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Nova gestão da Embrapa Cerrados projeta agricultura regenerativa e digital
Empossado para mandato de dois anos, Jorge Werneck sucede Sebastião Pedro e propõe ampliar práticas sustentáveis, uso de dados e inteligência artificial no Cerrado.

O pesquisador Jorge Werneck assumiu a chefia-geral da Embrapa Cerrados em cerimônia realizada, na última quarta-feira (11) em Planaltina (GO), diante de auditório lotado por empregados, parceiros, representantes de instituições públicas e privadas do setor agropecuário e integrantes do corpo diplomático.
Werneck inicia mandato de dois anos, com possibilidade de recondução por igual período, sucedendo Sebastião Pedro, que esteve à frente da Unidade entre 2020 e 2025. A nova chefia é composta ainda pelos chefes-adjuntos Edson Sano (Pesquisa e Desenvolvimento e substituto do chefe-geral), Cristiane Cruz (Transferência de Tecnologia) e Herler Oliveira (Administração).
A solenidade reuniu a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, os diretores Clênio Pillon e Selma Beltrão, além de autoridades como o senador Izalci Lucas, o deputado federal Rodrigo Rollemberg e o secretário de Agricultura do Distrito Federal, Rafael Bueno.
Em seu discurso, Silvia Massruhá ressaltou a necessidade de apoio contínuo à ciência e à tecnologia e afirmou que a Embrapa, com 43 unidades atuando de forma integrada, mantém reconhecimento nacional e internacional como referência em agricultura tropical.
A presidente destacou o papel estratégico da Embrapa Cerrados na transformação do bioma, antes considerado improdutivo, em uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, resultado de avanços como correção de solos, incremento de produtividade e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.
Ao abordar os desafios atuais da pesquisa agropecuária, Massruhá apontou como prioridades a promoção de uma agricultura sustentável nas dimensões ambiental, econômica e social; a ampliação de práticas regenerativas e de baixo carbono; a inclusão socioprodutiva e digital; a transparência nos processos produtivos; e a adequação às exigências do mercado internacional. Ela também enfatizou o uso de dados confiáveis, tecnologias digitais e inteligência artificial como ferramentas para consolidar uma agricultura cada vez mais preditiva.
Segundo a presidente, a solidez institucional da Embrapa está ancorada no conhecimento acumulado por seus pesquisadores, na articulação com produtores rurais, universidades e instituições nacionais e internacionais e na credibilidade construída ao longo de 53 anos. Ao final, agradeceu a gestão de Sebastião Pedro, desejou êxito à nova chefia e defendeu atuação cooperativa para manter o protagonismo da instituição no Brasil e no exterior.
Gestão aberta à sociedade
Sebastião Pedro afirmou que, ao assumir o cargo, sabia que o desafio seria grande. “Sabia que a régua era alta. Mas o que alcançamos juntos superou as expectativas”, declarou.
Ele destacou os resultados obtidos nos cinco anos de gestão, como a criação de projetos de agroinovação, a entrega de tecnologias de impacto para a sociedade e a defesa de uma agricultura tropical regenerativa e inclusiva.
Sebastião ressaltou que sua gestão foi marcada pela abertura à sociedade, pelo estímulo à inovação e pela redução da burocracia. “Focamos no desenvolvimento regional e na inclusão produtiva. Minha maior emoção foi ver essa unidade aberta à sociedade, recebendo famílias, promovendo ciência e mostrando que a tecnologia de ponta é, sim, para todos”, afirmou.
Ele agradeceu o empenho dos empregados e dos chefes-adjuntos. “Ninguém chega a cinco anos de gestão com esse nível de entrega trabalhando sozinho. Obrigado pela paciência nos momentos de crise, pela resiliência nos períodos de escassez e pelo entusiasmo em cada descoberta. Vocês me tornaram um gestor melhor e mais consciente. Saio com a certeza de que a Embrapa Cerrados continuará na vanguarda da revolução sustentável no campo”, enfatizou.
Nova gestão
Ao assumir o cargo, Jorge Werneck relembrou a transformação histórica do Cerrado, resultado direto da ciência, da inovação e das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e seus parceiros. Ele reconheceu os avanços obtidos na gestão anterior. “Foi, sem dúvida, um período de muitas inovações e, talvez, a principal delas tenha sido o fortalecimento do diálogo com o mundo”, declarou.
