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Suínos / Peixes Inspeção

Novas regras para inspeção podem facilitar trabalho do Serviço Veterinário Oficial e indústria

Novas legislações estão surgindo, especialmente quando o assunto é a inspeção

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Para atender a tudo o que os mercados interno e externo pedem quando o assunto é segurança e qualidade alimentar, é, cada vez mais, necessária uma legislação atual e que atenda às necessidades e possibilidades de todas as partes envolvidas do setor. Novas legislações estão surgindo, especialmente quando o assunto é a inspeção. A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Jalusa Kich, explicou para os participantes do 19° Congresso Nacional Abraves as “novas regras de inspeção: o que muda em relação a cadeia de produção de suínos”.

De acordo com ela, esta parte da legislação é um movimento global. “A Europa mudou em 2014, e temos movimentos semelhantes no Canadá, Austrália e EUA. Aqui no Brasil não é diferente, a normativa também saiu em dezembro do ano passado”, introduz. Para Jalusa, modernizar não é opcional. “A suinocultura mudou e o perfil do consumidor também. Coisas que procurávamos em uma suinocultura antiga não existe mais”, afirma.

A pesquisadora explica que o modelo de inspeção adotado no Brasil é baseado em risco, diferente do europeu, por exemplo, em que é somente visual. “A gente não quer se comprometer em uma inspeção que não coloca a mão, porque talvez a gente ainda tenha alguns exames que precisam ser feitos por corte”, diz.

Jalusa conta que no final de 2018 foi aprovada a Instrução Normativa 79, onde a inspeção dos procedimentos ante e post-mortem passam a ser com base em risco. “Como trabalhamos nessa inspeção baseada em risco? Isso foi um desafio, a gente estudou muito os documentos de fora do Brasil e, por exemplo, a comunidade europeia tem comitês de riscos de sanidade animal de resíduos que trabalha o tempo todo. Então eles fazem as perguntas para os comitês com prazo, vem o relatório completo, onde o gestor de risco consegue tomar a decisão. Nós não temos isso bem estabelecido tão bem aqui no Brasil, então tivemos que montar uma proposta”, informa.

Segundo ela, nessa proposta são consideradas questões apontadas pela pesquisa, mas também dados econômicos. Jalusa informa que pesquisadoras da Embrapa e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foram quem trabalharam nas avaliações da proposta apresentadas ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa).

O primeiro ponto visto pelo grupo foi a necessidade da melhora na comunicação. “Esta é uma parte bem importante, visto a grandeza das nossas exportações. A gente precisa mostrar para o mercado internacional que estamos fazendo tudo com segurança. Embora a gente já esteja fazendo isso há alguns anos, precisamos mostrar. Essa é uma parte bem importante e precisamos nos preocupar com isso”, crava.

Premissas

Jalusa explicou que a primeira premissa para que a legislação nova que está sendo proposta funcione é que a responsabilidade seja compartilhada. “Não é somente do Serviço Oficial, mas da indústria também”, afirma. Segundo ela, o foco do SO (Serviço Oficial) está na saúde pública. “Então, o SO tem tratado de saúde pública. Outros problemas, como defeitos que aconteceram na produção e coisas da linha de abate não dizem respeito à saúde pública. A responsabilidade deve ser repassada para a indústria e não para o Serviço Oficial”, afirma.

A pesquisadora informa que atualmente o Brasil conta com 94 frigoríficos sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF). “É muita coisa. Quando a gente compara com aqueles países que a gente fica invejando, eles têm 11, 12 frigoríficos sob inspeção”, compara. Ela ainda esclarece que a nova legislação leva em conta a suinocultura tecnificada do país, intensiva e com controles. “Não estamos trabalhando aqui com produção de fundo de quintal ou asselvajados. Estamos tratando da suinocultura tecnificada”, diz.

Nova legislação

Jalusa esclarece que o grupo de pesquisa da Embrapa, juntamente com o grupo da UFRGS vem desenvolvendo um projeto para melhorias na legislação brasileira de inspeção. “A primeira etapa do projeto levou bastante tempo, porque precisamos analisar os dados do SIF, fazendo a avaliação de risco”, explica. Esta parte levou mais tempo, de acordo com ela, pelo fato de o Brasil não ter uma vigilância para mostrar os dados, então, foi necessário ir à campo e executar, coletar amostras e produzir resultados.

