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Bovinos / Grãos / Máquinas O Presente Rural

Nova edição de Bovinos, Grãos e Máquinas está disponível na versão digital

Nova edição está disponível na íntegra e gratuitamente

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O Presente Rural

A edição de agosto/setembro de Bovinos, Grãos e Máquinas de O Presente Rural já está disponível na versão digital. O assunto de capa é como o calor e a umidade desafiam os rebanhos brasileiros com doenças e estresse térmico. São entrevistas com especialistas do setor que falam sobre as diferentes doenças que acometem os bovinos nesta época do ano, além de abordar como evitá-las e tratá-las.

Além disso, a edição conta ainda com entrevistas exclusivas sobre mercado, trazendo perspectivas das principais culturas nacionais, como o milho, a soja e o trigo. Há ainda artigos técnicos escritos por profissionais de renome do setor falando sobre saúde animal, bem-estar e as novas tecnologias existentes no mercado.

O jornal conta ainda com matérias que trazem novidades das principais e mais importantes empresas do agronegócio nacional e internacional.

Você pode ler a edição completa e gratuitamente aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Alerta da Embrapa

Fim do inverno é período para revisar plano anual de controle do carrapato

Para pesquisadora e médica veterinária, Claudia Gulias Gomes, um bom plano deve ter como premissas a adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas

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Arquivo/OP Rural

Queda na produtividade, doenças e até mesmo a morte do animal. Estes são alguns dos problemas que os carrapatos podem provocar no rebanho bovino, de corte e leite. Por isso, é preciso que o pecuarista tenha um bom planejamento na fazenda para garantir que esta praga não lhe cause dores de cabeça.

De acordo com a médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Claudia Gulias Gomes, a dinâmica populacional do carrapato dos bovinos na região Sul é fortemente influenciada pelo clima, já que o inverno mais rigoroso do que o observado no restante do país favorece o controle natural da infestação dos campos nesta época do ano. “Há, portanto, uma tendência de redução populacional durante o inverno e aumento ascendente das infestações na primavera, verão e outono. Quando as medidas de controle adotadas são insuficientes ou ineficazes, a infestação dos campos alcança níveis críticos no outono, acompanhado, geralmente, de maior incidência de surtos de tristeza parasitária bovina (TPB), doença transmitida pelo carrapato”, conta.

Ela informa que a carga parasitária do rebanho, no entanto, é influenciada por muitos fatores. “O clima é somente um deles. Também são determinantes do grau de infestação de uma fazenda as práticas de controle adotadas, a sensibilidade genética da raça, idade dos bovinos, estado fisiológico, dieta do rebanho, práticas de manejo das pastagens e práticas de manejo do próprio rebanho. Desta forma, é possível observar propriedades lindeiras em situações de controle populacional completamente distintos”, afirma.

Para evitar ou, no mínimo, controlar a praga, a especialista comenta que o pecuarista deve elaborar, com a orientação de técnicos capacitados, um plano ou estratégia de controle anual que tenha como foco a redução da infestação do campo e do número de tratamentos com antiparasitários ao longo dos anos. “A estratégia de controle nunca será a mesma para diferentes propriedades, pois depende do grau de infestação da propriedade no momento do planejamento, sensibilidade da população de carrapato local às bases químicas disponíveis no mercado, sensibilidade do rebanho ao carrapato e à TPB, características particulares do sistema produtivo (cria, recria, terminação, ciclo completo, somente pecuária, iLP, iLPF, etc.), assim como a viabilidade na adoção de medidas de controle não químicas adequadas ao sistema produtivo. Como as infestações dos campos são dinâmicas, assim como as práticas de manejo da propriedade, é recomendado que se revise este plano anualmente”, menciona.

Se não adotadas as medidas, as perdas podem ser altas. “Os prejuízos para a saúde do rebanho incluem o estresse, anemia, redução do apetite e, consequentemente, do ganho de peso, aumento do risco de infecção pelos parasitos que causam a TPB, aumento do risco de ocorrência de bicheiras (miíases) e, em casos extremos, o óbito”, alerta.

