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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Novos enfoques na mastite bovina

Nas mastites a prevenção é muito mais barata do que o tratamento emergencial

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rodrigo Garcia Motta, médico veterinário, PhD e analista técnico da Noxon Saúde Animal

A mastite – definida classicamente como a inflamação da mama – é a doença que mais prejuízos causa na criação de animais destinados à produção de leite. Os processos infecciosos da glândula são determinados por microrganismos de origem bacteriana e, secundariamente, por fungos, algas e vírus, muitos dos quais com potencial zoonótico. Os prejuízos com a mastite bovina incluem a redução na produção de leite, perda da glândula, descarte prematuro de fêmeas com elevado valor zootécnico, óbito ocasional de animais, manejo extra no rebanho, gastos com honorários veterinários e aquisição de medicamentos, descarte de leite com resíduos de antimicrobianos e possíveis prejuízos em lactações futuras, em razão de perda de área funcional do tecido mamário.

A crescente demanda global por leite e derivados lácteos com qualidade tem motivado o aumento do tamanho dos rebanhos bovinos, com elevação das médias diárias de produção por animal e paralelamente, faz-se necessário o incremento no número de novilhas para reposição. Diferentes autores enfatizam que o potencial futuro de produção leiteira em bovinos será expresso de maneira satisfatória caso não ocorram transtornos graves na glândula no período de novilhas (fêmeas bovinas que nunca pariram). Com efeito, a implementação de um plano de metas para controle e profilaxia da mastite em novilhas pode refletir na vida produtiva da fêmea e em maior rentabilidade para toda cadeia produtiva de lácteos.

Convencionalmente, a mastite em animais é subdividida em clínica e subclínica baseada na gravidade e exteriorização do processo inflamatório. A mastite clínica ou ambiental caracteriza-se por alterações visíveis no leite, na glândula e/ou sistêmicas. Nestes casos, a mama pode apresentar sinais de edema, dor, calor, rubor e perda momentânea da função, além de alterações visíveis no leite (formação de grumos, presença de pus, dessora, coágulos e sangue). Ocasionalmente, os animais podem apresentar sinais sistêmicos secundários à mastite, como febre, taquicardia, dificuldade respiratória, diminuição dos movimentos ruminais e inapetência. Na forma subclínica, ou infecciosa, somente se observa à redução na produção de leite e aumento na Contagem de Células Somáticas (CCS). Nestes animais, o diagnóstico somente é obtido utilizando métodos que possibilitem a detecção de alterações na composição e nos constituintes celulares do leite ou a presença de patógenos.

A mastite em novilhas caracteriza-se pela maior ocorrência de casos clínicos nos primeiros dias pós-parto. Ao contrário, nas vacas, a mastite clínica pode ser observada ao longo de toda a lactação dependendo do agente causal envolvido. Além disso, constata-se marcante diferença na etiologia da mastite entre essas categorias de animais, pois Streptococcus uberis, Staphylococcus coagulase negativos e Trueperella pyogenes são mais frequentes nas infecções mamárias em novilhas, enquanto os estafilococos coagulase positivos (S. aureus) e Streptococcus agalactiae são frequentemente isolados na mastite em vacas. No entanto, estudos recentes identificaram também S. aureus no terço médio e final da lactação em primíparas. Essas diferenças no perfil da etiologia provavelmente ocorrem em razão de peculiaridades fisiológicas das novilhas em comparação com as vacas com várias lactações, ou após mastites crônicas nessa última categoria animal.

Em virtude do maior número de casos subclínicos, comparado aos casos clínicos, o diagnóstico da mastite bovina baseia-se principalmente em testes indiretos que dependem, fundamentalmente, da elevação dos leucócitos ou alterações na composição do leite. À luz do conhecimento atual, parece prático ou pelo menos razoável também definir a mastite bovina como uma doença caracterizada pelo aumento do número de leucócitos e células epiteliais de descamação (CCS) e presença de microrganismos no leite das glândulas acometidas.

Entre as infecções mamárias em vacas, a mastite subclínica crônica por estafilococos é uma das afecções mais preocupantes e frequentes que acometem animais de produção leiteira em todo mundo.

