, e com crescimentos também significativos, outros países ampliaram suas produções. Em determinadas regiões do mundo há um desequilíbrio, mais produção que capacidade de consumo. Alguns países da Europa estão enfrentando um cenário complicado entre os produtores.

No entanto, sem esmiuçar os pormenores, o Brasil possui muitas vantagens, começando com a natureza que não impede que as pastagens e plantios fiquem hibernando, sob a neve de inverno, até as dimensões geográficas que permitem uma exploração racional e mais bem adaptada às questões de bem-estar animal, por exemplo.

Tais avanços têm levado a abertura de mercados. Em julho, a China anunciou que 24 laticínios estariam habilitados a exportar. Nas últimas semanas foi notícia a abertura para o Egito e, nestes dias para o Oriente Médio. Apesar de alvissareiras, nenhum embarque foi realizado para a China, que estão pendentes de uma melhor evidência de cumprimentos dos requisitos de fiscalização. Mesmos princípios devem ser seguidos por estes outros países.

As novas legislações, as Instruções normativas 76 e 77, de 2018, estabelecem critérios claros de controle, evidenciando um monitoramento desde a propriedade rural. Iniciando já com a sanidade dos animais, já que o leite pode carrear doenças ao ser humano, oriundos de animais enfermos, passando pelo controle de medicamentos, além do tempo e temperaturas de resfriamentos, como exemplos. E, claro, exigindo cuidados grandes com a higiene para evitar contaminações. Diversos outros critérios também estão estabelecidos e exigem, além do cumprimento, que existam registros que possam comprovar que as práticas são realmente realizadas.

Em outra esfera, há diversas inovações que estão sendo criadas, aqui mesmo no Brasil, que permitem adequar rapidamente às exigências. Como exemplo, o Ideas for Milk, fomentado pela Embrapa e diversos parceiros, busca estimular especialmente startups, que desejam empreender com projetos em inovação digital, voltados para a cadeia produtiva do leite. Quem sabe as dificuldades relatadas, em relação ao cumprimento das legislações, possam ser facilmente transpostas com os novos serviços e aplicativos que estão sendo oferecidos no mercado.

Assim, para que de fato possamos alçar os voos que desejamos e podemos fazê-los, temos que buscar comprovar a adequação dos requisitos exigidos pelos clientes. Apenas reclamar e pedir ampliações de prazos, como feitos nas outras normativas que versavam sob o tema, somente irá atrasar ainda mais a consolidação do Brasil como um exportador de lácteos.

Fonte: Assessoria
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Roberta Züge Opinião

Comemorar e valorizar o incremento genético dos animais de produção

Este imenso crescimento na produção de leite, constatada nas últimas décadas também foi bastante impulsionado pelo incremento do volume de inseminação artificial

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Artigo escrito por Roberta Züge; diretora administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); e médica veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).

Nos últimos 40 anos, a produção leiteira cresceu vertiginosamente colocando o país entre os grandes produtores mundiais. Em valores precisos, de 1974 a 2014, o volume de leite passou de sete para 35 bilhões. Infelizmente, provavelmente devido à conjuntura política, a partir de 2015, houve retração na produção. Em 2017, o mercado voltou a ser atrativo e o viés econômico ficou novamente positivo, superando, inclusive, as perdas dos anos de 2015 e de 2016.

Este imenso crescimento na produção de leite, constatada nas últimas décadas também foi bastante impulsionado pelo incremento do volume de inseminação artificial. No ano de 1973, foram comercializadas 460.721 doses de sêmen de origem nacional, sendo que 306.708 foram utilizadas no Estado de São Paulo, representando 66,65% do total. Em segundo lugar ficou o Paraná, com 22,06%. Desse volume, foram 14,35% das doses de animais da Raça Holandesa. Nesse mesmo ano, foram importadas 207.869 doses de sêmen, sendo 43.754 de touros holandeses.

Em 2017, conforme relatório da ASBIA – Associação Brasileira de Inseminação Artificial, que representa 90% do mercado do comércio de sêmen, foram mais de 4 milhões de doses comercializadas de animais leiteiros. Apesar da organização não divulgar os números, a Raça Holandesa é a que encabeça a lista de comercialização dos animais de raça leiteira.

