Avicultura Postura
Novas tecnologias focam bem-estar animal e melhor desempenho nos incubatórios
Novas tecnologias ganham cada vez mais espaço para atender exigências como bem-estar animal, melhor desempenho e eficiência produtiva no campo

Artigo escrito por Eduardo Costa, médico veterinário e diretor de Produção de Incubatório da Cobb-Vantress na América do Sul
Todas as pesquisas e novas tecnologias voltadas para os incubatórios seguem o irreversível caminho do atendimento a demandas como bem-estar animal, melhor desempenho e eficiência produtiva no campo. As novas tecnologias ganham cada vez mais espaço para atender essas exigências. Neste artigo listo tendências e mudanças que já estão em curso nos incubatórios.
Um dos entraves na produção de pintinhos de um dia está com os dias contados. Nas chamadas incubadoras de estágio múltiplo, ainda bastante populares no Brasil, a mesma máquina é incubada diversas vezes em dias alternados, apresentando ovos de diferentes idades de incubação dentro do mesmo equipamento, impossibilitando fornecer as condições ideais às distintas necessidades de cada fase do desenvolvimento embrionário. Aos poucos, os equipamentos de estágio múltiplo vêm sendo substituídos pelas incubadoras de estágio único, onde toda a carga é incubada em um mesmo momento. Dessa forma é possível atender por completo as exigências dos embriões em cada fase de desenvolvimento até o nascimento.
Incubadoras de Estágio Único
Essa tecnologia nos permite controlar aspectos como CO2, temperatura ambiental e dos ovos, além de possibilitar trabalhar perfis de incubação fornecendo estímulos desses parâmetros em determinadas fases do desenvolvimento embrionário a fim de produzir pintos com capacidade de expressar todo o seu potencial genético. Essas e outras cinco fronteiras da avicultura começam a ser ultrapassadas por ciência e muita tecnologia empregada desde o início da cadeia produtiva.
Os incubatórios vivem uma fase de migração de incubadoras de estágio múltiplo para incubadoras de estágio único. Esta tecnologia já vem sendo usada com inúmeros benefícios. Ao trabalhar em estágio único as incubadoras estão trabalhando para atender as necessidades de requerimentos do embrião com benefícios como melhor nascimento, principalmente em lotes mais velhos e também melhor qualidade de pintinho, com impacto em melhor performance desta ave no campo.
Sexagem In Ovo
A sexagem in ovo está no campo das novas tendências. Muitas empresas estão investindo bastante no desenvolvimento de diferentes métodos de sexagem in ovo e as primeiras máquinas já começam a aparecer no mercado, focando no segmento de poedeiras comercias com a finalidade de atender a demanda de bem-estar animal, pois com ela se descarta os ovos sem a necessidade de descartar os machos. O avanço dessa tecnologia e o surgimento de novos métodos deve baratear os custos do equipamento, que deve chegar em incubatórios de matrizes pesadas e de frangos de corte em escala comercial. O uso da sexagem in ovo vai trazer uma redução muito relevante de mão-de-obra, além de atender ao bem-estar animal.
Automação
No Brasil estamos passando por uma transformação bastante interessante no que diz respeito a automação dos incubatórios. A automação já atua em diferentes frentes, como na vacinação em ovos. No entanto, ainda há desafios.
Quando uma empresa busca a automação, mais do que a redução do quadro de funcionários, ela procura também aumento da produção, padronização, melhor qualidade, redução de erros, maior produtividade e flexibilidade. No final, esses fatores significam redução do custo de produção, maior eficiência e lucro. Outra grande vantagem dos sistemas automatizados é a melhor ergonomia e satisfação dos colaboradores, ou seja, menor rotatividade, proporcionando melhor especialização da equipe.
