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Nova tributação entra em fase de transição e exige atenção redobrada do produtor rural
Mudanças na nota fiscal eletrônica, novos tributos e regras escalonadas já começam a afetar a rotina do agro.

A transição para o novo modelo de tributação previsto na Reforma Tributária do consumo já está em andamento desde 1º de janeiro e começa a trazer mudanças práticas para a rotina do produtor rural. Segundo orientações do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Clemerson Argenton Pedrozo, o agro precisa ficar atento, especialmente às alterações nos procedimentos de emissão da nota fiscal eletrônica.
Embora a adaptação ocorra de forma escalonada, algumas exigências já têm prazo definido. A partir de 2026, os produtores rurais deverão informar na nota fiscal se são ou não contribuintes do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Esses tributos vão substituir impostos federais, estaduais e municipais e, juntos, passam a compor o Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

Vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo: “A recomendação é que os produtores busquem apoio técnico junto a profissionais de contabilidade, sindicatos e entidades representativas do setor” – Foto: Divulgação Sistema Faesc/Senar
Produtores com receita anual igual ou superior a R$ 3,6 milhões deverão aderir obrigatoriamente ao regime regular de recolhimento do IBS e da CBS. Já aqueles com faturamento abaixo desse limite poderão optar ou não pelo novo regime, avaliando, principalmente, a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários.
Entre os principais desafios apontados estão a correta emissão dos documentos fiscais, a adequação dos sistemas de controle, o planejamento tributário e a escolha do modelo mais vantajoso para cada realidade produtiva. “A recomendação é que os produtores busquem apoio técnico junto a profissionais de contabilidade, sindicatos e entidades representativas do setor”, pontua Pedrozo.
Outro ponto que passa a valer neste ano é a adoção do CNPJ alfanumérico. “Mesmo produtores que atuam como pessoa física passarão a contar com essa nova identificação cadastral, sem perder a característica de pessoa física, o que exige atenção na organização fiscal e cadastral”, ressalta.
Para auxiliar nesse período de transição, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disponibilizou uma calculadora gratuita da reforma tributária, que permite simular cenários e trazer mais previsibilidade ao planejamento tributário. Também está disponível um curso gratuito sobre os impactos e estratégias da reforma para o agro, com inscrições abertas nas plataformas de ensino do Senar.
Apesar de, neste primeiro momento, as mudanças serem pontuais, a reforma tributária já está em vigor e altera a forma de contribuição dos produtores rurais. A orientação é clara: informação e planejamento serão fundamentais para atravessar essa transição com segurança.

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Brasil fortalece presença no agro da Colômbia durante a Expomalocas 2026
País foi convidado de honra da maior feira agropecuária da Orinoquia e destacou cooperação técnica, sustentabilidade produtiva e oportunidades comerciais em região com perfil semelhante ao Cerrado brasileiro.

A cidade de Villavicencio, no Departamento de Meta, sediou no último fim de semana a Expomalocas 2026, considerada a maior feira agropecuária da região colombiana da Orinoquia, também conhecida como Llanos Orientales. O evento reuniu produtores, empresas, pesquisadores e autoridades, consolidando-se como uma vitrine estratégica para o desenvolvimento do agro local e para o fortalecimento das relações internacionais.

Foto: Divulgação/Mapa
A Orinoquia colombiana apresenta condições edafoclimáticas muito semelhantes às do Cerrado brasileiro, o que tem permitido a consolidação de sistemas produtivos comparáveis, com destaque para a produção de grãos e a pecuária bovina. Essa proximidade técnica tem impulsionado o interesse crescente por genética animal e vegetal brasileira, além da aquisição de máquinas, tecnologias e insumos agropecuários provenientes do Brasil.
Nesta edição, o Brasil foi o país convidado de honra da Expomalocas, reforçando o papel estratégico da cooperação bilateral no setor agropecuário. A cerimônia oficial de abertura contou com a presença do embaixador do Brasil na Colômbia, Paulo Estivallet de Mesquita, ao lado da governadora do Departamento de Meta, Marcela Amaya. “A agropecuária brasileira construiu soluções produtivas adaptadas a regiões tropicais, que hoje servem de referência internacional. A aproximação com a Orinoquia colombiana abre espaço para parcerias técnicas, comerciais e institucionais de longo prazo”, afirmou o embaixador durante o evento.

Foto: Divulgação/Mapa
Paralelamente à programação da feira, o adido agrícola do Brasil na Colômbia, Clóvis Serafini, participou de um painel acadêmico voltado à consolidação de modelos de pecuária bovina sustentável, abordando diferentes escalas de produção e realidades regionais. O debate reuniu representantes dos setores público, privado e acadêmico, com foco em estratégias práticas de sustentabilidade. “A sustentabilidade precisa ser encarada como um vetor de competitividade e não como um obstáculo ao comércio. Isso exige planejamento de longo prazo, coordenação entre os atores da cadeia produtiva e adoção gradual de inovações tecnológicas”, destacou Serafini.
Os participantes ressaltaram que modelos sustentáveis bem estruturados contribuem não apenas para a preservação ambiental, mas também para o desenvolvimento social e a segurança econômica dos produtores, fortalecendo a imagem dos países produtores nos mercados internacionais.
A participação brasileira na Expomalocas 2026 reforçou a visibilidade do agro nacional, evidenciando tanto a qualidade de seus produtos quanto as políticas públicas e estratégias técnicas desenvolvidas para promover o crescimento sustentável. O evento se consolidou como uma plataforma relevante para ampliar o diálogo regional e abrir novas oportunidades de cooperação no contexto da agropecuária tropical.
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Brasil e Rússia reforçam parceria estratégica no agro com foco em fertilizantes e comércio de proteínas
Reunião entre ministros discutiu previsibilidade comercial, habilitação de plantas de pescado e avanços sanitários.