Além do mais, as perdas podem ser também econômicas. “A redução na produção de carne/leite é a perda econômica direta. Há dados de pesquisa que estimam perda de 1,37 e 1,18 gramas de peso corporal por fêmea ingurgitada (teleógina) para Bos taurus e seus cruzamentos com Bos indicus, respectivamente. Porém, há também uma perda indireta, muito importante, associada à desvalorização do couro, gastos adicionais com medidas emergenciais de controle e eventuais mortes de animais em consequência do alto parasitismo ou pela ocorrência de surtos de TPB”, explica.

Manejos necessários

Claudia conta que além da elaboração e revisão do plano anual de intervenção baseado em premissas de prevenção e controle condizentes com as particularidades do sistema produtivo, existem outros manejos e práticas gerais de extrema importância no enfrentamento deste desafio.

Um deles é manter a oferta de alimento em quantidade e qualidade adequados à categoria animal durante todo o ano. “O estresse nutricional afeta a imunidade dos bovinos, permitindo o desenvolvimento de um maior número de carrapatos. Cada teleógina que cai no pasto pode gerar em torno de 3.000 novos carrapatos. Dieta adequada é, portanto, uma medida preventiva contra o parasitismo”, informa a pesquisadora.

Também é necessário adequar a lotação animal à capacidade das pastagens, mantendo em mente que quanto maior for o número de animais por área, maior será a probabilidade de infestação da pastagem e dos animais.

Além disso, o descarte de animais com alta sensibilidade ao carrapato do rebanho também é uma prática recomendada. “A sensibilidade/resistência do bovino ao parasitismo pelo carrapato possui um forte componente genético e é, portanto, uma característica herdável”, diz. A condução de quarentena na entrada de animais na propriedade, de forma a evitar o risco de introdução de cepas resistentes aos acaricidas comerciais, é outro manejo que deve ser priorizado pelo produtor.

Outra prática importante é o uso consciente dos antiparasitários. “Manter registro dos tratamentos, delinear estratégia de uso adequado à situação em conjunto com veterinário, monitoramento anual da sensibilidade da população aos acaricidas por meio do teste de biocarrapaticidograma, treinamento/orientação de funcionários por veterinário quanto às instruções para dosagem, via de aplicação e armazenamento correto dos acaricidas, observância aos períodos de carência para abate ou consumo de leite são importantes”, destaca.

Claudia ainda comenta que na ausência de uma forma de prevenção contra a TPB, o carrapato deve ser controlado, mas não erradicado. “Caso contrário, os animais ficarão muito sensíveis à infecção e o risco de surtos aumenta. As baixas infestações funcionam como uma imunização natural, já que o carrapato é o principal vetor dos agentes que causam a doença”, diz.

A atenção do pecuarista deve se voltar ainda para o sistema produtivo escolhido na propriedade. “Estima-se que 95% dos carrapatos de uma propriedade estejam no pasto, na forma de ovos, larvas ou fêmeas adultas que se desprenderam do bovino para postura (fases de desenvolvimento de vida livre). Somente os 5% restante estariam nos animais (larvas, ninfas e adultos – machos e fêmeas – fases de desenvolvimento de vida parasitária). As condições do ambiente junto ao solo, no local onde o rebanho é mantido, podem ser favoráveis ou desfavoráveis à sobrevivência das fases de vida livre. As escolhas de manejo feitas pelo homem interferem nestas condições”, comenta.

A pesquisadora explica que o confinamento tem particularidades distintas da criação extensiva e pode ser bastante diverso quanto às condições do campo, dieta ofertada, período e idade de exposição dos animais ao desafio do parasitismo. “Então, é esperado que haja diferença de manejo entre animais confinados e não confinados ao se pensar em estratégias de controle parasitário. As particularidades do sistema, grau de infestação da propriedade e práticas em execução serão determinantes para a escolha das medidas de intervenção. Mas, não há receita pronta”, afirma.

Planejamento é essencial

Segundo a pesquisadora da Embrapa, o fim do inverno é um bom período para o delineamento ou revisão do plano anual de controle, baseado nas premissas de adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas. “Na revisão do plano, o técnico e o produtor poderão fazer os ajustes necessários conforme a evolução obtida no ano anterior e, avaliar a viabilidade de adoção de medidas de controle não químicas, de forma a reduzir a frequência de uso dos acaricidas”, comenta.

