Peixes
Novas doenças desafiam a produção de peixes no Brasil
Enfermidades emergentes na tilapicultura e piscicultura aumentam mortalidade e exigem manejo preventivo, biosseguridade e monitoramento constante.

A tilapicultura brasileira enfrenta um cenário cada vez mais complexo com o surgimento de enfermidades emergentes que têm impactado diretamente a produtividade e a saúde dos plantéis. Entre os principais agentes que preocupam os criadores estão a infecção pelo iridovírus ISKNV, Edwardsiella anguillarum, especialmente em formas jovens, e a Lactococcus petauri, que afeta tilápias nas fases de crescimento e engorda.
Segundo o médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua, o caso mais recente e preocupante é a Lactococcus petauri. “Trata-se de um patógeno novo, nunca antes relatado na criação de tilápias em outros países. A primeira ocorrência foi registrada e caracterizada recentemente no Brasil”, menciona.

Médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua: “O caso mais recente e preocupante é a Lactococcus petauri. Trata-se de um patógeno novo, nunca antes relatado na criação de tilápias em outros países” – Foto: Arquivo pessoal
De acordo com Pádua, as doenças emergentes costumam estar associadas a fatores de risco ligados às condições climáticas, que determinam flutuações sazonais na frequência dos diagnósticos. “A edwardsielose e a iridovirose, embora possam ocorrer ao longo de todo o ciclo de criação, têm maior impacto nos períodos de queda da temperatura da água, especialmente no final do outono, durante o inverno e início da primavera. Já a lactococose tem sido diagnosticada com maior frequência em períodos de transição entre estações, como verão/outono e inverno/primavera”, explica o especialista.
O mestre em Aquicultura reforça a importância de medidas preventivas e de controle para reduzir os impactos dessas doenças. “Monitoramento constante da qualidade da água, manejo adequado, quarentena de novos lotes e protocolos sanitários bem estruturados são essenciais para minimizar perdas e garantir a sustentabilidade da produção”, afirma.
Impacto financeiro
As doenças emergentes têm provocado perdas significativas na tilapicultura brasileira, afetando tanto a produtividade quanto o bolso dos produtores. Atualmente, a mortalidade dos peixes impacta diretamente o custo de produção em todas as fases do ciclo de criação.
De acordo com Pádua, mais de 80% da mortalidade ocorre nas fases iniciais de criação, como alevinagem e produção de juvenis. “Essas fases são naturalmente mais susceptíveis a diversos grupos de patógenos e, ao mesmo tempo, estão submetidas a práticas de manejo intensivo, que inclui repicagem, classificação, depuração e transporte, podendo desencadear doenças oportunistas relacionadas ao estresse agudo, como columnariose e aeromonioses”, enfatiza.
Por outro lado, a mortalidade nas fases de crescimento e engorda tende a gerar prejuízos financeiros ainda maiores. “Doenças como as estreptococoses e a lactococose provocam a perda de animais próximos do peso de abate, que já incorporam alto custo de produção. Isso representa um impacto econômico direto muito mais elevado para o produtor”, ressalta Pádua.
O médico-veterinário reforça que o manejo preventivo, aliado ao monitoramento constante da saúde dos peixes, é fundamental para reduzir tanto a mortalidade precoce quanto as perdas na fase de engorda, garantindo sustentabilidade e rentabilidade à tilapicultura brasileira.
Importância do diagnóstico rápido

