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Avicultura Mercado

“Novos” concorrentes da avicultura brasileira tomam crescimento do mercado para si

Segundo especialista, novos mercados estão surgindo e o Brasil precisa competir com esses “novos jogadores”

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Arquivo/OP Rural

O mercado é dinâmico. Ele está sempre em constante mudança e evolução. Por conta disso, é preciso que o setor pecuário esteja atento a estas mudanças e ao que está acontecendo em todo o cenário mundial. Isso porque o mercado muda a partir do que os consumidores pensam a respeito de determinados produtos. Na avicultura, a situação não é diferente e as empresas devem estar atenta a estas mudanças e se aproveitar de cada situação para continuar competitiva. Com mais gente no mundo e pessoas com mais renda, há maior demanda de carnes, um espaço que pode ser ocupado por Brasil ou outros jogadores, como Turquia, Ucrânia e Tailândia.

O consultor doutor Antônio Mário Penz Júnior citou algumas das mudanças que estão acontecendo no cenário mundial atualmente e como elas estão afetando diretamente o consumo e a avicultura em geral. O profissional esteve em Marechal Cândido Rondon, PR, durante o Seminário Anual de Produtores de Aves, realizado pela Cooperativa Copagril, falando sobre o assunto.

Segundo ele, é preciso que o produtor entenda o cenário mundial para saber como lidar com as mudanças que estão acontecendo. Ele explica que atualmente a geração Y, também conhecida como os Millennials, que são as pessoas entre 18 e 34 anos, são quem estão dominando o mundo. “Dados dos Estados Unidos de 2015 mostram que 23% da população norte-americana é formada por millennials. Lá, quase 70% da população ativa atualmente faz parte dessa juventude que não compra carro, que mudou muita coisa, mas que tem poder aquisitivo. É uma sociedade nova que precisamos entender”, afirma.

Apesar disso, Penz diz ser necessário olhar para o outro lado do mundo, que ainda é diferente. “A população da Índia deverá ultrapassar a da China nos próximos anos. Daí vocês acham que o senhor indiano está preocupado com as mesmas coisas que os jovens norte-americanos? Não! Nós, como brasileiros, vamos alimentar os millennials, mas também temos que entender que existe esse povo que precisa se alimentar também”, conta. Ele acrescenta que atualmente no mundo existem quase 1,4 bilhão de pessoas, e mesmo existindo quase seis milhões de vegetarianos, o restante ainda consome aproximadamente dois quilos per capita/ano de carne de frango. “Eles vão comer, porque muitos estão saindo do meio rural para ir para o urbano, deixando de ser produtores para ser consumidores”, explica.

As mudanças no mundo ao longo dos anos foram grandes, afirma Penz. Ele informa que o consumo na África tem aumentado. “Então, os africanos, mesmo com todas as dificuldades financeiras, são grandes consumidores de carne. O consumo de carne é absolutamente impressionante. Eles, assim como em outros países, são aqueles que os millennials não se dão conta de que uma em cada 10 pessoas não tem acesso a comida suficiente”, mostra. O consultor afirma que a África é um local em que não somente a população, como também o consumo irá crescer. “E nessa hora nós estaremos prontos para atendê-los”, diz.

Novo mundo, novas tendências

De acordo com Penz, é importante que o produtor se de conta de algumas “loucuradas” que estão surgindo no mundo. Ele cita algumas, como por exemplo a famosa campanha do Beatle Paul McCartney que em 2009 criou a “Segunda sem carne”. “Isso é basicamente em que todas as segundas-feiras não se come carne. E o que é mais surpreendente é que em alguns locais, como em Porto Alegre, por exemplo, existem pessoas que querem implantar esse projeto em escolas”, comenta.

Outros exemplos citados pelo consultor foi a Nestlé, que é uma grande produtora de alimentos a base de leite, lançou uma linha vegana de hambúrgueres; a JBS também lançou um hambúrguer vegano e a Mantiqueira apresentou um ovo vegano. “É um mundo louco que estamos vivendo, mas que precisamos entender que a população precisa de comida”, diz.