Claudia explica que em propriedades com alta infestação, o controle deve ser iniciado já na primavera, de forma a evitar o aumento populacional ascendente no verão e outono. “A adoção do controle estratégico é indicada em propriedades com alta ou média infestação dos campos. Porém, é preciso conhecer quais bases funcionam na propriedade para saber que produtos poderiam ser usados. O intervalo entre tratamentos será estruturado conforme o período de efeito residual do(s) produto(s) de escolha e de forma a interferir no ciclo de desenvolvimento do carrapato em suas gerações iniciais”, informa.

Já em uma fazenda com baixa infestação por carrapato, menciona a pesquisadora, onde o número de tratamentos já é reduzido, o uso do controle estratégico poderia agravar a sensibilidade do rebanho à tristeza parasitária bovina. “Portanto, não há receita pronta que se adeque a todas as propriedades. A revisão do planejamento deve ser contínua e realizada por profissionais com conhecimento técnico”, reitera.

A especialista comenta que as altas infestações por carrapato podem causar prejuízos muitos maiores do que o investimento em medidas de caráter preventivo, seja pelas perdas em produção ou pelo custeio adicional com medidas emergenciais em casos de ocorrência de resistência múltipla aos acaricidas e perda de animais em surtos de TPB. “A medicação curativa aplicada com frequência traz consigo o aumento do custo no controle e o rápido estabelecimento da resistência do carrapato às bases químicas em uso, não sendo, portanto, uma alternativa sustentável no longo prazo. O cenário atual é escassez de bases químicas no mercado e a perspectiva de surgimento de acaricidas com mecanismos de ação diferenciados é baixa. A aplicação consciente do conhecimento acumulado sobre estratégias de controle do carrapato se torna ainda mais primordial para a garantia da sustentabilidade produtiva, bem-estar animal e segurança do alimento, preceitos valorizados cada vez mais pelo consumidor”, aconselha.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Impactos do clima para os parasitas na pecuária

A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos

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Divulgação/Biogénesis Bagó

Artigo escrito por João Paulo Lollato, médico veterinário, pós-graduado em Produção e Reprodução de Bovinos, MBA em Gestão Comercial e mestrando no programa de Mestrado Profissional em Clínicas Veterinárias e coordenador de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Brasil

As alterações de clima afetam o dia a dia de consumidores e dos negócios. As atividades rurais estão ainda mais sujeitas às interferências das mudanças de temperatura ou condição climática. O produto, seja a colheita dos grãos ou o boi gordo, é muito dependente do fator clima para que o ciclo produtivo comece e termine com o êxito desejado.

As altas temperaturas podem interferir em diversos aspectos, que vão desde a formação muscular do animal até a sua capacidade reprodutiva. O calor é um dos principais fatores de estresse para o gado de corte, uma vez que todas as raças têm um limite de tolerância às altas temperaturas.

A interferência do clima nos bovinos de corte não acontece somente de forma direta, afetando o seu bem-estar, por exemplo. Indiretamente, a mudança de temperatura e as chuvas impactam a produção dos grãos que são utilizados na alimentação dos animais, como é o caso da soja e do milho, além da pastagem, que se refere a boa parte da alimentação diária.

De forma direta, é possível destacar que quando o gado passa por momentos de estresse térmico, a sua saúde acaba sofrendo as consequências. É fato que o calor serve para aumentar a taxa de crescimento dos músculos dos bovinos, mas quando o calor é excessivo, eles acabam não se alimentando direito e diminuindo o peso. A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos.

Quando analisamos a produtividade média do rebanho bovino brasileiro, percebemos que os níveis ainda são muito baixos quando comparados a outros países no mundo. Esses níveis necessitam ser rapidamente incrementados, em especial a taxa de abate, que no Brasil está em torno de 25 % e, como referência, os EUA possuem 35%. Ou seja, a cada gargalo da produção, a rentabilidade do negócio diminui.