O diagnóstico rápido é fundamental para conter a disseminação de enfermidades na tilapicultura. O médico-veterinário destaca que o exame clínico a campo, realizado por profissionais de saúde, é uma ferramenta eficiente para identificar sinais de doença nos peixes e orientar ações imediatas de manejo.
No entanto, o diagnóstico definitivo depende de análises laboratoriais. “Somente testes laboratoriais permitem identificar com precisão o agente causador do problema e realizar exames complementares, como antibiogramas, que indicam a molécula antimicrobiana mais adequada em caso de infecção bacteriana”, expõe Pádua.
Manejo e biosseguridade
Quanto às práticas de manejo e biosseguridade, a principal estratégia é utilizar alevinos e juvenis de alta qualidade sanitária, adquiridos de fornecedores confiáveis que seguem programas de saúde e controle de enfermidades durante a produção. Outra medida eficaz é a verticalização do sistema produtivo. “Ao dominar todo o ciclo de criação, o produtor consegue maior controle sanitário e eficiência produtiva, reduzindo de forma significativa os riscos de introdução de doenças”, afirma o especialista.
Como minimizar perdas
Quando a doença se instala, a prioridade é confirmar laboratorialmente o agente causador. Em seguida, o setor/produtor deve adotar um plano para reduzir mortalidades, que pode incluir o uso de produtos veterinários, como antibióticos e antiparasitários, conforme a causa do problema. “Uma vez controlado o surto, é fundamental implementar estratégias de profilaxia para prevenir novos episódios, como uso de vacinas, aditivos alimentares, limpeza e desinfecção das estruturas, mudança de fornecedores de formas jovens e aprimoramento do controle da qualidade ambiental, entre outras medidas específicas para cada enfermidade”, ressalta Pádua.
Monitoramento sanitário
O monitoramento sanitário da tilapicultura no Brasil conta com um arcabouço regulatório que define diretrizes para organismos aquáticos, incluindo uma lista de doenças de notificação obrigatória. O sistema é apoiado pelo Serviço Veterinário Oficial e por laboratórios de referência para diagnósticos oficiais.
Além disso, universidades e o setor privado dispõem de laboratórios especializados, permitindo que profissionais de saúde aquática confirmem doenças em todo o território nacional e definam estratégias de controle personalizadas para cada unidade de produção.
Para se antecipar a novas ameaças, Pádua reforça que o setor deve manter controle rígido sobre a introdução de peixes provenientes de outros países, onde circulam patógenos exóticos. “Também é essencial reforçar medidas de biosseguridade em todas as fases do ciclo produtivo, com especial atenção à produção de formas jovens, consideradas mais vulneráveis”, pontua.
IFC Brasil 2025
Pádua vai compartilhar suas experiências e recomendações em sua palestra sobre Enfermidades emergentes na tilapicultura e medidas de prevenção e controle durante o 7º International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil), que acontece de 02 a 04 de setembro, no Maestra Grand Convention Center Recanto das Cataratas Thermas & Resort, em Foz do Iguaçu (PR).
O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
Governo passa a exigir nota fiscal como comprovação de origem do pescado
Nova portaria dos ministérios da Pesca e da Agricultura reforça rastreabilidade na cadeia, substitui norma de 2014 e cria mecanismo para regularização de embarcações no RGP.

Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicaram, na última sexta-feira (10), a Portaria Interministerial nº 54, que estabelece a Nota Fiscal como documento oficial de comprovação de origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A nova norma revoga a Instrução Normativa Interministerial MPA/Mapa nº 4/2014, e atualiza os mecanismos de controle, com o objetivo de fortalecer a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
A medida busca conferir maior segurança jurídica e previsibilidade às atividades do setor, ao alinhar os procedimentos de comprovação de origem às práticas atuais da pesca e da aquicultura no país. A adoção da Nota Fiscal como documento oficial contribui para ampliar a transparência das operações comerciais, aprimorar os mecanismos de fiscalização e valorizar o pescado brasileiro.
A portaria é resultado de um processo de construção conjunta entre o MPA e o Mapa, com base em discussões técnicas e diálogo com o setor produtivo. Participaram das tratativas representantes da Câmara Setorial da Produção e da Indústria de Pescados, além de auditores fiscais do Mapa. A iniciativa buscou garantir que a regulamentação atenda às necessidades operacionais do setor e seja aplicada de forma eficiente e uniforme em todo o território nacional.
Entre as novidades, a norma institui o anexo “Autodeclaração de Solicitação de Atualização de Dados junto ao MPA”. O instrumento visa resguardar o interessado

