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“Novos” concorrentes da avicultura brasileira tomam crescimento do mercado para si

Segundo especialista, novos mercados estão surgindo e o Brasil precisa competir com esses “novos jogadores”

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Arquivo/OP Rural

O mercado é dinâmico. Ele está sempre em constante mudança e evolução. Por conta disso, é preciso que o setor pecuário esteja atento a estas mudanças e ao que está acontecendo em todo o cenário mundial. Isso porque o mercado muda a partir do que os consumidores pensam a respeito de determinados produtos. Na avicultura, a situação não é diferente e as empresas devem estar atenta a estas mudanças e se aproveitar de cada situação para continuar competitiva. Com mais gente no mundo e pessoas com mais renda, há maior demanda de carnes, um espaço que pode ser ocupado por Brasil ou outros jogadores, como Turquia, Ucrânia e Tailândia.

O consultor doutor Antônio Mário Penz Júnior citou algumas das mudanças que estão acontecendo no cenário mundial atualmente e como elas estão afetando diretamente o consumo e a avicultura em geral. O profissional esteve em Marechal Cândido Rondon, PR, durante o Seminário Anual de Produtores de Aves, realizado pela Cooperativa Copagril, falando sobre o assunto.

Segundo ele, é preciso que o produtor entenda o cenário mundial para saber como lidar com as mudanças que estão acontecendo. Ele explica que atualmente a geração Y, também conhecida como os Millennials, que são as pessoas entre 18 e 34 anos, são quem estão dominando o mundo. “Dados dos Estados Unidos de 2015 mostram que 23% da população norte-americana é formada por millennials. Lá, quase 70% da população ativa atualmente faz parte dessa juventude que não compra carro, que mudou muita coisa, mas que tem poder aquisitivo. É uma sociedade nova que precisamos entender”, afirma.

Apesar disso, Penz diz ser necessário olhar para o outro lado do mundo, que ainda é diferente. “A população da Índia deverá ultrapassar a da China nos próximos anos. Daí vocês acham que o senhor indiano está preocupado com as mesmas coisas que os jovens norte-americanos? Não! Nós, como brasileiros, vamos alimentar os millennials, mas também temos que entender que existe esse povo que precisa se alimentar também”, conta. Ele acrescenta que atualmente no mundo existem quase 1,4 bilhão de pessoas, e mesmo existindo quase seis milhões de vegetarianos, o restante ainda consome aproximadamente dois quilos per capita/ano de carne de frango. “Eles vão comer, porque muitos estão saindo do meio rural para ir para o urbano, deixando de ser produtores para ser consumidores”, explica.

As mudanças no mundo ao longo dos anos foram grandes, afirma Penz. Ele informa que o consumo na África tem aumentado. “Então, os africanos, mesmo com todas as dificuldades financeiras, são grandes consumidores de carne. O consumo de carne é absolutamente impressionante. Eles, assim como em outros países, são aqueles que os millennials não se dão conta de que uma em cada 10 pessoas não tem acesso a comida suficiente”, mostra. O consultor afirma que a África é um local em que não somente a população, como também o consumo irá crescer. “E nessa hora nós estaremos prontos para atendê-los”, diz.

Novo mundo, novas tendências

De acordo com Penz, é importante que o produtor se de conta de algumas “loucuradas” que estão surgindo no mundo. Ele cita algumas, como por exemplo a famosa campanha do Beatle Paul McCartney que em 2009 criou a “Segunda sem carne”. “Isso é basicamente em que todas as segundas-feiras não se come carne. E o que é mais surpreendente é que em alguns locais, como em Porto Alegre, por exemplo, existem pessoas que querem implantar esse projeto em escolas”, comenta.

Outros exemplos citados pelo consultor foi a Nestlé, que é uma grande produtora de alimentos a base de leite, lançou uma linha vegana de hambúrgueres; a JBS também lançou um hambúrguer vegano e a Mantiqueira apresentou um ovo vegano. “É um mundo louco que estamos vivendo, mas que precisamos entender que a população precisa de comida”, diz.