Parasitos

A atividade pecuária pode ter sua rentabilidade comprometida significativamente pelos efeitos dos parasitas tanto internos quanto externos que afetam os bovinos. As perdas econômicas no Brasil foram estimadas em aproximadamente R$ 13,96 bilhões. Para esta conta foram consideradas as perdas potenciais que somam os prejuízos reais causados pelos parasitas, a perda de produtividade, os investimentos em medicamentos e ainda o reflexo desta perda de produtividade para a indústria. O grande causador deste prejuízo são os vermes internos, que representam cerca de 51% das perdas geradas por parasitas. Estima-se que cada bovino parasitado pode deixar de ganhar até 41 Kg por ano, ou seja, o parasita consumindo mais de duas arrobas de carne de cada animal não tratado.

Dentre os parasitas que acometem os bovinos, segue um quadro com os principais agentes parasitários internos e externos:

Controle estratégico parasitário

Considerando esses prejuízos e o que temos hoje no mercado de medicamentos para controle de parasitas, tanto internos quanto externos, desenvolveu-se o conceito de controle estratégico parasitário.

Para se montar este controle temos que levar em consideração alguns pontos importantes. Nos animais, a idade, a raça ou grau de sangue, a suscetibilidade individual, o status nutricional e o comportamento de pastejo são pontos de extrema importância para se construir um programa estratégico. Devemos também levar em consideração e cuidar com a avaliação dos parasitas, nos quais avaliamos a resistência, infecciosidade, especificidade, distribuição e concentração parasitária.

Outro ponto de extrema importância a ser considerado para um controle estratégico é o ambiente, devendo ser levado em conta topografia, cobertura de solo, aguada, clima, pluviosidade e tipo de pastagem. Lembrando que apenas 5% dos parasitas são os que vemos estão nos animais e os outros 95% estão no ambiente.

Avaliados todos esses pontos, viabilizamos as drogas presentes no mercado veterinário no programa de controle estratégico. Atualmente o conceito desenvolvido na Embrapa do 5-7-9 ou 5-8-11 é muito utilizado, pois consideramos o 5, mês de maio (entrada da estação seca), ou seja, aplicar um produto à base de ivermectina 1,13% ou doramectina 1,10% viabiliza muito os animais diminuírem seu desafio de parasitas, tanto internos quanto externos para enfrentar a escassez de matéria seca (pastagens). A aplicação do 7 ou 8, dependendo do controle, seria relacionada ao mês de julho ou agosto, pois nessa época do ano, a seca já está estabelecida em grande parte do país, de forma que o desafio para ectoparasitas é menor e os parasitas estarão se refugiando dentro dos animais. Por isso é interessante uma aplicação de Fosfato de Levamisol concentrado porque ele elimina grande parte da verminose presente nos animais. A outra aplicação seria realizada no mês 09 ou 11, correspondente aos meses em que tem início a  estação das águas, e realiza-se a aplicação de um produto longa ação, geralmente uma ivermectina 3,15%, que fará com que os animais passem tranquilamente pela estação de melhores pastagens com menor desafio tanto para parasitas internos quanto externos.

Devemos considerar ainda que animais provenientes de compras devem receber um tratamento antiparasitário logo na chegada à nova propriedade pensando em evitar uma contaminação das pastagens. Não é rotina realizar exames nos animais para saber sobre a carga verminótica devido à dificuldade de locais para exame. Por isso, uma aplicação estratégica de Doramectina 1,10 % na chegada dos animais faz esta limpeza tanto de parasitas internos quanto externos.

O uso de “pour on” para controle de ectoparasitas é extremamente importante também para auxiliar o controle estratégico, pois contamos com produtos à base de Cipermetrina, Clorpirifós e Butóxido de Piperonila (PBO), que são extremamente eficazes contra moscas e auxiliam muito bem no controle de carrapatos. Para controle dos carrapatos especificamente, o Fluazuron tem um trabalho muito importante no controle deste parasita nos animais e nas pastagens.