Nutrição In Ovo
A nutrição in ovo está no campo das novíssimas tendências. Temos muitas pesquisas em campo, mas nada concreto no mercado. Trata-se da injeção de micronutrientes in ovo para o embrião já começar com aporte de aminoácidos e vitaminas antes de nascer. O objetivo é melhorar o sistema inume das aves e a performance no campo. Estudos demonstram que a técnica se traduz em uma ave mais robusta e com melhor eficiência produtiva no campo. Uma das barreiras é o volume de nutrientes necessários a ser aplicado no ovo e sua capacidade limitada de comportar esses micronutrientes.
Alimentação Precoce ou Early feeding
A alimentação precoce também está em destaque entre as novas tendências. A ave passa a ter acesso a água e ração imediatamente após o nascimento. Em alguns países da Europa isso já uma exigência de clientes (redes de supermercado, fast food, etc) e governos para atender diretrizes de bem-estar animal.
A alimentação precoce também pode trazer benefícios zootécnicos. Com o estímulo precoce, o sistema digestivo tem um melhor desenvolvimento, trazendo melhor performance das aves no campo. O fornecimento de água ou alimentos com altos níveis de umidade também ajudam a prevenir a desidratação das aves, impactando a mortalidade de primeira semana.
Nascimento na granja ou On farm hatching
O nascimento na granja é uma linha de trabalho que vem ao encontro com a essência da nutrição precoce. No caso desta inovadora forma de criação, ao invés de ir para o nascedouro, os ovos vão diretamente para a granja.
Essa prática traz vantagens de biosseguridade para o incubatório por não ter aves ou plumas dentro da unidade, mas também pode ser bastante desafiadora. Ela vai exigir um controle de ambiência muito mais preciso nos caminhões de transporte desses ovos embrionados e nos galpões, além de aumentar o ciclo de cada lote para o produtor e subir o seu custo com dificuldade de realizar a seleção das aves e o controle preciso do número de aves alojadas em cada aviário, entre outros. Essa é uma tendência que ainda pode demorar um pouco a chegar no Brasil, mas deve chegar.
O bem-estar animal tem papel fundamental nos avanços de tecnologias. Nos avanços e pesquisas de todo o setor, basicamente, as novas tecnologias e automações estão buscando redução de custo, melhor produtividade e bem-estar animal, além de melhor desempenho das aves em nível de campo. Somando todas estas tecnologias com os constantes ganhos genéticos, o frango do futuro será um animal mais eficiente, trazendo melhores resultados zootécnicos desde a conversão alimentar no campo até o rendimento das aves no abatedouro.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Avicultura
Segurança alimentar na avicultura será tema de palestra internacional no SBSA 2026
Pesquisadora da Universidade de Auburn, Dianna Bourassa apresenta comparativo microbiológico entre países durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó.

Garantir a segurança dos alimentos e compreender os desafios microbiológicos da cadeia produtiva são pontos centrais para a sustentabilidade da avicultura moderna. O tema estará em debate durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) com a palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Dianna é professora associada do Departamento de Avicultura da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos. Possui graduação e mestrado em Avicultura pela Universidade da Geórgia e doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular, também pela Universidade da Geórgia. Seu programa de pesquisa aplicada concentra-se em duas áreas principais: intervenções voltadas à melhoria da segurança alimentar ao longo de toda a cadeia produtiva, da criação de frangos de corte ao processamento de produtos crus, e o estudo da aplicação e do impacto de métodos de atordoamento na fisiologia das aves e na qualidade da carne.

Palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro
A especialista abordará as particularidades e os desafios enfrentados por diferentes países no controle microbiológico da cadeia produtiva, destacando práticas, padrões sanitários e estratégias utilizadas para garantir a segurança dos alimentos. A discussão contribui para ampliar a compreensão sobre como a ciência e a tecnologia têm sido aplicadas para reduzir riscos microbiológicos e fortalecer a qualidade dos produtos avícolas.
