Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo presidente da Asbram destaca momento histórico da carne bovina brasileira
Rodrigo Miguel assume a entidade defendendo avanço em tecnologia, sustentabilidade e preparação do setor para novos desafios.

O Brasil vive um momento único na carne bovina, com recorde mundial na produção e exportação, preços crescentes e vendas para 150 países. E o panorama deve permanecer crescente. Mas o segmento necessita estar pronto para desafios como sanidade, qualidade e respeito ao meio ambiente. Além de adequar o fluxo de embarques a ciclos pecuários cada vez menos imprevisíveis.
O panorama foi desenhado pelo médico-veterinário e tarimbado executivo Rodrigo Miguel, que tomou posse como novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) no fim de fevereiro, sucedendo Fernando Cardoso Penteado Neto, em uma cerimônia realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O novo vice-presidente é Leonardo Matsuda. E Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A ASBRAM representa 71% das empresas do setor, que mantém no campo mais de 14 mil profissionais, na assistência técnica ao lado dos pecuaristas.
“Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro. O mundo precisa de carne e só nós podemos ofertar nesses volumes que estamos embarcando. Avançando em sustentabilidade ambiental, financeira e em tecnologia. Porque a exportação não pode ficar refém dos ciclos. E temos que ficar atentos ao fato de que 70% da carne fica no mercado interno. Qualquer desequilíbrio pode ser problemático. Vamos ouvir as vozes das diferentes realidades produtivas do Brasil, manter o Painel de Comercialização como referência de negócios e atuar em nome de nossas empresas e de nosso mercado”, garantiu Rodrigo Miguel, que vai dirigir a entidade até o fim de 2027.
O novo presidente ainda apontou que o caminho da produção bovina é claro. Não precisa desmatar, deve usar cada vez mais tecnologia, adaptada aos formatos locais, em áreas menores. “Assim, produziremos e exportaremos cada vez mais alimentos. Vou procurar orientar minha presidência em pilares como visão, coragem, transparência, clareza, humildade e consciência do aprendizado para orientar a execução”, concluiu.
A noite começou com uma palestra do nutrólogo, professor e pesquisador Wilson Rondó Junior, autor do livro que trata dos benefícios da carne vermelha, que falou sobre ‘Uma nova luz sobre a alimentação saudável’. Ele destacou os benefícios ancestrais proporcionados pela proteína e as gorduras saturadas, como crescimento do cérebro, saúde e proteção contra diversas doenças. E as qualidades do rebanho brasileiro que vive essencialmente do pastejo.
“O mundo vive hoje uma inflamação silenciosa, com o uso excessivo de gorduras à base de grãos. Principalmente, obesidade, diabetes e doenças coronárias. Deveríamos rezar pelos bovinos todos os dias porque eles proporcionam alimentos mais saudáveis, com mais Ômega3”, defendeu. E ainda nomeou as principais informações falsas relacionadas a um pretenso perigo no consumo da proteína animal, propagandeadas ao longo dos últimos cem anos. “Carne e leite são fontes poderosíssimas, deveriam fazer parte da dieta de todas as pessoas. Porém, as novas pesquisas já atestam que o correto é o sinal verde para a carne vermelha”, acrescentou.
Na sequência, Fernando Penteado fez um balanço dos dois anos de seu mandato, elogiando o trabalho das equipes e enfatizando que o preparo técnico das indústrias precisa caminhar ao lado dos resultados financeiros. “O importante é estarmos juntos como agora. Sendo assim, vamos alcançar todos os nossos propósitos”, referendou.
“Confio demais na pecuária brasileira e saio depois de dois anos muito profundos, de amadurecimento. Alcançamos o número mágico de cem associados, alcançamos quatro mil profissionais acompanhando nossas reuniões mensais pessoalmente ou pela internet, e fortalecemos nosso caixa. A ASBRAM vai permanecer atuando forte, com seu exército de 14 mil profissionais no campo, todo santo dia. Seguiremos juntos”, falou Fernando Penteado.