O controle estratégico é uma ferramenta prática, eficaz e rentável que, utilizado da forma correta, evita os prejuízos provocados pelos parasitas e utiliza o clima como ferramenta para auxiliar no controle dos parasitas.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bem-estar animal

Bovinos podem sofrer estresse térmico com temperaturas de 23°C

Especialista destaca que dependendo de alguns fatores, como umidade, mesmo em temperaturas brandas, animal já pode começar a sofrer estresse térmico e suas consequências

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Para aprofundar ainda mais os problemas produzidos pelo estresse térmico em bovinos de corte, o jornal O Presente Rural entrevistou o médico veterinário, doutor em Ciência Animal e Pastagens, Lucas Mari, gerente de Suporte Técnico para América do Sul da Lallemand Animal Nutrition. Ele destaca que dependendo, de alguns fatores, como a umidade, mesmo em temperaturas brandas, de 23 graus Celsius, o animal já pode começar a sofrer estresse térmico e suas consequências. Confira.

O Presente Rural – Quando o gado de corte entra no estresse térmico? Qual sua zona de termoneutralidade?

Lucas Mari – Quando falamos de estresse térmico, é muito importante salientar que não é apenas a temperatura alta que interfere negativamente no desempenho e saúde dos animais ou de gado de corte, que é o caso aqui. A alta umidade é um fator que, associado à temperatura elevada, diminui o desempenho em especial nos países tropicais, como o Brasil. Outro fator importante é que, em boa parte do país, a alta temperatura ocorre durante um período em que a umidade relativa do ar é também alta. A junção da temperatura e umidade relativa do ar compõem uma variável chamada THI (do inglês Temperature Humidity Index) ou ITU, Índice de Temperatura e Umidade. Assim consideramos que o animal de corte começa a sofrer com o estresse térmico a partir de THI maior que 72, de acordo com a descrição no quadro 1. Mesmo em temperaturas relativamente brandas, por exemplo de 23°C, se a umidade relativa do ar for superior a 80% já há estresse térmico para o animal.

Quadro 1

Índice de Temperatura e Umidade, as células destacadas em amarelo são os valores em que animais de corte são afetados (THI > 72).

O Presente Rural – Em que regiões do Brasil o estresse térmico é mais acentuado?

Lucas Mari – Não há locais no Brasil em que o estresse térmico não seja um problema. Talvez a região Sul tenha um impacto menos marcado, mas isso não quer dizer que não ocorra. No verão, o estresse térmico também afeta os animais que são criados nesta região. Mas claro, a região Centro-Norte do país é onde os animais mais sofrem com o estresse térmico.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa no desempenho zootécnico dos animais?

Lucas Mari – Animais que estão submetidos ao estresse térmico acabam por terem desempenhos reduzidos em virtude, diretamente, do gasto energético para dissipar o calor produzido e, indiretamente, dos processos fisiológicos ou até patológicos envolvidos. Dentre as consequências estão redução do consumo de matéria seca. Em estudo na Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, os pesquisadores verificaram que a partir de 24°C há queda na ingestão. Aos 27°C há perdas de 4% no consumo, aos 30°C as perdas são de cerca de 10% e aos 35°C há queda de 28%. Além disso, há diminuição da atividade normal; aumento do fluxo sanguíneo direcionado à pele e redução, consequente, para os órgãos; menor ganho de peso; aumento da frequência respiratória e aumento da transpiração; busca de sombra e vento e aumento do consumo de água. Um impacto do estresse térmico no animal é acidose ruminal, com o aumento da temperatura e umidade há perda de saliva, ou seja, o animal baba e diminui a capacidade de tamponamento ruminal, seja pela falta de bicarbonato salivar, seja pela maior dificuldade de produção deste bicarbonato. Também devido à queda no consumo, a ruminação é diminuída e favorece a acidose, pois menos saliva é produzida.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa no desempenho reprodutivo dos animais?

Lucas Mari – Em especial para reprodução, se pensarmos nas fêmeas, o estresse térmico tem impacto direto. Há recomendação para não se inseminar uma fêmea caso sua temperatura retal esteja acima de 39°C. Se isso ocorrer, há grande risco de o sêmen ser perdido.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa na saúde e bem-estar dos animais?

Lucas Mari – Vale lembrar que a temperatura alta ocorre em período de grande precipitação, em boa parte dos locais onde há criação de gado de corte. Assim, animais em confinamento podem sofrer com barro e isso afeta o bem-estar, sua saúde e desempenho. Além disso, a temperatura e umidade altas criam condições favoráveis para o crescimento de microrganismos patogênicos, o que também poderá aumentar a frequência de animais doentes.

