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Novo acordo impulsiona produção de biogás em Santa Catarina

Acordo entre Aurora, Copérdia, Sebrae e Projeto GEF Biogás Brasil

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Arquivo / OP Rural

Transformar resíduos orgânicos suínos em energia e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente são os objetivos do acordo de cooperação técnica anunciado no final de setembro pelo Projeto GEF Biogás Brasil, Cooperativa Central Aurora Alimentos,  Cooperativa de Produção e Consumo de Concórdia (Copérdia) e Sebrae.

O Projeto GEF Biogás é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), e conta com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) como a principal entidade executora.

A apresentação do projeto e das ações previstas para o desenvolvimento do mercado de biogás e de seus subprodutos em Santa Catarina ocorreu durante reunião virtual. A nova parceria, com vigência de 48 meses, permite identificar modelos de negócio inovadores e viáveis para o biogás em SC. A intenção é compor um modelo de negócios rentável e sustentável para a implantação, operação e manutenção de dois projetos-pilotos de geração de energia a partir do biogás nas cadeias produtivas e nas unidades agroindustriais catarinenses.

Plano de trabalho

O primeiro passo do novo acordo é realizar uma abordagem territorial para criar um ambiente favorável para novos investimentos e, em seguida organizar a cadeia de valor do biogás por meio de modelos de negócios eficientes e seguros. O plano de trabalho prevê o levantamento de dados das propriedades agroindustriais a serem inseridas nos projetos-pilotos. Em seguida, é feito um diagnóstico com as possíveis remunerações para os subprodutos resultantes do tratamento dos resíduos orgânicos gerados pelas propriedades.

O primeiro empreendimento escolhido para análise foi o Frigorífico Aurora Chapecó II (FACH II), que abate 2,6 mil suínos/dia e tem produção mensal de 10,6 mil toneladas de alimentos industrializados. Após a inserção bem-sucedida do tratamento de resíduos orgânicos do abatedouro no processo produtivo do frigorífico, o novo modelo de negócio estabelecido – voltado para a produção de biogás – será replicado nos cooperados e nas demais cooperativas singulares que compõem o Sistema Aurora, bem como nas outras unidades industriais da Aurora.

Em paralelo, o acordo também resultará na implantação e manutenção de uma planta de produção de biogás a partir dos resíduos suínos das propriedades rurais associadas à Copérdia e administradas pela cooperativa. O objetivo é desenvolver, até abril de 2022, uma planta que centralizará os resíduos provenientes de oito propriedades ligadas à cooperativa

Sobre o acordo e o projeto GEF Biogás Brasil

Durante a reunião de lançamento do novo acordo de cooperação técnica, o diretor do Departamento de Tecnologias Aplicadas do MCTI, Eduardo Soriano Lousada, destacou que o Projeto GEF Biogás Brasil nasceu pequeno, porque a ideia era começar como um núcleo de mobilização setorial e agregar parceiros. Segundo o diretor, as parcerias impulsionam o biogás na cadeia produtiva por meio de uma ação conjunta que oferece suporte técnico, científico, de desenvolvimento de modelos de negócios inovadores, e outras frentes de apoio ao setor privado. “É um projeto completo que se integra muito bem com os objetivos do MCTI”.

Eduardo Soriano também ressaltou a importância do novo acordo de cooperação e seus resultados na área ambiental. “Valorizamos muito esses arranjos empresariais. Sempre admirei a Aurora como um ícone do cooperativismo. O novo acordo resultará na redução das emissões de gases de efeito estufa e na diminuição da dependência nacional em relação a combustíveis fósseis. Os resíduos que eram um problema ambiental, passam a ser matéria-prima para a produção do biogás”.

O representante da UNIDO para o Brasil e a Venezuela, Alessandro Amadio, ressaltou a importância das entidades com o acordo. “Para nós, é uma honra trabalhar com o MCTI, com o Sebrae e com empresas líderes como Aurora e Copérdia. Esse projeto é uma ferramenta a mais para melhorar a competitividade da Aurora, cooperados e todo o território”.

Para o gerente adjunto na Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, Carlos Eduardo Santiago, o acordo entusiasma porque o tema impacta no desenvolvimento territorial ao mesmo tempo em que aproveita a pujança do setor, trazendo tecnologias que podem impulsionar novas oportunidades. “Estamos articulando estratégias amplas de orientação aos pequenos negócios sobre a elevação do custo da energia. Por isso, avaliamos com alegria essa oportunidade de vivenciar uma ação prática. A ideia é que o projeto se expanda para outras regiões, o que nos dá esperança em gerar mais bem-estar aos produtores e à sociedade”, ressaltou.