Carne de frango é sustentável

Penz comenta que não está preocupado quanto ao consumo de carne de frango no mundo. Isso, porque os países em desenvolvimento, segundo ele, comerão o dobro de carne. “Porque sabemos que quanto maiores os recursos financeiros, a primeira coisa que acontece é aumentar o consumo de alimentos, principalmente de carne”, afirma. Além disso, o frango tem uma vantagem que outras proteínas não têm: não há restrição religiosa. “O suíno, por exemplo, tem, mas o frango não. Não tem nenhuma restrição que diga que não pode comer carne de frango”, comenta.

Outro detalhe citado por ele é o quanto a avicultura é, muitas vezes, mais sustentável que outras cadeias produtivas. “Várias instituições de pesquisa mostram que para se produzir um quilo de frango são gastos quatro mil litros de água. Esse cálculo vem desde a produção do milho, o gasto com caminhão, eles somam tudo. Então, cada vez que você come um quilo de frango, quatro mil litros de água foram gastos. Mas, se formos comparar, no bovino esse número sobre para 17 mil”, mostra. Então, de acordo com Penz, visto por este ângulo o frango consome pouca água. “Isso também pode ser visto, por exemplo na emissão de CO². O frango gasta muito menos. Então, sob o ponto de vista de preservação do meio ambiente, nós temos condições de dizer que somos pró meio-ambiente. Não podemos ser taxados de destruidores do ambiente, porque não somos”, diz.

Mercado é dinâmico

Quanto ao Brasil, diversas mudanças ocorreram ao longo dos anos, segundo Penz. “A produção da carne brasileira vinha bem até 2011, 2012, depois não aumentou mais. O consumo, a mesma coisa, vinha crescendo até 2011 e depois estagnou”, informa. “Por que parou? Porque até mesmo os mais favorecidos ficaram sem dinheiro”, explica.

O consultor informa que o mercado é dinâmico e é preciso que o Brasil esteja atento a isso. “A Europa briga tanto conosco porque no ano passado eles aumentaram em 6% as exportações. Isso é 1/3 da nossa, por isso eles estão tão desesperados”, diz. Porém, apesar disso, é preciso que o Brasil fique atento porque outros mercados estão surgindo. “A Tailândia aumentou as exportações em 8%, a Turquia em 15% e a Ucrânia aumentou 21%. Ou seja, há novos jogadores nesse mercado”, afirma.

Penz reitera a necessidade de o Brasil estar mais atento quanto a estes novos mercados pelo fato deles estarem de olho nos atuais mercados que são do Brasil. “Por isso, ou matamos a salmonella ou ela nos mata. Eu vou mostrar um caso: a doença da vaca louca aconteceu em 2003 nos Estados Unidos. A doença foi detectada em um animal, não em um milhão; em um. Por conta disso, as exportações de carne bovina deles caíram em mais de um milhão de toneladas. Um animal gerou um milhão de toneladas em prejuízos de exportação. Que, aliás, nunca mais voltou, porque quando os norte-americanos perderam esse espaço, quem ocupou foi o Brasil”, conta.

Outro exemplo citado foi quanto aos casos de Influenza Aviária, também nos EUA. “Os norte-americanos perderam 2% da exportação mundial. Quem pegou? O Brasil. Mas, em 2016 tivemos todos os problemas da Operação Carne Fraca, com salmonella e o que aconteceu? Estes novos jogadores que citei ocuparam esse mercado deixado aberto por nós. Por isso é preciso que nós, avicultores, tenhamos responsabilidade e cuidemos melhor da nossa biosseguridade, que é o nosso maior bem”, aponta.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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One Health do campo à mesa

One Health faz parte dos nossos acertos, das experiências anteriores e da aplicação das melhores práticas

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 Artigo escrito por Filipe Fernando, gerente de Produtos da Boehringer-Ingelheim

No século 19, o médico Rudolf Virchow cunhou o termo “zoonose” e manifestou que não deveria haver divisão entre a medicina humana e a medicina animal. Na época, ele criou o conceito “One Medicine”, que mais tarde se tornou “One Health”, colocando ênfase na promoção da saúde e prevenção em vez do tratamento de doenças. One Health trata da integração entre a saúde humana, a saúde animal e o ambiente, bem como a adoção de políticas públicas efetivas para a prevenção e controle de enfermidades.