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Do laboratório ao tanque: como Rondônia derrubou em até 76% a carga bacteriana do leite
Parceria entre Embrapa, produtores e indústria eleva padrões higiênico-sanitários, reduz contaminação e transforma a cadeia leiteira no estado ao longo de sete anos de estudos.

Desafios logísticos e higiênico-sanitários
A cadeia produtiva do leite em Rondônia reúne cerca de 26 mil famílias, com predominância de pequenos e médios produtores. O estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional de produção leiteira e, em 2024, registrou 619 milhões de litros produzidos, o maior volume da Região Norte, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para chegar a esse diagnóstico e identificar os principais fatores de risco no campo, as pesquisas saíram do ambiente laboratorial e avançaram para análises epidemiológicas e de geoprocessamento. Foram considerados indicadores higiênico-sanitários do leite, como contagem bacteriana, contagem de células somáticas (CCS), presença de patógenos associados à mastite bovina e resíduos químicos.

Foto: Rafael Alves da Rocha
Os resultados apontam que o principal gargalo regional está no controle da contagem bacteriana, associado, sobretudo, a falhas na adoção de boas práticas de ordenha e à deficiência na logística de refrigeração do leite.
Entre os pontos críticos identificados está o uso de “carretinhas”, transporte intermediário entre a propriedade e o tanque coletivo. Atrasos no resfriamento e falhas na higienização dos latões utilizados nesse percurso contribuíram para o aumento da carga bacteriana. Atualmente, 78% dos produtores do estado estão vinculados a sistemas de tanques coletivos. A pesquisa também indica que tanques com mais de cinco produtores apresentam maior risco de contaminação, o que levanta a necessidade de reavaliação desse modelo por parte da indústria.
Segundo Juliana, falhas no manejo sanitário dentro das propriedades também elevam o risco de mastite no rebanho. Um dado que chama atenção é que sistemas mais tecnificados, incluindo ordenha mecânica e uso de animais especializados, apresentaram maior probabilidade de ocorrência da doença.
Esse cenário é reforçado pelo monitoramento da contagem de células somáticas (CCS) em tanques vinculados às indústrias. A comparação entre 2015 e 2022 indica tendência de aumento da média de CCS em todo o estado, sinalizando novos desafios para o controle da saúde do úbere. “Esses resultados indicam que o setor enfrenta novos desafios que exigem ações mais efetivas de prevenção e controle da saúde do úbere, especialmente em rebanhos mais tecnificados”, destaca a pesquisadora.
Para chegar a essas conclusões, além do acompanhamento temporal e espacial dos dados de tanques industriais, foram conduzidos dois estudos em nível de propriedade: um em 2013, com 267 rebanhos em 11 municípios da microrregião de Ji-Paraná, e outro entre 2018 e 2019, envolvendo 178 rebanhos ligados a agroindústrias familiares em seis microrregiões do estado.
Projeto piloto avalia impacto das boas práticas nas propriedades
A pesquisa realizada em Rondônia indica que a adoção de práticas simples tem papel decisivo na transformação da qualidade do leite no estado. Entre 2017 e 2018,

Foto: Juliana Alves Dias
quatro propriedades representativas dos principais sistemas de produção da região foram selecionadas para um estudo de validação de protocolos de higiene. A amostra foi definida a partir de levantamentos anteriores e contemplou diferentes realidades produtivas, desde a ordenha manual em piquetes abertos até o sistema mecanizado “balde ao pé”.
Segundo a pesquisadora Juliana Dias, o objetivo foi identificar os principais pontos de contaminação bacteriana durante a ordenha, incluindo baldes, latões, tetos dos animais, ordenhadeiras, água utilizada e as mãos dos ordenhadores. A partir desse diagnóstico, foram propostas práticas adaptadas às condições locais.
Com a adoção do conjunto de boas práticas, como o preparo adequado do úbere e a higienização rigorosa de utensílios e equipamentos, as propriedades registraram uma redução superior a 95% na carga bacteriana do leite, independentemente do nível tecnológico adotado.
Para viabilizar a transferência desse conhecimento ao campo, foram produzidos materiais educativos, como vídeos, notas técnicas e documentos orientadores, destinados a técnicos, produtores e indústrias. Os resultados também foram disseminados em cursos, treinamentos, oficinas e palestras em diferentes regiões do estado. Ao todo, mais de cinco mil pessoas foram alcançadas em 42 municípios, o que representa cerca de 80% do território rondoniense.
A melhoria da qualidade do leite é atribuída a um conjunto integrado de ações, que vai desde a estruturação de laboratórios e diagnósticos da cadeia produtiva até a definição de recomendações técnicas e a aplicação prática das boas práticas nas propriedades.

