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Nova ferramenta avalia qualidade do plantio direto em lavouras com pivô central

Tecnologia auxilia na expansão das práticas do plantio direto na palha e da irrigação

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Divulgação/Embrapa

Uma nova tecnologia vai ajudar produtores e técnicos a avaliar a qualidade do sistema de plantio direto irrigado. O Índice de Qualidade Participativo do Plantio Direto para Condições de Irrigação por Pivô Central (IQPi) foi desenvolvido pela Rede de Pesquisa SoloVivo, no âmbito do convênio Embrapa-Itaipu Binacional.

“O sistema plantio direto (SPD) é uma prática agrícola conservacionista consolidada no Brasil e representa uma das principais tecnologias de produção sustentável no campo. Para que suas vantagens sejam observadas é importante utilizar o adequado manejo das culturas e do solo, especialmente em condições irrigadas”, afirma Marcelo Boechat Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente (SP).

Já a agricultura irrigada é capaz de aumentar a produtividade de duas a três vezes em relação às lavouras de sequeiro; ela ainda reduz o custo unitário de produção e otimiza a utilização do solo durante todo o ano, com até três ciclos de culturas agrícolas no mesmo local.

Portanto, o emprego do SPD com irrigação é a união da sustentabilidade com produtividade capaz de promover impactos importantes à agricultura brasileira. Por isso, a importância de técnicas para averiguar a sua qualidade, como propõe o IQPi.

Índice contribui para a melhoria contínua do sistema produtivo  

“A aplicação do IQPi é simples e rápida, permitindo uma autoavaliação pelo produtor ou técnico da assistência rural. É um teste de perguntas e respostas  cujo resultado origina métricas de qualificação, com atribuição de notas de excelente a muito ruim, que caracterizam a condição do manejo das glebas na propriedade”, explica Priscila de Oliveira, pesquisadora da Embrapa e uma das autoras do Índice.

O uso da ferramenta requer somente cálculos básicos de adição e multiplicação. Mas há necessidade de o produtor ter um registro histórico da gleba a ser avaliada e saber quais espécies foram cultivadas nos últimos três anos, com os respectivos meses de semeadura e colheita. Além de outros registros para o mesmo período, como evidências de erosão, transbordamento nos terraços e outros.

“O IQPi possui nove indicadores, dos quais apenas os que avaliam o manejo da irrigação requerem um pouco mais de conhecimento técnico para serem eficientes na melhoria do uso do recurso hídrico e para a conservação do solo. São contemplados parâmetros da irrigação, como balanço hídrico e manutenção periódica do pivô central”, detalha Alba Leonor, cientista da Embrapa Solos (RJ) e também autora do Indicador.

O propósito é que o produtor use o IQPi ao longo do tempo, de forma que desenvolva um processo de melhoria contínua no sistema produtivo com eficiência no uso da água pela identificação de pontos críticos no manejo. A avaliação pode ser estendida a toda a propriedade rural, sendo considerada até mesmo no âmbito de uma microbacia hidrográfica se, nas áreas de sua influência hídrica, os produtores adotarem esse mesmo instrumento de gestão.

“O hábito de avaliar a condução do sistema plantio direto, especialmente o irrigado, traz um ganho enorme para a agricultura nacional. Fazendo uso do IQPi, o produtor incorpora um importante benefício: a administração das glebas ou dos talhões da propriedade, podendo, a partir daí, tomar as decisões mais acertadas em relação ao manejo adotado”, ressalta o pesquisador da Embrapa Luis Carlos Hernani, desenvolvedor do IQPi.

Onde encontrar o IQPi

Os produtores e técnicos interessados podem acessar a ferramenta na internet e responder ao questionário do Anexo 1, calculando a pontuação conforme a Equação 1 e conferindo em qual classe de manejo se encontra. A partir disso, podem ser avaliadas, de preferência sempre com um técnico, as notas individuais dos indicadores que merecem ser melhoradas, ou seja, aquelas cujos valores ficaram abaixo do crítico, por exemplo. Assim, novas ações corretivas ou preventivas podem ser tomadas para a melhoria do manejo do SPD irrigado. Organizações coletivas podem fazer bom uso das questões agrupadas no Anexo 2.

A apropriação da ferramenta por técnicos e produtores rurais contribui para a implementação da meta “Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH)”, do sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, de 2015: “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”.

Brasil: 30 milhões de hectares para irrigar

Calcula-se que no território brasileiro 29 milhões de hectares são aptos ao uso da agricultura irrigada. Estima-se que em 2015 o Brasil atingiu a marca de 6,95 milhões de hectares irrigados e a expectativa é que haja incremento de três milhões de hectares (40% de aumento), alcançando em dez anos cerca de dez milhões de hectares irrigados. Atualmente, do total da água captada para fins de irrigação, não mais que 50% são efetivamente utilizados pelas plantas, em razão de três fatores principais: pouca utilização de critérios técnicos para manejo da água na maioria das áreas irrigadas; informações escassas e incompletas de parâmetros climáticos e da água disponível no solo para fins de manejo e reposição; e baixa eficiência de uso e aplicação da água nos sistemas irrigados.