Depois de recolher os dados, expõe, foi feita a revisão e escrita a opinião científica do que o grupo acha que é preciso mudar. “Depois disso vem a parte da validação”, diz. Jalusa conta que foi feito um projeto piloto em seis plantas frigoríficas. “Foi um momento importante, porque no primeiro piloto nós tivemos a presença do ministro da Agricultura da época, Blairo Maggi, e aconteceu na BRF de Concórdia. Foi um momento político importante. Tivemos um momento legal, porque além dele estavam também o secretário de Defesa e toda a equipe deles. A gente conseguiu fazer um momento com eles para que todos acreditassem no que estávamos fazendo e ter segurança. Porque o grande problema da modernização é ter segurança. Porque, para o gestor de risco mudar, ele precisa ter certeza de que está mudando para melhor. E a nossa proposta é melhorar a saúde pública, com menos interferência do Serviço Oficial”, conta.

De acordo com a pesquisadora, houve a regulamentação, e hoje o grupo ainda está trabalhando no projeto, fazendo os treinamentos e a análise econômica. “E ela depende muito da abertura da agroindústria para a gente poder dar os próximos passos”, esclarece.

Fatores de condenação

Jalusa conta que na análise de dados, o grupo trabalhou com 94 milhões de animais abatidos em 114 frigoríficos. “A gente fez um censo, não uma amostragem”, brinca. Segundo ela, o principal fator de condenação nos frigoríficos brasileiros é a questão de aderência seca. “Ou seja, estamos falando de saúde pública”, diz. Outros problemas vistos foram a contaminação, traumas, abcessos e linfadenite. “Essa é uma geral e nós estamos trabalhando com 86% da suinocultura brasileira, que é aquela que está sob inspeção federal”, esclarece. Segundo a pesquisadora, estes dados foram importantes especialmente para que pesquisadores possam observar quais as modificações necessárias que deveriam ser feitas.

Foco nos reais problemas

De acordo com a pesquisadora, foram feitos bastantes trabalhos de campo, em um trabalho conjunto entre Embrapa, UFRGS e Universidade de Passo Fundo, pesquisando os perigos da carne suína. “Primeira coisa: um trabalho divulgado pelo Ministério da Agricultura em 2017 sobre salmonella mostrou que temos 10%, em nível oficial, antes do resfriamento e 4,5% depois”, conta. “Antes e depois é um pouco do conceito. Antes eles olham o processo. Então, por exemplo a Europa quer ter certeza dos processos, então olham antes, essa é a diferença”, explica.

Ou seja, de acordo com a pesquisadora, o Brasil apresentar 10% não é algo ruim, uma vez que a média vista na Europa é de aproximadamente 8,5%. “Os dados mostram que está tudo bem, que estamos no controle”, diz. Porém, mesmo estando sob controle, é preciso olhar para todos e questiona: “qual o maior problema do Brasil? Os nossos problemas são os abatedouros de tamanho médio”, esclarece. “Os grandes já têm programas de qualidade estabelecidos há muito tempo. Então, os frigoríficos maiores têm dados melhores que os médios, que têm a questão de tecnologia e volume que precisam ser resolvidos. E quando colocamos isso em uma média por região, vimos que o Sudeste tem uma maior concentração de frigoríficos de tamanho médio e isso reflete nos resultados”, conta.

Inspeção baseada em risco

A pesquisadora explica que os resultados obtidos durante toda a pesquisa ajudaram o grupo a compor a nova técnica para eliminação das carcaças não exportáveis. “Então, a gente desmembrou o processo. Principalmente porque agora a gente para de desqualificar um produto que é bom em função de um patógeno que não tem a ver com saúde pública”, conta.