Controle

A diminuição da duração das infecções intramamárias tem sido objeto de estudo dos programas de controle de qualidade do leite em todo mundo, meta que pode ser atingida com ações específicas de profilaxia e controle direcionadas a agentes contagiosos, como estafilococos, incluindo avanços na terapia da vaca seca, novos produtos para o pós-dipping, vacinação e no tratamento de casos específicos de mastite subclínica durante a lactação com o uso de antimicrobianos por período estendido.

Os estafilococos, particularmente S. aureus, causam infecções de longa duração, com tendência a cronicidade, alta celularidade, com baixas taxas de cura e grande perda na produção de leite. Na mastite bovina, por estafilococos, vários fatores podem interferir na cura bacteriológica com o uso de antimicrobianos, incluindo o estágio de ocorrência da infecção, a presença intracelular da bactéria, a virulência do isolado, a formação de microabscessos e a baixa resposta imune dos animais.

A dificuldade de tratamento das mastites estafilocócicas, somadas a alta ocorrência deste grupo de agentes na mastite bovina, a multirresistência aos antimicrobianos convencionais, o grande número de fatores de virulência e mecanismos de evasão do sistema imune do patógeno, têm motivado programas de descarte precoce de fêmeas bovinas portadoras de mastite por S. aureus, que geram grande impacto negativo nos rebanhos.

Nas mastites a prevenção é muito mais barata do que o tratamento emergencial. Dessa forma, manejos simples, como a correta secagem das vacas, o uso de antimicrobianos preventivos e o selante têm custo 10 vezes inferior quando comparado ao tratamento de uma vaca com mastite clínica em lactação.

O controle da mastite na propriedade leiteira deve ter como princípios básicos: a limpeza e a higienização das instalações, utensílios e equipamentos, higiene pessoal do ordenhador, realização dos testes da caneca de fundo escuro, Califórnia Mastitis Test (CMT), contagem de células somáticas (CCS) e testes microbiológicos.

O tratamento das mastites deve ser feito como parte de um “programa de controle”, com o objetivo de prevenir a mortalidade nos casos agudos, o retorno à composição e produção normal do leite, a eliminação de fontes de infecção e a prevenção de novas infecções no período seco.

Alguns critérios são essenciais para diminuir os casos de mastite clínica, como pré-dipping; pós-dipping; terapia da vaca seca; tratamento da mastite durante a lactação e estratégias de descarte; manutenção adequada dos sistemas de ordenha e estratégias de aumento da resistência da vaca. No pré-dipping, deve-se fazer a imersão dos tetos em solução desinfetante antes da ordenha, usando uma solução eficaz, na diluição certa e que não seja irritante para a pele. Deve ser eficaz contra as bactérias e atuar preferencialmente até a próxima ordenha.

Consulte sempre o médico-veterinário e siga corretamente as orientações descritas nas bulas dos produtos. Atente-se para as novas exigências de qualidade do leite no Brasil, que são balizadas pelas Instruções Normativas 76 e 77 do Mapa.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Você sabe o que é sal proteinado?

O novo contexto não permite produção sem eficácia, com presença do boi-sanfona, uso de pastagens degradadas, baixa eficiência reprodutiva e boi abatido acima de 30-36 meses

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Guilherme Augusto Vieira, médico veterinário e sócio da Farmácia na Fazenda

A produção pecuária passa por grandes transformações, evoluindo de um estágio tradicional para um estágio profissional, onde o produtor moderno busca a eficiência e a lucratividade nos processos produtivos inserindo os conceitos de pecuária de ciclo curto e a produção intensiva.

Segundo dados da Abiec (2020), atualmente o Brasil possui um rebanho de 215 milhões de cabeças bovinas, produzidas em 172 milhões ha de pastagens, tendo abatido no ano de 2019 44,2 milhões de cabeças. O Brasil é o segundo maior produtor de carne do mundo e o maior exportador do produto, números que evidenciam sua importância.

O novo contexto da produção não permite a produção sem eficácia, com a presença do boi-sanfona, o uso de pastagens degradadas, baixa eficiência reprodutiva e o boi abatido acima de 30-36 meses.

Dentro desta evolução constata-se a presença de produtores atentos as novas realidades de mercado, utilizando tecnologias de confinamento e semiconfinamento, principalmente novas técnicas de reprodução, cruzamento industrial e uso de suplementos nutricionais visando ajustar e melhorar a produtividade da pecuária.