De acordo com a presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), Aletéia Britto da Silveira Balestrin, trazer especialistas internacionais para o evento amplia o intercâmbio de conhecimento e fortalece a atualização técnica dos profissionais do setor. “O Simpósio tem como propósito reunir pesquisadores e especialistas que possam compartilhar experiências e diferentes perspectivas sobre os desafios da avicultura. A troca de informações entre países contribui para o avanço das práticas sanitárias e para o aprimoramento dos sistemas de produção e processamento”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o tema é estratégico para o setor. “A segurança alimentar é um dos pilares da produção de proteína animal. Discutir métodos de controle microbiológico e comparar realidades internacionais contribui para ampliar o conhecimento técnico e fortalecer as estratégias adotadas pela cadeia produtiva”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura é promovido Nucleovet e será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026, considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Tema: Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura
Palestrantes: Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski, Vilto Meurer
Coordenadora da mesa redonda: Luciana Dalmagro
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h – Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa (15 minutos de debate)9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar
Palestrante: Dianna V. Bourassa (15 minutos de debate)10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo
Palestrante: Wilmer Pacheco (15 minutos de debate)11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte
Palestrante: Rosalina Angel (15 minutos de debate)12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos – Painel Manejo
14h – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes: Lucas Schneider, Rodrigo Tedesco Guimarães16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura
Palestrantes: Kali Simioni e João Nelson Tolfo (15 minutos de debate)17h30 – Por que bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme (15 minutos de debate)18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosa: métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande (15 minutos de debate)9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber (15 minutos de debate)10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença
Palestrante: Gonzalo Tomás (15 minutos de debate)11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real
Palestrante: Taís Barnasque (15 minutos de debate)
Sorteios de brindes
Avicultura
Quando vencer vira método
Disciplina, rotina e decisões diárias por trás de uma trajetória pentacampeã na avicultura brasileira.

Ainda é cedo quando os aviários começam a ganhar vida. O funcionamento contínuo dos ventiladores, o controle preciso da ambiência e a observação atenta do lote fazem parte de uma rotina que se repete todos os dias, independentemente do clima ou do mercado. Na avicultura integrada, não há espaço para improviso: uma decisão fora do tempo ou um detalhe negligenciado pode custar desempenho, padronização, sanidade e, no limite, a tranquilidade de um ciclo inteiro.
É nesse território da repetição consciente que a excelência se constrói. Não como um evento isolado, mas como prática diária. Vencer uma vez pode ser resultado de um bom lote, uma combinação favorável de fatores e uma semana particularmente bem conduzida. Repetir desempenho exige outra coisa: método.
Essa lógica sustenta a trajetória de Anaí Bacci Naves, produtora integrada da C.Vale em Assis Chateaubriand (PR), vencedora por cinco vezes consecutivas da principal premiação avícola da cooperativa na categoria Promob. A conquista, porém, não se explica por um troféu, mas pelo processo que o antecede, conduzido no dia a dia por Anaí e pelo marido, Afonso Bacci, que juntos tocam a atividade. Anaí aparece como símbolo e âncora de uma forma de produzir. Afonso traduz em decisões, tecnologia e manejo o que, no papel, parece simples, mas no aviário exige atenção contínua.
Quando o resultado deixa de ser acaso
Para Anaí, a virada de chave aconteceu quando o trabalho deixou de ser apenas esforço e passou a ser guiado por método. “Percebemos que o resultado não era acaso, mas fruto de uma rotina bem-feita a partir do momento que entendemos como utilizar o Diário de Bordo, onde estão todas as informações necessárias para a boa condução do lote”, afirma.
O Diário de Bordo, no vocabulário da integração, não é um caderno simbólico. É um guia de orientação com padrões e rotinas que o produtor deve seguir dia a dia. Para cada momento do ciclo, com frangos alojados ou no vazio sanitário, há um rol de atividades a cumprir. O documento define o que precisa ser executado em cada data, com a lógica de que o aviário é um sistema vivo: o desempenho final nasce do acúmulo de ações pequenas, feitas no momento certo.