Jalusa explica que eles propuseram uma mudança de procedimentos. “O que fizemos: somente para comparação, a inspeção atual do Serviço Oficial faz toda a classificação de animais, descarregamento, exames em movimento e descanso. Isso é muito tempo. Então, trabalhamos com cronoanalistas e decidimos fazer o exame somente em descanso, porque diminui bastante o tempo”, conta.

No post-mortem, segundo a pesquisadora, tradicionalmente há um grupo na indústria trabalhando na cabeça, papada, pulmão, coração. “Na inspeção baseada em risco, a nossa proposta é tirar as pessoas que trabalham com a cabeça, porque este é um local muito contaminado e a gente quer tirar da linha de abate. Queremos processar a cabeça em outra sala e de preferência tratar. Porque essa é uma matéria-prima importante, especialmente a papada que é usada para o salame, um produto super nobre. Então, a gente precisa achar uma alternativa para ter segurança e utilizar bem essa matéria que é tão importante”, avalia.

Na inspeção baseada em risco, muda também o Departamento de Inspeção Final (DIF). “No tradicional, vão animais sefregados no pré-abate, lesões de linha, tecnopatias. Na inspeção baseada em risco, vão ser somente animais segregados e linfadenites. O resto vai para o departamento que chamamos de DEC, onde vai ter que ter um veterinário”, conta. Segundo Jalusa, em um primeiro momento isso pode parecer custo para a indústria. “Mas achamos que o sistema vai ganhar muito tendo um médico veterinário dentro do frigorífico. Nos pilotos vimos isso, que quando o profissional é da indústria ele qualifica a informação e dá feedback de forma mais rápida. E outra, ele está ali não em forma de fiscal, mas de colaborar com o processo”, afirma.

Jalusa explica que há então a auditoria feita pelo Serviço Oficial. “Determinamos um número de 300 carcaças por semana, onde o veterinário oficial vai auditar os procedimentos da indústria e vai trabalhar com sistema de amostragem. Isso dá condição para ele se organizar. Essa amostragem de 300 carcaças, calculamos para conseguir ver um erro de 1% da indústria. Ou seja, dá para trabalhar com auditoria e não com 100% com uma segurança boa”, comenta.

Desafios e vantagens

Um dos desafios que podem ser sentidos pela indústria da implementação do que está sendo proposto, segundo Jalusa, é quanto a estrutura do ante-mortem. “A adequação de fluxos, essa coisa de sala de cabeça e DEC depende muito das plantas, não existe uma igual a outra. Então, uma mesma indústria tem planta que não tem problema, tem espaço para organizar e a outra tem problema. Por isso, sistema de atenção é bacana, porque vão começar pelas plantas mais fáceis e vai criando experiência”, avalia.

Já quanto às vantagens, a primeira citada pela pesquisadora é sobre a saúde pública. “Estamos dando foco para os perigos que realmente importam”, afirma. A mão de obra oficial é outro fator que irá gerar uma grande economia. “No ante-mortem a economia chega a 70% e existe ainda a redução de até 83% de trabalho de auxiliares. Isso para o governo é importante, porque vamos ter cada vez menos gente. Mas vamos precisar ter pessoas fazendo coisas que dão segurança para o sistema”, diz. Um último ponto citado por Jalusa nas vantagens é a gestão de qualidade. “Acho que é aqui que a indústria ganha mais”, comenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saiba a diferença

Bem-estar animal X Direito dos animais

Bem-estar animal e direito dos animais são dois conceitos diferentes, mas que algumas ONGs ou pessoas não entendem ou fingem não entender a diferença

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Arquivo/OP Rural

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal, Cleandro Pazinato Dias, co-autor do livro Bem-estar dos Suínos, a primeira condição para discutir os ataques à produção de proteína animal por uma parte da sociedade é entender a diferença entre bem-estar animal e direito dos animais. Dias, que é consultor, pesquisador e suinocultor, acredita que os ataques como os da Xuxa serão cada vez mais frequentes simplesmente pelo fato de que esses ativistas querem o fim da produção de proteína animal, algo inconcebível e até caricato em um mundo onde a fome ainda atinge mais de 820 milhões de pessoas, conforme o relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Dias explica que o bem-estar animal está ligado à produção de proteína, total e absolutamente pautado em ciência. Já o direito dos animais é intrínseco, por exemplo, aos animais de companhia, de estimação, como cães e gatos. No entanto, sugere o pesquisador, essas Organizações Não Governamentais (ONGs) não entendem ou fingem não entender a diferença entre os conceitos. Em sua opinião, é uma minoria de pessoas, mas que acaba confundindo a população em geral sobre os temas.

