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Novas doenças desafiam a produção de peixes no Brasil

Enfermidades emergentes na tilapicultura e piscicultura aumentam mortalidade e exigem manejo preventivo, biosseguridade e monitoramento constante.

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Fotos: Shutterstock

A tilapicultura brasileira enfrenta um cenário cada vez mais complexo com o surgimento de enfermidades emergentes que têm impactado diretamente a produtividade e a saúde dos plantéis. Entre os principais agentes que preocupam os criadores estão a infecção pelo iridovírus ISKNV, Edwardsiella anguillarum, especialmente em formas jovens, e a Lactococcus petauri, que afeta tilápias nas fases de crescimento e engorda.

Segundo o médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua, o caso mais recente e preocupante é a Lactococcus petauri. “Trata-se de um patógeno novo, nunca antes relatado na criação de tilápias em outros países. A primeira ocorrência foi registrada e caracterizada recentemente no Brasil”, menciona.

Médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua: “O caso mais recente e preocupante é a Lactococcus petauri. Trata-se de um patógeno novo, nunca antes relatado na criação de tilápias em outros países” – Foto: Arquivo pessoal

De acordo com Pádua, as doenças emergentes costumam estar associadas a fatores de risco ligados às condições climáticas, que determinam flutuações sazonais na frequência dos diagnósticos. “A edwardsielose e a iridovirose, embora possam ocorrer ao longo de todo o ciclo de criação, têm maior impacto nos períodos de queda da temperatura da água, especialmente no final do outono, durante o inverno e início da primavera. Já a lactococose tem sido diagnosticada com maior frequência em períodos de transição entre estações, como verão/outono e inverno/primavera”, explica o especialista.

O mestre em Aquicultura reforça a importância de medidas preventivas e de controle para reduzir os impactos dessas doenças. “Monitoramento constante da qualidade da água, manejo adequado, quarentena de novos lotes e protocolos sanitários bem estruturados são essenciais para minimizar perdas e garantir a sustentabilidade da produção”, afirma.

Impacto financeiro

As doenças emergentes têm provocado perdas significativas na tilapicultura brasileira, afetando tanto a produtividade quanto o bolso dos produtores. Atualmente, a mortalidade dos peixes impacta diretamente o custo de produção em todas as fases do ciclo de criação.

De acordo com Pádua, mais de 80% da mortalidade ocorre nas fases iniciais de criação, como alevinagem e produção de juvenis. “Essas fases são naturalmente mais susceptíveis a diversos grupos de patógenos e, ao mesmo tempo, estão submetidas a práticas de manejo intensivo, que inclui repicagem, classificação, depuração e transporte, podendo desencadear doenças oportunistas relacionadas ao estresse agudo, como columnariose e aeromonioses”, enfatiza.

Por outro lado, a mortalidade nas fases de crescimento e engorda tende a gerar prejuízos financeiros ainda maiores. “Doenças como as estreptococoses e a lactococose provocam a perda de animais próximos do peso de abate, que já incorporam alto custo de produção. Isso representa um impacto econômico direto muito mais elevado para o produtor”, ressalta Pádua.

O médico-veterinário reforça que o manejo preventivo, aliado ao monitoramento constante da saúde dos peixes, é fundamental para reduzir tanto a mortalidade precoce quanto as perdas na fase de engorda, garantindo sustentabilidade e rentabilidade à tilapicultura brasileira.

Importância do diagnóstico rápido

O diagnóstico rápido é fundamental para conter a disseminação de enfermidades na tilapicultura. O médico-veterinário destaca que o exame clínico a campo, realizado por profissionais de saúde, é uma ferramenta eficiente para identificar sinais de doença nos peixes e orientar ações imediatas de manejo.

No entanto, o diagnóstico definitivo depende de análises laboratoriais. “Somente testes laboratoriais permitem identificar com precisão o agente causador do problema e realizar exames complementares, como antibiogramas, que indicam a molécula antimicrobiana mais adequada em caso de infecção bacteriana”, expõe Pádua.

Manejo e biosseguridade

Quanto às práticas de manejo e biosseguridade, a principal estratégia é utilizar alevinos e juvenis de alta qualidade sanitária, adquiridos de fornecedores confiáveis que seguem programas de saúde e controle de enfermidades durante a produção. Outra medida eficaz é a verticalização do sistema produtivo. “Ao dominar todo o ciclo de criação, o produtor consegue maior controle sanitário e eficiência produtiva, reduzindo de forma significativa os riscos de introdução de doenças”, afirma o especialista.

