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Nova proposta para tabela de fretes sofre críticas de caminhoneiros e empresários

Metodologia foi desenvolvida pela Esalq-Log, da USP

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Arquivo/OP Rural

A nova metodologia para cálculo de fretes mínimos apresentada em audiência pública na terça-feira (14) atraiu críticas de caminhoneiros e empresários, em uma sessão lotada e tensa, na qual ficou claro que há ainda muitos pontos a serem equacionados antes que o setor de transporte do país possa afastar ameaças como greve de motoristas.

A metodologia foi desenvolvida pela Esalq-Log, da USP, e recebeu inscrições para manifestação oral de mais de 50 pessoas na audiência pública realizada na cidade de São Paulo. A reunião foi a segunda de uma série de quatro, antes que a nova tabela de pisos mínimos de frete entre em vigor em 20 de julho. As audiências têm como objetivo recolher sugestões para eventual inclusão na metodologia pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As próximas serão em Porto Alegre, na quinta-feira (16), e Brasília, em 23 de maio.

Caminhoneiros autônomos, sindicalistas, empresários de transporte, representantes de entidades de agronegócio e do setor industrial participaram do evento. Enquanto os motoristas citaram questões como dificuldades geradas pela ação de atravessadores de carga e os constantes reajustes no preço do diesel pela Petrobras, o setor privado mencionou ilegalidade do tabelamento, problemas para a produtividade e imposição de custos indevidos.

Em sua fala, o economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan, afirmou que os valores de frete calculados pela tabela da Esalq são menores do que os tabela atual, o que comprovaria que as empresas estão sendo obrigadas a pagar mais pelo frete desde a implementação do tabelamento, em meados do ano passado.

Por conta disso, Furlan defendeu anistia de multas para empresas que desrespeitaram a regra vigente. “Foi imposto custo real, inaplicável, e por isso não faz sentido punir as empresas”, disse Furlan, recebendo uma sonora salva de vaias de representantes de caminhoneiros.

O vice-presidente da Associação dos Caminhoneiros do Sul Fluminense (Acasulf), Nelson de Carvalho Jr., também entendeu que a metodologia proposta pela Esalq-Log resulta em preços mínimos de frete abaixo dos estabelecidos pela regra atual.

“É pior que antes da greve”, disse ele, referindo-se à paralisação dos caminhoneiros de maio do ano passado. “E com o diesel sendo reajustado várias vezes, fica inviável”, acrescentou. Ele citou que a entidade representa cerca de 1.000 motoristas autônomos e não está defendendo declaração de greve de caminhoneiros antes do fim das audiências e da definição final da tabela. “Estamos segurando porque tem as audiências, mas tem muito caminhoneiro que não aguenta esperar até julho”, disse ele.

Os reajustes da Petrobras, contudo, estão mais espaçados. Neste mês, foi realizado apenas um, de 2,57%, e em abril também o combustível foi reajustado uma única vez, em 4,8%, uma prática diferente do que motivou os protestos de maio do ano passado, quando as atualizações eram feitas quase que diárias.

Desafios

As dificuldades em torno do ato de se tabelar o frete são inúmeras, segundo as manifestações na audiência. Enquanto a equipe da Esalq montou uma matriz com 11 tipos de carga, incluindo granéis sólidos e líquidos, frigorificadas e perigosas, representante da Câmara Técnica de Granéis e Sólidos (CTGS) lembrou de cargas que são descarregadas pressurizadas, uma atividade que roda 1 bilhão de quilômetros por ano e consome anualmente 50 milhões de litros de diesel.

“Estamos tentando trazer uma contribuição para este segmento, para se definir estruturas de custo… É um trabalho de natureza incremental, não vai se resolver até 20 de julho”, disse o coordenador da Esalq-Log, José Vicente Caixeta, que apresentou a metodologia na terça-feira (14). Ele se referiu a outros dois ciclos de revisão da metodologia, com os próximos no início e meados do ano que vem. Caixeta afirmou que a proposta não considera lucro dos transportes e despesas como pedágio e tributos. “Existe abertura para negociação entre ofertantes e demandantes de carga”, disse ele.

A metodologia considera caminhões com dois a nove eixos e define valor mínimo de frete de acordo com o tipo de carga por meio de uma equação que tem como variáveis a distância a ser percorrida pela carga e custos fixos e variáveis do deslocamento.

Mas houve pedidos para consideração do peso da carga no cálculo, mencionado por empresário do setor de asfalto do sul do país, e reclamações como a do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), que citou que a tarefa de atravessar a Serra do Mar saindo de Santos eleva o consumo de combustível dos veículos que carregam contêineres.

