Suínos
Nova plataforma integra dados laboratoriais e reforça vigilância sanitária na suinocultura
Sistema nacional reúne informações de laboratórios para antecipar riscos biológicos, apoiar defesa sanitária e fortalecer conceito de Saúde Única.

A suinocultura brasileira se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa Suínos e Aves disponibilizou esta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS). A plataforma integra dados de laboratórios de todo o país para antecipar riscos biológicos, otimizar a biosseguridade e fortalecer o conceito de Saúde Única, um “radar nacional” que transforma dados laboratoriais dispersos em inteligência para produtores e órgãos de defesa sanitária.
Até então, o monitoramento sanitário enfrentava o desafio da fragmentação: cada Laboratório de Diagnóstico Veterinário (LDV) utilizava sistemas e terminologias próprias. Em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Embrapa implantou padrões internacionais (como LOINC e SNOMED CT) para garantir que todos os laboratórios falem a mesma língua. Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, explica que como o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais, manter a saúde dos rebanhos é essencial, e a CISS permite análises preditivas e retrospectivas, tornando-se um instrumento inovador.
O projeto-piloto da plataforma já trouxe dados valiosos sobre a Pneumonia Enzoótica (Mycoplasma hyopneumoniae), um dos principais vilões do Complexo Respiratório Suíno (PRDC). Entre 2019 e 2025, foram analisados mais de 253 mil testes de PCR, o maior índice de positividade foi registrado em maio de 2022, quando 38% das amostras testaram positivo. Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina lideram as submissões de dados.
Além da pneumonia, estudos recentes integrados à plataforma identificaram o genótipo PCV2d como predominante no Brasil para o Circovírus suíno tipo 2, dado crucial para a atualização de protocolos de vacinação. A CISS não foca apenas na produtividade, mas na Saúde Única. A lógica é simples: animais saudáveis exigem menos antibióticos, o que reduz o impacto ambiental e previne a resistência antimicrobiana em humanos.
A vigilância é particularmente crítica para vírus como a Influenza A. Como os suínos podem ser infectados por vírus humanos e aviários simultaneamente, eles atuam como potenciais “vasos de mistura” para novas variantes. O monitoramento contínuo via CISS permite identificar precocemente agentes zoonóticos antes que se tornem ameaças à saúde pública global. Os próximos passos incluem a expansão da rede de laboratórios parceiros e a emissão de relatórios mensais para o setor. No horizonte tecnológico, a Embrapa planeja integrar Inteligência Artificial e Big Data para prever surtos com precisão matemática.
Para Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, o papel do veterinário moderno vai além da granja: “Eles estão na linha de frente da saúde global. O Brasil pode liderar soluções em sanidade que impactam positivamente todo o planeta”, finaliza.

Suínos
Incentivos públicos fortalecem suinocultura e impulsionam produção no Sul do País
Programas de apoio financeiro, assistência técnica e biosseguridade ampliam competitividade e renda no campo.

O município de Três Passos vem consolidando a suinocultura como uma das principais atividades econômicas locais por meio de políticas públicas voltadas ao incentivo produtivo, à biosseguridade e às boas práticas no meio rural. Entre as ações, destaca-se a concessão de subsídios financeiros e de horas-máquina aos suinocultores, calculados conforme o número de animais alojados.
Os incentivos abrangem serviços essenciais para a implantação, ampliação e modernização das granjas, como terraplanagem para novas estruturas, escavação de esterqueiras, adequação de áreas para embarque e desembarque de animais, melhoria dos acessos às propriedades e benfeitorias anexas, a exemplo de composteiras, escritórios e espaços para instalação de silos de ração. As medidas contribuem para a geração de renda, a permanência do produtor no campo e a sustentabilidade da suinocultura.
Bioseguridade como prioridade
Além dos investimentos em infraestrutura, o município incentiva fortemente a adoção de práticas de manejo, sanidade e bem-estar animal, fundamentais para a competitividade da suinocultura moderna.
Nesse contexto, destaca-se o Programa Municipal de Incentivo à Biosseguridade na Suinocultura, que subsidia adequações exigidas pelas legislações vigentes. Por meio do programa, cada produtor inscrito pode receber:
– Até 15 horas-máquina para obras e serviços de adequação sanitária;
– 700 URMs por ano, o que atualmente corresponde a R$ 4.802,00, pelo período máximo de seis anos, conforme disponibilidade orçamentária.