Na prática, isso significa que o trabalho não começa no alojamento. Começa antes. Há tarefas orientadas “três dias antes”, “dois dias após”, “sete dias após”, “no primeiro dia do vazio sanitário” e assim sucessivamente. É um roteiro que organiza o tempo, reduz o improviso e aumenta a previsibilidade – porque, quando se trata de produção animal em escala, previsibilidade é um tipo de segurança.
Esse nível de organização exige postura. “O que, na nossa propriedade, não pode falhar em hipótese nenhuma é ter disposição, capricho e determinação para executar o trabalho de maneira comprometida”, destaca Anaí. “É preciso estar atento a todos os detalhes”, reforça.
Um sistema que nasceu com tecnologia no DNA

Gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini: “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”
Para entender o peso de uma trajetória pentacampeã dentro de um programa de biosseguridade, é preciso olhar para o ambiente em que ela se desenvolveu. O uso de tecnologia na avicultura da C.Vale tem uma marca histórica. Em 1997, a cooperativa deu início à criação comercial de frangos em ambiente climatizado, tornando-se a primeira empresa brasileira a adotar esse método. Até então, os sistemas de integração utilizavam predominantemente ventilação convencional, sem resfriamento do ar no interior dos aviários.
O controle de temperatura trouxe uma nova perspectiva para a atividade, com reflexos diretos na conversão alimentar, na uniformidade, no bem-estar das aves e na previsibilidade dos resultados. Em avicultura, ambiência não é apenas conforto, é gestão de risco. Controlar o ambiente é reduzir estresse, estabilizar consumo, proteger desempenho e diminuir variações que aparecem no fim do ciclo.
A dimensão atual do sistema ajuda a entender o nível de exigência: em 2025, a C.Vale abateu 160 milhões de frangos. Em um volume dessa magnitude, padronização deixa de ser meta e vira requisito. O produtor integrado não é um elo isolado: ele é parte de uma engrenagem em que sanidade, regularidade e cumprimento de protocolos sustentam o conjunto.
A entrada na integração e a construção da base
Foi em 2012 que Anaí e Afonso passaram a integrar o sistema avícola da C.Vale. Na comunidade de São Francisco, interior de Assis Chateaubriand, a propriedade foi estruturada com dois aviários climatizados, capazes de alojar aproximadamente 60 mil frangos por lote.
A tecnologia abre caminho, mas não garante resultado. O que sustenta a rotina é a forma como se opera a tecnologia, se observa o lote e se executa o manejo no tempo correto. Anaí explica o que, para ela, faz diferença: “Estar atento a todos os detalhes, seja de manejo, equipamentos ou dimensionamento”. A organização entra como hábito. “Temos uma rotina diária baseada no Diário de Bordo, onde fazemos com disciplina os detalhes.”
Esse “fazer com disciplina” é uma expressão que parece leve no papel, mas é dura na prática. Significa repetir procedimentos, manter padrões, cuidar de estrutura, respeitar fluxo de trabalho, manter higienização, registrar rotinas, garantir que o aviário esteja preparado para cada fase do ciclo. É uma administração do cotidiano.
O Promob: processo, organização e biosseguridade
Criado pela C.Vale, o Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade) foi desenvolvido para avaliar processos. Não é uma premiação que enxerga só o resultado do fim do lote. A lógica é outra: premiar quem constrói consistência ao longo do tempo, com base em organização, biosseguridade e boas práticas. Ele é um guia de orientação de padrões que o produtor deve seguir, dia a dia. Para cada fase do ciclo – com frangos alojados ou no vazio sanitário – existe um rol de atividades que precisam ser cumpridas. O Diário de Bordo define o que fazer em cada dia: por exemplo, tarefas três dias antes do alojamento, dois dias após o alojamento e assim sucessivamente, ao longo de toda a produção. Na prática, ele organiza o tempo, reduz improviso e transforma rotina em método.