Do lado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Betancourt, diretor da área de agronegócio da entidade, afirmou que a “história mostra que tabelamento nunca deu resultado. O trabalho da Esalq-Log é excelente, mas não existe como controle de preços dar certo. São mais de 10 tabelas, 38 variáveis, isso dá conflito”. “Defendemos que vocês (caminhoneiros) se unam a nós no apoio às reformas econômicas, porque não adianta tabela com preço bom e não ter frete”, disse Betancourt. “Para caminhoneiro ganhar dinheiro, precisamos voltar a crescer.”

E, para além da tabela, o diretor da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) Markenson Marques cobrou a aprovação do marco regulatório do transporte rodoviário, que está no Senado desde meados do ano passado.

“A tabela não resolve… O que resolverá é o marco regulatório, como é que existem no país 145 mil empresas transportadoras? O marco vai combater a concorrência desleal”, disse ele, citando transportadoras de fachada, que agem mais como intermediárias contratando autônomos a preços irrisórios para transporte de cargas de grandes companhias.

Fonte: Reuters
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Notícias Mercado

Mercado suíno aposta em demanda aquecida até metade de agosto

Primeira semana de agosto foi muito positiva para o mercado brasileiro de suínos em termos de demanda e de avanço nos preços

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Arquivo/OP Rural

A primeira semana de agosto foi muito positiva para o mercado brasileiro de suínos em termos de demanda e de avanço nos preços. A aposta é de que esse cenário se estenda ao longo da primeira metade de agosto. O analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, sinaliza que há relatos de boa fluidez de negócios ao longo da cadeia e a oferta ajustada de animais garante suporte aos preços. “A entrada da massa salarial, o dia dos Pais, o processo de flexibilização da quarentena e os altos preços da carne bovina são fatores favoráveis no curto prazo ao consumo de carne suína”, sinaliza.

Maia salienta que os animais permanecem sendo abatidos com pesos leves em grande das praças acompanhadas, o que ajuda no ajuste da disponibilidade da carne. “Além disso, os granjeiros estão em busca de reajustes para o suíno vivo em todo o país por conta do alto custo de produção, que está em tendência de alta acompanhando o preço do milho e do farelo de soja”, afirma.

Levantamento de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil avançou 4,75% ao longo da semana, de R$ 5,62 para R$ 5,89. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado passou de R$ 9,63 para R$ 10,01, aumento de 4,01%. A carcaça registrou um valor médio de R$ 9,65, ante os R$ 9,06 praticados na semana passada, com valorização de 6,48%.

Outro ponto que ajuda a manter o mercado brasileiro com uma oferta enxuta é o forte ritmo de exportações, puxadas pelas compras da China. As exportações de carne suína fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 191,569 milhões em julho (23 dias úteis), com média diária de US$ 8,329 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 90,222 mil toneladas, com média diária de 3,922 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.123,30.

Na comparação com julho de 2019, houve avanço de 36,12% no valor médio diário exportado, ganho de 46,74% na quantidade média diária e retração de 7,23% no preço. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

A análise semanal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo subiu de R$ 123,00 para R$ 136,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo passou de R$ 4,30 para R$ 4,40. No interior do estado a cotação aumentou de R$ 5,95 para R$ 6,20.

Em Santa Catarina o preço do quilo na integração teve alta de R$ 4,40 para R$ 4,50. No interior catarinense, a cotação avançou de R$ 6,05 para R$ 6,50. No Paraná o quilo vivo aumentou de R$ 6,00 para R$ 6,10 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo avançou de R$ 4,40 para R$ 4,45.

No Mato Grosso do Sul a cotação na integração subiu de R$ 4,40 para R$ 4,50, enquanto em Campo Grande o preço avançou de R$ 5,10 para R$ 5,50. Em Goiânia, o preço aumentou de R$ 6,80 para R$ 7,00. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno passou de R$ 7,00 para R$ 7,40. No mercado independente mineiro, o preço subiu de R$ 7,10 para R$ 7,50. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado aumentou de R$ 4,20 para R$ 4,40. Já em Rondonópolis a cotação passou de R$ 5,20 para R$ 5,60.

Fonte: Agência SAFRAS
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Preços do milho seguem trajetória altista com oferta controlada

Mercado brasileiro de milho não alterou o cenário de preços firmes nesta última semana

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Arquivo/OP Rural

O mercado brasileiro de milho não alterou o cenário de preços firmes nesta última semana. Em todas as regiões houve avanços bem significativos nas cotações, refletindo um quadro de oferta controlada pelos vendedores, mesmo em meio à evolução da colheita da safrinha.

Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, os produtores estão restringindo a oferta, vendendo apenas o suficiente para o curto prazo. “O volume de lotes acaba sendo pequeno ao longo do dia e a procura acaba fazendo o preço”, afirma.