No setor produtivo, é possível imaginarmos que a interconexão de animais, humanos, plantas e o meio ambiente, gera um fator holístico que deve ser conectado de forma a gerar uma combinação multifatorial para um fim das partes isoladas. O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua obra Metafísica, quando afirma que “o todo é maior do que a simples soma das suas partes”. Nesse sentido, imaginemos a interconexão entre o início da cadeia produtiva que começa com a produção de grãos, transporte, processamento e entrega para alimentação animal. Os animais alimentados farão parte de uma cadeia que terá como destino final a mesa do consumidor, que por sua vez será impactado por todo e qualquer acerto ou erro desde a produção do grão, conversão em proteína animal e entrega para consumo (Figura 1).

Doenças de origem animal que podem ser transmitidas ao homem, como exemplo a influenza aviária, a influenza suína e as salmoneloses, representam risco mundial para a saúde pública. Agentes infecciosos que são transmitidos principalmente de pessoa para pessoa também podem circular entre animais ou utilizá-los como reservatório, podendo gerar impacto direto à saúde pública, como é o caso da recente epidemia do vírus Ebola, desencadeada principalmente em países africanos. Esses riscos aumentam com a globalização, com as mudanças climáticas e com o comportamento humano, dando aos patógenos um leque de oportunidades para colonizar novos territórios e evoluir para novas formas. Essa conectividade pode levar ao surgimento de novas doenças. Por isso, é necessária a abordagem One Health afim de melhor compreender a dinâmica das zoonoses e das doenças infecciosas. A priorização dessas enfermidades significa realizar vigilância, planejar atividades de resposta a surtos e criar estratégias de prevenção de doenças para reduzir a infecção de pessoas e animais.

No âmbito econômico, a ruptura do One Health é sempre caracterizada por deterioração de mercados, queda nos índices de investimento, distorção na produção e abastecimento de proteína animal e baixa circulação de valores gerados pelo turismo. Nos últimos 20 anos, nosso planeta experimentou um pouco mais das epidemias que rompem continentes e atingem todas as nações. Dado que 60% de todos os agentes infecciosos humanos são originários de animais, setores agrícolas envolvidos em surtos zoonóticos frequentemente sofrem impactos econômicos significativos que são subestimados. No entanto, o incentivo ao setor agrícola para investir na prevenção de doenças infecciosas está diretamente correlacionado com a relevância econômica da indústria para o PIB nacional.

Dentre os exemplos mais recentes e que incluem doenças de origem animal, podemos considerar a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa), a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), a Influenza pandêmica por H1N1 e o Ebola. Citando apenas o exemplo dessas quatro doenças, os setores de produção, turismo e viagens somaram aproximadamente 25 bilhões de dólares em impacto econômico negativo nos países mais afetados, como México, Singapura, Coreia do Sul e Arábia Saudita (Figura 2).

Covid-19

Durante a confecção desse artigo, a economia global estava passando por danos expressivos, prevendo uma recessão, recessão global ocasionada pela disseminação do coronavírus humano SARS-CoV-2, popularmente denominado Covid-19. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o COVID-19 reduzirá o crescimento do PIB global em meio ponto percentual em 2020 (de 2,9 a 2,4%). Já a Bloomberg Economics adverte que o crescimento do PIB pode cair para zero no cenário de uma pandemia (artigo escrito antes da pandemia ser declarada). As indústrias relacionadas ao turismo e viagens estarão entre as mais atingidas, já que as autoridades incentivam o “distanciamento social” e os consumidores a ficarem dentro de casa. A Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê que o COVID-19 possa custar às companhias aéreas entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões em receita em 2020.  Mais uma vez, trata-se de um vírus que rompeu seu comportamento natural ao infectar e sobreviver em animais (até essa data não foi confirmado a partir de qual animal) para infectar e por vezes causar letalidade aos humanos.

