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Novo índice ajuda pecuária leiteira a usar água com mais eficiência
O IDH_leite não apenas monitora o desempenho ambiental das propriedades ao longo do tempo, mas também identifica fragilidades e sugere boas práticas para melhorias ambientais. Com isso, essa ferramentao ajuda a reduzir os custos econômicos do uso dos recursos naturais e do manejo ambiental.

A água é essencial em cada etapa da produção leiteira, desde a hidratação dos animais até a limpeza das instalações e o resfriamento do leite. Com a crescente pressão sobre os recursos hídricos e as mudanças climáticas, a gestão eficiente da água tornou-se um desafio constante para os produtores de leite.
É nesse contexto que o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Julio Palhares, desenvolveu o Índice de Desempenho Hídrico da Propriedade Leiteira (IDH_leite), uma ferramenta inovadora para diagnosticar e monitorar a realidade hídrica das propriedades leiteiras, apresentada durante o 2º Fórum Nacional do Leite, realizado em abril pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). “O IDH_leite oferece uma análise abrangente, cobrindo as dimensões de quantidade e qualidade da água, além do manejo dos dejetos”, explica Palhares em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural.

Zootecnista com doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental e pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Julio Palhares: “Com o uso da ferramenta e a evolução da gestão hídrica nas propriedades vamos poder avançar na disponibilização de ferramentas cada vez mais aprimoradas” – Foto: Arquivo pessoal
Segundo ele, essa ferramenta não apenas monitora o desempenho ambiental das propriedades ao longo do tempo, mas também identifica fragilidades e sugere boas práticas para melhorias ambientais. Com isso, o IDH_leite ajuda a reduzir os custos econômicos do uso dos recursos naturais e do manejo ambiental.
Entre os principais benefícios da ferramenta está a possibilidade de comparar o desempenho hídrico de uma propriedade com valores de referência de sistemas de produção semelhantes. “Isso confere maior segurança hídrica e torna a propriedade mais adaptada a eventos climáticos extremos. Além disso, ao demonstrar responsabilidade ambiental, os produtores de leite podem fortalecer sua reputação junto à sociedade e aos consumidores”, enfatiza o especialista, que é zootecnista com doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental.
Destinado a profissionais agropecuários, agentes de extensão rural, consultores e produtores de leite, o IDH_leite é apresentado em forma de planilha no formato Excel. Lançado em abril, o IDH_leite já está sendo aplicado em 50 propriedades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rondônia. “Já observamos, pelos relatos dos técnicos, que a aplicação do IDH_leite deixou claro qual é a situação da propriedade e o que deve ser feito para corrigir possíveis inadequações. Isso já é um avanço na situação atual, onde nem se sabia quais eram os problemas e o que fazer para resolvê-los”, ressalta Palhares, enfatizando que cabe aos técnicos elaborar em conjunto com os produtores um plano de como corrigir os erros identificados. “A Embrapa Pecuária Sudeste mantém um canal aberto de comunicação para auxiliar os técnicos neste planejamento”, frisa.
Composição do IDH_leite
O índice é composto por 35 indicadores, agregados em três dimensões principais: quantidade de água, qualidade da água e manejo de dejetos. Cada uma dessas dimensões é cuidadosamente definida e composta para fornecer uma visão detalhada e precisa da gestão hídrica na propriedade leiteira, conforme exposto no quadro 1.