Na quarta-feira (04), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com a ministra da Agricultura da Federação da Rússia, Oksana Lut. O diálogo teve como foco o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países, marcada pela complementariedade produtiva, pelo expressivo fluxo comercial e pela cooperação técnica contínua no setor agropecuário.
“Reconhecemos a Rússia como um parceiro estratégico e um importante fornecedor de fertilizantes para o Brasil. Por isso, manter um diálogo contínuo, transparente e técnico entre nossas autoridades é importante para garantir previsibilidade, estabilidade e confiança nas relações comerciais bilaterais”, pontuou Fávaro.
A ministra Oksana Lut, por sua vez, destacou a importância de conservar e aprofundar a relação de amizade entre Brasil e Rússia, com base na confiança mútua e na cooperação de longo prazo.
Na ocasião, foram discutidos ainda temas relacionados ao comércio de carnes de aves, com ênfase na importância do reconhecimento da regionalização e da compartimentação em eventos sanitários. A medida visa evitar interrupções amplas do comércio em razão de ocorrências localizadas, em consonância com os padrões internacionais. Também foi manifestado interesse em avançar na habilitação de plantas brasileiras para a exportação de pescado ao mercado russo.
O ministro Fávaro reiterou, ainda, o compromisso do Brasil em avançar na certificação eletrônica veterinária, destacando o instrumento como fundamental para a modernização dos processos, a redução de riscos logísticos e o aumento da eficiência bilateral.
Outro ponto abordado foi o incentivo ao intercâmbio entre estudantes brasileiros e russos, com o objetivo de promover a troca de conhecimento e experiências nas diferentes formas de produção agropecuária.
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Coopera Paraná mais que dobra número de projetos inscritos
Quarta edição do programa alcança 224 propostas de cooperativas e associações da agricultura familiar, crescimento de 124% em relação a 2023, com quase R$ 310 milhões em projetos e previsão de até R$ 100 milhões em investimentos do Estado.

O número de inscrições de cooperativas e associações da agricultura familiar para a mais recente edição do Programa Coopera Paraná mais do que dobrou em relação à edição anterior. De acordo com o levantamento dos inscritos no atual Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, foram 224 cadastros completos de Projetos de Negócios, o que representa 124% de aumento em relação a 2023, que teve 100 projetos inscritos.

Foto: Divulgação/Seab
O número da atual edição é recorde, que já entra para a história como a maior edição do Coopera Paraná. As propostas somam quase R$ 310 milhões.
O Coopera Paraná é o Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar do Paraná, uma ação do Governo do Estado, por meio da Seab, com o objetivo de fortalecer as organizações, como cooperativas e associações, como instrumentos para melhorar a competitividade e a renda dos agricultores familiares. Esta é a quarta edição do programa, que foi criado em 2019.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, destaca a importância do programa para aumento da competitividade dos produtos da agricultura familiar e geração de renda no campo. “Este é um programa que auxilia no fortalecimento das cooperativas e associações de agricultores familiares em todas as regiões do Paraná. Ele vai gerar mais renda, ampliar a capacidade produtiva, ajudar a acessar novos mercados e promover crescimento, cumprindo com o objetivo de melhorar a vida do produtor rural”, disse.
Investimento
Nesta edição, o programa conta investimento de até R$ 100 milhões em recursos do Governo do Estado, com um valor para cada Projeto

Foto: Divulgação/Seab
de Negócio de até R$ 2,2 milhões, limite substancialmente superior ao de editais anteriores. Do total previsto, R$ 90 milhões são destinados a investimentos e R$ 10 milhões a despesas de custeio.
Nesta semana, com o prazo de inscrições do Coopera Paraná encerrado, iniciou-se a fase de análises técnicas, seleção e classificação de projetos de negócios, que resultará em uma lista de projetos selecionados e classificados da maior para a menor pontuação.
Para aqueles interessados que não conseguiram concluir a inscrição neste edital, a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, reforça que o programa vem se consolidando como uma política pública permanente no Estado, com lançamentos bienais de edital de chamamento público, portanto é possível já ir se preparando para cumprir os requisitos no próximo edital, que deve sair em 2027. “Para aqueles que tentaram, mas não conseguiram submeter um projeto, ou venham a ser desclassificados nesse edital, que se preparem e não desanimem. Busquem se estruturar enquanto cooperativa ou associação, profissionalizem a gestão para terem toda a documentação em dia e se planejem para ampliar as chances de aprovação no futuro”, ressaltou a Julian.
Ajustes de documentação
Segundo a coordenação do Coopera, todos os inscritos devem ficar muito atentos às suas caixas de e-mails durante a etapa de análise e seleção de projetos, pois ajustes de documentos podem ser solicitados nos próximos dias, via notificação formal, e o prazo para regularização da documentação é de 24 horas, de acordo com o item 15.4 do edital.

Foto: Divulgação/Seab
Os que ainda precisam entregar uma atualização do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) de Pessoas Físicas ou da Pessoa Jurídica, por conta da indisponibilidade temporária do sistema informada na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), devem enviar o extrato do CAF até o dia 07 de fevereiro via e-mail (cooperativismo@seab.pr.gov.br), inclusive a relação de beneficiários.
Programa Coopera Paraná
Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar. No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.
O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).