Fonte: Embrapa Solos
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Notícias Mercado

Preço pago ao produtor de leite chega a R$ 2,13/litro, segundo Cepea

Preço médio deste mês está 51,4% superior ao registrado em setembro do ano passado

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O preço do leite captado em agosto e pago ao produtor em setembro aumentou 9,7% frente ao mês anterior (ou 18 centavos) e chegou a R$ 2,1319/litro na “Média Brasil” líquida, renovando, portanto, o recorde real da série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Assim, o preço médio deste mês está 51,4% superior ao registrado em setembro do ano passado, em termos reais (dados deflacionados pelo IPCA de agosto/20).

De acordo com pesquisas do Cepea, o preço do leite no campo registra alta acumulada de 56,4% desde o início deste ano. Essa expressiva valorização é explicada pela maior concorrência das indústrias de laticínios pela compra de matéria-prima, já que a produção de leite segue limitada.  Mesmo com os preços do leite elevados, a produção tem crescido pouco em relação à demanda e o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) registrou avanço de 3,9% de julho para agosto.

O aumento das cotações ao produtor entre março e agosto é um fator sazonal, já que a captação de leite é prejudicada pela baixa disponibilidade de pastagens, em decorrência da diminuição das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Mas, neste ano, a situação foi agravada.

Do lado da produção, deve-se destacar que as condições climáticas estiveram mais severas em 2020, com destaque para a estiagem no Sul do País, que impactou negativamente sobre a atividade leiteira. Também é preciso dizer que o aumento nos custos de produção em relação ao ano anterior tem dificultado os investimentos na produção. Somado a isso, a atípica queda de preços ao produtor em maio (diante das incertezas no mercado início da pandemia) deixou os pecuaristas mais cautelosos – muitos secaram as vacas ou diminuíram os investimentos. Essas ações no passado dificultaram a retomada do crescimento da produção, já que a atividade leiteira é diária e seu planejamento tem efeitos tanto imediatos quanto nos meses posteriores.

Outro motivo é a redução considerável dos estoques de derivados lácteos. Isso está atrelado à recuperação do consumo, ancorado nos programas de auxílio emergencial. Há, também, que se destacar que, no primeiro semestre, o volume de importações de lácteos foi enxuto, devido à desvalorização do Real frente a moedas estrangerias – o que contribuiu para a demanda superar a oferta e para a concorrência acirrada das indústrias de laticínios na compra de matéria-prima.

Expectativa

De acordo com agentes de mercado, o movimento de alta no campo deve perder força nos próximos meses. Isso porque o final da entressafra se aproxima com o início da primavera e com condições climáticas mais favoráveis para a produção leiteira. Além disso, a indústria tem aumentado as importações de lácteos, visando diminuir a disputa pela compra de matéria-prima. Como consequência dessa expectativa de maior disponibilidade de leite e derivados, pesquisas do Cepea mostram que o preço médio do leite spot em Minas Gerais se elevou apenas 0,2% na primeira quinzena de setembro e recuou 5,5% na segunda quinzena do mês, chegando a R$ 2,61/litro.

O acompanhamento diário das negociações de derivados durante a primeira quinzena de setembro também indicou desaceleração dos preços, devido à pressão dos canais de distribuição e ao endurecimento das negociações. Na parcial de setembro (considerando-se preços até o dia 29), as quedas nos valores médios da muçarela e do leite UHT negociados no estado de São Paulo foram de respectivos 1,5% e de 3,3%. Assim, existe uma tendência de estabilidade-queda para o preço do leite captado em setembro e a ser pago em outubro.

Fonte: Cepea
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Notícias Mercado

Mais de 30% do milho e da soja já são exportados por portos do Arco Norte

Ao mesmo tempo em que as rotas pelo Arco Norte ganham importância para o escoamento de grãos, cai a representatividade dos portos do Centro-Sul do país

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Claudio Neves

O Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que, de janeiro a agosto deste ano, cerca de 34% da soja vendida ao mercado externo foi embarcada pelos portos do Arco Norte; do total de milho exportado, 31% saíram principalmente pelos portos de Barcarena/PA, Miritituba (Santarém)/PA, Itacoatiara/AM e Itaqui/MA. Esses percentuais são semelhantes aos registrados no Porto de Santos, segundo indicam dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Ao mesmo tempo em que as rotas pelo Arco Norte ganham importância para o escoamento de grãos, cai a representatividade dos portos do Centro-Sul do país – especificamente para grãos. A equipe da Conab destaca que a diminuição tem acontecido anualmente e, em 2019, atingiu os menores patamares dos últimos 10 anos.