“Há uma grande diferença entre direito dos animais e bem-estar animal tem que ficar muito clara antes de iniciar um debate. O bem-estar animal vale para a suinocultura, mas também para todas as cadeias de proteínas, como leite, ovos, frango e carne bovina. O objetivo básico do bem-estar animal é melhorar qualidade de vida deles por meio de melhor alimentação, melhor alojamento, garantia da saúde e ambiente que lhe permita expressar seu comportamento. As práticas de bem-estar animal são feitas com base em pesquisas, em estudos que ajudem a melhorar esses parâmetros”, menciona Dias.

Ele explica que o bem-estar é observado não só nas granjas, mas também no transporte até o frigorífico e abate dos animais. O profissional destaca, por exemplo, que os animais são insensibilizados e não sentem dor ou qualquer outro infortúnio quando são abatidos. “A suinocultura, como também as outras cadeias de produção animal, é altamente regulamentada por órgãos oficiais, com base na ciência, com o objetivo que seja a mais humanitária possível, da granja ao abate. “O abate, por exemplo, ocorre sem dor e sem consciência”, frisa. Nas plantas mais modernas, a insensibilização ocorre com gás. Outros utilizam eletricidade – os animais são sensibilizados antes de sentirem dor.

Dias explica que além da qualidade nutricional, a suinocultura está cada vez mais conectada à produção ética, com respeito aos animais, aos trabalhadores, às comunidades e ao meio ambiente. “Além de ser importante para a geração de renda e alimento de qualidade, a suinocultura trata os animais com toda a dignidade, está cada vez mais conectada com a qualidade do produto, mas também qualidade ética, em todos os aspectos.

Ainda nas granjas, infraestrutura de primeira garante desempenho zootécnico e bem-estar animal. Dias garante que a ampla maioria das granjas brasileiras são modernas, inclusive climatizadas, e estão entre as melhores do mundo. “Já faz anos que começaram a surgir granjas cada vez mais modernas, até 100% climatizadas, com controle de temperatura, qualidade do ar, etc. As granjas brasileiras estão no patamar das melhores do mundo. Não perdemos para ninguém. Estamos no mínimo equivalentes aos melhores. Conheço granjas em outros países. Não podemos nos encolher para ninguém. Não da para achar que a gente é melhor que os outros, pois sempre tem alguém fazendo algo novo, mas estamos no nível dos melhores”, destaca.

Ainda conforme o pesquisador e consultor, as granjas mais antigas estão se transformando. “Foram criados modelos novos de produção, com propriedades dedicadas a creches ou engorda, por exemplo. Nesse contexto, as agroindústrias são muito eficientes”, aponta.

Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal e também produtor, no vídeo publicado por Xuxa há claros sinais de transgressão às práticas de bem-estar animal, mas trata-se de exceções. “Realmente o cidadão estava cometendo maus tratos. Esse é um extremo ruim da nossa cadeia, mas ele faz parte da cadeia, temos que entender para corrigir. Em minha opinião, eles (ONG Mercy for Animals) foram a dedo escolher um cara desses para ter argumentos e fatos, para dar base para eles defenderem que essa produção tem que parar”, avalia.

“Ataques de ativistas ao agronegócio serão cada vez mais frequentes”

Já o direito dos animais, frisa Dias, quer simplesmente acabar com a produção mundial de proteína animal. Ele versa, entre outras situações, na prática de abandono de pets nas ruas, no acorrentamento em espaços sujos e inadequados, na alimentação restrita e na manifestação de doenças sem o devido tratamento. “Muitas pessoas da zona urbana estão desconectadas da zona rural, não sabem da onde vem o alimento. Muitas ativistas dos direitos dos animais são vinculadas a ONGs, que, como primeiro ponto, querem a abolição da produção animal, querem que as pessoas parem de consumir leite, ovos e carne. Muitas estão ligadas ao vegetarianismo ou ao veganismo, que é mais extremo”, pontua.

