Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo sistema produtivo integra pecuária de corte com plantio de teca
Pesquisas com sistemas ILPF em Mato Grosso mostraram que as áreas com teca apresentaram os maiores retornos financeiros. Um dos trabalhos indicou retorno de R$ 4,70 para cada R$ 1 investido.

A Embrapa Agrossilvipastoril (MT) está lançando o Sistema Bacaeri – BoiTeca, uma modalidade de integração pecuária-floresta, ou silvipastoril, que consorcia a pecuária de corte com a silvicultura de teca (Tectona grandis). Esse sistema de produção é uma forma de intensificação sustentável, adicionando uma fonte de renda para o pecuarista.

Foto: Gabriel Faria
A teca é uma madeira nobre, nativa da Ásia, com grande potencial silvicultural e econômico nas regiões mais quentes do Brasil. Por meio deste sistema, são cultivadas linhas da árvore em meio à pastagem. Enquanto as árvores crescem, a atividade pecuária é conduzida normalmente. Dessa forma é possível obter renda durante os cerca de 20 anos necessários até se chegar ao ponto de corte. O gado só precisa sair da área nos 10 a 18 meses iniciais, período no qual é possível fazer uma integração com agricultura, colher o pasto para fazer silagem e feno, ou ainda aproveitar para recuperar a forrageira.
O manejo adequado de desramas das árvores não só possibilita a formação de um tronco reto, com madeira de melhor qualidade, como também permite a maior entrada de luz na pastagem, evitando que haja perdas de produtividade do capim. Além disso, a sombra projetada pelas copas das árvores melhora o conforto térmico para o gado, permitindo maior ganho de peso. Pesquisas realizadas pela Embrapa Agrossilvipastoril também já demonstraram que o acesso à sombra beneficia o sistema imunológico e a produção de hormônios sexuais nos bovinos.
O pesquisador Maurel Behling explica que em sistemas ILPF as árvores plantadas em linha apresentam maior taxa
de crescimento do que árvores plantadas em monocultura devido ao chamado efeito bordadura, que é a maior entrada de luz e menor competição por água e nutrientes. “Uma das vantagens desse sistema é a possibilidade de adicionar renda para o produtor sem se fazer a substituição de um monocultivo (pasto) por outra monocultura (floresta plantada). O objetivo é usar a pecuária como uma forma de expansão do cultivo da teca”, declara o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.
Histórico
Os primeiros plantios de teca em sistema silvipastoril em Mato Grosso ocorreram em 2000, nas fazendas do produtor Arno Schneider, em Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana. Naquela época ele já vislumbrava a possibilidade de diversificar as fontes de renda e produzir carne de uma forma sustentável. As mudas eram produzidas por sementes e a cada ano a área com o sistema IPF era ampliada.
Alguns anos depois, em 2008, a fazenda Bacaeri, em Alta Floresta, que já cultivava teca em monocultura, decidiu iniciar a integração com pecuária para antecipar a geração de receitas. Naquele momento, já haviam chegado ao Brasil as mudas clonais e a fazenda de propriedade de Antônio Passos foi pioneira na IPF com teca clonal.
Com a criação da Embrapa Agrossilvipastoril em Mato Grosso em 2009, foram iniciadas pesquisas tanto na Fazenda Bacaeri quanto em Unidades de Referência Tecnológica como a Fazenda Gamada (Nova Canaã do Norte), fazenda Brasil (Barra do Garças) e Fazenda São Paulo (Brasnorte). O conjunto de informações coletadas nessas áreas permitiu desenvolver as recomendações técnicas necessárias para indicação do sistema produtivo, que recebeu o nome em homenagem à propriedade onde a maior parte do trabalho foi desenvolvido. “Ter o sistema nomeado Bacaeri, o nome da nossa empresa desde 1983, nos deixa de alguma forma com a impressão de que tomamos atitudes corretas, e fizemos bem-feito, para ter o aval e a aprovação da Embrapa, validando a nossa iniciativa, através do acompanhamento dos técnicos que validam os processos”, pondera o produtor Antônio Passos, da fazenda Bacaeri.
Atualmente a estimativa da Embrapa é que a área com uso de sistema silvipastoril com teca seja de 4 mil hectares em Mato Grosso. O estado conta com 68 mil hectares (há) com monocultivo de teca, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o que corresponde a 80% dos 84 mil ha com a árvore no Brasil. Antônio Passos vê grande potencial de expansão do sistema, porém alerta sobre limitações de solo e clima e a necessidade de fazer o manejo adequado. “A teca é muito exigente e tem um crescimento lento em solos inadequados. Portanto, isso já limita muito as áreas disponíveis. A segunda limitação é a tradição de não investir a longo prazo. Nesse caso, o prazo de retorno é superior a 20 anos, chegando talvez a até 30 anos. O terceiro ponto é a dedicação à silvicultura, principalmente com a poda das árvores, e a atenção para os animais não danificá-las”, enumera Passos.
