Notícias
Nova recordista mundial Girolando ½ sangue traz o material genético da CRI
De acordo com o supervisor de vendas da CRI Genética para ES, MG e RJ, Oswaldo Lopes, o touro Everett contribuiu muito para a raça Girolando, enquanto reprodutor da bateria de leite da central. A CRI Genética trabalha para a produção de leite de qualidade e com lucratividade, conquistas como essas vêm no pacote.
A Fazenda Cachoeira, tradicional plantel de Gir Leiteiro, começou com a raça Girolando há alguns anos e colhe, atualmente, os frutos do trabalho de melhoramento aliado ao atendimento prestado pela CRI, que indica os animais ideais para cada criatório. Fizemos esse acasalamento há quatro anos, para isso, buscamos um touro que aliasse muita produção de leite, com equilíbrio de sistema mamário e conformação, e o reprodutor Everett da CRI foi um animal que atendeu aos requisitos, declara Adriano Bicalho, da Fazenda Cachoeira.
Bruno Scarpa, gerente de produto leite da CRI, declara que quando um cliente alcança um recorde como esse, ocorre a confirmação da qualidade do trabalho que prestamos. A quebra de um recorde mundial é a consagração de um trabalho muito bem feito. Ele começa nos Estados Unidos com a seleção dos touros que são trazidos para o Brasil. A partir das escolhas, ocorre uma correta indicação dos técnicos e representantes da CRI para os clientes, quanto à utilização, boa recria e demais informações. Tudo isso para o sucesso da fazenda como um todo.
Fonte: Ass. Imprensa

Notícias
Brasil amplia cooperação com a África em projeto de pecuária sustentável
Embrapa articula parcerias e leva tecnologias para sistemas produtivos tropicais e semiáridos.

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) participam, de 30 de março a 5 de abril, de uma missão técnica internacional na Etiópia com o objetivo de estruturar um plano de trabalho para a primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI) da estatal. A iniciativa integra o acordo firmado com o grupo etíope Kerchanshe, em busca de validar e adaptar tecnologias brasileiras às condições produtivas do Leste Africano.
A ação representa um avanço estratégico na cooperação Sul-Sul, ampliando a presença institucional da Embrapa no continente africano, e promovendo soluções sustentáveis para sistemas pecuários em ambientes tropicais e semiáridos. O ponto alto da programação inclui reuniões técnicas, visitas de campo e a realização do “Brazilian Technology Reference Farm – 1st Working Meeting”, no dia 2 de abril, em Adis Abeba, reunindo representantes de governos, instituições de pesquisa e setor produtivo dos dois países.
A URTI contará com a participação de instituições locais e internacionais, como o Ethiopian Institute of Agricultural Research (EIAR) e a Universidade de Bishoftu, além do apoio do Ministério da Agricultura e da adidância agrícola do Brasil na Etiópia. Essa é a primeira missão técnica da Embrapa após a abertura do Escritório de Cooperação Técnica, em fevereiro deste ano.
Transferência de tecnologia e adaptação local

Inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África (fevereiro de 2026) – Foto: Divulgação
Como o principal foco da missão é consolidar o plano de trabalho na Oro Meat Farm, propriedade do grupo parceiro, ali serão testadas tecnologias voltadas à intensificação sustentável da produção de carne.
Entre os temas prioritários estão melhoramento genético do rebanho, biotecnologias reprodutivas, nutrição animal, bem-estar e sistemas integrados de produção, incluindo integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e estratégias de retenção de água no solo.
A proposta deve considerar as características dos sistemas produtivos locais, predominantemente baseados em pequenas propriedades, integração entre lavoura e pecuária e forte dependência das chuvas. Na região do Rift Valley etíope, os sistemas agropecuários são multifuncionais, com bovinos utilizados não apenas para produção de carne, mas também para tração, geração de renda e fertilização orgânica.
A delegação é composta pelos pesquisadores Mariana de Aragão Pereira (economia rural), Valdemir Antonio Laura (diagnóstico de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e microbarragens), Roberto Giolo de Almeida (protocolos e pecuária de baixo carbono), Eriklis Nogueira (biotecnologia e reprodução) e Davi Bungenstab (pecuária de baixo carbono), todos da Embrapa Gado de Corte.
José Ednilson Miranda, representante da Embrapa nessa cooperação com os países africanos, explica que para a construção do projeto executivo a oficina do dia 2 contará com cerca de 40 instituições nacionais (etíopes) e internacionais, que incluem a União Africana, o Banco Mundial, AfDB, CGIAR, várias universidades e grupos empresariais locais.