Em 2010, os portos da região Norte responderam por 14,4% das exportações agregadas de soja e milho; já em 2019, a participação atingiu 31,9%, como indicam dados da Antaq. Esse aumento pode ser explicado pela melhoria da infraestrutura na região, em particular pelo final da pavimentação da BR-163, que diminuiu o tempo e o custo de fretes até o porto de Miritituba, no Pará.

“É muito importante para as exportações brasileiras a oferta de rotas alternativas que diminuem o tempo gasto nas operações e os custos. As rotas para os portos do Arco Norte são bem mais atraentes para o escoamento da produção dos estados centrais brasileiros”, reforça o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

Desafios

Apesar da maior participação dos portos do Arco Norte, a matriz de transporte do país ainda é desbalanceada, com o modelo rodoviário se mantendo como principal. Neste sentido, o governo encaminhou para apreciação do Congresso o programa BR no Mar, que visa estimular a aplicação do modal de cabotagem no país.

“Com o aumento da produção, especialmente de milho em Mato Grosso, é importante que haja competição intermodal, de modo que melhore a eficácia e diminua o custo do transporte. A evolução do desempenho logístico é muito importante para que o Brasil se mantenha competitivo no mercado internacional”, reforça o superintendente.

Segundo estudo divulgado pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que busca mostrar a importância de sistemas multimodais para o transporte de cargas agrícolas em longas distâncias, a redução nos custos pode chegar a 58% dependendo da rota de escoamento e dos modais utilizados. “Existe espaço para a utilização da cabotagem em operações de ‘porta a porta’, complementando a movimentação com o rodoviário para menores distâncias. A combinação de modais é importante para a redução de custos de frete Mas, para isso, é necessário que alguns obstáculos sejam superados, como questões de tripulação nacional, sistema trabalhista e custo de combustíveis”, destaca Guth.

Entre os produtos agrícolas, café, arroz e trigo já são transportados no Brasil por cabotagem.

Cenário atual de preços

As cotações de fretes rodoviários devem se manter em patamares mais baixos que os praticados em agosto, tendo em vista que a maior parte da colheita da segunda safra de milho, principalmente em Mato Grosso, foi realizada em julho. Até janeiro de 2021, não haverá grandes volumes de safras a serem colhidos, de maneira a impactar o serviço.

Por outro lado, as exportações aquecidas impedem que as cotações de frete caiam nesta entressafra. O ritmo mais cadenciado a partir deste mês leva a relativo equilíbrio entre oferta e demanda por transporte.

Fonte: Conab
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Preços ao produtor no Brasil renovam maior alta histórica em agosto, diz IBGE

Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 3,28% em agosto após alta de 3,22% em julho

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Os preços ao produtor no Brasil renovaram a maior alta da série histórica em agosto, em um resultado que se deve principalmente à elevação no custo dos alimentos e das atividades relacionadas ao refino de petróleo e biocombustíveis, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (29).

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 3,28% em agosto após alta de 3,22% em julho, quando já havia atingido o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2014. O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

Os dados mostram que, pela primeira vez, todas as 24 atividades pesquisadas apresentaram alta nos preços, segundo o IBGE. Após o 13º aumento mensal consecutivo, o IPP acumula avanço de 10,80% no ano e a inflação em 12 meses chegou a 13,74%.

A atividade de alimentos, que tem o principal peso no índice geral, passou a subir 4,07% em agosto, registrando a maior variação desde março (4,23%). “Foram quatro produtos que mais impactaram o resultado da indústria alimentar: farelo de soja, óleo de soja, arroz descascado branqueado e leite esterilizado UHT longa vida”, explicou o gerente do IPP, Manuel Campos Souza Neto, em comunicado. “O arroz e os produtos de soja são também influenciados pelos preços do mercado externo, pois também são exportados”, completou.

A alta de 6,24% do preço do refino de petróleo e produtos do álcool na comparação com julho também se destacou no mês, no terceiro mês consecutivo de alta. O fato da inflação ao produtor ter disparado nas últimas leituras acendeu o alerta quanto a repasses para os consumidores.

O Banco Central reconheceu um descolamento grande entre a inflação ao produtor (IPA), mais alta, e ao consumidor (IPCA), mais baixa, com a diferença observada em agosto tendo sido a maior desde 2003 considerando variações em trimestres móveis, e indicou que deverá haver algum repasse ao IPCA à frente.

Mas o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC tem posição de absoluta tranquilidade em relação à inflação, reconhecendo que há pressão no curto prazo, mas sem perspectiva de que transborde para os anos à frente.

Fonte: Reuters
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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