Atualmente, cerca de 100 produtores participam do programa, reforçando o compromisso do setor com a sanidade, a prevenção de doenças e a segurança da produção.
Acompanhamento técnico especializado para a suinocultura
O Programa Pró-Suíno assegura acompanhamento técnico permanente por meio de um profissional da Secretaria Municipal de Agricultura, dedicado exclusivamente à suinocultura, oferecendo suporte contínuo aos produtores e contribuindo para o aprimoramento da atividade no município.
PROMAT fortalece a atividade agropecuária
O PROMAT – Programa de Manutenção na Agropecuária consiste no repasse de créditos financeiros aos empreendimentos rurais, calculados em 5% sobre o retorno de ICMS gerado pelo próprio produtor, com base no Valor Adicionado Fiscal (VAF) do setor agrossilvipastoril.
O programa tem como objetivo auxiliar na manutenção das atividades no campo, estimular a produção e fortalecer a arrecadação municipal. Têm direito ao benefício os empreendimentos que efetivamente geram retorno de ICMS ao município, com exceção da produção leiteira, que possui regulamentação específica.
Em 2025, o PROMAT resultou no repasse de R$ 305.816,45 a 255 produtores rurais, evidenciando sua relevância para o fortalecimento do setor agropecuário local.
Associação
A construção e a consolidação dessas políticas públicas contam com a participação ativa da Assuipassos – Associação dos Suinocultores de Três Passos, que atua de forma direta na elaboração, no incentivo e no aperfeiçoamento dos projetos voltados à suinocultura. Como representante dos produtores, a entidade tem papel fundamental no diálogo com o poder público e contribui de maneira significativa para o desenvolvimento técnico, econômico e sanitário da atividade no município.
Suínos
Estresse térmico e desafios fisiológicos elevam riscos produtivos na suinocultura
Manutenção do equilíbrio hídrico e eletrolítico é apontada como fator essencial para reduzir perdas reprodutivas nas matrizes.

Artigo escrito por Flávia Cristina Silva, médica Veterinária (UFU) e MBA Gestão Empresarial, coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex
A homeostase não é um conceito abstrato difícil de ser mensurado: ela pode ser aferida através de alguns parâmetros. Pode-se avaliar, por exemplo, o pH sanguíneo (entre 7,35 e 7,45), a temperatura retal (entre 38,6 e 39,2ºC), os batimentos cardíacos (de 60 a 120 bpm), a frequência respiratória (entre 32 e 58 mrm), a porcentagem de água corporal (de 50 a 80%), a glicemia (entre 65 e 95 mg/dL), entre outros. O que vai determinar qual desses números vai enquadrar o animal em homeostase é a fase de vida dele. Logo, um leitão de maternidade tende a ter batimentos cardíacos muito acelerados (entre 110 e 120 bpm) enquanto a mãe dele vai ter um ritmo bem menos veloz (entre 60 e 80 bpm).
Os principais recursos fisiológicos usados por animais para manutenção da homeostase estão ligados ao movimento de água e eletrólitos. O ganho de água acontece principalmente pela água de bebida (80%), ração (5%) e metabolismo (15%). Lembrando que uma ração seca tem aproximadamente 12% de umidade e que os produtos do metabolismo aeróbico são água e CO2. E a perda acontece em sua maior parte pela urina e menor parte pela respiração e pele (perda insensível) e pelas fezes. Já o ganho de eletrólitos é quase exclusivamente pela ingestão de ração e ínfimo pela água. A perda de eletrólitos acontece principalmente pela urina, fezes (saliva e bile) e muito pequena parte pela pele, já que os suínos têm poucas glândulas sudoríparas funcionais. Então, o estado de equilíbrio entre a perda e o ganho de água e eletrólitos significa que o animal está em homeostase.
Fases desafiadoras das fêmeas
Os suínos destinados à reprodução, mais especificamente as fêmeas, passam por fases desafiadoras para a homeostase, natural e ciclicamente. Uma fêmea no cio tem seu apetite reduzido e pode entrar em hipoglicemia (ou cetose metabólica) e desidratar-se. O periparto é bastante desafiador também, pois no mesmo evento (o parto) temos uma redução intencional na oferta de ração e uma súbita necessidade de energia e eletrólitos (para contrações uterinas) e água (para formação do colostro).