Claramente, este vertiginoso crescimento está intimamente atrelado à maior utilização de animais especializados no rebanho. O último levantamento realizado pela Milkpoint, mostrou que os 100 maiores produtores de leite, no Brasil, produziram 7,3% a mais em 2018, alcançando média diária de 19.238 litros. É importante destacar que a Raça Holandesa se fez presente em 75 propriedades das 100 mais bem pontuadas pela Milkpoint, ao passo que a segunda colocada, a Girolanda aparece em 23 – lembrando ainda, que essa raça depende também do cruzamento com a Raça Holandesa. Extrapolando, poder-se-ia inferir que a Raça Holandesa está presente em praticamente 98% dos maiores produtores de leite no território nacional identificados pelo levantamento.

Para o Brasil consolidar seu papel como grande produtor e, até exportador, uma maior capilaridade, das raças especializas, deve ser preconizada nos rebanhos. Fortalecer este incremento de genética será o gatilho para alcançar este grande objetivo tão importante para o país todo.

Na sexta-feira, dia 26 de abril, foram conhecidos os campeões do Circuito Nacional da Raça Holandesa, uma copa das exposições desta raça. Para celebrar os campeões, foi realizado um jantar, durante a Expofrísia, exposição que ocorre em Carambeí, fomentada pela Cooperativa Frísia, outra que se destaca imensamente pela qualidade dos animais que apresenta. Ações como estas são bem importantes para valorizar os produtores. Estes eventos são vitrines para a genética que o Brasil já possui.

Nesta copa da Raça Holandesa, teve em 2018 muitas etapas, que envolveram milhares de pessoas, desde criadores, tratadores, veterinários e as equipes de organizações das exposições e das entidades fomentadores da raça. O Circuito Nacional da Raça Holandesa-CNRH contou com mais de 1.500 animais e quase 250 expositores, em diversas regiões do Brasil. Foram 10 exposições, sendo quatro delas, com as duas variedades separadas: preto e branco e vermelho e branco.

As exposições, para serem qualificadas como etapa do CNRH, teriam que ter, no mínimo, 100 animais, 10 expositores e um máximo 12 animais por expositor. Cada etapa realizou sua premiação e, para concorrer dentro do CNRH, somente as classificadas como campeãs e reservadas (primeiro e segundo lugares de cada categoria) concorreram a esta premiação que foi conhecida no jantar.

A Grande Campeã, da variedade ‘Preto e Branco’, foi HALLEY SIGILOSA WINDBROOK 322 TE, do criador Pedro Elgersma, do Paraná. O estado também fez a Grande Campeã da variedade ‘Vermelho e Branco’, a vaca BORG RED ROSE CINZ DESTRY 1714, de Ubel Borg e Rogerio Egbert Borg, levou o prêmio.

Na página do Gado Holandês há o anuário que apresenta a magnitude dos animais que hoje compõe os rebanhos dos associados. Eles certamente demonstram o padrão ideal de animais que devem, em um futuro próximo, alavancar o mercado nacional e corroborar para o aperfeiçoamento do setor leiteiro no Brasil.

Fonte: Assessoria
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Roberta Züge Opinião

As novas legislações para produção de leite: estamos prontos?

Programas de autocontrole irão demandar mais profissionais atuando nas propriedades rurais, como forma de garantir a sanidade dos animais

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Artigo escrito por Roberta Züge, diretora administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).

Seguindo as tendências mundiais, as instruções normativas, pertinentes à produção e comercialização de leite, que devem estar vigentes já no início de junho de 2019, estão exigindo controles e evidências de cumprimento de procedimentos, desde a unidade de produção, ou seja, já na propriedade rural.

A Instrução normativa 76 que determina os critérios e procedimentos para a produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru em estabelecimentos registrados no serviço de inspeção oficial, estabelece, entre vários outros requisitos, um real monitoramento no campo.