Parceria e lançamento
O uso da teca em sistemas ILPF foi descrito e detalhado em um capítulo do livro Teca (Tectona grandis) no Brasil, o que despertou interesse da empresa Teak Resources Company (TRC). Uma parceria foi firmada com a Embrapa para validação do sistema produtivo e para divulgação por meio de eventos. Um desses eventos será realizado no dia 8 de maio, na fazenda Duas Lagoas, em Cáceres (MT), ocasião em que será feito o lançamento oficial do Sistema Bacaeri – BoiTeca.
Desde que a parceria foi firmada, no ano passado, 350 ha foram instalados em um modelo de parceria com três pecuaristas em Mato Grosso e um no Pará. Os dois estados são o foco da TRC para expansão deste sistema. “A capacidade atual é de implementar cerca de 2,5 mil ha/ano. Temos produção de mudas suficientes para isso em 2025. Serão 12.500 ha em cinco anos”, afirma o diretor de Relações Institucionais e Pesquisa da TRC Fausto Hissashi Takizawa.
Fausto explica que inicialmente pecuaristas mais arrojados e com maior preocupação ambiental são aquelas com melhor aceitação do sistema. Porém, ele já percebe a curiosidade e interesse por parte de pecuaristas mais conservadores que veem nesse sistema uma forma de intensificarem a produção. “Tendo interesse crescente de pecuarista, área disponível para parceria e recursos financeiros por meio de agente financeiro, a TRC tem condição de ampliar além desses 12,5 mil hectares, podendo chegar a 15 mil ha ou um pouco mais em cinco anos”, afirma Takizawa.
Recomendações técnicas
O Sistema Bacaeri – Boi Teca traz as recomendações técnicas para o produtor que quer utilizar a tecnologia, desde o planejamento da área, definição de espaçamento entre plantas e entre linhas e preparo do berço, até as técnicas de podas e desramas a serem realizadas para garantia de melhor qualidade da madeira.
As recomendações passam também pelo controle de plantas daninhas, formigas e doenças, recomendações nutricionais e cuidados para evitar incêndios na área. Todas essas informações detalhadas podem ser conferidas nos materiais disponíveis aqui.
Adição de renda
Pesquisas realizadas pela Embrapa Agrossilvipastoril em Unidades de Referência Tecnológica com sistemas ILPF em Mato Grosso mostraram que as áreas com teca apresentaram os maiores retornos financeiros. Um dos trabalhos, utilizando dados reais da Fazenda Bacaeri, indicou um retorno de R$ 4,70 para cada R$ 1 investido. Embora o custo inicial seja mais alto, em torno de R$ 3,2 mil por hectare, a pecuária e os desbastes iniciais das árvores permitem o retorno do investimento com oito anos. A maior receita, no entanto, ocorrerá no corte raso das plantas, entre o 18º e 25º ano do sistema. Com base nos dados da Unidade de Referência Tecnológica (URT) da Fazenda Bacaeri, o Valor Presente Líquido (VPL) foi estimado em R$ 2.854,53 por hectare por ano.
Embora os números sejam atrativos, Behling alerta para o fato de que o lucro só será obtido com a utilização de tecnologias apropriadas, cuidados em todas as etapas do manejo e da cadeia de suprimentos.
“Não basta apenas plantar as árvores de teca de qualquer jeito no sistema integrado e ficar esperando que elas cresçam para que os lucros brotem para o produtor. É necessário investir em tecnologia, insumos adequados, operações corretas e eficientes, constante monitoramento fitossanitário e garantir produtividade e qualidade da madeira ao longo de todo o ciclo de rotação. Se isso tudo não for feito, a decepção será grande”, alerta o pesquisador da Embrapa.
Tecnologia sustentável
Sistemas ILPF, como o Boi Teca, permitem a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, além de reduzirem a pressão sobre o corte de madeira em florestas nativas. Ao aumentar a produtividade da pecuária, é possível reduzir a emissão de metano por quilograma de carne. Ao mesmo tempo as árvores estocam carbono em seu tronco, raízes e galhos.
Com essas características, esse sistema produtivo pode ser uma das ferramentas do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis. Também pode dar a possibilidade de o pecuarista pleitear créditos de carbono e agregar valor à produção por meio de certificações como Carne Carbono Neutro (CCN) ou Carne Baixo Carbono (CBC).