Além do mais, o parto é um evento desencadeado pela alta concentração de cortisol produzido pelos leitões já prontos para nascerem. Já uma fêmea lactante tem sua temperatura retal normal aumentada (39,1ºC), pois a lactogênese produz calor. Toda vez que uma fêmea passa por uma situação estressante em que não consegue manter a homeostase ela, numa tentativa de autopreservação, sacrifica seu desempenho reprodutivo. Isso pode ser percebido quando há uma repetição de cio irregular, um aborto, um baixo número de nascidos totais ou uma baixa produção de leite. Seja hipoglicemia, desidratação ou hipertermia, essas condições naturais são inerentes ao processo, mas podem ser agravadas por infraestrutura inadequada que não mitiga estressores ambientais. O calor é inquestionavelmente o principal estressor ambiental da fêmea suína.
Embora desenvolvido para ruminantes, o esquema da Figura 1 é aplicado na Bioclimatologia Animal em suínos e outras espécies. Suínos adultos criados sob condições climatológicas brasileiras (que variam de equatorial à subtropical) têm mais desafios frente ao calor que ao frio. Ondas de calor muito intensas ou abruptas podem produzir uma ofegação (aumento da frequência respiratória) que aumenta a excreção de CO2 e do pH sanguíneo levando o animal à alcalose respiratória e morte por hipertermia. Todos os mecanismos de hipo e hipertermia podem ser explicados pela regulação ácido-base sanguínea.

Figura 1 – Representação esquemática das zonas de sobrevivência, bem-estar e homeotermia em relação as condições ambientais dos ruminantes
Ferramenta coadjuvantes
É evidente que nenhum recurso adicional elimina os efeitos de uma infraestrutura deficitária com incidência solar direta, alta umidade (acima de 70%) ou altas temperaturas (geralmente, acima de 22ºC para animais adultos), por exemplo. Mas suplementos minerais, vitamínicos e com carboidratos via água de bebida são uma excelente ferramenta como coadjuvantes na correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos causados pelo estresse natural e provocado de cada fase.
Suplementos compostos pelos principais íons presentes no meio extracelular (Na+ e Cl-) e intracelular (K+), além de fontes de energia (glicose), mantém a bomba de sódio e potássio ativa e funcional e ajudam a manter o pH sanguíneo na estreita faixa de variação tolerável pelos animais. A pressão sanguínea pode variar até 10% sem que haja prejuízo para o suíno, mas pode ser fatal se a osmolaridade sanguínea variar acima de 1%.
Vitaminas como C, E e A são antioxidantes e combatem os radicais livres aumentados nesses períodos estressantes. Já as vitaminas C, do complexo B e D ajudam a regular os níveis de cortisol circulantes.
Conclusão
Em resumo, mesmo que todas as condições de bem-estar animal ligadas ao conforto térmico sejam oferecidas às fêmeas suínas, os eventos cíclicos naturais como cio, parto e lactogênese são suficientemente estressantes. Capazes de provocar desidratação, hipoglicemia e hipertermia, exacerbados por estressores ambientais ou uma condição física debilitada, os efeitos desses eventos naturais variam desde uma perda de desempenho leve até a fatalidade. Logo, utilizar ferramentas como suplementos minerais, vitamínicos e energéticos podem facilitar a manutenção da homeostase. É bem-estar animal na prática.
Suínos
Comedouros seco-úmidos ganham espaço na suinocultura e melhoram desempenho produtivo
Tecnologia reduz desperdícios, aumenta velocidade de consumo e pode elevar a rentabilidade das granjas.

Na suinocultura moderna, a escolha e o manejo do comedouro podem definir tanto o desempenho zootécnico quanto a rentabilidade da granja. Entre as opções, o debate entre modelos secos e seco-úmidos de inox ganha cada vez mais relevância: de um lado, praticidade em sistemas sem acesso fácil à água; de outro, maior velocidade de consumo, redução de desperdícios e ganhos econômicos no longo prazo. A zootecnista e coordenadora técnica comercial da STA, Kaine Cubas, explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil.
Qual a sua percepção sobre o uso de comedouros de inox (tulha) no mercado atual?
Esse equipamento já existe há muitos anos no mercado mundial, mas, na minha opinião, o comedouro de inox veio para o Brasil, e o que aconteceu foi que a forma correta de uso para quem o utilizava não chegou junto com a tecnologia. E aí, o que acontece? A tecnologia acaba sendo queimada, assim como já ocorreu com várias outras. Além disso, vários aspectos evoluíram muito na suinocultura, como a nutrição e a genética. Entretanto, percebo que não só os comedouros, mas os equipamentos em geral acabam sendo um dos últimos pontos de atenção dentro da produção. Sempre falo que isso causa um impacto silencioso, mas de grande proporção em desempenho zootécnico e no âmbito financeiro.