Como minimizar perdas

Quando a doença se instala, a prioridade é confirmar laboratorialmente o agente causador. Em seguida, o setor/produtor deve adotar um plano para reduzir mortalidades, que pode incluir o uso de produtos veterinários, como antibióticos e antiparasitários, conforme a causa do problema. “Uma vez controlado o surto, é fundamental implementar estratégias de profilaxia para prevenir novos episódios, como uso de vacinas, aditivos alimentares, limpeza e desinfecção das estruturas, mudança de fornecedores de formas jovens e aprimoramento do controle da qualidade ambiental, entre outras medidas específicas para cada enfermidade”, ressalta Pádua.

Monitoramento sanitário

O monitoramento sanitário da tilapicultura no Brasil conta com um arcabouço regulatório que define diretrizes para organismos aquáticos, incluindo uma lista de doenças de notificação obrigatória. O sistema é apoiado pelo Serviço Veterinário Oficial e por laboratórios de referência para diagnósticos oficiais.

Além disso, universidades e o setor privado dispõem de laboratórios especializados, permitindo que profissionais de saúde aquática confirmem doenças em todo o território nacional e definam estratégias de controle personalizadas para cada unidade de produção.

Para se antecipar a novas ameaças, Pádua reforça que o setor deve manter controle rígido sobre a introdução de peixes provenientes de outros países, onde circulam patógenos exóticos. “Também é essencial reforçar medidas de biosseguridade em todas as fases do ciclo produtivo, com especial atenção à produção de formas jovens, consideradas mais vulneráveis”, pontua.

IFC Brasil 2025

Pádua vai compartilhar suas experiências e recomendações em sua palestra sobre Enfermidades emergentes na tilapicultura e medidas de prevenção e controle durante o 7º International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil), que acontece de 02 a 04 de setembro, no Maestra Grand Convention Center Recanto das Cataratas Thermas & Resort, em Foz do Iguaçu (PR).

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Período de Defeso da Piracema termina no domingo em todo o Paraná

Com o fim da restrição, volta a ser permitida a pesca de espécies nativas a partir de 1º de março.

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Fotos: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O período de defeso da Piracema termina neste domingo (1º) no Paraná. Com isso, volta a ser permitida a pesca de espécies nativas. O ciclo teve início em novembro e busca preservar a reprodução natural dos peixes na bacia hidrográfica do Rio Paraná. A ação é anual e normatizada pela Portaria 377/2022, elaborada pelo Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Na próxima semana, o órgão vai apresentar um balanço com os números de apreensões e Autos de Infração Ambiental (AIA) emitidos durante o período restritivo. Na última Piracema, entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, foram lavrados 40 AIAs, com multas que totalizaram R$ 127,4 mil. Houve ainda a apreensão de 44 quilos de peixe, além de materiais e equipamentos como redes de pesca, molinetes, carretilhas, anzóis, entre outras ferramentas de pesca utilizadas irregularmente.

A restrição de pesca é determinada pelo órgão ambiental há quase duas décadas, em cumprimento à Instrução Normativa nº 25/2009 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A lei de crimes ambientais define multas de aproximadamente R$ 1.200 por pescador e mais de R$ 20 por quilo de peixe pescado. Além disso, os materiais de pesca, como varas, redes e embarcações, podem ser apreendidos se ficar comprovada a retirada de espécies nativas durante o defeso, com cobrança de R$ 100 por apetrecho recolhido. O transporte e a comercialização também são fiscalizados no período.

Denúncias sobre pesca irregular ou uso de equipamentos ilegais podem ser feitas de forma anônima e segura por meio do telefone 181 (Disque Denúncia).

Fonte: AEN-PR
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Mercado restrito e desafios industriais impactam desempenho dos peixes nativos

Consumo concentrado em três regiões e necessidade de mais tecnologia influenciam resultado do setor em 2025.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

A produção brasileira de peixes nativos totalizou 257.070 toneladas em 2025, volume 0,63% menor que o registrado no ano anterior. Com isso, o segmento acumula o terceiro ano consecutivo de retração. O último avanço havia sido observado entre 2021 e 2022, quando houve crescimento de 1,79%.

Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026. O levantamento aponta que o desempenho do setor está ligado a fatores como mercado mais restrito, com consumo concentrado principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além da necessidade de ampliar investimentos em tecnologia e fortalecer a industrialização da cadeia.

Foto: Alessandro Vieira

Rondônia liderou a produção nacional de peixes nativos em 2025, com 55.200 toneladas, resultado 2,8% inferior ao de 2024. O Maranhão aparece na segunda posição, com 42.700 toneladas e crescimento de 9,5%. Mato Grosso ocupa o terceiro lugar, com 40.000 toneladas, alta de 0,7%. Na sequência estão Pará, com 25.000 toneladas (+3,7%), e Roraima, com 23.000 toneladas (-0,4%).