Entretanto, apesar dos avanços na produção, a pecuária brasileira enfrenta um grande desafio que é o período seco do ano.

Durante o período seco o valor nutritivo e a produção de gramíneas forrageiras nos trópicos diminuem levando a desnutrição dos animais criados a pasto e consequentemente baixo ganho de peso, baixos índices reprodutivos e o que impacta diretamente nos custos e qualidade da produção de pecuária de corte no Brasil que tem a maioria utilizando o sistema extensivo.

Desde dos anos 1940 tem se estudado formas de melhorar a produção e diminuir os efeitos da seca na produção dos animais, principalmente quanto ao uso de suplementos.

Inicialmente os estudos sobre a suplementação dos animais na seca indicavam o uso de alimentos energéticos tais como o milho, melaço e silagem de milho. Entretanto os resultados do uso destes alimentos, de forma isolada, não foram capazes de evitar a perda de peso nos animais, principalmente devido ao fato destes alimentos estimularem o crescimento de bactérias que digerem o amido em detrimento daquelas que digerem a celulose.

Mais tarde, as pesquisas concentraram no elemento Fósforo, devido a sua importância no metabolismo animal. Entretanto, com a administração de somente fontes de fósforos na época da seca não ocorreu respostas ao ganho de peso dos animais.

A partir dos anos 1960, os estudos comprovaram que o fósforo não é o principal nutriente limitante, mas sim o déficit proteico presente nas pastagens durante o período seco.

Trabalhos direcionados neste sentido comprovaram que a deficiência proteica poderia ser corrigida tanto com o fornecimento do Nitrogênio Não Proteico (Uréia por exemplo) quanto a proteína verdadeira, fato comprovado por um estudo sobre o uso de NNP em animais bovinos a pasto na época seca.

Trabalhos afirmam que no período seco não há somente deficiência de proteínas, mas sim de fósforo e outros minerais, sem excluir a ocorrência direta ou indireta de déficit energético e propôs maneiras de suplementação de animais na seca: “Seria lógico o emprego do “suplemento múltiplo”, em vez de apenas uma mistura mineral”.

Um pesquisador propôs uma “Mistura Farelada de NNP” composta de ureia, fubá de milho, fosfato bicálcico, sal comum e melaço. A presença do sal comum, proposto no método, controla a ingestão da mistura de acordo com a sua concentração.

Após este marco inicial os estudos progrediram através da Embrapa e outras unidades de pesquisas com ótimos resultados, e atualmente o mercado apresenta várias fórmulas e produtos direcionados não só para consumo na seca quanto para consumo na época das águas.

Diante do exposto, o uso de suplementação neste período tornou-se uma alternativa eficaz principalmente quanto ao uso de sal proteinado ou mistura múltipla no sentido de manter e/ou promover ganho de peso nos animais diminuindo o impacto da seca nas produções pecuária.

Mas o que é sal proteinado?

Primeiramente vou abordar sobre a diferença entre sal mineral e sal proteinado.

Sal mineral: É uma combinação industrial (ou mistura industrial) de Sal Comum + Minerais (micro e macroelementos)

Os minerais são Cálcio, Fósforo, Iodo, Ferro, Manganês, Mn, Selênio, Cobalto, Cobre, dentre outros.

Os Minerais são importantes nutrientes para a saúde e manutenção dos animais e a mistura mineral deve ser fornecida diariamente a todas as categorias animais.

As deficiências destes nutrientes podem acarretar várias doenças e distúrbios nos animais como: perda de peso, atrasos reprodutivos, retenção de placenta, raquitismo dentre outros.

Geralmente a maioria das misturas minerais tem terminação Fós, indicando o teor de fósforo na mistura (20, 40,60, 90, 120,160), pois este é o principal limitante na mistura e também devido a sua deficiência nas pastagens brasileiras entre outros aspectos.

Os produtos “Sal Mineral” são denominados de “linha Branca” e tem o objetivo de prevenir e corrigir as deficiências minerais.

Atualmente o mercado disponibiliza Sal Mineral para:  reprodução, bezerros, engorda, lactação, e etc.

Sal Proteinado: É um suplemento mineral enriquecido com fontes de energia (milho/sorgo), mais fontes de proteínas que podem ser verdadeiras ( farelo de soja, algodão) e/ou NNP (uréia) acrescidos de aditivos.

