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Nova plataforma reúne dados inéditos da indústria de insumos agrícolas
Portal centraliza informações sobre sementes, bioinsumos e defensivos, tornando visível um setor até então pouco acessível em informações estruturadas.

A CropLife Brasil lançou um novo portal de dados do setor de insumos agrícolas, o CropData. A plataforma reúne, em um só lugar e de forma inédita, informações referenciadas e estruturadas de sementes, bioinsumos e defensivos químicos, além de um consolidado setorial, com o objetivo de ampliar o acesso a indicadores estratégicos e confiáveis que servirão de base para decisões e análises baseadas em evidências sobre o agronegócio brasileiro.
A ferramenta utiliza tecnologia de Power Business Intelligence (Power BI) e permite que usuários consultem, visualizem e cruzem dados de forma dinâmica. A interface é intuitiva durante a navegação e possibilita recortes personalizados por modalidade de uso, tipo de produto e série histórica. O portal conta ainda com glossário consolidado para facilitar o entendimento dos termos mais técnicos.
Atualmente, estão contemplados no portal dados de faturamento, crédito, impostos, pesquisa & desenvolvimento, relações comerciais, empregos e salários, registros de produtos, ESG e uso/hectare, para o caso dos agroquímicos.
“O lançamento do CropData representa um marco para o setor de tecnologias agrícolas. A plataforma reúne informações estruturadas, permitindo que a academia, a imprensa e os formuladores de políticas públicas tenham acesso a dados de fontes públicas, tratados e organizados de forma a apoiar estudos, análises e decisões baseadas em evidências”, reforçou o presidente da CropLife Brasil, Eduardo Leão.
Como parte das ações que integram o esforço da CLB em se tornar referência na divulgação de dados do setor, estão a disponibilização de boletins trimestrais com análise consistentes de mercado e notas mensais, com informações atualizadas de registro de produtos agrícolas, aplicação e comércio exterior, entre outros.
A CropLife Brasil detalhou ainda a previsão de novos indicadores no hub de informações do CropData, previsto para o próximo ano, como: mercado de bioinsumos, ilegalidade no campo, capacitação de profissionais do campo, logística reversa e novas pesquisas técnicas com consultorias.
Estudo de mercado
A visão setorial e todo o arcabouço de informações cruzadas apresentados são resultados de novo estudo da CropLife Brasil, em parceria com a consultoria Markestrat Agrobusiness, que apresenta um balanço do ano de 2024, com base comparativa a 2022. O estudo aponta que o faturamento das indústrias do setor de insumos agrícolas (defensivos químicos, bioinsumos e sementes) atingiu R$ 114 bilhões no ano passado.
Do montante, é possível observar aumento de aproximadamente 30% no biênio (2022 x 2024) em bioinsumos (R$ 4,5 milhões). Apesar de mais de 2/3 do faturamento total ser respectivo a agroquímicos, a tecnologia apresentou retração de 20% (2022 x 2024). “Do ponto de vista econômico, o estudo mostra que, embora tenha havido retração no faturamento geral do setor em comparação a 2022, reflexo da normalização dos preços internacionais após o pico observado no pós-pandemia, observamos uma expansão importante na área tratada com bioinsumos, que cresceu cerca de 25% entre 2022 e 2024. Esse dado reforça o dinamismo e o potencial de crescimento da agricultura brasileira”, completou Maria Xavier, gerente de Assuntos Econômicos da CLB.
A inovação na agricultura é uma das funcionalistas que o portal também traz. O estudo apresenta que indústria investiu R$ 3,5 bilhões em 2024 em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de produtos, sendo 85% no segmento de sementes. Para os registros de novos produtos, a indústria investiu R$ 205 milhões sendo a maior parcela do dispêndio, 63%, direcionada ao custeio de processos de novos registros. Ao todo, foram 541 novos registros de químicos, 107 registros de bioinsumos e 2,5 mil novas cultivares. Os filtros no CropData permitem classificar por tipo.
Crédito
Em 2024, o crédito da indústria do setor totalizou R$ 81 bilhões e a modalidade Barter (R$ 12,6 bilhões) – operação de troca de produção agrícola por insumos ou serviços – cresceu 72% em comparação a 2022, em um cenário de instabilidade financeira. A adoção da modalidade alternativa de crédito se aplica em um momento em que o produtor rural viu aumento significativo dos seus custos de produção somado a preços de commodities mais baixos resultando em menor rentabilidade. “O crescimento da modalidade Barter é reflexo de um cenário de crédito mais restrito. Nesse tipo de operação, o agricultor trava antecipadamente parte da sua produção para quitar os insumos adquiridos, o que reduz os riscos tanto para ele quanto para a indústria. É um modelo de crédito que oferece segurança e previsibilidade: o produtor sabe quanto vai receber e a indústria tem garantia de pagamento. Trata-se de uma ferramenta típica do agronegócio brasileiro, que permite acesso a crédito com menor custo e menor exposição a riscos, algo pouco comum em outros países”, detalhou Renato Gomides, gerente de Assuntos Econômicos da CropLife Brasil.
Com o portal, a CropLife Brasil promove a transparência das informações do setor e auxilia no subsídio de indicadores quanto a inovação no setor, movimentação financeira, monitoramento do alcance a pautas ESG pela indústria e a evolução das relações comerciais globais.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