Foto: Divulgação
que já protocolou pedido de atualização cadastral de embarcação no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), mas que ainda aguarda análise administrativa.
A autodeclaração permitirá que o proprietário comprove sua regularidade durante esse período, evitando prejuízos à atividade produtiva e conferindo maior previsibilidade ao processo. De acordo com os ministérios, a medida está alinhada à modernização administrativa, à inovação regulatória e à garantia de direitos dos usuários dos sistemas públicos.
Com a nova regulamentação, a Nota Fiscal passa a ocupar papel central na comprovação de origem do pescado, reforçando o compromisso do governo federal com a modernização da gestão pesqueira e aquícola e com o desenvolvimento sustentável do setor.
Peixes
Tilápia mantém estabilidade de preços nas principais regiões produtoras
Cotações ao produtor variaram até 0,23% na última semana. Oeste do Paraná registra maior alta e segue com menor valor por quilo.

Os preços da tilápia permaneceram praticamente estáveis nas principais regiões produtoras do país na semana de 6 a 10 de abril, com variações discretas tanto de alta quanto de baixa, conforme levantamento do Cepea.

Foto: Shutterstock
No Oeste do Paraná, principal polo produtivo nacional, o valor pago ao produtor independente atingiu R$ 8,94 por quilo, com leve alta de 0,23% na comparação semanal, a maior variação positiva entre as regiões monitoradas. Apesar do avanço, a região segue registrando o menor preço médio entre os mercados acompanhados.
No Norte do Paraná, a cotação ficou em R$ 10,45/kg, sem variação na semana, indicando estabilidade nas negociações. Já na região dos Grandes Lagos, que abrange o noroeste de São Paulo e áreas próximas à divisa com Mato Grosso do Sul, o preço médio foi de R$ 10,04/kg, com leve alta de 0,16%.
Em Minas Gerais, os movimentos foram de ajuste negativo. Em Morada Nova de Minas, referência na produção aquícola do estado, o valor recuou 0,05%, para R$ 9,82/kg. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda foi de 0,06%, com o preço médio em R$ 10,22/kg.
Os dados consideram o preço à vista pago ao produtor independente e indicam um mercado de baixa volatilidade no curto prazo, com oscilações pontuais entre as regiões.
Peixes
Câmara derruba mudanças do Senado e mantém novas regras do seguro-defeso
Texto que segue para sanção prevê cadastro mais rígido, pagamento em até 60 dias após regularização e R$ 7,9 bilhões reservados para o benefício em 2026.

A Câmara dos Deputados rejeitou na última quinta-feira (09) as alterações feitas pelo Senado Federal na Medida Provisória 1323/25, que define novas regras para o pagamento do seguro-defeso. Com a decisão, permanece o texto aprovado pelos deputados na última terça-feira (07). A proposta segue agora para sanção presidencial.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O seguro-defeso é pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca para reprodução dos peixes. As mudanças têm como foco o endurecimento dos critérios de controle e identificação dos beneficiários.
A medida estabelece que:
- parcelas pendentes poderão ser quitadas em 2026, desde que o pescador cumpra os requisitos;
- haverá direito ao recebimento de anos anteriores, caso o pedido tenha sido feito dentro do prazo legal;
- o pagamento ocorrerá em até 60 dias após a regularização cadastral;
- passam a valer novas exigências de cadastro e identificação.
Para 2026, a previsão orçamentária do benefício, desconsiderando valores atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Na véspera, os senadores haviam aprovado mudanças que incluíam a exigência de comprovação de contribuição ao INSS por ao menos seis meses no período de um ano, a criação de limite de renda para acesso ao benefício e a retirada do pagamento retroativo referente a 2025.
Todas essas alterações foram rejeitadas pelos deputados.