Nesta normativa, há a clara exigência de evidenciar a sanidade dos rebanhos leiteiros, pois, ela cobra que todos os rebanhos, que forneçam leite, tenham um médico veterinário responsável, e os processos de acompanhamento devem constar em programas de autocontrole dos estabelecimentos. Este profissional precisa evidenciar o cumprimento dos programas para controle sistemático de parasitoses e mastite assim como, controle de brucelose (Brucella abortus) e tuberculose (Mycobacterium bovis). Desta forma, há ampliação da ação das indústrias dentro das unidades de produção. Com ela, um arcabouço documental para comprovar que as práticas solicitadas estejam sendo realizadas sistematicamente.

Como exemplo, o artigo sétimo da IN 76, determina que os estabelecimentos devam ter em seus planos de autocontrole, no item qualificação de fornecedores, os requisitos para a garantia do emprego das boas práticas agropecuárias, como um dos pilares para o programa de autocontrole da matéria-prima. Assim, a ação de monitoramento deve se capilarizar no campo, indo além de apenas retirar o leite resfriado na temperatura adequada e atendendo aos requisitos pertinentes à matéria-prima em si. Esta IN, claramente, descreve que o estabelecimento deve manter um plano de qualificação de fornecedores de leite, o qual precisa contemplar a assistência técnica e gerencial, bem como, a capacitação de todos os seus fornecedores, com foco em gestão da propriedade e implementação das boas práticas agropecuárias.

Outro item, que pode causar certo desconforto a muitos produtores, é a exigência de interrupção de coleta de leite, pelo estabelecimento, quando o leite apresentar, por três meses consecutivos, resultado de média geométrica fora do padrão estabelecido no Regulamento (Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do leite cru refrigerado para Contagem Padrão em Placas – CPP).

Além dos estabelecimentos serem obrigados a realizar e manter atualizado o cadastramento de seus fornecedores em sistema do MAPA, eles devem incluir nos planos de autocontrole, hoje apenas focados na indústria, itens pertinentes ao campo, como cadastro atualizado dos produtores rurais (nome, CPF, endereço) deve especificar volume diário, capacidade, tipo e localização georreferenciada do tanque, linhas, horários e frequências de coleta. Na mesma premissa, os estabelecimentos deem manter cadastro dos transportadores de leite (nome, CPF ou CNPJ, endereço) acrescidos de identificação do veículo, identificação dos motoristas, capacidade do tanque, linhas e horários de coleta. Um maior detalhamento dos responsáveis pela coleta do leite será necessário. Estes planos devem contemplar procedimentos de coleta do leite e das análises de seleção, procedimentos da coleta, conservação e transporte de amostras individuais, procedimentos de higienização dos veículos transportadores de leite, informações sobre o procedimento de transvase, local intermediário, rotas e horários e comprovação de que o procedimento não interfere na qualidade do leite.

Entre os requisitos estabelecidos há a higienização dos caminhões antes da entrega do leite nos estabelecimentos, que deve estar descrito no procedimento pertinente.

Item também que irá impactar é a exigência de educação continuada dos produtores rurais. Estes programas devem versar sobre os padrões mínimos para instalações e equipamentos de ordenha e refrigeração preconizados pela empresa, manejo de ordenha, qualidade de água da propriedade rural, controle sanitário do rebanho, assim como adoção de ações corretivas em relação ao leite dos produtores rurais que não atenda as exigências legais, incluindo o estabelecimento de metas para melhoria dos índices da qualidade do leite recebido. Com isto, percebe-se que o MAPA buscar criar meios de verificação, por meio documental, de ações que chegam às unidades produtivas.

Com a citação de apenas alguns itens das INs, pode-se evidenciar que há uma clara exigência em ampliar os meios de verificação de cumprimentos de requisitos, um meio de demonstrar transparência do processo de produção de leite. Os programas de autocontrole irão demandar mais profissionais atuando nas propriedades rurais, como forma de garantir a sanidade dos animais, além de incluir a concepção e cumprimento de procedimentos que garantam as boas práticas agropecuárias, algo que também incluí o bem-estar animal, premissa que tem sido crescente entre os consumidores.

Fonte: Assessoria
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