Werneck ressaltou, no entanto, que os desafios se tornam cada vez mais complexos. “Não podemos mais falar apenas em produzir. Precisamos produzir com sustentabilidade plena: ambiental, social, econômica e cultural”, destacou.
Segundo ele, a mesma ciência que possibilitou o desenvolvimento do Cerrado deve agora liderar sua conservação e o uso inteligente e responsável dos recursos naturais. “Quero construir, junto com os colegas, a Embrapa Cerrados do futuro: uma casa de soluções integradas, onde agricultura de baixo carbono, integração de sistemas, recuperação de pastagens degradadas e uso eficiente da água sejam práticas consolidadas. Uma ponte para o mundo, levando não apenas commodities, mas tecnologias tropicais para regiões com desafios semelhantes aos que superamos”, salientou.
O novo chefe-geral encerrou reafirmando o compromisso com a continuidade do legado institucional, agradeceu à equipe, aos parceiros e à família e convocou todos a se engajarem em uma nova etapa de desenvolvimento sustentável no Cerrado. “Sei que herdo uma trajetória vitoriosa, construída por gigantes. Conto com a dedicação de cada servidor desta casa para enfrentarmos juntos esse novo desafio”, enalteceu.

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Safra de trigo em São Paulo deve ter redução de área em 2026
Preços internacionais baixos e custos de produção elevados levam produtores paulistas à cautela no planejamento das culturas de inverno.

O plantio de trigo no estado de São Paulo deve registrar uma retração de área na próxima safra, reflexo direto de um mercado global com oferta ampla e preços pressionados. O cenário de incerteza para o ciclo de inverno foi o tema central da primeira reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, realizada na quinta-feira (05).
A reunião, que também foi transmitida on-line, ocorreu de forma híbrida na sede da Cooperativa Agroindustrial de Capão Bonito (CACB) e reuniu lideranças, cooperativas e analistas para traçar as diretrizes do setor.
Para o novo presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, o momento é decisivo para o planejamento do produtor. “Devido a situação do mercado mundial do grão, pode haver uma diminuição de área em São Paulo este ano. O plantio de trigo ainda é uma das melhores opções para culturas de inverno, tendo em vista a garantia da liquidez dada pela indústria de moagem paulista e que, agronomicamente, o trigo contribui com o aumento de produtividade da cultura da soja”, afirmou durante a reunião.
Os relatos das cooperativas confirmam que o fator financeiro e a janela climática são os principais entraves para 2026.Na Capal Cooperativa Agroindustrial, a estimativa é de uma queda de 20% na área de trigo em relação ao ciclo anterior. O coordenador Técnico Airton Rodrigues pontuou que o desânimo do produtor é real: “A parte financeira precisa andar junto com a qualidade para o plantio ser viável. O produtor enfrenta riscos de clima e granizo, e precisa de segurança no campo para investir”.
A Cooperativa Castrolanda também reportou uma redução drástica nas áreas de inverno, com o trigo recuando de 5.700 para 4.590 hectares. Segundo o consultor agrícola Jeandro Oliveira, o atraso na colheita da soja impactou diretamente o cronograma. “O produtor acaba entrando na safra de inverno já negativado financeiramente, o que dificulta a manutenção das áreas”, explicou.
A apresentação da Cooperativa Holambra demonstrou ainda que o cenário é de maior estabilidade, com previsão de manter os 25 mil hectares de 2025, mas que a cevada surge como uma concorrente de peso, saltando de 2 mil para 5 mil hectares este ano. No caso da Ourosafra, o alerta foi para o impacto geopolítico nos custos de produção, especialmente nos fertilizantes nitrogenados e combustíveis.
No caso da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, o ciclo da soja alongou 30 dias, fazendo com que muitos produtores preferissem arriscar no milho safrinha tardio em vez de migrar para o trigo. “Ainda assim, a eficiência de plantio pós-soja é impressionante, com semeadura ocorrendo em até 24 horas após a colheita. Prevemos manter os 4 mil hectares do ano passado”, concluiu o engenheiro agrônomo Nelio Uemura.
Influência do mercado global e logística
A análise de conjuntura feita pelo analista da StoneX, Jonathan Pinheiro, reforçou que o mercado mundial vive um período de oferta farta, com produções recordes na Argentina e estoques de passagem confortáveis. O especialista explicou que o trigo argentino continua extremamente competitivo, inclusive ganhando mercados inéditos como a China e mantendo forte presença na Indonésia, Vietnã e Bangladesh.