Diante a tudo isso, o One Health ganha ainda mais importância pelo impacto econômico-social, tanto que a “One Health Initiative” foi fundada em 2006 com foco em trabalhos de educação sobre o conceito.

No Brasil, e usando como exemplo a avicultura, o sistema One Health é sem dúvida um exemplo e uma conquista que tem ganhado “musculatura” e destaque ano a ano. Trata-se de um trabalho conjunto e colaborativo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Meio Ambiente, indústria, produtores e associações (cita-se a Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA). Nesse contexto, cada instituição é corresponsável pela criação, aplicação, checagem e melhorias dos padrões e regras vigentes.

Conforme ilustrado na Figura 1, o princípio One Health é regido pela interconexão do ser humano, animal, meio ambiente e políticas públicas que visem a prevenção da ruptura do equilíbrio entre esses integrantes. Na produção de aves, podemos considerar o ponto inicial a plantação dos grãos que comporão a ração animal. Esses grãos deverão atender aos padrões de qualidade que se referem à umidade, teor de proteína, presença de agentes estranhos e outros. Seu processo de transporte e armazenamento deverá garantir a preservação das características até a chegada ao silo de armazenagem na fábrica de ração, que em seguida irá misturar aos demais ingredientes para compor a alimentação animal. Como parte integrante da garantia de qualidade sistêmica, os aviários e os animais devem ser continuamente monitorados por programas sanitários para detecção de patógenos, como exemplo as monitorias constantes na Instrução Normativa nº 20, de 21 de outubro de 2016. Esse monitoramento permite que os animais submetidos ao abate sejam qualificados de acordo com as regras de segregação dentro da planta de processamento.

No segundo momento, os animais serão abatidos e novamente monitorados conforme os padrões do Decreto n° 9,013/2017- RIISPOA – Regulamento e Inspeção Industrial e Sanitária de produtos de Origem Animal e portaria n° 210 de 10 de novembro de 1998, a fim de garantir a qualidade do produto final. Ao mesmo tempo, os resíduos gerados seguem o destino preconizado tanto pela Instrução Normativa n°34, de 28 de maio de 2008 (MAPA) que regulamenta a inspeção higiênico-sanitária e tecnológica do processamento de resíduos de animais e a Norma Brasileira (NBR) ISO 14001 que estabelece os padrões de tratamento de resíduos. Perceba que todo esse processo é conectado com a saúde humana e meio ambiente, para que haja equilíbrio e gere o menor impacto ao planeta.

O ser humano

Na ponta da cadeia está o ser humano, que, apesar de termos incluído aqui como a “ponta”, está de fato inserido como o agente impactante em todas as etapas do processo e irá absorver direta ou indiretamente as ações geradas em cada uma delas, seja uma ação de desvio que impacta o meio ambiente, um desvio sanitário ou mesmo social como resposta a uma doença contraída após a ingestão do alimento que quebrou o equilíbrio One Health.

Nosso planeta passa por transformações tecnológicas com uma velocidade incrível, e que traz “a reboque” uma infinidade de opções para interconexão entre sistemas, informações e contatos. Contato humano – ainda que à moda antiga – é a mais primitiva forma de troca. Do mesmo modo que há aproximadamente 10 mil anos os seres humanos passaram a domesticar animais para alimentação e dominar a agricultura, nosso mundo tecnológico e “descolado” ainda permite que doenças possam ser compartilhadas entre animais, nós e o ambiente. Como parte do mundo industrial que produz alimentos de origem animal, somos obrigatoriamente responsáveis pelo One Health, e devemos ser proativos para que, além do conceito, a prática seja parte da nossa atuação.