“A ideia é trazê-los como parceiros nesta iniciativa, cada um com sua expertise e colaboração. No campo diplomático e comercial, a articulação visa também abrir portas para que empresas brasileiras do setor privado exportem insumos, maquinários e serviços genéticos”, afirma o pesquisador. O resultado final desta jornada ainda servirá como vitrine tecnológica da Embrapa, como preparativo para a participação da Empresa na COP-32, que será realizada aqui na Etiópia no ano que vem.
Notícias
Plantio de trigo safrinha no Brasil Central exige atenção às recomendações técnicas
Janela segue até meados de maio e demanda cuidado com clima, manejo do solo e escolha de cultivares para garantir boa produtividade.

O período recomendado para o plantio do trigo de segunda safra (safrinha) ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central vai de março até meados de maio, e os produtores devem ficar atentos a questões climáticas, ao manejo adequado do solo e da lavoura, bem como à escolha da cultivar para obterem sucesso na colheita da safra 2026.
Na região, o trigo safrinha pode ser cultivado logo após a colheita da soja e sem irrigação, aproveitando as águas do final da estação chuvosa. De baixo investimento, a cultura tem se mostrado vantajosa para o sistema de produção tanto devido aos benefícios agronômicos – como diversificação de culturas, quebra de ciclo de pragas e doenças e a cobertura de áreas que ficariam em pousio – quanto à rentabilidade que pode proporcionar, a depender do mercado.

Foto: Fábio Carvalho
Apesar do atual cenário ser de redução de área em nível nacional para a próxima safra (Conab, fev2026), na região do Cerrado os produtores estão otimistas com a cultura devido não apenas aos benefícios agronômicos como também aos bons rendimentos de grãos obtidos no ano passado. A tendência é de manutenção da área plantada, ou até um leve aumento na região. Em 2025, foram cultivados cerca de 290 mil hectares de trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% dessa área com trigo sequeiro. Em Goiás, estima-se uma área plantada em torno de 80 a 90 mil hectares este ano.
O trigo tem sido bastante cultivado, no Brasil Central, em Sistema Plantio Direto, sobretudo em sucessão à soja e em rotação com o milho e o sorgo, garantindo a diversificação das culturas e a diminuição de riscos. Ao promover a rotação de cultivos, o trigo possibilita também a rotação dos princípios ativos de produtos como os herbicidas usados para controlar plantas daninhas resistentes ao glifosato em lavouras de soja transgênica, bem como plantas de soja e milho tiguera (germinadas após a colheita), contribuindo para o vazio sanitário que deve ser iniciado nos meses inverno.
O cultivo do trigo após a soja traz outra vantagem ao sojicultor, ao permitir o uso de cultivares de soja de ciclos mais tardios, que geralmente apresentam tetos produtivos maiores que os de variedades precoces e superprecoces, ciclos mais compatíveis com o milho safrinha. “E depois que é colhido, o trigo deixa uma excelente palhada, favorecendo o plantio direto da safra seguinte de verão”, completa o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (RS).
Devido à época de semeadura anterior à das demais regiões tritícolas do Brasil, o trigo produzido no Cerrado do Brasil Central é o primeiro a ser colhido na safra do País, podendo obter preços mais atrativos na comercialização.
“Aqui na região, o trigo safrinha é colhido no período seco do ano, entre junho e julho. Isso tem garantido um produto de elevada qualidade de grãos e livre das micotoxinas que costumam afetar lavouras do Sul do País nos anos em que chove muito durante a colheita”, observa Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados (DF). Ele acrescenta que os rendimentos das lavouras do Cerrado têm variado de 35 a 85 sc/ha em anos com precipitações dentro da média, e as receitas com as vendas têm estimulado os produtores a ampliarem a área cultivada na região.
Os passos para uma boa colheita
O trigo de sequeiro é indicado para cultivo em regiões de altitude igual ou superior a 800 metros. É fundamental que o produtor saiba a altitude média de sua região antes de planejar o plantio da cultura, bem como as janelas com menor risco climático para as lavouras.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
As portarias com as informações sobre o zoneamento agrícola de risco climático para o trigo estão disponíveis na página do Ministério da Agricultura e Pecuária, acesse clicando aqui, e no aplicativo Zarc Plantio Certo, da Embrapa, também disponível para Android e iOS, acesse clicando aqui.
