Peixes
Nova portaria moderniza regras de tarifa de energia para aquicultura
Setor passa a ter mais flexibilidade para definir horários de uso de energia com desconto, mas precisará alinhar operação com planejamento técnico e regras do sistema elétrico.

A atividade de aquicultura no Brasil passa a contar com novas diretrizes para o uso de energia elétrica com desconto na tarifa rural, conforme estabelece a Portaria Normativa MME nº 137, de 08 de junho de 2026. A norma mantém o benefício tarifário aplicado às unidades consumidoras da Classe Rural, incluindo a aquicultura, para consumo em um período diário de 08 horas e 30 minutos. A principal mudança está na forma de utilização desse período, que agora poderá ser definido de maneira mais flexível pelo produtor.

Foto: Ari Dias
O tempo de desconto poderá ser utilizado de forma contínua ou dividido em até três faixas diárias, respeitando intervalos mínimos de 30 minutos. A escolha dos horários deverá ser acordada com a concessionária de energia, com prioridade ao consumidor na definição da escala, exceto no horário de maior demanda do sistema elétrico, entre 17 horas e 21h30.
Para o setor de aquicultura, que depende diretamente de sistemas de bombeamento, aeração e circulação de água, a previsibilidade no custo e no uso da energia é um fator crítico de operação.
A portaria também permite a definição de escalas diferentes ao longo do ano, o que pode beneficiar ciclos produtivos distintos, conforme o tipo de cultivo e a intensidade de manejo das unidades aquícolas.
No entanto, a flexibilização traz consigo uma necessidade maior de organização operacional. Os horários escolhidos

Foto: Divulgação
passam a ser formalizados em contrato ou instrumento equivalente com a distribuidora de energia, exigindo planejamento mais rigoroso por parte do produtor.
Além do aspecto regulatório, a norma reforça a importância de decisões técnicas na definição dos períodos de uso. Assim como na irrigação, fatores como eficiência energética dos sistemas, estabilidade operacional e demanda de produção devem ser considerados na escolha dos horários.
A portaria também impõe às distribuidoras a obrigação de ampla divulgação das novas regras no prazo de até 60 dias, o que deve ampliar o conhecimento do setor sobre as mudanças.
Na prática, a nova regulamentação posiciona a energia como um insumo ainda mais estratégico para a aquicultura, exigindo integração entre gestão operacional, planejamento produtivo e eficiência energética para maximizar resultados.

Peixes
Pescador captura pintado de 18 quilos no interior do Paraná
Peixe foi capturado no Lago de Itaipu, na região do Arroio Guaçu, e se destaca entre os maiores exemplares da espécie já registrados recentemente em Mercedes.

O pescador mercedense Jango Silva fez uma captura rara nesta sexta-feira (19) no Lago de Itaipu. Durante uma pescaria na região do Arroio Guaçu, ele fisgou um pintado com cerca de 18 quilos, considerado um dos maiores exemplares da espécie registrados nos últimos anos em Mercedes, no Oeste do Paraná.
A captura chamou a atenção de pescadores e moradores da região pelo porte do animal. O pintado é uma das espécies mais valorizadas pelos praticantes da pesca esportiva e de lazer, tanto pela força durante a fisgada quanto pelo tamanho que pode alcançar.
O episódio também reforça a vocação de Mercedes para a atividade. Com acesso privilegiado ao Lago de Itaipu e grande diversidade de espécies nativas, o município se tornou um dos principais destinos de pesca do Oeste paranaense, atraindo visitantes de diferentes regiões do Estado e até de países vizinhos.
Capturas de grande porte, como a realizada por Jango Silva, são pouco frequentes e evidenciam a riqueza pesqueira do reservatório, um dos maiores lagos artificiais do mundo e importante área para a pesca esportiva na região.
Peixes
Cientista brasileiro recebe uma das maiores honrarias da biologia aquática
Pesquisador do INPA, Adalberto Luis Val será homenageado com a Medalha Le Cren pela contribuição ao estudo dos peixes amazônicos e pelos alertas sobre os impactos das mudanças climáticas na região.

O biólogo e pesquisador brasileiro Adalberto Luis Val será o primeiro cientista do Brasil e o primeiro representante de um país fora do eixo anglófono a receber a Medalha Le Cren, uma das mais importantes distinções internacionais na área da biologia aquática. A homenagem será entregue em 30 de julho, em Southampton, na Inglaterra, pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI).
Referência mundial em ecofisiologia de peixes amazônicos, Val dedica mais de quatro décadas à pesquisa no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), onde é colíder do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular. Em 2023, o cientista recebeu o Prêmio Fundação Bunge na categoria Vida e Obra e, atualmente, integra o Conselho de Administração da instituição como vice-presidente.