Na história da evolução humana, mais especificamente a partir do homus erectus, que adquiriu a habilidade de caçar e consumir mais proteínas e menor dependência de grandes quantidades de vegetais para a sobrevivência, seguido da domesticação de animais pelo homo sapiens, nos tornamos parte do processo coevolutivo que nos pôs em contato direto com os animais. Essa troca, no entanto, deve seguir regras estabelecidas pelo “protagonista” humano, ao certo que é dotado de uma bagagem de milhares de anos de experimentação, acasos e tentativas com erros e acertos.

One Health faz parte dos nossos acertos, das experiências anteriores e da aplicação das melhores práticas, tornando possível e mais provável a manutenção do equilíbrio da interação entre homem, animal, planta e meio ambiente.

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Fonte: O Presente Rural
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Epidemiologista acalma trabalhadores das fazendas: “Se sintam tranquilos, são as pessoas que menos perigo enfrentam”

Masaio pede para a sociedade refletir o motivo pelo qual as doenças estão acometendo sucessivamente as pessoas em todo o planeta

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Arquivo/OP Rural

 O jornal O Presente Rural conversou com exclusividade, por chamada de vídeo, com a consultora do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Masaio Mizuno Ishizuka, uma das mais respeitadas epidemiologistas do Brasil. Graduada em Medicina Veterinária, doutora em Medicina Veterinária pós doutora área de Medicina Veterinária Preventiva, atualmente é ainda professora Adjunta em Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP). E ela dá um recado reconfortante para produtores e trabalhadores rurais: “Se sintam tranquilos, são as pessoas que menos perigo enfrentam”.

A professora alerta para que os funcionários das fazendas adotem as medidas de prevenção à Covid-19 preconizadas pelo Ministério da Saúde, como “lavar as mãos, não colocar a mão no rosto e manter a higiene”. Além disso, cita que as medidas de biosseguridade adotadas na fazendas, como na produção de suínos e aves, podem contribuir para o cenário atual. “Trocar a roupa quando entra na granja de aves, tomar banho antes e depois, são medidas que a avicultura e outras atividades adotam e que podem ser benéficas para manter as fazendas livres do Coronavírus.

Para ela, por ser lugar aberto, as propriedades rurais sofrem menos e podem manter suas atividades, como a relação com quem transporta ração e outros insumos até as propriedades e quem faz a recolha de animais ou assistência técnica. “Se as pessoas estão sadias, serviços essenciais devem seguir normalmente. O Coronavírus é de fácil transmissão, mas é um vírus frágil, morre com radiação solar, em condições do meio ambiente. Se ele não tiver protegido por matéria orgânica, que é a secreção (do corpo), ele morre. Não é um problema no campo, pois lá não há aglomeração em recintos fechados e sem ventilação”, pontua a epidemiologista. “Isso vale para avicultura, para suinocultura, para bovinocultura e assim por diante”, amplia.

Mas ela alerta, pois se o produtor ou funcionário viajou para regiões onde o vírus está, há procedimentos que é preciso seguir. “Sempre que se viaja para região onde doença não ocorre no brasil, ao chegar, independentemente de ter contato de pessoas com doença ou não, nós (veterinários, por exemplo) somos chamados comunicantes, pois estivemos expostos. Portanto, a pessoa terá que entrar em quarentena de 15 dias, que é o período de incubação”, orienta. “E se tiver sintomas da Covid-19, não sair de casa”, amplia.

Casos

A doutora Masaio explica ainda que “não se sabe muito sobre a doença”, mas abem sobre o que é preciso fazer caso infectado. “Suponhamos que pessoa tenha se infectado, é preciso tempo para multiplicar o vírus (incubação). A quantidade de vírus vai aumentando. Depois de vencido o período de incubação, que vai de 6 a 15 dias, começa a desenvolver sintomas. Antes do aparecimento dos sintomas, o vírus pode estar presente, mas não pode infectar outras pessoas, embora isso não esteja comprovado”, sugere. De acordo com a especialista, “a rigor o vírus sai pela tosse e entra no outro organismo perlas narinas durante a inspiração”, crava. A partir dos sintomas e do diagnóstico médico, a pessoa doente vai para isolamento”, amplia.