Em seguida, deve ser feita a análise do solo. Albrecht e Chagas ressaltam que o solo de Cerrado deve ser corrigido quanto à acidez com o uso de calcário, e o alumínio em profundidade deve ser neutralizado com aplicação de gesso agrícola. “O solo também deve estar livre de camadas compactadas para que as raízes das plantas se aprofundem e aproveitem melhor a água e os nutrientes”, diz Albrecht, acrescentando que essa condição minimiza os efeitos dos períodos sem chuva, como os veranicos.
Os problemas com a falta de chuvas também podem ser mitigados com a adoção do Sistema Plantio Direto, com a semeadura direta do trigo sem a incorporação na palhada da cultura de verão. Entre outros benefícios, a palhada protege o solo das altas temperaturas, pois amenizam a perda de água por evapotranspiração e permite maior infiltração da água das chuvas.
A semeadura deve ser realizada do início de março até o final do mês, de acordo com as precipitações na região. Os pesquisadores recomendam que onde as chuvas param mais cedo, o trigo safrinha deve ser plantado agora no começo de março. O escalonamento da semeadura, ou seja, semear as áreas em diferentes momentos dentro do período recomendado, podem ser uma boa estratégia.
“O produtor pode, ainda, optar por semear cultivares de ciclos diferentes. Dessa forma, a lavoura terá talhões com plantas em diferentes estádios de desenvolvimento. Se ocorrer falta de chuva, o risco todo o plantio ser afetado num único momento crítico, como a floração das plantas, por exemplo, é bem menor”, explica Jorge Chagas, salientando a importância de seguir as recomendações de manejo específicas para cada cultivar, como a densidade ideal de semeadura.
A escolha da cultivar é outro fator estratégico para o trigo safrinha. No início da janela de plantio, recomenda-se o uso de cultivares mais tolerantes a doenças, sobretudo as manchas foliares e a brusone, doença fúngica que se desenvolve em meio à umidade e pode causar grandes prejuízos em anos de muita chuva em abril e maio na região do Cerrado do Brasil Central.
Por outro lado, no caso das semeaduras mais tardias (após o dia 15 de março), o produtor deve lançar mão de cultivares mais tolerantes à seca. Isso porque a baixa precipitação e temperaturas acima da média também podem causar prejuízos, principalmente pelos veranicos que comumente ocorrem nesse período.
A Embrapa tem cultivares adaptadas à região

Fotos: Gilson Abreu/AEN
Para o cultivo do trigo safrinha no Brasil Central, a Embrapa oferece duas opções de cultivares adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical: a recém-lançada BRS Savana e a BRS 404.
A cultivar BRS Savana foi desenvolvida para cultivo em sistema de sequeiro em ambiente tropical. De porte baixo e com ciclo precoce, pode ser colhida 100 dias após o plantio, o que representa menor dependência de água. A semeadura é indicada para a primeira quinzena de março para aproveitar as últimas chuvas no Brasil Central. Apresenta moderada resistência à brusone, garantindo menor impacto ambiental com o uso de fungicidas, graças à translocação do gene 2NS/2AS, que reduz consideravelmente a severidade da doença.
Classificada como trigo pão e testada e validada por moinhos da região, a cultivar tem o potencial de rendimento de 80 sc/ha, sendo indicada para o cultivo em sequeiro em Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e parte dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.
A nova cultivar será apresentada pela Embrapa Cerrados e pela Embrapa Trigo na AgroBrasília 2026, que será realizada de 18 a 23 de maio no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, Distrito Federal.
Desenvolvida para condições de baixa precipitação, a BRS 404 aproveita bem a umidade do solo e o restante das chuvas do final do período das águas (março, abril e maio) no Brasil Central.
A cultivar se destaca pela maior tolerância ao déficit hídrico, ao calor e ao alumínio no solo, além de produzir elevada quantidade de palhada e ainda garantir uma excelente qualidade tecnológica de grãos. Apresenta ciclo precoce (105 a 118 dias), o período entre a semeadura e o espigamento é de 57 a 67 dias, dependendo do local e da altitude do cultivo. Apresenta susceptibilidade moderada à brusone e à mancha amarela, sendo indicada a sua semeadura no final da janela de plantio, após o dia 20 de março na região.

“No Planalto Central, a produtividade da BRS 404 pode chegar a 60 sc/ha, contanto que as chuvas sejam bem distribuídas no período de safrinha. Já em algumas regiões com maior volume de chuvas, como é o caso do Sul de Minas Gerais, os produtores têm obtido produtividades de até 80 sc/ha com a cultivar”, diz Júlio Albrecht.