O diretor técnico do Sebrae/SC, Luc Pinheiro, salientou a felicidade em participar da parceria com duas grandes entidades que contribuem com o desenvolvimento do grande oeste catarinense. “O Sebrae tem um papel importante em auxiliar no desenvolvimento econômico do território e de melhorar o ambiente de negócios para que os pequenos empreendedores possam empreender, gerar riqueza, empregos e impostos. Ou seja, para que consigam viabilizar melhores condições de vida”, explicou o diretor técnico ao comentar que essa iniciativa está alinhada com os propósitos do Sebrae.

Alta produtividade

Luc Pinheiro enalteceu a relevância dos mais de 180 mil empreendedores rurais catarinenses, em sua maioria de pequeno porte, mas altíssima produtividade. “Conhecemos a condição da região oeste, que possui um desafio com a elevada produção de dejetos ao mesmo tempo em que tem uma oportunidade ao necessitar de energia, fundamental para a ampliação da produção e da competitividade”, comentou.

O vice-presidente da Aurora Alimentos, Marcos Antonio Zordan, enfatizou a preocupação com o meio ambiente, os produtores e as agroindústrias. “O Sistema Aurora sempre se preocupou com as questões ambientais. Precisamos ter o cuidado de não errar nos projetos-pilotos, e isso significa demonstrar que são viáveis”.

Zordan reforçou que hoje o produtor conduz a sua propriedade como uma empresa rural. “O produtor se preocupa com o meio ambiente, mas quando um projeto é apresentado, ele quer saber se tem viabilidade. O produtor adere à iniciativa pela confiança que tem na cooperativa filiada, pois aposta no que propomos em um programa diferenciado e isso é muito importante”.

O dirigente observou que o produtor rural tem um instinto investidor e sempre vai buscar melhorias. “Se olharmos o que representa a qualidade técnica, temos como exemplo, o leite, que pode concorrer no mundo em termos de qualidade. O nosso leite passou a ser de primeiro mundo, e isso foi possível porque o associado teve confiança para fazer investimentos através da cooperativa filiada”, comentou, ao mencionar que esses resultados foram conquistados com a parceria do Sebrae. “Aproveito para agradecer ao Sebrae e demais parceiros nessas conquistas, e destaco que a Aurora continuará sendo parceira de tudo o que venha a trazer resultados aos produtores, às cooperativas filiadas, à Aurora e às questões ambientais”.

A gerente do Setor Ambiental e de Qualidade da Copérdia, Samara Romani, assinalou que a cooperativa se sente orgulhosa pela participação no novo acordo, e agradece à Aurora, ao Sebrae, à UNIDO e aos demais parceiros pela oportunidade. “Para nós o projeto já deu certo. Queremos números, parâmetros, queremos com esse estudo saber a viabilidade econômica, técnica e operacional do projeto. Isso estimula a sustentabilidade.  Queremos ter o melhor projeto-piloto de geração de energia por meio do biogás e, para isso, podem contar conosco”.

Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Luciano Buligon, esse lançamento é um momento histórico que envolve importantes parceiros. “Esse acordo, verdadeiramente, vem em sintonia com o plano de transição energética justa proposto pelo governo estadual. Santa Catarina será o primeiro estado da Federação a propor uma lei em sintonia concreta em todo o território catarinense, por entender a necessidade de baixar os índices de emissão de carbono e dialogar com a nossa bem-sucedida cadeia do agronegócio”.

Buligon enalteceu que o governo estadual está entusiasmado com o portfólio de avanços do novo acordo. “Para nós, catarinenses, é mais um ato de grandeza do agro, que representa a complementaridade da cadeia produtiva e poderá ser um case para o Brasil”, adiantou.

Potencialidade do setor

O Brasil possui o maior potencial de produção de biogás do mundo, em virtude da grande diversidade de substratos disponíveis e sua vasta extensão territorial. Segundo dados da ABiogás (2018), o Brasil tem um potencial de produção de biogás de 84,6 bilhões Nm³/ano. Deste valor, 37,4 bilhões Nm³/ano provenientes do setor agroindustrial, o que representa 34% do potencial total. Esse potencial equivale a 76 bilhões de litros de diesel.

De acordo com um relatório do Projeto GEF Biogás Brasil publicado no DataSebrae Biogás, intitulado “Panorama e potencial de crescimento da produção de biogás e biometano no sul do Brasil – Unido/CIBiogás”, os estados da região sul acumulam potencial de quase 3 bilhões de Nm³/ano de biogás, a partir de substratos da suinocultura, bovinocultura, avicultura, unidades de processamento de mandioca, laticínios, abatedouros e cervejarias. Contudo, a região explora apenas 5,1% do potencial de produção, ou seja, aproximadamente 150,8 milhões de Nm³/ano. Santa Catarina produz anualmente 17,6 milhões de Nm³.

Fonte: Assessoria

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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