Foto: Shutterstock
Juliana destaca que a parceria com as indústrias lácteas foi determinante para transformar os resultados da pesquisa em ganhos concretos de qualidade, por meio da análise estratégica de dados, capacitação de equipes de campo e comunicação direta com os produtores.
Além das indústrias, participaram dos projetos a Secretaria de Agricultura de Rondônia (Seagri), a Emater-RO, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), além de unidades da Embrapa, como a Embrapa Gado de Leite, a Embrapa Agricultura Digital e a Embrapa Acre. As ações também contaram com a participação de técnicos e produtores vinculados ao Programa Balde Cheio, coordenado pela Embrapa Pecuária Sudeste.
Qualidade do leite se converte em renda
A adoção de bonificações por qualidade do leite tem funcionado como um incentivo direto à implementação de boas práticas no campo. Em Rondônia, o Laticínio Joia, parceiro da Embrapa, passou a pagar, a partir de 2015, um adicional por litro de leite que atende aos padrões estabelecidos pelo Programa Nacional de Qualidade do Leite (PNQL). A medida contribuiu para melhorar a qualidade da matéria-prima e também a eficiência industrial, estabelecendo uma relação de ganho mútuo entre produtor e agroindústria.
Segundo o proprietário do laticínio, Alessandro Rodrigues, a melhoria na qualidade do leite impacta diretamente o rendimento industrial. “Valorizamos o trabalho do produtor rural que queira se adequar e, quando o leite chega com qualidade à indústria, nós temos uma maior rentabilidade em quilo de massa de queijo produzido. Se antes eu precisava de dez litros de leite para produzir um quilo de queijo, hoje produzo um quilo de queijo com 9,2 litros de leite. Isso em escala, por dia, impacta muito. É uma parceria em que todos se beneficiam”, afirma.

Dados do IBGE indicam que atualmente 92,5% do leite processado em Rondônia é oriundo de indústrias sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que garante maior controle sanitário ao produto que chega ao consumidor final.
De acordo com Juliana, durante o desenvolvimento dos estudos também foi avaliada a qualidade do leite proveniente de rebanhos vinculados a cerca de 85% das

Foto: Shutterstock
agroindústrias familiares do estado com Selo de Inspeção Estadual. Nesse processo, foram capacitados 52 fiscais agropecuários e 57 técnicos da Emater/RO, que passaram a atuar como multiplicadores das boas práticas voltadas à qualidade do leite.
Boas práticas elevam produtividade e reduzem perdas
A integração entre pesquisa e extensão rural em Rondônia confirmou que a adoção de boas práticas tem impacto direto na rentabilidade das propriedades. Para o técnico do Programa Balde Cheio, Abner Guimarães, a capacitação focada na qualidade do leite é determinante para o retorno econômico do produtor. “A abordagem técnica permitiu aos produtores a compreensão do quanto a mastite pode ser economicamente importante dentro de uma propriedade; assim, incentivou a adoção de práticas de higiene e o uso correto de antimicrobianos”, explica.
O produtor Ademir Reolon, de Vilhena (RO), relata que as orientações técnicas contribuíram para a redução da contagem padrão em placas (CPP) e da contagem de células somáticas (CCS), o que resultou em bonificações pagas pela indústria. “A partir das orientações, começamos a realizar o monitoramento da mastite subclínica e a adoção da linha de ordenha, em vez de realizar o tratamento com antibióticos”, afirma.
Na avaliação do médico veterinário da Emater/RO, Samuel Borges, a aplicação de protocolos adequados e o acompanhamento em tempo real foram decisivos para a mudança de comportamento nas propriedades.
Ele explica que a mastite clínica exige descarte do leite, gerando perdas diretas e custos com tratamento. Já a forma subclínica, mais difícil de identificar, pode reduzir significativamente a produção sem sinais visíveis. “Dependendo do grau de infecção do rebanho, a queda na produção de leite pode chegar a 18%. Esse é um prejuízo difícil de mensurar, mas é uma realidade. E, por fim, pode chegar ao ponto de descarte dos animais”, complementa.
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Abate de fêmeas volta a crescer e muda composição da pecuária brasileira
Matrizes e novilhas responderam por 49,9% dos animais abatidos no primeiro trimestre, o maior índice já registrado para o período pelo IBGE.