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Pesquisadores desenvolvem metodologia para identificar carnes de diferentes espécies
No processo de diferenciação, são gerados perfis de massa das proteínas da carne, que funcionam como uma “impressão digital” molecular única para cada espécie ou raça animal.

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (MS), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram uma metodologia para identificar carnes de diferentes espécies por meio da espectrometria de massas MALDI-TOF. A metodologia permite, ainda, distinguir amostras das raças bovinas Nelore e Angus, o que pode auxiliar na certificação de produtos com maior valor de mercado.
Embora seja uma tecnologia amplamente utilizada em diversas áreas da ciência, inclusive no diagnóstico de doenças causadas por microrganismos na pecuária, é a primeira vez que pesquisadores brasileiros utilizam a espectrometria de massas para diferenciar tecidos de bovinos, suínos, frangos e tilápias, inclusive após o congelamento ou a fritura do alimento.

A diferenciação das carnes é realizada por meio da geração de perfis de massa das proteínas da carne, que funcionam como uma “impressão digital” molecular única para cada espécie ou raça animal. “Assim, foi possível construir um banco de dados com perfis de massa das proteínas de diferentes carnes para, por exemplo, avaliar a qualidade do produto ou para fins de fiscalização”, explica o pesquisador da Embrapa Newton Verbisck, que liderou o estudo.
Verbisck ressalta que a espectrometria é um método que se destaca como uma alternativa mais rápida e econômica para identificar fraudes do que as análises genéticas tradicionais. A metodologia desenvolvida conta com um protocolo simplificado, o que torna o processo mais ágil, mantendo a precisão. “Todo o processo dura, em média, 20 minutos, diferentemente dos outros métodos disponíveis no exterior, que são um pouco mais demorados e têm um custo relativamente mais elevado”.
Com os resultados dessa pesquisa, a espectrometria de massas apresenta-se como uma ferramenta robusta para a rastreabilidade biológica e a proteção do consumidor contra substituições indevidas. A tecnologia que, no Mato Grosso do Sul, está operacional apenas na Embrapa Gado de Corte, poderá ser aplicada em diversos setores, com finalidades que incluem controle de qualidade de produção, rastreabilidade, fiscalização sanitária, combate a fraudes e adulterações em derivados de carne.
Etapas do processo de identificação de carnes
Coleta da amostra: pequenos fragmentos de carne fresca ou descongelada, do tamanho aproximado de um grão de arroz, são retirados da parte interna da peça para evitar contaminações superficiais ou degradação.
Extração de proteínas: a amostra é então imersa em um pequeno volume de um solvente, composto por acetonitrila, água ultrapura e ácido trifluoroacético, em um tubo de plástico. A amostra é macerada com um pilão de plástico e, em seguida, o material é centrifugado por 2 minutos para deposição do tecido e coleta do extrato de proteínas.
Preparação e ionização: o volume de 1 microlitro (equivalente a uma pequeníssima gota) do extrato protéico é misturado com igual quantidade da matriz química em uma placa de metal. A matriz não reage com a amostra, mas possibilita a cristalização da mesma e facilita seu processo de transformação em íons pela ação de um laser, no processo de ionização dentro do espectrômetro de massas.
Aquisição e análise de dados: no espectrômetro de massas são medidos os tempos de vôo dos íons e as massas das proteínas são, assim, determinadas, em um processo que leva poucos segundos para ser finalizado para cada amostra.
Identificação e classificação: com o auxílio de ferramentas computacionais, os perfis de massa de proteínas de cada amostra de carne são registrados em um banco de dados, de modo que o sistema posteriormente consegue classificar e identificar as espécies de carne em questão.
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Sul busca ampliar exportações para fortalecer cadeia do leite
Lideranças discutem incentivos aos laticínios, defesa comercial e medidas para aumentar a competitividade do setor.