O anuário destaca que o avanço da atividade passa pelo aprimoramento dos processos produtivos e pela adoção de novas estratégias de mercado. Entre as medidas apontadas estão o investimento em melhoramento genético, ampliação da oferta de insumos específicos e fortalecimento da indústria frigorífica para atender produtores e consumidores.

No mercado, a expansão pode ocorrer com a abertura de novos canais de comercialização e valorização da identidade regional dos peixes nativos, especialmente nas regiões que já concentram a maior produção.

O documento também cita a importância de políticas públicas integradas para estimular a cadeia, incluindo linhas de crédito, capacitação de produtores, melhorias em logística e distribuição. No consumo interno, a ampliação da presença desses peixes na merenda escolar, em órgãos públicos, hospitais e programas de cesta básica é apontada como alternativa para fortalecer a demanda.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Piscicultura paranaense cresce acima da média nacional e reforça posição estratégica

Enquanto o Brasil atinge 4,4% de crescimento, Estado chega a 9,1%, concentra 27% da produção e lidera as exportações de tilápia.

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Fotos: Shutterstock

O Paraná alcançou a marca de 273 mil toneladas de pescados produzidos em 2025, um novo recorde para o setor. Esse resultado significa um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior e o Estado segue liderando a produção nacional, com participação de 27% no total. Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 , lançado nesta semana.

São Paulo aparece na segunda posição no ranking nacional de produção de peixes de cultivo, com 93.700 toneladas, volume 0,54% maior do que o de 2024. Minas Gerais (77.500 t) está logo atrás de São Paulo, seguido por Santa Catarina (63.400 t) e Maranhão (59.600 t), que ganhou uma posição e fecha a lista dos cinco primeiros do ranking.

Pela primeira vez o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas (1.011.540 t). O resultado do cultivo de pescados cresceu 4,41% no Brasil, se comparado ao volume produzido em 2024. Nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6%.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A tilápia é o grande motor da atividade no Paraná e no Brasil. O Estado lidera a produção com 273.100 toneladas. Completando a lista dos cinco maiores produtores nacionais da espécie, aparecem na sequência São Paulo (88.500 t), Minas Gerais (73.500 t), Santa Catarina (52.700 t) e Mato Grosso do Sul (38.700 t). Em todo o Brasil foram 707.495 toneladas, maior resultado da série histórica da última década.

Os principais produtores, em volume, são Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já as maiores quantidades de tanques ficam, nessa ordem, em Itambaracá (1.564), Alvorada do Sul (994), Nova Prata do Iguaçu (757), Três Barras do Paraná (654) e Boa Esperança do Iguaçu (408).

De acordo com o Anuário, o Paraná atrai cada vez mais e melhores investimentos para o setor. A crescente participação de grandes cooperativas dá novas proporções à atividade. Em relação ao sistema de negócio, a integração se destaca, atraindo mais produtores do que o modelo independente, que mantém uma ligação direta com pequenos frigoríficos. Essa modalidade vem diminuindo ao longo do tempo.

“Além de todos os fatores favoráveis ao crescimento forte e constante da atividade, também é preciso manter a atração de investimentos em inovação, certificação e abertura de novos mercados internacionais”, aponta a publicação.

Exportações

As exportações da piscicultura brasileira registraram crescimento de 2% em valor em 2025, chegando a U$S 60 milhões. Já em volume, houve queda de 1%, passando de 13.792 t em 2024 para 13.684 t em 2025. A tilápia representou 94% das exportações, seguida do tambaqui e curimatás.

O Paraná manteve a posição de maior exportador brasileiro de tilápia em 2025, sendo responsável por 50% do total exportado pelo Brasil, com US$ 28 milhões. Na segunda posição, aparece São Paulo, totalizando US$ 16 milhões, que representam 29%, seguido por Mato Grosso do Sul, com US$ 10,7 milhões (19% do total).

Apesar do tarifaço, o Estados Unidos se mantiveram como o principal destino (87%) das exportações brasileiras da piscicultura em 2025, totalizando US$ 52 milhões. Outros principais destinos foram Canadá (4%), Peru (4%), China (2%) e Vietnã (1%). Destaca-se ainda a entrada de 21 novos destinos, dentre os quais está o México, que é o segundo maior importador de tilápia no continente americano após os Estados Unidos.

Fonte: AEN-PR
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