O Sal Proteinado também é denominado de Misturas Múltiplas. Também são chamados de Suplementos Proteinados.

O objetivo de se fornecer a Mistura Múltipla é fornecer nitrogênio solúvel no rúmen para o crescimento das bactérias celulolíticas, aumentando a digestibilidade da fibra e o aporte de energia para o animal. Ruminantes em geral tem exigência mínima de 7% de proteína bruta na dieta, para que ocorra o adequado crescimento microbiano, fermentação da fibra e retirada de energia desta fração e daí fornecê-la ao animal.

Entre as principais vantagens de se utilizar a suplementação com Proteinados, destacam-se:

Aumentar o fornecimento de nutrientes para os animais, utilizar as pastagens de modo mais adequado, evitar a subnutrição, melhorar a eficiência alimentar, auxiliar na desmama precoce, reduzir a idade do primeiro parto, reduzir o intervalo entre partos, diminuir a idade de abate, aumentar a taxa de lotação das pastagens e auxiliar na terminação de animais de descarte.

Pode ser fornecido para qualquer categoria animal durante o período seco ou chuvoso.

O Sal Proteinado é dividido em:

  • Sal Ureado (Sal Mineral + Uréia)
  • Sal Proteinado Seca
  • Sal Proteinado Chuvas (energético)
  1. O Sal Ureado foi o primeiro Suplemento Proteinado a ser utilizado pela pecuária nacional. Tem bons resultados, deve ser utilizado no período seco do ano e tem um custo menor que o Suplemnentos Proteinados Múltiplos.
  2. O Sal Proteinado Seca – É o Suplemento Proteinado que apresenta um alto teor proteico tendo em sua composição uma fonte de proteína verdadeira e o NNP, além da fonte de energia mais o sal comum e os complementos minerais. Tem como função, com seu consumo, induzir o consumo de forragens e reduzir o déficit proteico presente nas pastagens. Alguns autores sugerem o consumo diário de 0,1 a 0,5% do PV dos animais. O sucesso da utilização do suplemento depende da quantidade e qualidade das forragens a ser fornecida aos animais, devendo ter boa disponibilidade de capim, mesmo seco, pois é uma condição necessária para que o composto proteico (nitrogênio presente), indiretamente, também corrija a deficiência de energia.
  3. Sal Proteinado Chuvas ou proteína Energético – É o suplemento proteinado com alto teor de energia em sua composição, além da fonte proteica, sal comum e os complementos minerais e aditivos. Tem como finalidade otimizar o uso das pastagens durante o período chuvoso potencializando o ganho de peso dos animais nesta época do ano. Deve ser utilizado no terço final do período chuvoso.

Ao introduzir um sal proteinado é necessário que seja economicamente viável, isto é, apresente uma ótima relação benefício x custo positiva. O ganho em peso do animal tem que pagar o investimento com a suplementação. Além disto, deve ser levado em consideração que o animal suplementado sairá mais rápido da propriedade e os ganhos serão compensatórios.

Outra dica: Ao iniciar o fornecimento de suplementos proteinados aos animais, estes devem passar por um período de adaptação, começando com pequenas quantidades até chegar no consumo desejável.

A título de conhecimento será colocado a composição básica de um Suplemento Proteinado e a função de cada ingrediente, a se destacar:

  1. Componente energético: Será “modulado” de acordo com o tipo de sal proteinado. No Proteinado seca terá uma porcentagem menor que o componente proteico assim como no Proteinado energético a sua composição será maior; Sua função é potencializar a formação de proteína pelas bactérias do rúmen e com isso estimular a síntese da proteína verdadeira.
  2. Componente proteico e o NNP: tem a finalidade fornecer a porção proteica da mistura; A inclusão de uma fonte de proteína natural na mistura tem a finalidade de melhorar a qualidade da proteína do Suplemento.
  3. O Sal comum tem duas funções: fornecer o cloreto de sódio, minerais essenciais para os animais. Outro grande objetivo é limitar o consumo da mistura e também manter a ingestão da ureia abaixo dos níveis tóxicos para o animal.
  4. O Núcleo premix ou composto mineral: fornecerá os macro e micronutrientes, em acordo com as exigências dos animais que você pretende trabalhar.