Os desafios e as oportunidades da cadeia produtiva do leite foram tema de reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), realizada na tarde de segunda-feira (6), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), em Florianópolis. O encontro, em formato híbrido, reuniu especialistas do setor lácteo, lideranças dos três Estados do Sul e representantes do Mato Grosso do Sul para discutir medidas voltadas à competitividade, à sanidade, à abertura de mercados e à proteção da produção.

O encontro, em formato híbrido, reuniu especialistas do setor lácteo, lideranças dos três Estados do Sul e representantes do Mato Grosso do Sul – Foto: Silvania Cuochinski/MB Comunicação
A programação foi conduzida pelo coordenador geral da Aliança Láctea, Ronei Volpi. A abertura contou com a participação do superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, que representou o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo; da representante da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, Daniela Cordeiro do Carmo; e do presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Santa Catarina (Sindileite/SC) e coordenador do Conseleite/SC, Selvino Giesel. As lideranças destacaram a relevância da articulação institucional para fortalecer a cadeia leiteira e construir respostas conjuntas aos entraves enfrentados por produtores e indústrias.
Para Ronei Volpi, a reunião foi extremamente produtiva e reforçou dois eixos estratégicos para o setor. O primeiro é a abertura de novos mercados, com a possibilidade de exportação de produtos lácteos da Região Sul. O segundo envolve avanços nas questões sanitárias do rebanho leiteiro, especialmente no controle da brucelose e da tuberculose.
“Temos a expectativa de conseguir alavancar o setor leiteiro no Sul do Brasil. A atividade passa recorrentemente por crises, principalmente de preços, e, com essas ações, pretendemos reduzir a dependência de um mercado bastante incerto”, avaliou.
Gilmar Antônio Zanluchi ressaltou a importância dos temas tratados e a preocupação da Faesc com a busca de soluções para a cadeia leiteira. “Tive a oportunidade de representar o presidente José Zeferino Pedrozo em uma reunião com assuntos de alta relevância. Temos grande preocupação em dar sequência às soluções para a cadeia de lácteos, que é muito desafiadora junto ao produtor rural, à indústria e também na comercialização interna. Nossa expectativa é que, no futuro, possamos exportar produtos lácteos”, afirmou.
Exportação como alternativa estratégica
O consultor da ALSB, Airton Spies, apresentou atualizações sobre o Programa de Incentivo à Exportação de Leite pelo BRDE, estruturado para os três Estados da Região Sul. A proposta busca ampliar a presença dos lácteos brasileiros no mercado internacional e reduzir os impactos da crescente concorrência das importações.