A BRS 404 é classificada como trigo pão, e mesmo em anos de menos chuvas, os pesos hectolítricos (PH) de grãos têm sido superiores a 80 kg/hl, garantindo a boa aceitação pelos moinhos do Brasil Central. A força de glúten (W), medida do trabalho (energia) de deformação da massa e que indica a força de panificação da farinha, varia de 250 a 400 x 10-4 J – bem superior à W mínima exigida pelos moinhos (220 x 10-4 J). Outra característica industrial de destaque é a elevada estabilidade (tempo de batimento da massa): acima de 15 minutos, o que favorece a panificação.
Notícias
IDR-PR garante qualidade da soja, farelo e milho embarcados no Porto de Paranaguá
No Pátio de Triagem, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná atua como braço fiscalizador, garantindo que as análises feitas por empresa privada sigam rigorosamente as normas.

A presença do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) no Porto de Paranaguá, Litoral do Estado, é um pilar estratégico para o agronegócio paranaense, consolidando a confiança dos mercados mais exigentes do mundo. O órgão é o responsável por auditar a recepção e o controle de qualidade das cargas de soja, milho e farelo de soja que chegam no Pátio de Triagem e, também, pela classificação desses produtos transportados por linha férrea.
Historicamente, essa atuação teve início ainda em meados dos anos 80, sob o legado da antiga Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), sendo fundamental para a padronização dos grãos e a garantia de que a carga embarcada nos navios segue todos os padrões de qualidade exigidos.
No intenso fluxo logístico do Pátio de Triagem, por onde os caminhões têm passagem obrigatória para poderem descarregar no porto, o IDR-Paraná atua como braço fiscalizador. Uma empresa privada contratada pela Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (ATEXP) executa o serviço operacional de controle de qualidade e coleta de amostras nos milhares de caminhões que chegam diariamente. O IDR-PR desempenha o papel crucial de auditagem, como “olho do Estado” no porto, garantindo que as análises feitas pela iniciativa privada sigam rigorosamente as normas vigentes, assegurando justiça na classificação tanto para quem produz quanto para quem compra.
O coordenador do Pátio de Triagem, Bruno de Paula Guimarães, da empresa pública Portos do Paraná, explica que a classificação tem um papel decisivo para a qualidade da exportação. “Os caminhões devem passar obrigatoriamente pelo pátio e garantir a qualidade da sua carga. Caminhão por caminhão é analisado e feita uma coleta de amostra para análise. Caso essa carga esteja apta, ela segue com destino ao Corredor de Exportação”, informa. “E o papel do IDR-Paraná é fundamental para auditar o trabalho da empresa classificadora e garantir que os procedimentos e normas de confiabilidade exigidos estejam sendo seguidos em todo o processo”, ressalta Guimarães.
Diferente do sistema rodoviário, o serviço de classificação no setor ferroviário é de responsabilidade integral do IDR-Paraná, que conta com parcerias de controladoras privadas. O Instituto mantém as suas equipes técnicas operando diretamente na área de trens, auditando o processo da classificação realizada pelas empresas privadas controladoras credenciadas por ele. O volume de carga é massivo e exige precisão absoluta. Essa atuação direta do Estado no modal ferroviário garante que o fluxo de grandes composições carregadas com soja, milho e farelo mantenham a conformidade técnica necessária para o abastecimento dos navios, sem margem para erros.
Modelo diferenciado
Segundo o gestor da qualidade e classificação do IDR-Paraná, Wagner Spirandelli, o Porto de Paranaguá é diferente dos demais portos do Brasil por ser o único a contar com o sistema “pool” de exportação. “O modelo logístico é voltado para que os grãos e farelos sigam até os navios através do Corredor de Exportação. Isso consiste em fazer estoques de grãos para que o embarque receba os produtos de todos os terminais de origens diferentes. Para que a qualidade não se perca, foi criado o mecanismo de controle da qualidade na formação dos estoques de exportação para ambos os modais de transporte. No transporte ferroviário o IDR-Paraná responde plenamente pela qualidade. Ele é o responsável final de recepção dos estoques que vem por ali”, explica Spirandelli.
Infraestrutura de ponta
Para sustentar esse rigor técnico, o IDR-Paraná mantém uma infraestrutura de ponta dentro do complexo portuário. Além de manter equipes presentes 24 horas em pontos de atuação no Pátio de Triagem e no setor ferroviário, há em Paranaguá um laboratório especializado nas análises de amostras, com laboratoristas de quadro próprio. Neste centro tecnológico são realizados testes físico-químicos detalhados que vão além da simples classificação visual dos grãos. O laboratório é o responsável por certificar a qualidade intrínseca do produto, como o teor de proteínas totais, gordura residual e umidade, como principais ensaios, assegurando que os padrões exigidos pelos contratos internacionais sejam atendidos antes do embarque.