Qual é a principal diferença prática entre o comedouro seco e o seco/úmido, e o que isso significa para o desempenho do animal?

Zootecnista Kaine Cubas explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil
Basicamente, quando utilizamos água em quantidade adequada (isso é bastante importante), a velocidade de consumo de ração pelo animal aumenta. Ou seja, no comedouro seco a velocidade de consumo de ração pelo animal é menor. Aliado a isso, o animal não tem água disponível no comedouro, então precisa se deslocar até o bebedouro auxiliar da baia. Na alimentação seca o animal acaba levando um pouco de ração na orelha, além de sair comendo e derrubando ração seca da boca, o que aumenta o desperdício. Por esses motivos, em um comedouro seco a capacidade de animais é reduzida pela metade com relação a um comedouro seco-úmido. Portanto, na alimentação seco-úmida, o custo por animal do equipamento é reduzido em comparação à alimentação seca. Noto que muitas vezes há a percepção de que um comedouro seco não é bom e isso não é verdade. Em situações em que o produtor não tem condições de utilizar um comedouro seco-úmido por falta de mão de obra, por indisponibilidade de adequar encanamentos, entre outros motivos, o comedouro seco é uma ótima opção, assim como em regiões em que há falta de água ou pouca disponibilidade.
O manejo da água nesse sistema pode trazer vantagens também em relação à redução de desperdícios?
Em meu ver a água é um dos pontos principais para o sucesso no uso de comedouro seco-úmido. Percebo a preocupação dos produtores e pessoas do setor com a regulagem de ração, mas o primeiro ponto a ser regulado deveria ser a água. É necessária uma quantidade controlada de água na bandeja inferior do comedouro, justamente para se umedecer a ração, sem excessos. Vejo claramente no campo o uso comum de uma torneira ou registro na linha de água para regular a quantidade de água do comedouro. Isso não é normal e foi um mecanismo criado para compensar uma deficiência dos comedouros, essa é a verdade nua e crua. Esse comedouro foi desenvolvido para reduzir o uso de mão de obra na granja e não para que uma pessoa precise ficar o dia todo abrindo e fechando uma torneira: quando abre um pouco mais, o comedouro enche de água; quando fecha, a ração fica seca, e por aí vai. Quanto à redução de desperdício, o uso da água minimiza o desperdício de ração. Mas igualmente melhora o desperdício de água, visto que o animal também consome água no comedouro. Visto isso, muitos produtores canalizam a medicação via água para que o animal consuma no comedouro. Outra questão é que se há redução no desperdício de água, logo, há redução no volume de dejetos, que se sabe que é um problema principalmente para produtores que têm poucas áreas para destiná-los.
Além do desempenho zootécnico, que efeitos esse tipo de comedouro tem sobre o bem-estar animal e o comportamento dos suínos?
Obviamente o comedouro é apenas um componente dos sistemas de creche e de terminação. Mas ressalto que um dos cinco pilares do bem-estar se refere à liberdade de fome e sede, isto é, garantir acesso à água e alimentação adequadas. Assim, espera-se que animais bem alimentados tenham melhor imunidade e, com isso, menor incidência de doenças e taxa de mortalidade. Aliás, em animais alimentados em comedouro seco-úmido com manejo adequado nota-se que a uniformidade dos lotes também melhora.
Quais são os principais erros de manejo que podem comprometer os resultados esperados desse sistema?
Na realidade, o que acontece é uma sucessão de erros, desde a escolha do modelo de comedouro até a execução do manejo em si. Vejo no mercado de equipamentos muitas informações disseminadas por fornecedores e outras pessoas do setor que, quando questionadas, não sabem explicar de onde vieram e, quem sofre com isso, no final das contas, é o produtor. O erro mais clichê que vejo enraizado é o conceito de que nas fases iniciais de terminação e creche, quanto mais ração é deixada na parte inferior do comedouro, melhor será o consumo e a conversão alimentar. Tenho a oportunidade de acompanhar o andamento de lotes de terminação em muitas regiões do Brasil e sou convicta de que isso é um mito. O que vejo é um conceito teórico que não funciona, embasado na utilização de comedouro funil. Quando realizamos o manejo de um comedouro funil em um comedouro de inox o que eu espero é um resultado desastroso, pois quando se deixa mais ração na bandeja inferior do comedouro no início da terminação, a ração acaba ficando seca. Se a ração fica seca, o animal reduz a velocidade de consumo e seria necessário utilizar um comedouro com o dobro de bocas para atender a mesma quantidade de animais. Ou seja, acaba sendo ocasionada uma restrição de consumo. O que precisamos é de uma regulagem correta do começo ao final do lote.