Foto 06 – Lideranças ressaltaram a importância do encontro para discutir estratégias para fortalecer o setor – Foto: Silvania Cuochinski/MB Comunicação
Spies destacou que a região Sul responde por 41,1% do leite industrializado do país e possui produção muito superior ao consumo regional, o que exige a abertura de novos mercados. O elevado custo de produção e a forte concorrência internacional estão entre os principais desafios para ampliar as exportações.
Para enfrentar esse cenário, a Aliança Láctea propõe a criação de incentivos via BRDE, com recursos estaduais aportados pelo Codesul, destinados ao financiamento de projetos de laticínios interessados em exportar. O objetivo é viabilizar o envio de leite em pó, queijos, manteiga e gordura anidra aos portos, abrindo caminho para que a região Sul se consolide como exportadora de lácteos, a exemplo do que já ocorre com as cadeias de aves e suínos.
O plano foi apresentado aos governadores e às secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Econômico dos três Estados em dezembro do ano passado e diversas ações já estão em andamento para sua implementação. Segundo Spies, a exportação representa um caminho estratégico para o crescimento sustentável da cadeia. Ao alcançar maior competitividade e aproximar os preços dos padrões internacionais, o setor poderá enfrentar a concorrência externa com mais eficiência, reduzir a instabilidade de preços aos produtores e atenuar crises recorrentes. A maior eficiência produtiva também pode contribuir para ampliar o acesso dos consumidores brasileiros a produtos mais competitivos e estimular o aumento do consumo per capita de leite, atualmente em torno de 180 litros por ano, para patamares próximos de 220 litros anuais.
Proteção à produção e agregação de valor
A secretária de Estado de Articulação Nacional de Santa Catarina e secretária do Codesul-SC, Vânia Oliveira Franco, destacou que a Aliança Láctea Sul Brasileira representa um espaço fundamental para a construção de soluções conjuntas voltadas a essa cadeia estratégica. Ela mencionou ações desenvolvidas em Santa Catarina para fortalecer o setor, entre elas o Programa Leite Bom SC e o decreto do governador Jorginho Mello que suspende a concessão de incentivos fiscais para a importação de leite e derivados em Santa Catarina, medida considerada importante para proteger a produção local diante de práticas de concorrência desleal.

Reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira ocorreu na sede da Faesc – Foto: Silvania Cuochinski/MB Comunicação
Além das ações emergenciais, Vânia defendeu que a cadeia leiteira avance em novas oportunidades de agregação de valor. Nesse contexto, apresentou a proposta de criação de uma estratégia voltada ao aproveitamento econômico do soro de leite e à produção de proteínas lácteas de alto valor agregado, especialmente o whey protein.
Vânia sugeriu, ainda, que a Aliança Láctea avance na realização de um estudo de viabilidade técnica, econômica e logística, com apoio do BRDE, para dimensionar o potencial regional, identificar investimentos necessários, avaliar modelos de governança e apontar alternativas de financiamento.
Antidumping e mercado futuro do leite
A atualização sobre o processo antidumping relacionado ao leite em pó importado foi apresentada por João Paulo Franco da Silveira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O tema integra a agenda de defesa da produção nacional diante dos impactos provocados pelas importações e pela instabilidade de preços no mercado interno.
O Mercado Futuro do Leite foi outra pauta em destaque com explanação de Caio Toledo, da StoneX. Ele apresentou a nova ferramenta para lácteos da StoneX Leite Brasil, uma solução inédita no mercado nacional, que conta com apoio da CNA e parceria do Cepea. A iniciativa foi criada para auxiliar na gestão de riscos e na proteção de margens em um cenário global cada vez mais volátil.
Também integraram a programação temas como o Plano de Trabalho do Grupo de Sanidade, apresentado pelo presidente da Adapar, Otamir Martins, além de debates sobre políticas de proteção, competitividade, inovação e outras alternativas para fortalecer a cadeia produtiva.
Faesc comprometida com o setor leiteiro
O presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, é defensor permanente de ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite. Ele destaca a relevância da Aliança Láctea Sul Brasileira como espaço de articulação regional, capaz de integrar lideranças, instituições e especialistas em torno de soluções para os desafios imediatos do setor e para a construção de uma agenda para fortalecer a cadeia produtiva do leite no Sul e no País.
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Expoleite encerra edição com público de 35 mil visitantes
Feira destacou tendências para o agronegócio, premiou produtores e reuniu cerca de 250 animais em julgamentos.