Biólogo e pesquisador brasileiro Adalberto Luis Val: “É uma grande honra receber esse reconhecimento” – Foto: Keiny Andrade/Fundação Bunge
Ao longo da carreira, suas pesquisas ajudaram a compreender como espécies da Amazônia respondem a fatores extremos, como altas temperaturas, baixos níveis de oxigênio e alterações na acidez da água.
Os estudos indicam que muitos peixes da região já vivem próximos de seus limites térmicos de sobrevivência, cenário que acende um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas. “É uma grande honra receber esse reconhecimento. Estudar os peixes amazônicos é compreender como a vida responde aos limites impostos pelo ambiente. Essas espécies nos ajudam a entender não apenas a história evolutiva da Amazônia, mas também os riscos que as mudanças climáticas representam para a biodiversidade e para as populações humanas que dependem desses ecossistemas”, afirma.
Impactos além da biodiversidade
Segundo o pesquisador, as consequências das mudanças climáticas ultrapassam a questão ambiental e podem afetar diretamente a segurança alimentar das populações amazônicas. A redução da disponibilidade de peixes, principal fonte de proteína para milhões de pessoas na região, é uma das preocupações apontadas por Val.

Foto: Divulgação
Além disso, períodos de seca mais intensos favorecem a ocorrência de incêndios florestais, que também provocam impactos sobre os ecossistemas aquáticos.
Autor de mais de 280 artigos científicos, 22 livros e 78 capítulos de livros, Adalberto Luis Val acumula mais de 10 mil citações acadêmicas e reúne uma série de reconhecimentos nacionais e internacionais. Entre eles estão a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, o Award of Excellence da American Fisheries Society e o próprio Prêmio Fundação Bunge.
O pesquisador também ocupou cargos estratégicos na ciência brasileira, como a direção do INPA entre 2006 e 2014 e a Diretoria de Relações Internacionais da Capes entre 2015 e 2016. Atualmente, é vice-presidente regional Norte da Academia Brasileira de Ciências.
Criada pela Fisheries Society of the British Isles, a Medalha Le Cren homenageia pesquisadores cujos trabalhos deixam contribuições duradouras para o avanço do conhecimento sobre peixes e ecossistemas aquáticos. A distinção leva o nome do biólogo britânico E. David Le Cren, referência mundial na área.
Peixes
Pesca fantasma ameaça espécies e mobiliza discussão sobre novas regras
Equipamentos perdidos ou abandonados continuam capturando animais e ampliam a preocupação com os impactos ambientais da atividade pesqueira.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reuniu na última semana, em Brasília, representantes do governo federal, organismos internacionais e entidades ligadas ao setor para discutir propostas de regulamentação e estratégias de gestão dos equipamentos de pesca perdidos, abandonados ou descartados, conhecidos pela sigla EPAD.

Foto: Divulgação/MPA
O tema foi debatido durante a Oficina Nacional de Capacitação e Construção Coletiva dos Caminhos Normativos sobre EPAD, iniciativa vinculada ao projeto internacional GloLitter Partnerships, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Marítima Internacional (IMO), em parceria com o ministério.
Participaram do encontro representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Marinha do Brasil, da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) e da Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais.
A discussão ocorre em um momento em que cresce a preocupação com os impactos ambientais causados pelos apetrechos de pesca descartados ou perdidos no ambiente aquático. Esses materiais podem permanecer por anos em rios e oceanos, capturando peixes, crustáceos e outras espécies de forma involuntária, fenômeno conhecido como pesca fantasma.
A oficina buscou reunir contribuições para a elaboração de normas e mecanismos de gestão voltados à prevenção, ao

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural
monitoramento e à destinação adequada desses equipamentos. Entre os objetivos também estão a redução da poluição marinha e o fortalecimento da governança pesqueira e oceânica no país.
A programação foi dividida em etapas, com apresentação de conceitos e experiências, rodas de diálogo entre os participantes e, por fim, a sistematização das propostas que poderão subsidiar futuras políticas públicas.
Segundo o secretário nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA, Carlos Mello, o encontro foi estruturado para reunir diferentes visões sobre o tema. “Agradecemos a presença dos representantes de organizações, inclusive internacionais. Aqui é um espaço aberto de escuta. Do conhecimento ao compromisso”, afirmou.
A oficina também integra as ações da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP), que reúne iniciativas voltadas à redução da poluição por resíduos sólidos em ambientes aquáticos brasileiros.