Do ponto de vista econômico, a melhoria na conversão alimentar na terminação compensa o investimento inicial no comedouro seco/úmido?
Com toda a certeza. Para exemplo, vou considerar um comedouro de três bocas por lado que será instalado na divisória de duas baias. Esse modelo de comedouro comporta em média 84 animais. Se o produtor faz três lotes de terminação ao ano e é esperado que o comedouro tenha no mínimo 10 anos de vida útil, esse produtor terá R$ 1,37 de custo por animal em 10 anos para a compra de uma unidade desse equipamento. Já quando o produtor piora a conversão alimentar em 0,05 em um comedouro desse modelo, isso representa em torno de 1.500 kg de ração a mais que passará por um único comedouro em um ano. É uma conta que fecha tranquilamente, mas o olhar precisa ser a longo prazo.
Hoje, há tecnologias associadas aos comedouros que potencializam o efeito sobre o desempenho?
Com certeza, atualmente há tecnologias nos comedouros que melhoram substancialmente o desempenho dos animais. Um exemplo é o sistema que emprega válvulas de silicone capazes de controlar a pressão e, consequentemente, a vazão de água, garantindo o umedecimento adequado da ração. Essa tecnologia evita o enchimento excessivo dos comedouros de água e dispensa o ajuste manual de vazão por meio de torneiras ou registros, o que proporciona maior precisão e praticidade no manejo. Em testes de campo, foi possível observar comedouros operando com vazão de 2 L/min, que é considerada muito alta, mas, mesmo assim, mantendo o nível ideal de umidade na ração, resultado obtido graças à ação controladora do silicone presente na válvula umedecedora.
Quais as características que um comedouro seco-úmido de inox precisa ter para ser considerado de qualidade?
Há vários quesitos a serem considerados, vou comentar sobre os principais. Em primeiro lugar é importante que o comedouro seja composto de inox 304, que é um tipo de aço durável e resistente à corrosão. Muito cuidado: existe outra liga de aço no mercado, a 201, que visivelmente é parecida com a 304, entretanto não é resistente à corrosão. Outro ponto é que em termos de durabilidade, comedouros de inox soldados são mais resistentes e duráveis com relação a comedouros parafusados. Além disso, a regulagem de ração precisa e milimétrica em um comedouro é fundamental, pois impacta diretamente nos resultados produtivos. Por último, mas tão importante quanto, uma válvula umedecedora que controle água é primordial. Lembrando que o excesso de água está atrelado a excesso de consumo de ração.
Na sua visão, qual deve ser a tendência de adoção do comedouro seco/úmido no Brasil nos próximos anos?
Acredito que em cada sistema há um modelo de alimentação dos animais que se enquadre melhor, pois cada realidade é única. No entanto, com todos os produtores e empresas com quem converso acabo ouvindo um assunto em comum: a falta de mão de obra. Vejo a adoção do comedouro seco-úmido no Brasil nos próximos anos como algo promissor e que pode ajudar os produtores nesse quesito, pois esse equipamento foi desenvolvido para utilizar o mínimo possível de mão de obra e ser manejado de forma bastante simples. Outro aspecto a considerar é que é um equipamento durável e que demanda de pouquíssima manutenção.
Se você pudesse dar um conselho a alguém que irá comprar comedouros seco-úmidos de inox, qual seria?
Independentemente de quem for, que esse produtor escolha um fornecedor de sua confiança, que seja capaz de lhe auxiliar a obter os melhores resultados possíveis com o equipamento. Não é apenas comprar e instalar, o resultado vem da forma de manejar. Quando falo em manejo as pessoas associam à regulação de ração. Mas o manejo engloba vários aspectos, desde a escolha do modelo, até as estratégias de regulagem de ração e de água ao longo do lote. Não há resultado sem pós-venda, isso é fato.
Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.