Entre os dias 2 e 4 de julho, 35 mil pessoas visitaram a 52ª Expoleite, feira agropecuária promovida anualmente pela Capal Cooperativa Agroindustrial, que consolidou-se como um dos principais palcos de debate macroeconômico, tendências de mercado e valorização do produtor rural na região dos Campos Gerais. A programação técnica deste ano uniu conhecimento prático e análises de mercado, além de atrações para toda família, com eventos musicais e gastronômicos.
O ciclo de palestras desta edição trouxe à tona discussões fundamentais para o planejamento das próximas safras. Um dos destaques foi a análise do economista Alexandre Mendonça de Barros, que traçou um panorama detalhado sobre a macroeconomia do mercado agrícola brasileiro e internacional, oferecendo informações estratégicas para os produtores em um cenário global dinâmico. Guilherme Cioccari, consultor da StoneX, falou sobre gestão de riscos e o mercado de grãos.

Foto: Stephanie Gobbi
Paralelamente, os desafios da comunicação no ambiente digital e a conexão do campo com a sociedade foram debatidos pelo produtor rural e influenciador Murilo Groth, cuja palestra reuniu um público expressivo e diversificado, formado por produtores rurais, estudantes e profissionais do setor. O tema também foi abordado pela palestrante Roberta Leite durante o Encontro de Suinocultores.
A programação da 52ª Expoleite contemplou outros segmentos da cadeia produtiva da Capal. Além do Encontro de Suinocultores, o evento promoveu o Encontro de Cafeicultores e abriu espaço para a difusão de tecnologias na agricultura por meio do campo experimental de cultivares de cevada.
A feira contou com a participação de aproximadamente 120 expositores que apresentaram novidades em maquinários, soluções agrícolas, nutrição animal e medicamentos. No âmbito social, o público desfrutou de um cardápio variado na praça de alimentação, onde restaurantes, lanchonetes e instituições beneficentes locais ofereceram diferentes opções gastronômicas.
É uma sensação de missão cumprida. A Capal fez e continua fazendo investimentos no Parque para receber toda a população, e é muito prazeroso ver os espaços cheios de visitantes conferindo as atrações da programação. Acreditamos que foi mais uma edição da Expoleite para entrar para a história, conta o presidente-executivo, Adilson Roberto Fuga.
Premiações
Além da difusão de conhecimento, a 52ª Expoleite também foi palco para o reconhecimento de cooperados que se destacam pela qualidade e eficiência na produção. Durante a Rodada Técnica Pecuária, a etapa Capal do Concurso de Silagem de Milho da Fundação ABC premiou os produtores com os melhores resultados na produção de silagem. O cooperado Marius Cornélis Bronkhorst conquistou a primeira e a segunda colocação da etapa.
O reconhecimento aos produtores também marcou o Prêmio Leite de Qualidade, que premiou cooperados do Paraná e de São Paulo com os melhores indicadores de qualidade do leite, considerando os resultados obtidos entre junho de 2025 e maio de 2026. A premiação contemplou oito categorias (quatro no Paraná e quatro em São Paulo), divididas por faixa de produção diária, com três produtores premiados em cada uma delas. A avaliação levou em conta critérios técnicos relacionados à sanidade e à qualidade da matéria-prima.
Gado holandês

Foto: Giovanna Santolin
A Expoleite é uma vitrine da excelência genética e do vigor do rebanho leiteiro dos Campos Gerais, região que se destaca como uma das principais bacias leiteiras do Brasil. Durante esta edição, a pista principal recebeu cerca de 250 animais que participaram dos julgamentos.
No campeonato da variedade Vermelho e Branco (HVB), o título de Grande Campeã ficou com CONSTENTATION LOLITA SWINGMAN, do produtor João Cornelio Los. Já na variedade Preto e Branco (HPB), a Grande Campeã foi ARM LETTI MITCHELL 99, de Armando Rabbers. Na classificação geral por pontuação, o cooperado da Capal Adriaan Frederik Kok foi reconhecido como Melhor Criador e Melhor Expositor nas duas variedades, HVB e HPB.
O jurado responsável pelas avaliações foi o canadense Mike West, natural de Ontário, e com vasta experiência em avaliações de exposições regionais, estaduais e internacionais. O julgamento realizado na Expoleite é credenciado junto à Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH) e integra o Circuito Nacional da Raça Holandesa.