Carne de frango é sustentável

Penz comenta que não está preocupado quanto ao consumo de carne de frango no mundo. Isso, porque os países em desenvolvimento, segundo ele, comerão o dobro de carne. “Porque sabemos que quanto maiores os recursos financeiros, a primeira coisa que acontece é aumentar o consumo de alimentos, principalmente de carne”, afirma. Além disso, o frango tem uma vantagem que outras proteínas não têm: não há restrição religiosa. “O suíno, por exemplo, tem, mas o frango não. Não tem nenhuma restrição que diga que não pode comer carne de frango”, comenta.

Outro detalhe citado por ele é o quanto a avicultura é, muitas vezes, mais sustentável que outras cadeias produtivas. “Várias instituições de pesquisa mostram que para se produzir um quilo de frango são gastos quatro mil litros de água. Esse cálculo vem desde a produção do milho, o gasto com caminhão, eles somam tudo. Então, cada vez que você come um quilo de frango, quatro mil litros de água foram gastos. Mas, se formos comparar, no bovino esse número sobre para 17 mil”, mostra. Então, de acordo com Penz, visto por este ângulo o frango consome pouca água. “Isso também pode ser visto, por exemplo na emissão de CO². O frango gasta muito menos. Então, sob o ponto de vista de preservação do meio ambiente, nós temos condições de dizer que somos pró meio-ambiente. Não podemos ser taxados de destruidores do ambiente, porque não somos”, diz.

Mercado é dinâmico

Quanto ao Brasil, diversas mudanças ocorreram ao longo dos anos, segundo Penz. “A produção da carne brasileira vinha bem até 2011, 2012, depois não aumentou mais. O consumo, a mesma coisa, vinha crescendo até 2011 e depois estagnou”, informa. “Por que parou? Porque até mesmo os mais favorecidos ficaram sem dinheiro”, explica.

O consultor informa que o mercado é dinâmico e é preciso que o Brasil esteja atento a isso. “A Europa briga tanto conosco porque no ano passado eles aumentaram em 6% as exportações. Isso é 1/3 da nossa, por isso eles estão tão desesperados”, diz. Porém, apesar disso, é preciso que o Brasil fique atento porque outros mercados estão surgindo. “A Tailândia aumentou as exportações em 8%, a Turquia em 15% e a Ucrânia aumentou 21%. Ou seja, há novos jogadores nesse mercado”, afirma.

Penz reitera a necessidade de o Brasil estar mais atento quanto a estes novos mercados pelo fato deles estarem de olho nos atuais mercados que são do Brasil. “Por isso, ou matamos a salmonella ou ela nos mata. Eu vou mostrar um caso: a doença da vaca louca aconteceu em 2003 nos Estados Unidos. A doença foi detectada em um animal, não em um milhão; em um. Por conta disso, as exportações de carne bovina deles caíram em mais de um milhão de toneladas. Um animal gerou um milhão de toneladas em prejuízos de exportação. Que, aliás, nunca mais voltou, porque quando os norte-americanos perderam esse espaço, quem ocupou foi o Brasil”, conta.

Outro exemplo citado foi quanto aos casos de Influenza Aviária, também nos EUA. “Os norte-americanos perderam 2% da exportação mundial. Quem pegou? O Brasil. Mas, em 2016 tivemos todos os problemas da Operação Carne Fraca, com salmonella e o que aconteceu? Estes novos jogadores que citei ocuparam esse mercado deixado aberto por nós. Por isso é preciso que nós, avicultores, tenhamos responsabilidade e cuidemos melhor da nossa biosseguridade, que é o nosso maior bem”, aponta.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos

Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.

O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural

Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.

Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

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Foto: Ari Dias/AEN

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.

As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos

A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.

“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.

Fonte: ANBA
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Avicultura

Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025

Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

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Foto: Rodrigo Fêlix Leal

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal

A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.

No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%).  “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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