Vivendo sucessivas crises de doenças

Masaio pede para a sociedade refletir o motivo pelo qual as doenças estão acometendo sucessivamente as pessoas em todo o planeta. “Estamos vivendo sucessivas crises de doenças. A Covid-19, A Sars, a Mers, a Influenza Aviária. Se voltarmos um pouco mais, a febre amarela, a dengue. E porque isso está acontecendo? Por que invadimos o espaço dos animais”, credita a especialista.

Ela explica: “No passado, o meio silvestre e o meio urbano eram distantes um do outro. Por alguma razão o homem se aproximou do ecossistema silvestre, seja pela expansão das cidades, caça, mineração ou outra razão. O homem invadiu o território que não era nosso. E lá temos todos tipos de animais, como macacos, morcegos, gambás, e cada um tem os seus vermes, vírus e bactérias. Em via de regra, não fazem mal a eles. E o bírus que nada causava aos macacos, ao homem causou a febre amarela. Isso acontece com várias outras doenças, como Ebola, Mers, etc. Fica meu alerta”.

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Fonte: O Presente Rural
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O papel do médico veterinário e ferramentas ao seu alcance na produção avícola nos programas com foco em Saúde Única

O ideal é que as alternativas sejam posicionadas em conjunto, para que atuem de forma sinérgica

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito pela doutora Patricia Aristimunha, gerente de Serviços Técnicos Kemin

Segundo consta no documento publicado pelo Ministério da Saúde “Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Saúde Única, 2018 – 2022” (PAN-BR), a resistência aos antimicrobianos (AMR) é um dos maiores desafios, com importante impacto na saúde humana e animal. Embora o desenvolvimento da AMR seja um fenômeno natural dos microrganismos, está ocorrendo uma maior pressão seletiva e disseminação por:

  1. mau uso de medicamentos antimicrobianos na saúde humana;
  2. programas inadequados ou inexistentes de prevenção e controle de infecções, o que favorece a transmissão da resistência entre os microrganismos e a exposição de indivíduos a microrganismos resistentes;
  3. antimicrobianos de má qualidade;
  4. fraca capacidade laboratorial;
  5. vigilância e monitoramento inadequados;
  6. insuficiente regulamentação e fiscalização do uso dos medicamentos antimicrobianos.

No PAN-BR vários dos objetivos possuem intervenções estratégicas envolvendo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que instituiu, em 2017, o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência a Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine). Isso ocorre porque a medicina veterinária é a única profissão que opera rotineiramente na interface e conexão desses três componentes do One Health, estando em contato com uma grande variedade de animais domésticos e silvestres, sistemas de diagnóstico, sistemas regulatórios locais e nacionais para saúde animal, segurança alimentar e saúde pública.

O AgroPrevine visa o fortalecimento das ações para prevenção e controle da resistência aos antimicrobianos na agropecuária, considerando o conceito de Saúde Única, por meio de atividades de educação, vigilância e defesa agropecuária. Dentro das ações previstas por este plano estão: educação sanitária; estudos epidemiológicos; vigilância e monitoramento do uso e resistência aos antimicrobianos; fortalecimento da implementação de medidas de prevenção e controle de infecções e promoção do uso racional de antimicrobianos.

Neste cenário, faz-se necessária a adoção de ações mais holísticas dentro da produção avícola e de novos programas que envolvam diferentes estratégias de biosseguridade, manejo, nutrição, gestão e treinamentos dos profissionais envolvidos. Destaca-se ainda a utilização de tecnologias de substituição gradual aos antibióticos promotores de crescimento antibióticos, com foco no uso de combinações de soluções disponíveis, tais como os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais, que modificam de uma maneira menos agressiva o microbioma intestinal promovendo um melhor equilíbrio deste, com melhoria na saúde e status imunitário das aves.

Probióticos são definidos como suplementos alimentares a base de microrganismos vivos, que afetam de forma benéfica a saúde animal, melhorando o balanço da microbiota. Dentre os mecanismos de ação dos probióticos estão a exclusão competitiva, a manutenção da integridade da barreira epitelial intestinal, melhoria na absorção de nutrientes e da resposta imune intestinal. Porém, cada probiótico, dependendo da sua geração, possui mecanismos de ação específicos. Os probióticos de primeira geração agem simplesmente por exclusão competitiva e os de segunda geração adicionam à exclusão competitiva a produção de substâncias antibacterianas com ações específicas em determinados patógenos.