Ao finalizar o artigo, observou-se uma evolução dos suplementos minerais no Brasil, sendo de grande valia para a produção nacional já que tem importante função na manutenção e ganho de peso dos animais no período crítico do ano que inicia agora no Brasil Central e que afeta a produtividade da pecuária nacional. O artigo também procurou demonstrar a diferença entre Sal Mineral e Sal Proteinado e suas funções.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Médico veterinário provoca (no bom sentido) pecuarista a melhorar qualidade do leite

Para conseguir ter na propriedade a qualidade do leite exigida, basta o produtor investir em pontos simples na propriedade, como manejo, sanidade, higiene e biosseguridade

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Arquivo/OP Rural

Um assunto muito discutido e que ainda gera muitas dúvidas na pecuária leiteira é sobre a qualidade do leite. Ainda são muitos os desafios enfrentados por produtores para conseguir alcançar os índices exigidos e também para serem melhor remunerados por conta da qualidade. A Contagem de Células Somáticas (CCS) e a Contagem Bacteriana Total (CBT) são dois dos maiores problemas enfrentados para conseguir estes resultados. Porém, segundo o médico veterinário e gerente de Treinamentos da Bayer Animal Health, Luciano Rodrigues, conquistar isso é muito mais simples do que se imagina.

 De acordo com ele, quando se fala em qualidade do leite, o primeiro pensamento que surge para o produtor é a necessidade de se fazer investimentos. “Ele sabe da importância da qualidade, todos são preocupados com isso. Mas eles atrelam isso à necessidade de se fazer investimentos na propriedade, e não é nada disso”, afirma.

Rodrigues comenta que quando se fala em qualidade do leite, muitos produtores perguntam o que eles ganham com isso. “Eu já respondo: você consome algo que não é controlada a qualidade? Por isso é importante deixar claro o que ele ganha fazendo isso. Porque é importante que o produtor olhe para um todo, e não somente ele, somente o indivíduo”, conta. Ele explica que é preciso que o produtor olhe para si como um empresário. “Dentro do empreendedorismo você consegue afetar ou atuar em algumas circunstâncias e em outras não. Dessa forma, sempre falamos da fazenda ideal, que é aquela que dá lucros. E para ela dar estes resultados é preciso considerar seis aspectos que são muito importantes: gestão, sanidade, nutrição, funcionários, manejo e genética”, esclarece. E quando se fala em qualidade do leite, conta Rodrigues, ele afirma que dos seis aspectos, um dos mais importantes é a sanidade.

O médico veterinário conta que é preciso considerar a importância que o leite tem no Brasil. “Somo o terceiro maior produtor mundial, é um tipo de atividade que está presente em 99% dos municípios e que gera mais de quatro milhões de empregos. Por isso é importante perceber que há 20 anos se produzia de um jeito, mas agora se produz de outro. Usamos tecnologias. E assim como o produtor está se adaptando, é preciso ver que o consumidor também está”, comenta.

Além disso, algo que muitas vezes atrapalha, “e muito”, na produção e, principalmente, no consumo do leite é a quantidade de fake news que são produzidas. “Por isso é importante também que o produtor leve boas informações ao público. Produzir leite com qualidade e levar boas informações é essencial, porque tem um monte de gente falando que leite de vaca faz mal, o que é uma mentira. Temos várias pesquisas mostrando a qualidade do leite para o ser humano”, diz.

Desafios e oportunidades na produção leiteira

Segundo Rodrigues, quando se olha toda a cadeia do leite, o consumidor, supermercado, transportador, laticínio, laboratório e então a fazenda, o único lugar onde o produtor pode interferir é no último. “Então os desafios e as oportunidades na fazendo que o produtor tem é da porteira para dentro. E neste quesito destaco três pilares essenciais: o manejo antes da ordenha, onde o produtor pode interferir controlando a mastite; o manejo no momento da ordenha, limpando os equipamentos; e o manejo depois da ordenha, com o controle de temperatura no resfriador”, afirma.

O médico veterinário apresenta os desafios e as oportunidades para o produtor como quatro super-heróis e quatro vilões. “Dessa forma, quais são os quatro desafios? A falta de higiene, bactérias (CBT), alta temperatura e a CCS alta”, explica. Já as quatro oportunidades, de acordo com ele, são a boa higiene, as células de defesa do organismo (leucócitos), a temperatura “fria” e o gerenciamento.