“A Argentina tem hoje praticamente um ano inteiro de consumo dentro de casa. Com essa oferta elevada, é difícil falar em preços mais altos no Brasil, o que acaba desestimulando o nosso produtor a investir em área”, detalhou Pinheiro.
Sobre os conflitos no Oriente Médio, o analista destacou que o impacto é mais logístico do que direto nas cotações do grão. Houve uma redução superior a 50% no fluxo de navios pelo Mar Vermelho, com um aumento de 200% nas rotas pelo Cabo da Boa Esperança, o que eleva custos e tempo de entrega para os exportadores da Europa e do Mar Negro.
“Essa reconfiguração logística favorece a competitividade do trigo argentino no cenário atual. Para o Brasil, a volatilidade cambial típica de anos eleitorais pode ser o único fator a impulsionar os preços internamente a partir de maio”, explicou.
Nova presidência e inovações tecnológicas
A reunião também marcou a despedida de Nelson Montagna da presidência. Ele destacou o salto da produção paulista, que em 12 anos saiu de 90 mil para 500 mil toneladas, safra recorde conquistada em 2022. “Encerro meu terceiro mandato e acompanhei, ao longo desses anos, avanços significativos em volume e, principalmente, em qualidade no trigo paulista, fator que reflete o trabalho sério e comprometido de todos os envolvidos na Câmara Setorial. Seguiremos trabalhando para alcançar nossos objetivos e ampliar o suporte ao produtor, fortalecendo o diálogo com o governo estadual e com a Secretaria da Agricultura”, celebrou Montagna.
O vice-presidente da Câmara Setorial, José Reinaldo Oliveira, descreveu o momento atual como um “voo cego” para o triticultor. “Temos muitas perguntas, poucas respostas e muita incerteza frente a diversas variáveis. Quando temos uma safra cheia com boa produtividade e qualidade, o mercado fica lateralizado e acaba trazendo rentabilidade negativa. Esperamos que em 2026 consigamos algum retorno melhor”, ponderou Oliveira.
Além do balanço, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) apresentou avanços em pesquisa agrícola e reforçou que, apesar dos desafios de mercado, o suporte tecnológico ao produtor paulista segue em evolução. A reunião também contou com a palestra “Projeto Be8 – transformando grãos em energia e alimento”, além da apresentação da OR – Genética de Sementes e da Biotrigo.
O encontro ainda foi marcado pela despedida do Dirigente da Assessoria Técnica e Institucionais da Secretaria de Agricultura, José Carlos Junior da coordenação das Câmeras Setoriais da Secretaria de Agricultura e apresentação da Fabiana Ferreira da Costa Gouvea, que assume o cargo e reforçou o compromisso da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP) para receber e debater os pleitos do setor do trigo paulista.
A íntegra da transmissão ao vivo da primeira reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo está disponível no canal do Sindustrigo no YouTube.
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Mapa realiza operação para verificar regularidade da aviação agrícola no Maranhão
Ação mobilizou auditores e técnicos para checar registro de operadores, cumprimento das normas e aplicação aérea de agrotóxicos.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, entre os dias 02 e 05 de março, uma operação de fiscalização voltada à aviação agrícola e ao uso de agrotóxicos no Maranhão. A ação ocorreu em 19 municípios e contou com o apoio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA).
A iniciativa teve como foco verificar a regularidade de propriedades rurais e de operadores aeroagrícolas, especialmente quanto à obrigatoriedade de registro junto ao Mapa e ao cumprimento das normas que disciplinam a aplicação aérea de agrotóxicos.
Segundo a chefe da Divisão de Aviação Agrícola do Mapa, Uéllen Duarte, a força-tarefa concentrou esforços na identificação de operadores de drones sem registro no Ministério, além do atendimento a denúncias sobre possíveis irregularidades praticadas por esses operadores.
Além das ações em campo, a programação incluiu reuniões com entidades representativas de produtores e comunidades rurais, com o objetivo de prestar esclarecimentos e reforçar orientações sobre as exigências legais aplicáveis à atividade.