Com visões tão diferentes, sugere Dias, profissionais de produção e ativistas jamais vão entrar em consenso. “Dificilmente vamos encontrar um meio termo nessas duas linhas de raciocínio. O direito dos animais é abolicionista, quer extinguir a produção”, reforça. “As partes não conversam entre si. O radicalismo é cada vez mais evidente na humanidade, as pessoas que pensam completamente diferentes não consegue falar entre si. Nesse caso, há uma diferença filosófica gigantesca”, amplia.

Por conta dessa visão oposta, sugere o pesquisador e produtor, os ataques ao agronegócio serão cada vez mais frequentes. “Essas investigações sigilosas vão ser cada vez mais usadas por essas ONGs de proteção ao direito dos animais. Ataques ao agronegócio vão ser cada vez mais frequentes, vão se repetir com muito mais agressividade. Vão aumentar em frequência e em nível de qualificação, por assim dizer, como essa que utilizou um drone. Eles pensam: vou bagunçar o coreto desses produtores de proteína animal, vou bagunçar a casa deles, pois não concordo com o que eles fazem. Para isso, vão tentar descobrir os piores transportes, os piores produtores, as piores indústrias, as falhas que tiverem no processo eles vão captar para jogar na mídia, fazendo com que aquilo pareça algo rotineiro, como se, na verdade, a exceção fosse a regra”, sustenta o profissional.

Para Dias, essas pessoas são poucas, mas conseguem criar desafios para o setor de proteína animal pois são financiadas, têm recursos financeiros à disposição. “Os ativistas têm recursos, têm empresas que colocam dinheiro, empresas que patrocinam, fazem campanhas na Internet, vão comprar drone, vão viajar, etc., não são desarticulados”, destaca. “É um grupo pequeno, mas que faz um barulho muito grande”, amplia.

Evolução do bem-estar animal

Dias é co-autor do primeiro livro em Português editado no Brasil, em 2014. Nos últimos seis anos, houve também evolução no bem-estar dos animais. “Esse livro foi um marco porque foi o primeiro em língua portuguesa. De 2014 até hoje a suinocultura evoluiu muito, por exemplo, com a adoção de gestação coletiva, em baias com vários animais, ao invés de gestação nas gaiolas individuais. Quando lançamos o livro, a gestação coletiva estava iniciando no Brasil. De lá para cá, as principais empresas produtoras, que são BRF, Seara JBS, Aurora, Frimesa, Pamplona e Alegra, já estão em transição para a gestação coletiva. “Juntas, representam cerca de 60% do mercado de produção de carne suína no país”, justifica o pesquisador. “É um exemplo claro e incontestável de evolução em bem-estar animal”, garante.

Ainda segundo Dias, “o bem-estar animal é pauta em todos eventos, congressos e nos trabalhos científicos produzidos nas universidades. Nosso entendimento de bem-estar animal hoje é muito contundente”, diz.

O pesquisador e produtor acredita que os avanços no setor não param com o tempo. “Para o futuro, vamos produzir carne suína com o bem-estar cada vez mais evoluído, vamos ser ainda melhores, levando lado a lado com as questões econômicas. O bem-estar na suinocultura vai continuar evoluindo, seja na melhoria das instalações, na alimentação, entre outros aspectos e outras áreas de tecnologia, como climatização e ambiência”, garante. Para Dias, a suinocultura já aplica o bem-estar único, que inclui animais, funcionários, comunidade no entorno e meio ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O rigoroso transporte de suínos que Xuxa não conhece

Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando BEA, boas práticas no manejo pré-abate e segurança do alimento

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Divulgação/ABCS

 Artigo escrito por Charli Ludtke, médica veterinária e diretora técnica comercial da ABCS

No Brasil são transportados mais de 92 milhões de suínos ao ano, sendo que a maioria das viagens está relacionada ao transporte dos animais para os frigoríficos, quando atingem o peso para o abate que varia de 100 a 130Kg. A decisão de transportar os suínos requer responsabilidade compartilhada entre o produtor, transportador e a indústria, devendo ser adotadas as boas práticas e o bem-estar animal durante toda a viagem. Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando o bem-estar animal, as boas práticas no manejo pré-abate e a segurança do alimento.