Entender estes conceitos ajuda também o produtor a entender como é simples a forma de conseguir um leite de boa qualidade sem muito esforço. “Quando há bactérias no ambiente e esta bactéria entra no úbere, as células de defesa também vão para este local, e assim a CCS aumenta. Então, quando você não tem uma boa higiene a CCS aumenta”, informa. Assim, quando a CCS aumenta, são diversos os prejuízos para o produtor, como a perda de produção de leite, o descarte prematuro de vacas, leite descartado devido a resíduos e despesas com tratamento. Rodrigues afirma ter medidas para tratar a mastite com higiene.

Resfriamento em números

O médico veterinário comenta da importância da higiene em todos os momentos. “Quando você tem uma ordenha suja, uma vaca com mastite, logo você terá um leite de menor qualidade”, frisa. “Se no momento da ordenha o produtor tem um local sujo, já terá um número de bactérias alto e assim ele ainda leva essas bactérias para o tanque”, comenta. Ele explica que se, por exemplo, a CBT no momento da ordenha foi de um milhão, mas o tanque estiver a 4°C, ela irá continuar com um milhão, mas não vai aumentar ou diminuir. Porém, caso seja um milhão de CBT e o produtor demorou para resfriar o leite e ele ficar, por exemplo, um dia a 15°C, esse um milhão já passará para 20 milhões. “Olha o quanto multiplicou. Isso vai afetar a qualidade do leite”, exemplifica.

Contudo, caso o produtor tenha uma ordenha limpa, controle de mastite e higiene, ele terá quatro mil CBT. “Em 24 horas essa quantidade será a mesma. Isso é o básico do controle de CCS e CBT”, conta.

Dinheiro a mais

Rodrigues comenta que o produtor não vai conseguir afetar o preço do leite no mercado mundial, mas ele consegue melhorar o preço do leite que ele recebe pela qualidade do leite. “Hoje a maioria dos laticínios paga alguns centavos a mais por qualidade do leite. Por isso eu friso que entre os quatro heróis na produção leiteira está a higiene, porque a forma de defesa do organismo da CCS é boa porque o produtor tem uma vaca com uma imunidade boa”, diz.

Registro de atividade é essencial 

O médico veterinário afirma que não tem como o produtor saber como tratar uma vaca de mastite se ele não faz o acompanhamento com anotações. “Não adianta ele comprar um monte de produtos veterinários ou tentar fazer toda uma higiene, se não tem controle dentro da fazenda. Uma vaca com mastite subclínica, por exemplo, que o produtor não anota e ordenha ela primeiro, fará com ela contamine todas as outras. E isso o pecuarista evita simplesmente anotando e fazendo o manejo, gerenciando a fazenda corretamente”, afirma.

Ele reitera que possuindo uma rotina de limpeza e fazendo as anotações corretamente, o produtor consegue diminuir, e muito, os casos de animais doentes. “Uma vaca com mastite clínica ou subclínica que o produtor ordenha por último para não afetar as outras e o gerenciamento das vacas secas diminui em 90% as infecções e também cai 90% os casos subclínicos”, menciona.

Outro gargalo importante citado pelo profissional é sobre a mensuração de dados. “O produtor brasileiro é empreendedor. Mas infelizmente não está acostumado na sua rotina em fazer anotações e ficar analisando os pontos críticos. Infelizmente o maior gargalo do gado de leite e onde ele perde em qualidade é no manejo. Ele está fazendo, mas se não mensura, não vai identificar onde atua, onde está o problema”, diz.

Qualidade não significa gastar dinheiro

Um dos grandes entraves de alguns produtores imaginam é que para ele alcançar os índices de qualidade que são exigidos, ele precisa fazer altos investimentos na fazenda. Rodrigues assegura que isso não é verdade. “Todas as técnicas são básicas para o produtor tirar leite. Hoje, ninguém mais tira leite no latão, além de possuir um resfriador. Sendo uma ordenha mecânica ou manual, seguindo os passos (higiene, células de defesa do organismo, temperatura “fria” e gerenciamento) o produtor consegue bons resultados”, garante.