As recentes altas do dólar também elevam as cotações nos portos e influenciam o mercado físico. Mesmo com a colheita da safrinha, o produtor mostra-se capitalizado e assim dosa as negociações.

No balanço da semana, o preço do milho na base de compra no Porto de Paranaguá subiu de R$ 50,00 para R$ 54,00 a saca, alta de 8,0%.

Já no mercado disponível, o preço do milho em Campinas/CIF subiu na base de venda na semana de R$ 53,00 para R$ 55,00 a saca de 60 quilos, alta de 3,8%. Na região Mogiana paulista, o cereal passou de R$ 51,00 para R$ 53,00 a saca no comparativo, valorizando na semana 3,9%.

Em Cascavel, no Paraná, no comparativo semanal, o preço avançou de R$ 47,00 para R$ 49,00 aa saca na base de venda, alta de 4,3%. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação subiu de R$ 41,00 para R$ 45,00 a saca, elevação de 9,8%. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, houve alta de R$ 52,50 para R$ 55,00 (+4,8%).

Em Uberlândia, Minas Gerais, a cotações do milho subiram na semana de R$ 45,00 para R$ 50,00 a saca, valorização de 11,1%. Em Rio Verde, Goiás, o mercado passou de R$ 43,00 para R$ 46,00 a saca (+7,0%).

Fonte: Agência SAFRAS
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Mercado de frango registra demanda aquecida no Brasil

Mercado brasileiro de frango vivo registrou mais uma semana de preços firmes

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Divulgação/Alltech

O mercado brasileiro de frango vivo registrou mais uma semana de preços firmes, com leves mudanças nos valores praticados para o quilo vivo. “A tendência de curto prazo ainda remete para um cenário de alta nas cotações, em linha com a reposição ao longo da cadeia produtiva na primeira quinzena do mês”, avalia o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Iglesias.

No que tange aos custos de nutrição animal, a situação do farelo de soja ainda é preocupante, com preços bastante acentuados neste momento, o que leva a um aumento na busca por produtos substitutos, como a farinha de vísceras, farinha de sangue e do DDG´s. “A situação do milho também é atípica, diante da estratégia de retenção adotada pelos produtores, o que resulta em um descolamento dos preços e na busca por produtos substitutos, como a polpa cítrica”, avalia.

Iglesias afirma que o mercado atacadista se depara com preços firmes também e a expectativa ainda aponta para reajustes no curto prazo, em linha com a boa reposição entre atacado e varejo na primeira metade de agosto. “Além disso, a celebração do Dia dos Pais produz um interessante repique de consumo, o que pode motivar novos reajustes nos preços no curto prazo”, destaca.

De acordo com levantamento de SAFRAS & Mercado, no atacado de São Paulo os preços não tiveram algumas alterações para os cortes congelados de frango ao longo da semana. O quilo do peito no atacado seguiu em R$ 5,00, o quilo da coxa em R$ 5,10 e o quilo da asa em R$ 10,00. Na distribuição, o quilo do peito permaneceu em R$ 5,20, o quilo da coxa em R$ 5,20 e o quilo da asa em R$ 10,20.

Nos cortes resfriados vendidos no atacado, o cenário também foi de estabilidade nos preços durante a semana. No atacado, o preço do quilo do peito permaneceu em R$ 5,10, o quilo da coxa em R$ 5,20 e o quilo da asa em R$ 10,10. Na distribuição, o preço do quilo do peito continuou em R$ 5,30, o quilo da coxa em R$ 5,30 e o quilo da asa em R$ 10,30.

As exportações de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas do Brasil renderam US$ 446,877 milhões em julho (23 dias úteis), com média diária de US$ 19,429 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 337,480 mil toneladas, com média diária de 14,673 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.324,20.

Na comparação com julho de 2019, houve queda de 28,90% no valor médio diário, baixa de 9,23% na quantidade média diária e retração de 21,67% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

O levantamento semanal realizado por SAFRAS & Mercado nas principais praças de comercialização do Brasil apontou que, em Minas Gerais, o quilo vivo permaneceu em R$ 3,70. Em São Paulo o quilo vivo continuou em R$ 3,65.

Na integração catarinense a cotação do frango seguiu em R$ 3,00. No oeste do Paraná o preço na integração avançou de R$ 3,50 para R$ 3,60. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo se manteve em R$ 3,40.

No Mato Grosso do Sul o preço do quilo vivo do frango se manteve em R$ 3,65. Em Goiás o quilo vivo continuou em R$ 3,65. No Distrito Federal o quilo vivo seguiu em R$ 3,65.

Em Pernambuco, o quilo vivo continuou em R$ 4,45. No Ceará a cotação do quilo vivo permaneceu em R$ 4,40 e, no Pará, o quilo vivo prosseguiu em R$ 4,50.

Fonte: Agência SAFRAS
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