Como o animal faz para dissipar calor?

Lucas Mari – Existem dois tipos de resfriamentos: evaporativo e não-evaporativo. Lembrando da física, o resfriamento não-evaporativo ocorre por três maneiras de troca de calor: radiação, condução e convecção. Estas três maneiras dependem de um gradiente de temperatura para ocorrer. A radiação e a condução ocorrem por troca atmosférica, enquanto a condução ocorre por contato. Mas para que o resfriamento não-evaporativo ocorra, deve ter superfície ou temperatura atmosférica menor que a temperatura corporal do animal. Por sua vez, a importância do resfriamento evaporativo é maior em temperaturas atmosféricas mais altas e torna-se mais efetiva quando a temperatura de cerca de 20°C é atingida. Há duas maneiras evaporativas de resfriamento: resfriamento pelo trato respiratório e resfriamento pela superfície corporal. Também há medida que a temperatura atmosférica aumenta, mais o animal depende da troca pela superfície corporal, pode-se dizer que a pele (e sudorese) é o verdadeiro “radiador” dos ruminantes.

O Presente Rural – Como o manejo na pecuária de corte pode ajudar a reduzir o estresse térmico?

Lucas Mari – Água é básico em todo momento, mas sobretudo durante o período mais quente. E ela deve estar disponível em quantidade e com qualidade, deve ser dimensionada conforme a lotação do pasto ou curral de confinamento. É importante dar acesso ao bebedouro por todos os lados, isso impede que animais dominantes tomem conta do ponto de água, o ideal é ter mais que um bebedouro disponível/curral. Existem trabalhos sendo conduzidos ultimamente avaliando a melhoria na ambiência de animais de corte, mesmo em confinamento, a aspersão dos currais, por exemplo, já é mais comum, embora com objetivos diferentes, como diminuir a poeira, traz benefício ambiental. Poucos se preocupavam com sombra para animais de corte, há o entendimento de que os zebuínos são tolerantes ao calor e não precisam destas “regalias”, mas se observarmos mesmo rebanhos de Nelore, em muitos momentos do dia os animais estão embaixo de árvores, se elas estão disponíveis. O sombreamento de parte dos currais de confinamentos já foram avaliadas com resultados benéficos no GPD de animais desde o início dos anos 2000. Normalmente estas faixas com tela do sombreamento têm recomendação para serem posicionadas no terço final do curral, mas não junto à cerca, paralela à linha de cocho. Cerca de 5 m2 de sombra/animal é a recomendação mais geral.

Em termos de nutrição e alimentação recomenda-se dividir as refeições em mais vezes/dia, fornecer maior quantidade no horário mais fresco, adequar a nutrição (forragem de qualidade, leveduras vivas, antioxidantes). Em termos nutricionais algumas considerações: estar atento aos níveis de K, Mg, Na, Cl para compensar possíveis perdas via sudorese; se silagem for ofertada, inoculantes com L. buchneri tem efeito benéfico em aumentar sua estabilidade. Retire a silagem apenas no momento de fornecer.

O Presente Rural – Quais as novas ferramentas que podem auxiliar o produtor na redução do estresse térmico para rebanhos de corte?

Lucas Mari – Dentro do tema de aditivos nutricionais, temos trabalhado com a levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077. Em estudo recente conduzido na Universidade do Texas A&M em novilhos de corte suplementados com Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 mostrou-se muito efetivo em melhorar o ambiente ruminal neste período de desafio ruminal que é o verão, o que leva ao estresse térmico. O ganho de peso médio diário foi de 1,55 kg para o grupo controle, sendo que o grupo que recebeu suplementação da levedura viva teve ganhos de 1,59 kg/animal/dia. Os animais tratados também tiveram melhores pesos de carcaça após 72 dias de suplementação (365,1 vs. 360,5 kg de carcaça). Destaco que da mesma forma o animal ainda sentirá os efeitos deste período de calor, o que ocorre é que o rúmen está mais preparado para passar por este desafio.

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Fonte: O Presente Rural
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