Os probióticos normalmente utilizados na produção avícola são os Bacillus subtilis, Bifidobacterium spp. e Lactobacillus spp. As características de um probiótico ideal contemplam a sua origem, sendo preferencialmente da própria espécie em que será utilizado, que não seja patogênico, seja resistente às condições de pH do trato gastrointestinal, produza componentes antimicrobianos, promova o crescimento de bactérias comensais, module de forma positiva a resposta imune, melhore a performance animal e seja compatível com o processo de produção de rações (inclusive compatível com outros promotores de crescimento, antibióticos ou alternativos).

No que se refere aos ácidos orgânicos existe uma diversidade de produtos disponíveis no mercado, com diferentes propriedades físicas e químicas, para uso via água ou ração, disponíveis individualmente ou em combinações. A indústria moderna tem dado foco ao uso de ácidos orgânicos protegidos (encapsulados) em função dos mesmos apresentarem liberação mais lenta, chegarem ativos às partes mais distantes do trato gastrointestinal, serem de mais fácil manipulação e sem odores.

O ácido butírico é reconhecido como a mais importante fonte respiratória e de energia para a proliferação das células do epitélio intestinal, e está diretamente e indiretamente envolvido em vários mecanismos regulatórios da diferenciação, crescimento, permeabilidade e expressão gênica celular, contribuindo como suprimento de energia para os enterócitos, ampliando a área absortiva e reduzindo a permeabilidade da mucosa pela ação nas tight junctions. Em estudos sobre proliferação, dano celular e morte programada, foi revelado que o butirato aumenta a velocidade de maturação (no desenvolvimento) e reparo após dano, sendo um dos mecanismos o aumento do índice mitótico no intestino delgado. Além disso, ele aumenta a atividade secretória das células caliciformes secretoras de fator de crescimento epitelial no intestino grosso e estimula a liberação de peptídeos gastrointestinais.

Soluções compostas de ácidos orgânicos e óleos essenciais são ferramentas antimicrobianas extremamente eficazes, atuando com eficiência em bactérias de difícil controle como a Salmonella. O modo de ação combinado dos ácidos orgânicos (cuja forma não dissociada consegue penetrar na parede celular dos microrganismos e alterar sua fisiologia, reduzindo o pH interno das bactérias) e dos óleos essenciais (que aumentam a permeabilidade da parede celular para prótons e íons, e a formação de um gradiente iônico faz com que ocorra uma deficiência nos processos básicos levando a morte celular) trazem um sinergismo que potencializa a ação antimicrobiana destes produtos.

Outra ferramenta muito importante nesse processo de uso racional dos promotores de crescimento antibióticos é o cromo orgânico. O propionato de cromo é uma fonte segura e de alta biodisponibilidade de cromo para uso nas dietas de aves, sendo o cromo um mineral essencial que age na redução dos efeitos do estresse, melhorando a eficiência alimentar e o rendimento no frigorífico.

Em face aos diferentes desafios que a produção avícola apresenta, além das alternativas com efeito antimicrobiano direto e com efeito na melhoria da qualidade e morfometria intestinal, dentro de um programa de uso racional de promotores de crescimento, conivente com o conceito dos programas no âmbito da Saúde Única, deve-se considerar o uso das demais ferramentas que mantém a saúde e desempenho dos lotes, como os imunomoduladores, biosurfactantes, antioxidantes, agentes controladores de estresse e adsorventes de micotoxinas. O ideal é que as alternativas sejam posicionadas em conjunto, para que atuem de forma sinérgica, perfazendo diferentes modos de ação e objetivos alvo, maximizando os resultados do programa de substituição dos promotores de crescimento e preservando a capacidade de tratamento das atuais moléculas antibióticas.

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