“Fazemos a análise completa do farelo”, conta a laboratorista do IDR-Paraná, Juliana Costa. “Quando chega a amostra, que pode ser de um lote ou de apenas um caminhão ou vagão, processamos a moagem, depois pesamos, testamos a quantidade de proteína, umidade, gordura, presença de fibra, cinzas e até de areia presente na amostra. A responsabilidade é grande. Querendo ou não, são os nomes do Paraná e do Brasil que estão indo junto com a carga exportada. Sempre buscamos mandar o melhor farelo possível para fora”, finaliza.
Um dos diferenciais competitivos assegurados pelo laboratório é a análise precisa dos níveis de proteína no farelo de soja. Em um cenário global onde a nutrição animal e humana demanda especificações exatas, garantir a quantidade de proteína em conformidade com as exigências internacionais é o que diferencia o produto paranaense em mercados “premium”, como o europeu e o asiático.
Poucas intercorrências
Atuando no porto há 37 anos, o técnico de classificação do IDR-Paraná, Nilton Cezar Gonçalves, que começou a carreira na operação coletando grãos e hoje coordena o trabalho, diz que a presença das equipes técnicas no local auxilia a manter o diferencial competitivo dos produtos paranaenses. “Intercorrências com cargas fora do padrão hoje são muito pontuais e aleatórias, com uma resposta muito rápida da equipe, inclusive quando há um ou outro caso de suspeita de crime. Temos parceria com o Ministério da Agricultura, com a Polícia Federal, autoridades portuárias, Polícia Militar e Guarda Municipal que agem prontamente. Nossos técnicos também são muito experientes, com capacidade de identificar qualquer anomalia de uma carga de imediato”, destaca Gonçalves.
Triagem
A fiscalização rigorosa, que abrange soja, milho e farelo de soja, previne perdas econômicas e protege a reputação do Paraná. E o trabalho se reflete em números. Em 2025, o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá atingiu um novo recorde ao receber 507.915 caminhões, o que representou 29,5% a mais do que em 2024 (392.214). O local conta com 330 mil m² e mil vagas de estacionamento.
Outro recorde atingido pela unidade no último ano foi o de movimentação diária. Em 24 horas, entre os dias 21 e 22 de julho, 2.523 caminhões carregados de grãos e farelos passaram pelo pátio, 4% a mais do que o recorde anterior, registrado em julho de 2023, quando 2.456 veículos acessaram o local. O marco superou, com sucesso, a projeção de atendimento da unidade, que é de 2.500 caminhões.
Todo esse fluxo é meticulosamente controlado pelo sistema Carga Online, que informa às empresas o dia e a janela de horário em que o caminhão poderá acessar a triagem. Isso evita que os veículos trafeguem pelas rodovias de forma antecipada, fazendo paradas desnecessárias, que podem gerar filas ou lentidão no tráfego. O mesmo sistema controla a destinação dos caminhões aos terminais exportadores, evitando impactos no trânsito da região portuária.
Em 2025, a commodity que mais movimentou o Pátio de Triagem foi a soja em grão. Mais de 61% dos caminhões (306.801) que acessaram a unidade estavam carregados com o produto. O farelo de soja ficou em segundo lugar, com 24,5% (122.647 caminhões), seguido pelo milho (69.978 caminhões). Os meses de março e julho registraram os maiores volumes de veículos.
Segundo a Portos do Paraná, foram as estratégias logísticas no Pátio de Triagem que permitiram esse fluxo, com uma operação mais ágil até o embarque das cargas. Outro fator responsável pelo movimento mais intenso no pátio, conforme a Portos do Paraná, foi a maior capacidade de embarque dos navios em uma única operação, em razão do aumento do calado operacional — distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação. Em setembro de 2025, houve um aumento do calado operacional nos berços de granéis sólidos, que passou de 13,1 metros para 13,3 metros. A ampliação permitiu um crescimento médio de até 1,5 mil toneladas por navio.
É assim que as commodities exportadas pelo Porto de Paranaguá recebem prêmio na cotação pela Bolsa de Valores de Chicago (NYSE Chicago), alavancadas pelo tripé: agilidade nos embarques de navios, confiança no peso e garantia da qualidade contratada.