Benefícios da implementação do IDH_leite
Manter um alto Índice de Desempenho Hídrico na propriedade leiteira oferece inúmeros benefícios tanto em termos de sustentabilidade quanto de lucratividade. “Um elevado valor do IDH_leite indica que a propriedade está manejando a água e os dejetos de forma correta e cumprindo as obrigações da legislação ambiental”, evidencia Palhares, acrescentando: “Ao manter ou aumentar esse valor, a propriedade se aproxima mais da sustentabilidade”.
Do ponto de vista econômico, um alto valor do IDH_leite significa que a água está sendo utilizada de forma eficiente, reduzindo o gasto desse recurso, impactando de forma positiva no consumo de energia elétrica e nos custos de manutenção dos equipamentos e da rede de armazenamento e distribuição de água. “Além disso, o correto uso dos dejetos como fertilizante traz vantagens econômicas, podendo substituir parcialmente ou totalmente a compra de fertilizantes químicos”, ressalta o pesquisador.
Segundo o profissional, um bom valor do IDH_leite também vai dar maior segurança hídrica para o produtor, tornando a propriedade mais adaptada as mudanças climáticas. “Um alto valor do IDH_leite contribui significativamente para a qualidade de vida da família do produtor. Isso se deve ao fato de que um ambiente da propriedade bem gerido e saudável promove bem-estar e segurança para todos os seus moradores”, salienta Palhares.
Desafios para gestão eficiente da água
Os produtores de leite enfrentam diversos desafios na gestão eficiente da água, sendo um dos principais é a falta de conhecimento sobre as práticas adequadas. Essa lacuna de informação torna essencial a assistência de profissionais capacitados, que possam orientar os produtores na implementação de estratégias eficazes de gestão hídrica. Além disso, os próprios produtores, orienta Palhares, devem buscar continuamente informações e conhecimentos por meio de publicações, vídeos, cursos e outras fontes educativas para aprimorar suas práticas.
A fim de suprir essa necessidade de capacitação, o especialista informa que a Embrapa oferece o curso gratuito ‘Conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira’ na plataforma E-campo, focado em fornecer as noções básicas de manejo ambiental na atividade leiteira e adequação ambiental das propriedades, promovendo um entendimento mais profundo sobre a gestão de recursos hídricos.
Para o pesquisador, o IDH_leite é um dos instrumentos que podem acelerar o processo de gestão eficiente da água. “Ao ser aplicado pela primeira vez, o IDH_leite permite que o técnico e o produtor obtenham um diagnóstico em tempo real da situação hídrica e dos resíduos da propriedade, identificando as áreas de fragilidade que necessitam de intervenção”, afirma Palhares.
Com base nos resultados do IDH_leite, técnicos e produtores podem, então, elaborar um plano de ação detalhado com medidas de curto, médio e longo prazo. “O objetivo é melhorar o valor do índice, promovendo uma gestão hídrica mais eficiente. Dessa forma, o IDH_leite identifica não só os problemas, mas também orienta na implementação de soluções práticas e eficazes, contribuindo para a sustentabilidade e a eficiência das propriedades leiteiras”, salienta.
Indicadores de avaliação
O IDH_leite avalia quatro indicadores fundamentais relacionados à conservação da água: acesso dos animais a corpos d’água superficiais, oferta de água por bebedouros, frequência de limpeza dos bebedouros e condição da área no entorno do bebedouro (quando este está a pasto).
A partir desses quatro indicadores, é possível avaliar o estado de conservação dos recursos hídricos na propriedade leiteira. Dependendo das respostas a cada um dos indicadores (Sim ou Não), já se sabe o que deve ser feito para corrigir eventuais inadequações. Por exemplo, os animais não devem ter acesso a rios, pois isso coloca em risco a saúde deles, já que podem beber água de procedência duvidosa. Além disso, ao estercarem e urinarem no rio, os animais acabam contaminando a água. “Se a resposta ao indicador for ‘sim’, indicando que os animais têm acesso ao rio, a ação corretiva necessária é isolar o rio para impedir esse acesso”, orienta.
A oferta de água por bebedouros é outro indicador crítico. Palhares menciona que é essencial que os bebedouros estejam sempre disponíveis e em número suficiente para todos os animais, garantindo que tenham acesso a água limpa e de qualidade. A frequência de limpeza dos bebedouros deve ser rotineira, pois quando sujos podem ser fontes de contaminação, prejudicando a saúde dos animais.
A condição da área ao redor dos bebedouros, especialmente quando estão a pasto, é igualmente importante. Áreas degradadas ao redor dos bebedouros podem levar à contaminação da água e ao desperdício. Se a condição da área não estiver adequada, ações de recuperação e manejo sustentável devem ser implementadas. “Com base nesses diagnósticos, técnicos e produtores podem desenvolver um plano de ação específico e direcionado para corrigir as deficiências identificadas, que pode incluir a instalação de cercas para proteger os corpos d’água, a construção de mais bebedouros, a implementação de rotinas de limpeza e a recuperação de áreas degradadas”, reforça o pesquisador.
Estratégias mais eficazes
O valor do Índice de Desempenho Hídrico (IDH) varia de 0 a 1. Valores mais próximos de 1 indicam que o produtor está adotando práticas e tecnologias mais adequadas para o manejo eficiente dos recursos hídricos e dos dejetos. A tabela 1 apresenta os valores mínimos do IDH e quanto cada uma de suas dimensões devem alcançar para que se considere que o produtor está gerenciando a água e os dejetos de maneira satisfatória, detalhando as práticas recomendadas para atingir o nível esperado, orientando os produtores sobre as ações necessárias para melhorar seu desempenho hídrico.