Os produtores são responsáveis por manter os animais saudáveis e bem nutridos, e em condições físicas adequadas para a realização da viagem. Além disso, manter com a agroindústria uma equipe capacitada com colaboradores cuidadosos para realizar o manejo de embarque dos suínos, é essencial. Para realizar o transporte dos animais, os produtores precisam solicitar a emissão da GTA (Guia de Trânsito Animal) nas unidades veterinárias da região para fins de controle do trânsito dos animais, exigências sanitárias (saúde) e rastreabilidade dos suínos. O transporte dos suínos da granja ao frigorífico é realizado em veículos específicos para este fim e acompanhado de toda a documentação fiscal e da GTA. As empresas de transporte, proprietários de veículos e motoristas são responsáveis pelo planejamento da viagem, transportar somente animais aptos para a viagem e garantir o cuidado durante todo o percurso, além disso buscar atender os requisitos que se refere a: utilizar o veículo e lotação adequada para a viagem, (espaço disponível para todos os animais deitarem) capacitar todos os envolvidos no transporte, principalmente os motoristas em relação ao comportamento e bem-estar dos animais. Assim como desenvolver e manter o plano de viagem incluindo o embarque e desembarque dos animais, duração da viagem, caminho a ser percorrido e o plano de contingência para tratar de emergências (acidentes, condições climáticas adversas) visando minimizar o estresse dos animais durante o transporte.

Os responsáveis das indústrias devem promover as boas instalações durante o embarque, transporte e desembarque no frigorifico, de forma que os suínos possam ser conduzidos com o mínimo de estresse e proporcionando interação positiva com os manejadores. Atenção deve ser dada ao frigorifico, quando os suínos desembarcam e são encaminhados para a área de descanso, antes de serem abatidos. Este ambiente deve promover a recuperação dos animais com áreas adequadas de descanso, conforto térmico, acesso a água e proteção das condições climáticas adversas. Nesta etapa todos os suínos são avaliados pelo Médico Veterinário Oficial quanto aos aspectos de saúde e do bem-estar animal, a fim de permitir que sejam encaminhados ao abate.

Toda a equipe de colaboradores do frigorífico que maneja diretamente os animais deve ser treinada para adotar as boas práticas, evitando assim o sofrimento e o estresse desnecessário aos suínos, mantendo os padrões de qualidade e de segurança do alimento. O transporte constitui uma importante parte do processo, e se não for bem executado pode ocasionar sérios problemas de bem-estar aos animais e de perdas econômicas. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) tem desenvolvido material técnico e treinamentos para a conscientização de toda a cadeia de suínos, atuando, junto às suas afiliadas estaduais na capacitação, visando o aprimoramento do bem-estar animal nas granjas e as boas práticas no transporte e frigorífico. Assim, a suinocultura brasileira se mantém em sintonia com as exigências dos consumidores.

Nota do editor: O título deste artigo não reflete a opinião da autora. É de responsabilidade do jornal O Presente Rural.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Uso de leveduras vivas na suinocultura: alternativa para nutrição de matrizes prolíficas

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente técnico LAM da AB Vista

Nas últimas décadas o tamanho da leitegada e o número de leitões desmamados por porca por ano foram consideravelmente melhorados, principalmente devido à maior produtividade da matriz visando esta característica nos processos de seleção. Com um aumento de 0,2 leitão/ano nos últimos 20 anos. O número de desmamados/fêmea/ano nos Estados Unidos saiu de 23,2 para 25,0 leitões e na União Europeia de 24 para 27,8 leitões, se compararmos os dados de 2008 a 2017.