“O Promob é uma ferramenta que envolve vários pilares, entre eles produzir usando os conceitos do programa 5S nas propriedades. O programa também estabelece relação com aspectos técnicos do processo de produção do frango, bem como exigências legais”, explica o gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini. “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”, destaca.
O programa, segundo ele, não é estático. “Ele sofre ajustes conforme as necessidades e as mudanças que acontecem na própria legislação ou dos conceitos de boas práticas, inclusive as melhorias que acontecem na propriedade ao longo dos anos.” No campo, isso se traduz em atualizações de rotinas, adequações e correções. “O programa também contribui e ajuda o produtor a identificar itens que ele precisa melhorar para que, corrigindo, ele possa ter uma propriedade mais organizada, com melhor desempenho, além de manter uma conservação de estrutura que possa se perpetuar ao longo dos anos.” Anaí traduz isso com simplicidade: “O Promob veio para direcionar e dar parâmetros para melhor executarmos a organização e a produção.”
O que é 5S e por que ele aparece na avicultura
O 5S é uma metodologia japonesa de gestão focada na melhoria contínua do ambiente de trabalho, baseada em cinco palavras: seiri (utilização), seiton (organização), seiso (limpeza), seiketsu (saúde/padronização) e shitsuke (disciplina). Em programas como o Promob, esses conceitos ajudam a estruturar rotina, padronização e organização da propriedade – fundamentos diretamente ligados à biosseguridade e à condução do lote.
Biosseguridade é cultura, não obrigação

Fotos: Shutterstock
Biosseguridade não é obrigação, é cultura. Na prática, define Anaí, “biosseguridade é estar sempre comprometido com os protocolos de segurança, reduzindo riscos sanitários às aves. Sempre somos rigorosos para manter todos os requisitos de biosseguridade.” Esse tipo de atitude revela uma postura típica de quem trabalha com repetição de desempenho: não há “dia em que dá para afrouxar”.
Maykon Buttini, da C.Vale, reforça essa ligação entre organização constante e resultado: “A gente tem certeza que a relação de nível de organização de biosseguridade e cuidado estão diretamente relacionados ao resultado final. Com uma propriedade organizada e bem cuidada o resultado vem”, define.
E acrescenta um ponto que amplia a leitura: organização não impede que problemas aconteçam, mas muda a capacidade de responder a eles. “Em algum momento podem acontecer problemas que são alheios, mas uma propriedade com essa organização como a da Anaí e do Afonso sempre estará mais preparada para encarar e resolver qualquer desafio.”
Tecnologia, ambiência e decisões no chão do aviário

Quando se fala em “aviários climatizados”, há um risco de imaginar uma solução automática. Afonso faz questão de desfazer essa fantasia. Para ele, tecnologia é ferramenta, mas depende de programação, ajuste e observação diária.
Ele lista o pacote tecnológico utilizado nas granjas: “Painel de controle, pressão negativa e estática, inlet, túnel door, equipamentos dimensionados corretamente, aquecimento a gás, lâmpadas dimerizáveis e aplicativo do painel de controle. Todas essas tecnologias que temos nos aviários nos auxiliam para desempenharmos um bom manejo”, menciona.
A palavra-chave é “auxiliam”. Tecnologia não substitui o ser humano. “Fazemos um bom uso das tecnologias sem deixar de lado a observação dos pequenos detalhes do dia a dia. A tecnologia ajuda e muito na automatização dos equipamentos. Mas ela não resolve nada sozinha se não estiver corretamente programada.” Ou seja: na propriedade dos pentacampeões, a diferença entre ter tecnologia e extrair resultado dela está na rotina, nos ajustes, no olhar e no método.
Quando fala de evolução, Afonso aponta mudanças que, na prática, traduzem gestão de ambiência: “Ao longo dos anos investir na qualidade do ar, melhorando a ventilação e também em aquecimento e resfriamento.”
Quando o método aparece nos números
O Promob está ligado a organização e biosseguridade, mas os reflexos aparecem nos indicadores zootécnicos. Processos bem conduzidos tendem a gerar estabilidade; estabilidade tende a aparecer em conversão, viabilidade, uniformidade e ganho de peso, entre outros.