Para alcançar um manejo satisfatório e obter a nota mínima no IDH, Palhares detalha que é necessário atender a critérios específicos em oito mesoindicadores. Para atingir a nota mínima em Consumo de Água, os produtores devem possuir um mapa hidráulico da propriedade e medir o consumo de água em pelo menos 25% dos pontos de consumo mensalmente. “Essas medidas garantem um controle adequado e ajudam a identificar possíveis pontos de desperdício ou necessidade de melhorias na distribuição da água”, expõe o doutor em Ciências da Engenharia Ambiental.
Enquanto que no mesoindicador Perdas de Água é essencial que os produtores mantenham controle de vazão nas mangueiras de lavagem, instalem boias de nível nos bebedouros e nas estruturas de armazenamento de água, bem como verifiquem semanalmente a ocorrência de vazamentos
Para assegurar a segurança hídrica, os produtores devem implementar alguma forma de reuso da água e/ou efluente, contribuindo assim para a sustentabilidade e redução da necessidade de captar água nova, preservando os recursos naturais disponíveis.
Na análise da água é fundamental garantir a qualidade do recurso utilizado na propriedade. Os produtores devem realizar a análise da água anualmente, verificar a qualidade em

pelo menos 25% dos pontos de consumo e realizar a análise de Escherichia coli, procedimentos esses que ajudam a assegurar que a água utilizada esteja dentro dos padrões de qualidade adequados para os animais.
Para o mesoindicador Conservação da Água é necessário impedir o acesso dos animais a cursos de água naturais (rios, nascentes, lagoas etc.), garantindo que toda a água seja fornecida através de bebedouros. Além disso, os bebedouros devem ser limpos pelo menos duas vezes por semana.
No mesoindicador Estrutura para os Dejetos é importante que a estrutura de tratamento de resíduos seja impermeabilizada e não apresente vazamentos, a fim de evita a contaminação do solo e das águas subterrâneas.
Para o manejo dos dejetos, os produtores não devem lavar o piso após todas as ordenhas. Antes da lavagem, é necessário raspar o esterco e utilizar água sob pressão para a limpeza.
Por fim, no mesoindicador Adubação, os produtores devem documentar todo o uso de fertilizantes químicos e orgânicos, realizar a análise de solo das áreas pelo menos a cada dois anos e aplicar o dejeto de forma superficial a cada quatro meses ou mais. “Ao cumprir esses critérios, os produtores de leite melhoram não só seu Índice de Desempenho Hídrico como também promovem a sustentabilidade e a eficiência hídrica em suas propriedades”, aponta o pesquisador.
Adesão ao IDH_leite
Com a ferramenta IDH_leite validada, se entra na fase da sua massificação, ou seja, quanto mais pessoas utilizarem, melhor, pois isso significa um maior entendimento da relação entre a atividade leiteira e o uso da água, identificando ações para melhorar essa relação ambientalmente. “A Embrapa Pecuária Sudeste poderá, por exemplo, criar valores de referência para regiões, estados e para o país por sistema de produção. Se uma fazenda no sistema a pasto com suplementação obtiver uma nota de IDH_leite de 0,55 e a média da região para esse sistema for 0,68, a fazenda está abaixo da média e tem trabalho a fazer para melhorar sua nota”, menciona, acrescentando: “Com o uso da ferramenta e a evolução da gestão hídrica nas propriedades vamos poder avançar na disponibilização de ferramentas cada vez mais aprimoradas”.
Aqueles interessados em acessar a ferramenta podem enviar uma solicitação para [email protected].
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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.