Como resultado das ações, foram lavrados pelo Mapa 33 Termos de Fiscalização, 26 Intimações e 6 Autos de Infração. Em decorrência das intimações, o número de Autos de Infração poderá aumentar. Os responsáveis poderão responder a penalidades administrativas previstas na Lei nº 14.515/2022, incluindo multas que podem chegar a até 150 mil reais.
A operação mobilizou sete auditores fiscais federais agropecuários e três técnicos do Mapa, de diferentes unidades da Federação, além de diversos fiscais da AGED-MA.
A fiscalização da aviação agrícola integra as ações permanentes do Mapa para assegurar o uso regular de insumos agropecuários e a conformidade das operações no campo.
Para mais informações sobre a legislação e orientações relativas à aviação agrícola, acesse clicando aqui.
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Participação feminina cresce e fortalece a gestão no agronegócio
Iniciativas do Sistema Faesc/Senar e dos Sindicatos Rurais ampliam capacitação e oportunidades para mulheres no campo.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento para reconhecer a força, a dedicação e o protagonismo feminino em todos os setores da sociedade. Cada vez mais, elas se destacam em atividades operacionais e também em elevados cargos de gestão e pesquisa, demonstrando competência, liderança e capacidade de inovação.
Assim como em outros setores, no agronegócio, esse protagonismo também cresce a cada ano. As mulheres estão cada vez mais em evidência, seja na lida diária nas propriedades rurais, na gestão dos negócios familiares, nas entidades e instituições do setor ou no empreendedorismo no campo. A participação feminina no setor agropecuário cresce de forma expressiva nas mais diversas atividades, abrangendo todos os segmentos do agronegócio. Gradualmente, elas assumem novas funções, ampliam sua presença e quebram paradigmas em atividades historicamente dominadas pelo público masculino.

Foto: Shutterstock
Nesse contexto, o Sistema Faesc/Senar (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e os Sindicatos Rurais têm investido de forma consistente na capacitação feminina, reconhecendo a importância do papel das mulheres para o desenvolvimento rural. Entre as ações desenvolvidas está o Programa Mulheres do Agro, que oferece inúmeras oportunidades de capacitação pensadas especialmente para quem faz a diferença no meio rural todos os dias.
Para divulgar a lista de capacitações, o Sistema também conta com o Catálogo Rosa, que reúne uma série de treinamentos voltados a incentivar a autonomia, ampliar o conhecimento e fortalecer o protagonismo das mulheres no campo. Diversas áreas estão contempladas como atividades de apoio agrossilvipastoril, agroindústria, silvicultura, pecuária, agricultura, aquicultura, entre outras.
A assessora jurídica sindical da Faesc e representante catarinense na Comissão Nacional de Mulheres do Agro da CNA, Andreia Barbieri Zanluchi, ressalta que os relatos das participantes têm sido extremamente positivos e motivam o Sistema Faesc/Senar a aperfeiçoar continuamente as ações voltadas ao público feminino. Segundo ela, mulheres com diferentes formações e trajetórias têm participado das capacitações e destacado a importância desses treinamentos para fortalecer sua atuação nas atividades das propriedades rurais.

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), José Zeferino Pedrozo: “Elas têm assumido funções estratégicas, contribuindo com inovação, organização da gestão e compromisso com práticas cada vez mais sustentáveis no campo”
Andreia também comenta que, fora das porteiras das propriedades, muitas mulheres vêm desempenhando um trabalho expressivo para o agronegócio catarinense, seja na área de pesquisa, no empreendedorismo ou à frente de entidades e órgãos ligados ao setor. “Ao analisar esse cenário, observamos que há mulheres contribuindo diretamente para os resultados econômicos conquistados pelo setor no Estado e isso é motivo de orgulho para todos nós”.
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, destaca que a presença feminina nas propriedades rurais tem crescido de forma expressiva nos últimos anos. “Elas têm assumido funções estratégicas, contribuindo com inovação, organização da gestão e compromisso com práticas cada vez mais sustentáveis no campo. Como representantes do setor produtivo, temos a responsabilidade de valorizar e incentivar esse avanço com aumento do acesso à qualificação e à profissionalização. Investir na formação das mulheres rurais é fundamental para garantir mais autonomia, oportunidades e liderança feminina. Isso fortalece o campo e impulsiona o crescimento sustentável do agronegócio”.
Para saber mais sobre os treinamentos do Programa Mulheres do Agro procure o Sindicato Rural da sua região.