Buttini coloca isso de forma clara. “A propriedade da Anaí e do Afonso, além dessas cinco premiações, desponta em itens de desempenho. Eles possuem resultados muito acima da média da integração da C.Vale, seja em conversão alimentar, mortalidade e assim por diante.” E reforça a tese: “Conseguem esse desempenho justamente por atribuir cuidados de qualidade no dia a dia.”
Para Afonso, a confirmação de que o caminho adotado foi o correto aparece de forma objetiva nos resultados da granja. “Nossos resultados obtidos com a qualidade dos frangos entregues, o ganho de peso e o resultado financeiro mostram que as decisões tomadas ao longo do tempo fizeram sentido”, afirma.
A pressão de manter o padrão
Vencer uma vez pode virar história de ocasião. Vencer cinco vezes consecutivas, dentro de um programa de monitoramento e organização, é outra coisa: é repetição com responsabilidade. Anaí traduz o sentimento com duas camadas: a primeira é a meta; a segunda, a descoberta de capacidade. “Ganhar uma vez foi resultado de dedicação e metas estipuladas.” E completa: “Ganhar cinco vezes seguidas, mais do que gerar pressão, nos mostrou que somos capazes de superar nossas próprias metas.”
A cobrança, segundo Anaí, não vem de fora. Ela nasce dentro da própria rotina. “A maior cobrança por manter o nível com certeza vem de nós mesmos. Temos a filosofia e os princípios de sempre fazer o melhor”, afirma. E, quando um novo lote entra no aviário, essa lógica se impõe de forma natural. “A ideia é sempre superar o nosso melhor resultado”.
Resultado econômico e visão de longo prazo
A rentabilidade de 52% sobre o faturamento do lote conquistado na última das cinco conquistas, em 2025, aparece como um dado objetivo, mas não como ponto de chegada isolado. Para Afonso, ela é consequência direta de escolhas feitas ao longo do tempo também no que diz respeito à atualização e à modernização da estrutura produtiva. “Atualização, modernização e implantação das novas tecnologias disponíveis no mercado”, resume.
Esse resultado aparece no fim de uma cadeia construída no dia a dia com organização, controle, previsibilidade e desempenho, sem promessas fáceis ou fórmulas prontas. É a tradução econômica de um método aplicado com constância, sustentado por decisões técnicas e pela disciplina da rotina.
O papel do sistema cooperativo

Em um sistema com escala industrial, resultados consistentes dependem de uma engrenagem alinhada. Buttini aponta dois fatores para explicar regularidade: “São dois fatores muito importantes. O primeiro é a C.Vale, pela sua seriedade, pela forma de conduta e apoio ao produtor através muitas vezes dos extensionistas. O segundo é a gestão do produtor.”
Para Buttini, a virada de chave ocorre quando o produtor entende que parceria e execução diária caminham juntas. “A regularidade de desempenho não é algo raro. Ela aparece a partir do momento em que o produtor percebe o valor da parceria com o extensionista e com a C.Vale, soma isso à sua atuação no dia a dia, mantém foco nos detalhes, na produção e passa a receber e aplicar as orientações técnicas. É nesse ponto que o cenário muda. O case da Anaí e do Afonso é de sucesso fantástico. Para mim, como funcionário da cooperativa, é motivo de orgulho.” E completa: “Eles tratam a atividade com um amor enorme, com muito cuidado, capricho e zelo. Eles são um exemplo a ser seguido por todos.”
O reconhecimento institucional

O reconhecimento mais recente veio durante o Dia de Campo da C.Vale, realizado em dezembro de 2025, quando a cooperativa premiou os destaques do sistema de integração avícola. Dentro desse contexto, a repetição da vitória da Anaí no Promob ganha leitura de consistência: não é um retrato, é um filme.