O crescimento do abate de fêmeas marcou o início de 2026 na pecuária bovina brasileira e alterou a composição dos animais destinados aos frigoríficos no país. No primeiro trimestre, matrizes e novilhas representaram 49,9% do total de bovinos abatidos, a maior participação já registrada para o período na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Foto: Divulgação
O percentual praticamente iguala a presença de machos e fêmeas nos abates e interrompe uma sequência de dois trimestres consecutivos de queda na participação das vacas e novilhas enviadas para o abate.
Ao todo, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças entre janeiro e março deste ano, volume 3,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar do crescimento na comparação anual, houve redução de 6,9% em relação ao quarto trimestre do ano passado, quando tradicionalmente o ritmo de abates costuma ser maior.
Segundo o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, o comportamento das fêmeas foi determinante para o resultado do trimestre. “O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças em um primeiro trimestre. A participação de fêmeas no abate teve um aumento superior à de machos e atingiu o recorde de 49,9%. Este comportamento significa a retomada do crescimento do abate de fêmeas, após dois trimestres sucessivos de queda”, afirmou.

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Produção de carne também atinge recorde
O aumento no número de animais abatidos refletiu diretamente na produção de carne bovina. No primeiro trimestre, foram produzidas 2,63 milhões de toneladas de carcaças, o maior volume já registrado para os três primeiros meses do ano.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a produção cresceu 5,1%. Já em relação ao quarto trimestre do ano passado, houve retração de 10,3%, acompanhando a redução no ritmo dos abates.
O avanço da participação das fêmeas é acompanhado de perto por analistas do setor por ser um dos indicadores do

Foto: Fernando Dias
ciclo pecuário. Quando cresce o envio de vacas e novilhas para os frigoríficos, aumenta a oferta de carne no curto prazo, mas pode haver impacto sobre a reposição do rebanho nos anos seguintes, dependendo da intensidade desse movimento.
Entre as unidades da Federação, o Mato Grosso manteve a liderança nacional, respondendo por 17,5% de todo o abate bovino do país no primeiro trimestre. Em seguida aparecem São Paulo, com 11,6%, Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%.
Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha divulgadas pelo IBGE e reforçam que, embora o volume total de abates tenha alcançado um novo recorde para o período, a principal mudança observada no início de 2026 ocorreu na composição do rebanho destinado aos frigoríficos.
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Feicorte abre debates sobre o futuro da pecuária e o protagonismo do Brasil no mercado global
Programação aborda tecnologias de precisão, sustentabilidade e tendências que devem moldar a produção de carne nos próximos anos.

O futuro da produção pecuária no Brasil será debatido ao longo desta semana, na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), que teve início nesta terça-feira (23), em Presidente Prudente (SP). O evento, que segue até sexta-feira (26), tem como tema central “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” e reúne especialistas nacionais e internacionais para abordar genética, sustentabilidade, nutrição, sanidade, manejo, tecnologias de precisão e o papel do Brasil no abastecimento global.

Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte: “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira” – Foto: Divulgação
A abertura do encontro contou com a presença da CEO da Verum e organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, que destacou o esforço coletivo para a realização do evento. “Essa edição nasce de um esforço coletivo e tenho certeza de que teremos um grande encontro. Agradeço a todos que contribuíram para essa Feicorte, especialmente à nossa equipe, que vem trabalhando incansavelmente”, destacou.
Segundo ela, o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, tem na pecuária uma de suas principais forças econômicas ao movimentar mais de R$600 bilhões ao ano. Nesse contexto, o tema desta edição propõe um olhar estratégico sobre como transformar a vocação produtiva do país em rentabilidade real, com a tecnologia como fator decisivo dentro da porteira. “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira, sustentada em três pilares: força, que representa a potência produtiva do maior rebanho comercial do mundo; brasilidade, valorizando nossa identidade, genética e forma única de fazer pecuária; e inovação, porque o futuro exige tecnologia, sustentabilidade e visão estratégica”, afirmou.
DNA feminino da carne
Iniciada pelo painel DNA feminino da carne, a programação do evento foi pensada nos principais elos da cadeia produtiva. “A mulher representa força e dedicação na

Foto: Divulgação
atividade e em diversos setores da economia. Por isso, iniciamos o encontro com um debate de alto nível, evidenciando a história e experiência das profissionais que ajudam a construir a pecuária nacional”, realçou.
O espaço reuniu profissionais do setor que abordaram as transformações da pecuária brasileira e trouxeram perspectivas sobre temas estratégicos relacionados à qualidade da carne, genética, hábitos de consumo, saúde, experiência gastronômica e à contribuição das mulheres para uma cadeia cada vez mais alinhada às demandas do mercado.
Participaram do painel a especialista em churrasco e primeira sommelier de carnes do Brasil, Larissa Morales, que compartilhou sua experiência na gastronomia e destacou que sua relação com o churrasco começou ainda na infância, acompanhando os preparos em família; a pecuarista Clélia Pacheco, selecionadora da raça Bonsmara, que trouxe ao debate uma reflexão sobre a presença feminina no agro e os desafios enfrentados por mulheres que assumem a gestão das propriedades rurais; a nutricionista Letícia Moreira, pioneira mundial na adoção da dieta carnívora em modalidades de alta resistência; e a diretora técnica da DGT Brasil e referência em avaliação de carcaça, Liliane Suguisawa, que relembrou sua atuação profissional, marcada por uma relação histórica com o evento e com a pecuária de corte brasileira.
Novas ferramentas de seleção genética
O cientista norte-americano e Chief Scientific Officer da Acceligen, Tad Sonstegard, apresentou os avanços da edição gênica aplicada ao desenvolvimento de bovinos de corte mais eficientes, sustentáveis e adaptados às condições tropicais.

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Com ampla experiência internacional em biotecnologia animal, o pesquisador detalhou o cronograma de introdução das primeiras soluções comerciais no Brasil, com destaque para linhagens voltadas à tolerância ao calor e à resistência a doenças. “Os primeiros produtos de sêmen e embriões chegarão ao mercado nos próximos anos, começando pelo Angus Slick, que foi classificado como não transgênico pela CTNBio no Brasil e terá os dados iniciais de sua descendência nacional consolidados em 2027”, explicou.
Beef Hour das Raças celebra diversidade genética e qualidade da carne
A Beef Hour das Raças foi um dos momentos de maior destaque do primeiro dia da Feicorte. A tradicional degustação reuniu 18 variedades, proporcionando aos participantes uma experiência que conectou genética, pecuária e atributos de qualidade dos diferentes produtos apresentados.
Participaram da edição deste ano as raças bovinas Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Canchim e Texas Longhorn. Como novidade, a Beef Hour também contou com cortes de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk, ampliando a diversidade de experiências gastronômicas e sistemas produtivos representados no evento.