Por isso, reitera, é preciso que o produtor controle o ambiente e a mastite. “São coisas que todos podem controlar, seja uma fazenda grande ou pequena. A ordenha pode ser manual, mecânica ou um robô, é possível controlar. Os equipamentos que o produtor vai usar, seja de alta ou baixa tecnologia, o que faz a diferença é a limpeza deles e o manejo das vacas secas”, afirma. Rodrigues comenta que quando fala nos desafios e oportunidades da pecuária leiteira, muitos produtores já pensam que é investimento, gastar dinheiro. “E não é nada disso, é cuidado”, reafirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Uso da metafilaxia para o controle do complexo respiratório bovino

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação destinado exclusivamente a grupo de animais em situação de risco

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 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

A pecuária bovina é de grande importância na economia nacional e ainda é exercida em grande parte no sistema tradicional de criação extensiva, criado solto em pastagens naturais ou cultivadas. Entretanto, a cada dia que passa, há maior investimento dos pecuaristas em sistemas de criação intensiva, nos quais muitas vezes o gado é criado confinado, o que aumenta a suscetibilidade a determinados problemas sanitários.

Dentre esses problemas, os respiratórios são os mais comuns em animais adultos nesse tipo de sistema de criação, ocorrendo o mesmo em bezerros até 9 meses de vida. Nesse contexto, a broncopneumonia é a enfermidade de maior destaque dentre todas as respiratórias, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, parênquima e pleura pulmonar, geralmente consequente a uma invasão por agentes infecciosos bacterianos ou virais.

Existem alguns fatores que impactam no aumento da morbidade de enfermidades respiratórias.  O estresse decorrente do transporte e do agrupamento em lotes faz com que haja aumento dos níveis de cortisol, depressão do sistema imunológico do animal e, consequentemente, maior suscetibilidade as doenças. Outro fator é a superpopulação, comum nesse sistema de criação, que induz ao aumento nos níveis de umidade do ar e o incremento no tempo de sobrevivência dos patógenos.

Um grupo muito frequente de agentes responsáveis pelas broncopneumonias são as Pasteurellas spp, que embora façam parte da microbiota normal do trato respiratório superior de muitos bovinos, em situações propícias de estresse (transporte, superlotação e desmama de bezerros, por exemplo), conseguem proliferar e adentrar no trato inferior (que é naturalmente estéril), causando assim a enfermidade. Um grande problema é que nem sempre esse acometimento é visível, podendo haver casos subclínicos, com disfunção pulmonar pequena ou inexistente, dificultando a identificação pelo pecuarista.

Segundo pesquisas, 68% dos animais considerados sadios por meio da inspeção visual apresentavam acometimento pulmonar no abate, inclusive responsável por redução de aproximadamente 80g de ganho médio de peso por cabeça (GMD). Conclui-se então que a detecção visual não tem acurácia suficiente para diagnosticar os casos positivos, não sendo indicado o tratamento baseado apenas nesse tipo de diagnóstico quando houver manifestação clínica de doenças respiratórias, poderão ser observados depressão, queda no apetite, aumento da frequência respiratória, dificuldade respiratória, febre, secreção nasal, narinas secas, orelha caída, magreza e morte súbita.

Soluções

Assim sabemos que a aplicação de tratamentos eficazes para as afecções pulmonares é fundamental para o controle da enfermidade e que não é tão fácil fazer o diagnóstico assertivo dos animais doentes, sendo necessário lançar mão de uma forma de tratamento mais estratégica, principalmente naqueles no início da doença ou em casos subclínicos. A metafilaxia é uma das formas de tratamento que reduz os casos clínicos e subclínicos, além de consequentemente reduzir o impacto da enfermidade no ganho de peso.

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação, em doses terapêuticas, injetável e destinado exclusivamente a um grupo de animais em situação de risco, para que não se estimule a resistência antimicrobiana. A utilização desse tipo de medicação é altamente desejável na entrada do confinamento ou até mesmo em situações de surto da doença em bezerros, com destaque aos mantidos em instalações coletivas.

Uma excelente opção de metafilático é a Benzilpenicilina Benzatina, antimicrobiano da classe dos Beta-Lactâmicos, que em concentrações elevadas tem potencial bactericida de amplo espectro, ou seja, elimina bactérias Gram positivas e Gram negativas. A utilização de produtos à base desse ativo deve ser feita por via intramuscular em dose única na entrada do confinamento, lembrando sempre de não ultrapassar a dose máxima de 20 ml por local de aplicação.

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Fonte: O Presente Rural
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