Buttini amarra o conceito: “Quando temos casos assim como da Anaí e do Afonso é porque o produtor entendeu qual é a fundamentação, qual é o princípio do programa.” Ele descreve o que o programa faz no cotidiano: “Ele entende que o programa vem para ajudar, oferecendo informações sobre onde ele tem oportunidades.”
O gerente de Produção da Avicultura da C.Vale resume essa lógica de forma direta: “É a dedicação no dia a dia da granja que permite melhorar os indicadores avaliados pelo Promob. Quando o produtor corrige esses pontos e mantém foco na atividade, a performance aparece”.
Quando vencer vira método
Repetição não nasce de acaso. Ela nasce de rotina, disciplina e de um método. “Faça sempre tudo com dedicação, determinação e foco. Observe, busque conhecimento técnico em fonte confiável e tenha sempre o Diário de Bordo a mão.” Na avicultura, não há atalhos. Há método. E quando vencer vira método, o resultado deixa de ser exceção e passa a ser padrão.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Rio Grande do Sul intensifica vigilância após caso de gripe aviária em aves silvestres
Capacitação de agentes e intensificação de educação sanitária fortalecem prevenção na região do foco registrado no fim de fevereiro.

Após a confirmação de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em aves silvestres na Reserva do Taim, no município de Santa Vitória do Palmar, no Sul do Rio Grande do Sul, o governo estadual intensificou as ações de vigilância sanitária na região. O caso foi registrado em 28 de fevereiro e mobilizou equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi).
Na segunda-feira (09), a Secretaria promoveu a capacitação de 51 agentes de endemias, saúde e controle epidemiológico de Santa Vitória do Palmar. A agenda também incluiu uma reunião com representantes da prefeitura de Chuí. O objetivo foi atualizar informações sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle do foco da doença.
Segundo a fiscal agropecuária do DDA/Seapi, Rosane Collares, a articulação com os municípios e a qualificação de profissionais que atuam diretamente nas comunidades são fundamentais para fortalecer o sistema de vigilância. “Na última sexta-feira (06) realizamos reunião com a prefeitura de Santa Vitória do Palmar. Hoje estivemos em Chuí para alinhar informações com as autoridades da região”, afirma.
O treinamento reuniu agentes de endemias, profissionais da saúde e integrantes da Estratégia Saúde da Família. “Esses profissionais atuam diretamente nas residências e serão importantes multiplicadores de informação, devido à sua ampla presença nas comunidades”, acrescenta Rosane.
Educação sanitária
O médico-veterinário Felipe Campos, coordenador de Educação Sanitária da Seapi, explica que as ações educativas são realizadas de forma contínua e estão integradas às atividades de vigilância em campo.
Segundo ele, o trabalho inclui contato direto com a comunidade e reuniões com gestores das áreas de educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas tanto presencialmente quanto de forma on-line. “A atuação seguirá nas comunidades por meio de orientações técnicas voltadas a esclarecer a população e reforçar a importância de utilizar nossos canais oficiais de comunicação. Paralelamente, estamos estruturando um cronograma de atividades educativas nas escolas da região”, afirma.
A educação sanitária é considerada um componente essencial da defesa agropecuária, tanto para a prevenção quanto para o enfrentamento de doenças. Em situações de foco, essa estratégia ganha ainda mais relevância, ao conscientizar a população sobre seu papel e contribuir para a eficácia das ações de resposta e controle sanitário.
Atuação integrada
O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no monitoramento da Lagoa da Mangueira, área onde foi identificado o foco da doença em aves silvestres da espécie Coscoroba, conhecida como cisne-coscoroba.
Até o momento, foram registrados 20 cisnes-coscoroba e uma garça-moura infectados. Entre as ações em andamento estão vistorias em campo, monitoramento de aves com embarcações e o uso de drones para supervisionar a lagoa e a área onde ocorreu o foco.
As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável pela confirmação da presença do vírus.
Casos suspeitos
A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.
As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.