Realizando uma comparação com dados brasileiros apresentados pela Agriness (2020), podemos observar que o número médio de nascidos vivos/fêmea/ano no Brasil foi de 27,22 leitões em 2008, para 31,02 leitões em 2019, incremento de 14%. Neste mesmo período, houve uma redução do peso médio do leitão ao nascimento de 1,47kg em 2008 para 1,37kg em 2019, uma perda de 100gr/leitão, ou de 6,8%.

O aumento do tamanho da leitegada levou inevitavelmente a uma redução no peso médio de nascimento dos leitões e a uma escalada na variabilidade de peso desta leitegada. Analisando outros dados, o peso ao nascer e o tamanho da leitegada são características importantes para a produtividade. Aumentos rápidos no tamanho da leitegada interferem na produtividade anual de reprodutoras. Peso ao nascer mais leve em leitões tem sido associado a uma maior mortalidade ao desmame, taxas de crescimento mais lentas e diminuição da qualidade de leitões. Estes dados referem-se, possivelmente, a um resultado de menor volume de fibras musculares primárias. De forma geral, existem animais que nascem com até 0,89 kg de diferença entre aqueles mais leves e os mais pesados, o que influenciam em até 9,64 kg o peso ao abate (Tabelas 1 e 2).

Fica claro que elevar o peso geral da leitegada possui uma medida de correlação muito elevada com o peso ao abate, pois animais mais pesados ao nascer irão possuir um melhor volume de fibras musculares de qualidade que sustentaram o crescimento futuro deste animal.

Uma forma para sustentar o crescimento do peso da leitegada ao nascimento refere-se ao uso de leveduras vivas na alimentação das fêmeas suínas reprodutoras durante a gestação e lactação. Embora haja muitos fatores que possam afetar o peso do desmame, o uso de leveduras vivas deve ser algo a ser considerado como uma importante ferramenta para elevá-lo.

Estudo norte-americano analisou-se a suplementação de levedura viva em um período de 18 dias de lactação. Os resultados mostraram que as taxas de crescimento em maternidade de leitões proveniente de matrizes alimentadas com leveduras vivas foram melhoradas em 6% em relação aos leitões controles (0,30 kg extras em peso à desmama). Além disso, os leitões nas porcas alimentadas com levedura viva tiveram uma mortalidade reduzida antes do desmame em comparação com os leitões do grupo controle. Esta redução da mortalidade pré-desmame resultou em 0,5 leitões a mais por desmame. Trabalhos europeus mostraram que para leitões desmamados com idades mais elevadas (> 21 dias), a taxa de crescimento pré-desmame aumentou (+12%) e houve um volume extra de 0,4 leitões desmamados quando as matrizes foram alimentadas com levedura viva durante o período de lactação. Com base em três ensaios, o ganho de peso médio ao desmame foi de +0,86 kg/suíno.

Em outro trabalho, o uso associado de levedura viva durante a fase de gestação gerou um benefício de até 3.1 kg de peso de leitegada (Tabela 4).

Atuação

Uma importante pergunta que resta ser respondida seria: Porque a levedura viva beneficia a matriz suína a ponto de elevar o peso ao nascimento da leitegada e melhorar sua performance na maternidade?

Existem diferentes razões para os resultados apresentados nestes trabalhos, essencialmente a levedura viva é um probiótico e atua como aglutinante de patógenos por meio de seus oligossacarídeos mananos exclusivos na parede celular externa, o que reduz a população de patógenos no lúmen intestinal. As leveduras atuam igualmente como um eliminador de oxigênio, o que suprimem o crescimento de bactérias indesejáveis, enquanto mudam o ambiente intestinal para mais favorável à fermentação de fibras, pois a maioria da microbiota fermentadora de fibras é anaeróbica e prefere um pH mais baixo do que a microbiota patogênica.

O ambiente luminal favorável para bactérias degradadoras de fibra pode resultar em maior hidrólise da fibra em detergente neutro, em níveis mais altos de produção de ácidos graxos voláteis e, portanto, em um nível mais alto de extração de energia nos materiais de alimentação, que pode ser desperdiçado. Ambos os modos de ação são fundamentais para apoiar as necessidades do animal durante períodos estressantes.

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal e um desenvolvimento sadio do trato gastrintestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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